Wednesday, May 25, 2011

Os Discursos de Obama

O presidente Americano Barack Obama fez dois grandes discursos sobre sua política no Oriente Médio em rápida sucessão: um no dia 19 de maio e outro, 3 dias depois, no dia 22. Apesar dele ter discutido várias situações em curso do que ele chama “Primavera Árabe”, o que mais recebeu atenção da mídia, foi claramente o impasse das negociações entre Israel e os palestinos. Analistas e politicos especializados no conflito e preocupados com o futuro do único país democrático da região, têm criticado Obama e vêem que Israel está em grande perigo. O ex-porta-voz do Congresso chamou o discurso “um desastre” dizendo que Obama está de fato pedindo que Israel comita suicidio.


Esta é a Terceira vez que Obama chama Israel para a briga de forma gratuita e não provocada. Uma vez foi quando a secretária de estado Hillary Clinton exigiu que Israel proibisse judeus de construir em Jerusalem e no outro quando o vice-presidente Joe Biden condenou publicamente Israel por faze-lo enquanto ele visitava o país.

Nos 3 casos, a briga foi provocada pela exigência americana, não palestina, de que judeus fossem proibidos de construir em Jerusalem e que as linhas de cessar-fogo de 1948 se tornassem as fronteiras definitivas entre os dois estados. Além disso, Obama havia trazido o primeiro ministro de Israel como se ele fosse um pária, sem fotos, sem jantares, sem nada, insultando o único aliado americano na região.

Assim que Obama colocou que esta era a vontade americana, os Palestinos endureceram suas posições. Os israelenses se retiraram obviamente ofendidos e sem qualquer inclinação para concessões e os palestinos adicionaram estas exigências às outras que já tinham de Israel.

Quando Obama se deu conta do erro que fez – que Israel está mais apto a concessões quando a relação com Washington é forte e quando os palestinos são pressionados e não bajulados – ele voltou atrás e convidou Netanyahu como se deve dando tapinhas nas costas como se nada tivesse acontecido.

Agora Obama mais uma vez errou e com certeza vai trilhar o caminho dos arrependidos de novo. O discurso de Bibi ontem foi especialmente convincente e ele pode mostrar seu desagrado o quanto quiser mas não terá escolha a não ser ficar do lado de Israel em setembro quando os palestinos vão pedir o voto de criação de seu estado nas Nações Unidas.

Obama prometeu muito em sua campanha: que iria resolver o conflito entre árabes e israelenses, que iria retirar as tropas americanas do Iraque e do Afganistão, que iria fechar a prisão de Guantanamo Bay, que iria resolver o desemprego. Nada disso ele conseguiu fazer e ainda envolveu os Estados Unidos na guerra na Líbia. Se ele prosseguir pressionando Israel a fazer mais concessões penosas e contraprodutivas que só irão levar à mais guerras e intifadas na região e com seus antigos fans já abandonando seu lado devido às outras promessas não cumpridas, Obama está estragando qualquer chance de ser reeleito.

Monday, May 16, 2011

Netanyahu em Washington - 15/05/2011

Parece difícil acreditar que depois do acordo de união entre a Fatah de Mahmoud Abbas e o Hamas – o grupo terrorista alinhado com a Al-Qaeda e a Irmandade Islâmica, o Presidente Barack Obama decidiu abrir mais uma rodada de pressão sobre Israel para conseguir mais concessões para os palestinos.


Na última quarta, o Wall Street Journal reportou que Obama pretende fazer um novo discurso ao mundo árabe, justamente antes de Netanyahu ter a chance de falar ao Congresso americano. Neste discurso, Obama irá elogiar os movimentos populistas que se ergueram contra as tiranias árabes dizendo que são exemplos para o futuro. Sobre Israel, a reportagem diz que Obama está tentando decidir se chegou a hora de apertar os parafusos mais uma vez.

Por um lado, o vice-conselheiro em Segurança Nacional Ben Rhodes disse ao Wall Street Journal que líderes árabes estavam exigindo uma nova iniciativa americana para forçar Israel a novas concessões junto com o lobby palestino J Street e o New York Times. Provavelmente para distrair seu público e os protestos.

Por outro lado, o governo de Netanyahu está pedindo ao Congresso para suspender a ajuda à Abbas. O acordo de união com o Hamas, que está na lista de grupos terroristas, torna ilegal para os Estados Unidos patrocinar a Autoridade Palestina. Tanto Netanyahu como membros seniores do Congresso americano argumentam que agora fica impossível uma paz e os Estados Unidos devem abandonar seus esforços para forçar as partes a um acordo.

Mas parece que Obama não se importa e quer ir adiante. Com a nova credibilidade conseguida com a morte de Bin Laden, ele acha que pode passar por cima do Congresso e exigir que Israel renda Jerusalem, a Judéia e Samária ao Hamas e seu sócio a Fatah. Isto mesmo com a resignação de seu enviado George Mitchell que após 2 anos não conseguiu levar o processo nem um passo à frente.

A prova está em três eventos que ocorreram esta semana. Primeiro, a administração Obama está tentando reduzir as exigências para aceitar o Hamas como uma força política legítima. Depois do primeiro acordo de união de 2007, o Quarteto colocou 3 condições para aceitar o Hamas: reconhecer o direito de Israel de existir, concordar em respeitar os acordos existentes e renunciar ao terrorismo.

Estas não são condições difíceis. A Fatah é dita como as tendo alcançado mesmo se na prática continuam a negar o direito de Israel de existir, não cumprem os acordos assinados e glorificam atos terroristas. O Hamas poderia fazer o mesmo. Mas recusa.

Assim, Obama reduziu as condições. Obama disse que o Hamas já fez várias concessões importantes quando assinou o acordo com a Fatah porque teria finalmente aceito as condições do acordo proposto por Mubarak em 2009. E porque o Hamas concordou que o governo de união será dirigido por “tecnocratas” em vez de terroristas.

Uau! Que boa notícia! Mas mesmo se isto for verdade, este argumento é absolutamente ridículo! Só para esclarecer, o acordo de 2009 diz que o Hamas irá se abster de pedir para se juntar às forças da Fatah na Judéia e Samária, que vêm sendo treinadas e armadas pelos Estados Unidos. E cá entre nós, quem é que Obama acha irá controlar os “tecnocratas”, seja lá quem forem? E só para trazer um pouco de honestidade à esta estória, esta semana o líder do Hamas Khaled Mashal categoricamente negou ao New York Times, ter aceito os termos do acordo de 2009. Ao contrário, ele disse que a Fatah concordou em emendar o acordo para refletir as posições do Hamas.

O segundo evento foi uma opinião publicada no Washington Post, escrita por Robert Malley, que no passado foi conselheiro de Obama. Nesta opinião ele diz que o Hamas se tornou mais moderado ou que poderá se tornar mais moderado pois estará mais sensível às pressões americanas. O New York Times, num editorial na semana passada disse que mesmo se o Hamas não se moderou, Obama precisa pressionar Netanyahu a voltar à mesa de negociação.

Juntando suas vozes ao coro, está Amr Moussa, candidato à presidência do Egito e o primeiro ministro da Turquia Recip Erdogan. Ambos deram entrevistas à jornais americanos chegando até a negar que o Hamas seja um grupo terrorista.

O último ponto que a administração americana está tentando empurrar é que este acordo é parte das mudanças que estão ocorrendo no Oriente Médio. Esta é difícil de engolir. A primeira vítima destes levantes populares está sendo justamente o acordo de paz entre Israel e o Egito. Mais de 60% da população egípcia quer a revogação dos acordos e a Guerra com Israel. E assim mesmo, Obama chegou a dizer que a tomada de poder pela Irmandade Islâmica no Egito é uma coisa boa.

Mahmoud Abbas e Yasser Arafat sempre viram a obsessão americana com um tratado de paz entre os palestinos e Israel como um trunfo estratégico. Quando era hora de enfraquecer Israel, eles só tinham que sussurar a palavra paz, que a administração americana corria para pressionar Israel a novas concessões. Todos os presidentes tiveram como objetivo entrar para a História com este troféu no bolso. Mas Obama é diferente. Ele realmente acredita na causa palestina. Edward Said, um palestino que usava suas férias na Universidade Columbia para jogar pedras em Israel do sul do Líbano era frequentador assíduo de sua casa, antes mesmo dele ser senador.

E por causa de seu comprometimento pessoal com os palestinos, suas posições são ainda mais radicais e anti-Israel que as da OLP e Fatah. Foi Obama, não Abbas que exigiu que judeus fossem proibidos de construir em suas próprias propriedades em Jerusalem, Judea e Samaria. É a administração Obama, não a OLP e Fatah que hoje lidera a idéia de acolher a Irmandade Islâmica.

Abbas argumenta que ele se uniu ao Hamas porque Obama não lhe deixou outra alternativa. Ele não tem qualquer desejo ou incentivo para fazer a paz com Israel. Com o apoio americano à Irmandade Islâmica, Abbas não poderia ser menos pró-islamico que Obama.

Aqui é importante notar que nenhuma declaração sobre o acordo da Fatah com o Hamas, feito pela mídia que cobre o presidente, incluiu qualquer menção ao fato que o Hamas seja um grupo terrorista. Ninguém notou que o Hamas lança mísseis diariamente sobre a população civil de Israel e foi quem alvejou um ônibus escolar no mês passado matando Daniel Viflic de 16 anos. Ninguém lembrou os massacres da Páscoa de 2002, nos cafés, nos ônibus, nos campus de universidades, em casas de judeus, todos perpetrados e continuamente comemorados pelo Hamas nos últimos anos. Ninguém mencionou que proporcionalmente à população, o Hamas matou mais civis israelenses que a Al-Qaida matou americanos.

E aí temos a viagem de Netanyahu a Washington esta semana. É óbvio que este discurso que Obama quer dar ao mundo árabe foi marcado para esnobar a tornar o trabalho de Netanyahu o mais difícil possível. Obama está apostando que ao fazer o primeiro movimento, irá conseguir espremer o primeiro ministro de Israel a mais concessões.

E foram as aparentemente inócuas decisões de Israel, de capitular sob a pressão de Obama que nos trouxeram à situação de hoje. A aceitação de um estado palestino, o congelamento de 10 meses das construções, deram boa razão para Obama pensar que pode colocar Netanyahu no canto quando quiser. E as histéricas advertências do ministro da defesa Ehud Barak sobre um “tsunami” diplomático nas Nações Unidas que ocorrerá em setembro se Israel não capitular hoje, sem dúvida dão ainda mais incentivo a Obama.

Mas Netanyahu não precisa capitular. Ele pode se manter firme e defender o país repetindo as verdades que sabemos sobre o Hamas. Ele pode avisar sobre a crescente ameaça no Egito, sobre os contínuos massacres na Síria e que um regime que mata seus próprios cidadãos não pode fazer a paz com o estado judeu. Ele deve lembrar ào senadores e congressistas que Israel é o único país estável, democrático na região e o único verdadeiro aliado dos Estados Unidos.

Se Netanyahu fizer isto, ele não vai ganhar amigos na Casa Branca aonde eles não existem de qualquer modo. Mas dará ao Congresso Americano poder para tomar decisões que irão ajudar a proteger Israel. E mais importante, seus eleitores saberão reconhecer seus esforços em casa.

Sunday, May 8, 2011

A União da Fatah e Hamas - 8/5/2011

Três dias depois da operação americana que deu um golpe talvez fatal na Al-Qaeda, e em meio a comemorações que pareciam nunca terminar da vitória americana sobre o terrorismo com a eliminação de Bin Laden, o mundo mais uma vez mostrou que continua cego. O rei está morto, viva o rei. Ossama está morto, viva o Hamas. É sempre bom lembrar do relacionamento do Hamas com a Al-Qaeda e a condenação da operação americana que matou este super terrorista pela liderança do Hamas.


Na quarta-feira, em meio a grande fanfarra patrocinada pelo exército egípcio, foi assinado o acordo da Fatah com o Hamas no Cairo. Não só membros do Hamas da Síria estavam presentes, mas membros das Nações Unidas e até hipócritas membros árabes da Knesset israelense.

Este acordo que coloca a Fatah e o grupo que jurou destruir Israel e instituir um califato islâmico global na mesma cama, tem sido elogiado pela mídia afora.

Comentários abundaram dizendo que este pacto aumenta as chances de paz na região, inclusive do ex-presidente americano e intrometido-mor Jimmy Carter. Em um editorial no Washington Post ele disse que o acordo é um passo para a frente, não mencionando sequer uma vez, que o Hamas é um grupo terrorista ou os perigos de ter suas forças integradas dentro das forças de segurança da Autoridade Palestina.

Alguns como o New York Times chegaram a dizer que a chance do acordo sobreviver depois de setembro, com ou sem o estado palestino declarado nas Nações Unidas, é muito remota. Mas o ponto não é se o acordo sobrevive ou não, se a Fatah gosta ou deixa de gostar do Hamas e vice-versa. O ponto é que ele dá ao Hamas legitimidade e acesso a uma enorme quantidade de fundos enviados pela comunidade internacional sem que ele tenha que abdicar de qualquer de seus princípios em favor da coexistência e paz com Israel. Só esta semana a Europa enviou 85 milhões de Euros para os palestinos que facilmente podem ser usados para comprar armas.

E em Israel, a esquerda continua a absurdamente se esconder atrás de ilusões. Tzipi Livni disse que a culpa deste acordo era de Netanyahu que se recusou a congelar permanentemente as construções de judeus na Judéia e Samária. Mas o maior argumento usado, inclusive pela adminstração americana, é a distinção entre a OLP liderada por Mahmoud Abbas, a Fatah, também liderada por Mahmoud Abbas e finalmente a Autoridade Palestina que tem como presidente Mahmoud Abbas.

O Departamento de Estado americano disse esta semana que já que é a OLP quem assina acordos com Israel, o acordo da Fatah com o Hamas não impactará na ajuda à Autoridade Palestina que é quem paga as contas. O próprio Abbas tem feito de tudo para encorajar esta noção. Ele tem dito à mídia que não há razão para preocupação já que é a OLP que participa das negociações de paz com Israel.

A razão pela qual pessoas consideradas inteligentes se propõem a fazer declarações tão absurdas é porque no mínimo elas devem estar em pânico. Este acordo de união entre a Fatah e o Hamas completamente desacredita o modelo de “Terra pela Paz”. Se as pessoas reconhecerem a importância deste acordo assinado esta semana, não haverá outra coisa a fazer a não ser abandonar este modelo. Qualquer apoio de Israel ou dos Estados Unidos que possa inferir legitimidade e reconhecimento à esta união da Autoridade Palestina, OLP e Fatah com o Hamas terá que terminar.

Esta não é a primeira vez que nos defrontamos com um momento de verdade. A que diz que os palestinos nunca deram as costas ao terrorismo e que os compromissos assinados com Israel são apenas uma estratégia para destrui-la. A história se repete. Já vimos isto em 1990 e depois em 2000.

Em 1990, Yasser Arafat, líder da OLP recusou condenar o ataque da Frente Popular em Ashkelon e Tel Aviv. Como hoje, Arafat tentou dizer que a Frente era um grupo independente e negou seu envolvimento no crime. Na época, os Estados Unidos estavam dialogando com a OLP depois de seu professado reconhecimento de Israel. Perante à esta clara demonstração de má-fé, o Congresso Americano e o governo de Shamir exigiram que o primeiro presidente Bush cancelasse o reconhecimento da OLP e acabasse com o diálogo com o grupo. Bush não teve outra escolha a não ser concordar. Um ano depois, em 1991, Bush disse que Arafat havia perdido toda a credibilitade e não reintegraria o reconhecimento da OLP.

Em 2000, Arafat perdeu novamente a credibilidade ao recusar a oferta de paz de Ehud Barak, juntando forças com o Hamas para conduzir a segunda intifada. Ao voltar de Camp David Barak disse que havia tirado a máscara da paz do rosto terrorista de Arafat. Naquela ocasião a esquerda quis crucificar Barak, que, como agora, culpa Netanyahu.

A situação que temos hoje é mais parecida com a de 1990. Isto porque o Congresso Americano também apoia o fim do patrocínio americano à Autoridade Palestina/Fatah/OLP. Mesmo antes deste acordo com o Hamas ser anunciado, a presidente da Comissão das Relações Exteriores, Representante Ileana Ros-Lehtinen, pediu o fim do financiamento da Autoridade Palestina pelos Estados Unidos, por sua recusa em negociar com Israel.

Depois do anúncio, ela notou que o Hamas é uma organização terrorista ao qual o governo americano está legalmente impedido de prestar assistência ou reconhecimento. Outros membros do Congresso estão renovando seus esforços para suspender a ajuda americana. Se Netanyahu não se mantiver firme e mostrar que está pronto a negociar com Abbas, ele minará os esforços destes membros do Congresso. Mas este não parece ser o caso.

Netanyahu congelou a remessa de impostos para a Autoridade Palestina em resposta ao acordo mandando um claro sinal de que Abbas não é um parceiro crível. Este acordo irá também limitar a habilidade de Obama de pressionar Israel a fazer outras concessões.

Da perspectiva das relações entre Israel e os Estados Unidos, este acordo de união vem num momento crucial. Netanyahu irá discursar perante o Congresso Americano no próximo dia 24. Uma rara oportunidade para ele conseguir alterar o discurso desta administração americana sobre Israel e do modo de resolução do conflito.

Netanyahu precisa acima de tudo se manter na ofensiva. Ele sabe que o modelo “Terra por Paz” falhou. Falhou em Gaza e irá falhar na Judéia e Samária. E o Congresso irá recompensá-lo se ele falar a verdade. Ele tem que mostrar a verdadeira natureza da relação entre o Hamas e a OLP. Netanyahu pode desmascarar a falsa narrativa de paz dos palestinos e mostrar sua face de terrorismo e Guerra. Com um só discurso, Netanyahu pode fazer mais para fortalecer e proteger Israel do que ele fez em toda a sua carreira.

Relações internacionais raramente fornecem ocasiões de corrigir erros passados. Se Netanyahu fizer a coisa certa, ele será com certeza duramente atacado por aqueles que advogam concessões infinitas. Mas suas condenações serão abafadas pela vasta maioria do público em Israel e dos amigos do estado judeu no Congresso americano e no resto do mundo. Todos nós agradeceremos o primeiro ministro de liberar Israel do mito que a paz é possível com terroristas. Ao fazer este acordo Abbas mostrou que não está interessado na paz e que outra vez, os palestinos optaram pela guerra.