Nos Estados Unidos, depois do furacão Irene, houve uma tempestade de outro tipo. A congressista americana e presidente do Comitê de Relações Estrangeiras Ileana Ros-Lehtinen apresentou um projeto de lei que, se for aprovado, irá colocar severas restrições às contribuições dos Estados Unidos para as Nações Unidas. Hoje a América contribui com 22% do orçamento da ONU que é passado sem qualquer prestação de contas aos Estados Unidos e é inclusive mandatório, isto é, os contribuintes nem podem perguntar aonde vai este dinheiro todo.
Se o Ato para Transparência e Prestação de Contas das Nações Unidas for aprovado, a ONU terá 2 anos para passar reformas orçamentárias pelas quais pelo menos 80% das contribuições seriam voluntárias. Se a ONU se recusar, os Estados Unidos serão obrigados a cortar pela metade o que pagam para a organização.
Além da reforma orçamentária, este ato contém várias exigências para com instituições das Nações Unidas que promovem agendas anti-americanas e anti-Israel. Por exemplo, os Estados Unidos teriam que suspender qualquer contribuição ao Comitê de Direitos Humanos até que revogue sua resolução que proíbe Israel de fazer parte dele permanentemente e passe uma resolução proibindo países que patrocinam o terrorismo de serem membros do comitê.
Além disso, o ato proibe dar fundos a atividades como o Relatório Goldstone e o processo anti-semita de Durban. Restringe substancialmente o patrocinio da agência palestina a refugiados que está tomada por terroristas e incita a destruição de Israel. O projeto de lei nota especialmente o plano da Autoridade Palestina de submeter seu pedido de reconhecimento de estado no final deste mês na Assembléia Geral e manda toda a suspensão de pagamentos a qualquer agência ou organização da ONU que elevar o nível de representação da missão palestina ou que votar a favor dela.
Este projeto tem 57 co-signatários e nota que a presença dos Estados Unidos no Conselho de Direitos Humanos desde 2009 não teve qualquer impacto na agenda anti-Israel que continua a ser atacada como um estado ilegítimo e racista.
Ignorando absolutamente todos estes fatos, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland disse que este projeto de lei “seriamente mina a posição americana no cenário internacional e enfraquece perigosamente a ONU como um instrumento para avançar os objetivos de segurança nacional dos Estados Unidos”.
Não esperavamos menos do governo Obama. Desde que se tornou presidente, ele repete que a ONU deve substituir os Estados Unidos como o líder do globo. Obama acredita que a América não pode operar unilateralmente no mundo.
Ele ainda insinua que as operações conduzidas fora do âmbito da ONU são de alguma forma ilegítimas – ele diz por exemplo que a situação complicada no Iraque é devida à falta de permissão do Conselho de Segurança para a invasão . Terceiro, ele acha que para os Estados Unidos terem credibilidade, não podem impor sua vontade e “ofender” outros membros. E finalmente, Obama acredita ser ultrapassado exigir que uma organização como a ONU preste contas. Qualquer um que levante este assunto é simplesmente “atrasado”. Mas a história prova o contrário. Há dezenas de casos em que os Estados Unidos agiram unilateralmente com sucesso como as ações em Kosovo, por exemplo.
Em contrapartida, as últimas reportagens mostram que na Líbia, as ações americanas devidamente autorizadas pelas Nações Unidas irão gerar uma situação em que o próximo governo será dominado por forças políticas e militares aliadas ao Irã.
Dizer que os Estados Unidos irão perder influência em assuntos internacionais se a ONU o ver como mandão, é simplesmente demente. A verdade é que os estados-membros são somente oportunistas quando se trata da ONU. Eles apoiam a organização quando ela apoia seus interesses e a ignoram quando ela se opõe.
Interesses nacionais conflitantes são a razão pela qual Obama falhou em conseguir apoio do Conselho de Segurança para qualquer coisa que parecesse como uma medida efetiva contra o programa nuclear do Irã. Chamar de “ultrapassado” aquele que exige que a ONU pare de patrocinar as causas dos inimigos da América, é insultante. É indicativo da cultura que motiva esta administração que continua a promover sua agenda centrada na ONU apesar de suas falhas óbvias e repetidas.
Como ficou claro, esta agenda de Obama não é fruto de um pensamento lógico e racional. Ela é fruto de uma ideologia endêmica nas universidades de hoje e de onde Obama e seus “conselheiros” saíram. Esta ideologia é direcionada por clichés repetidos como se fossem raciocínios sofisticados. Clichés como “governancia global”, “revolução twitter”, “multilateralismo” e “interdependência.”
Estas pérolas se tornaram artigos de fé impermeáveis a qualquer fato ou realidade. Aqueles que aderem à estes mantras nunca, nunca reconhecerão sua incapacidade de cumprir suas promessas utópicas. Em vez disso, eles atacam qualquer um que mostra estas falhas como “ultrapassado” ou “pessoas velhas e cansadas que não têm qualquer sofisticação para entender o mundo”.
E vemos esta atitude em todos os aspectos da política de Obama. Ele se tornou presidente dizendo que a razão pela qual todos os esforços para concluir um acordo de paz entre Israel e os palestinos falharam, era porque os palestinos nunca confiaram que os Estados Unidos pudessem “entregar” Israel. Para remediar esta percepção, Obama consistentemente procurou colocar Israel contra a parede. Esta política falhou miseravelmente, pois hoje os palestinos abandonaram a mesa de negociação e estão às portas das Nações Unidas pedindo reconhecimento sem negociação e sem que ter que abrir mão de absolutamente nada, perpetuando o conflito na região. E apesar disto, esta administração continua a se apegar à esta política porque reconhecer um erro envolveria renunciar à este cliché.
Outro exemplo é a política desta administração de engajar o Irã, o que resultou nos mullas ganharem a corrida nuclear, consolidarem seu poder reprimindo de modo violento os manifestantes pró-democracia, expandir sua influência no Iraque e Afganistão, dominar o Líbano, tomar passos para dominar o Egito, a Líbia e outros. E apesar disto, esta administração se recusa a admitir que sua política está errada e a adotar outra mais efetiva, porque ao faze-lo, seria admitir que o “engajamento” pregado por Obama não é o remédio que ele disse curava todos os males.
É claro, este projeto de lei deverá ser bloqueado pelo Senado controlado pelos democratas antes que Obama tenha a oportunidade de veta-lo. Isto é uma pena não só porque esta lei avançaria os interesses americanos e a causa da liberdade ao redor do mundo. É uma pena porque mostra que o debate sobre a política externa dos Estados Unidos hoje se resume àqueles que confiam nos fatos contra aqueles que confiam nos clichés.
Sunday, September 4, 2011
Erdogan vs. Israel - 4/9/2011
Nesta última sexta-feira, a Turquia expulsou o embaixador israelense e resolveu cortar todos os laços militares com Israel por ela não ter se desculpado por suas ações contra a flotilha no ano passado. Netanyahu reiterou várias vezes que sente a perda das vidas humanas mas não irá se desculpar por defender seu país. A Turquia havia dado à Israel prazo até a emissão do relatório das Nações Unidas sobre o evento. De fato, o relatório diz que as ações de Israel foram dentro do direito internacional e que houveram atos de violência por parte dos passageiros mas que o uso de força por Israel foi exagerado. Mesmo assim, o relatório foi rejeitado pelo governo turco.
Hoje há uma notável transferência de influência do Irã sobre as populações dos países árabes para a Turquia, especialmente por suas ações em relação à Síria. Recip Erdogan se vê como o próximo líder do mundo islâmico e não quer perder o momento. Ela quer mostrar que pode humiliar Israel e se não, está pronto a cortar os laços diplomáticos com o estado judeu. A Turquia não tem nada a perder expulsando o embaixador de Israel e rebaixando as relações diplomáticas. Ela só irá ganhar prestígio entre as populações dos países árabes e isto será muito importante na corrida pela liderança do mundo muçulmano.
Hoje há uma notável transferência de influência do Irã sobre as populações dos países árabes para a Turquia, especialmente por suas ações em relação à Síria. Recip Erdogan se vê como o próximo líder do mundo islâmico e não quer perder o momento. Ela quer mostrar que pode humiliar Israel e se não, está pronto a cortar os laços diplomáticos com o estado judeu. A Turquia não tem nada a perder expulsando o embaixador de Israel e rebaixando as relações diplomáticas. Ela só irá ganhar prestígio entre as populações dos países árabes e isto será muito importante na corrida pela liderança do mundo muçulmano.
Sunday, August 28, 2011
O Plano Falho do Estado Palestino - 28/8/2011
No começo deste ano, o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas tomou a decisão de cortar toda e qualquer negociação com Israel e ir direto para as Nações Unidas em Setembro e exigir a declaração do Estado da Palestina. Este pedido deverá ser vetado pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança enquanto que na Assembléia Geral, o esperado é que a maioria dos membros endosse a criação do estado dentro das linhas de armistício de 1948. Apesar desta resolução não ter força de acordo com o direito internacional, o mero fato que ela poderá ser passada, provoca reações negativas para Israel, os Estados Unidos e partes da comunidade internacional que deplora esta tática palestina e temem as consequências desta aprovação da Assembléia Geral. O Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak disse que ela será um “tsunami diplomático”. Mas estes temores são largamente exagerados.
Como já disse aqui, os palestinos têm muito a perder com estas ações e eles sabem disso. Já ontem, Abbas disse que se Israel aceitasse 2 condições, ele abandonaria seus planos de ir para as Nações Unidas. A primeira condição é a de Israel aceitar as linhas de armistício de 1948 como base para negociações e a segunda, a total cessação de construções de judeus na Judéia, Samária e Jerusalem. Ele disse que sem isso, ele seguirá com seus planos.
Primeiro, a ONU é uma instituição moralmente falida que dá igual voz igual aos piores agressores e violadores dos direitos humanos do mundo. Que diferença uma resolução de uma instituição tão sem poder poderia fazer num conflito secular como este? que pode a ONU realmente fazer para implementar qualquer recomendação da Assembléia Geral? Até agora, suas resoluções só reforçaram a intransigência palestina.
Atos da Assembléia Geral não poderão concertar o movimento nacional palestino que está totalmente fraturado e inoperante. A ONU não pode unir as dezenas de facções palestinas numa entidade política única ou apresentar negociadores razoáveis de Gazae Cisjordânia para sentar à mesa com Israel. Pode a ONU moderar o Hamas e convence-lo a não mais matar judeus ou a abandonar seu objetivo religioso de destruir Israel? Será que a ONU pode curar os palestinos da cultura do martírio? Quando esteve a ONU na posição de colocar um pouco de pragmatismo na cultura política palestina?
Os palestinos continuam a insistir neste inventado “direito de retorno” para refugiados, não para o futuro estado da palestina mas para Israel próprio, uma idéia totalmente rejeitada pelo mundo como não realista e um enorme obstáculo para a paz. Os palestinos estão tentando desesperadamente re-escrever a história, negando a ligação histórica dos judeus com Jerusalem. Eles nunca concederão que perderam a luta pela capital unida que os judeus irão defender até a morte.
Além disso, esta petição para a ONU causa grandes problemas legais para os palestinos. Uma opinião legal paga pela Al-Jazeera ao professor de direito internacional publico da Universidade de Oxford, Guy-Goodwin Gill, membro do time legal que representa o governo da Jordânia contra o muro de separação construído por Israel, mostra que os direitos dos palestinos como de representação, direito de retorno, e outros poderão ser seriamente afetados por esta submissão às Nações Unidas.
O professor disse que a ação palestina é algo que não foi bem pensado. Historicamente, a OLP foi a única representante legítima do povo palestino. Agora, é um suposto estado mas qual estado? E quais são as ligações democráticas entre aqueles que dizem que representam este estado abstrato e o povo palestino? Ele disse que hoje, além de um estado pressupor territorio, governo e a capacidade de assinar tratados internacionais ele também dever ser representativo de seu povo e a ele prestar contas. Claramente esta não é a situação nem em Gaza, nem na Autoridade Palestina. Mas os palestinos continuam a ser os maus perdedores e não irão tomar qualquer passo que fuja da retórica de destruição de Israel, para conseguir seu estado.
A ONU não pode fazer isto por eles. Ela não pode mudar nem os fatos no chão nem o comportamento palestino. Eles tiveram pelo menos duas oportunidades para criarem seu estado: uma em 1948 e outra em 1993, ambas desperdiçadas por falta de liderança. Recentemente vimos esforços bem sucedidos do primeiro ministro Salam Fayyad no estabelecimento de infraestruturas e governo. Mas justamente ele é visto como vendido aos Estados Unidos e sua popularidade é muito baixa entre seu povo, provando o caráter esquizofrênico da política palestina.
Outra pergunta é se podem os palestinos sobreviver sem mendigar ajuda internacional todo o mês? É possível cortar sua burocracia inchada e corrupta para criar uma economia saudável? Será que a polícia palestina, treinada e equipada pelos Estados Unidos irá conseguir controlar um território inundado de armas ilegais? Podemos confiar neles para se oporem seriamente ao Hamas ou teremos outra Gaza na Cisjordânia? Não temos que lembrar que são as incursões israelenses contra o Hamas que mantém a Autoridade à salvo e que o mercado de trabalho, transferências de dinheiro e outros serviços vindos de Israel são críticos para a manutenção das operações diárias da Autoridade Palestina.
Estes auto intitulados líderes palestinos se dão conta que suas opções em relação a Israel são limitadas e que mais uma campanha terrorista seria extremamente destrutiva aos seus interesses. A diferença entre uma Israel democrática, próspera e militarmente forte e um governo palestino corrupto, autocrático e fragmentado está para todos verem. Israel conseguiu “vencer” as primeiras 2 intifadas e poderá faze-lo de novo.
Esta ação palestina na ONU dá à Israel a oportunidade de tomar medidas unilaterais como a anexação dos blocos de assentamentos e o Vale do Jordão – necessários para o estabelecimento de uma fronteira defensável ao longo do rio Jordão. Além disso, Israel pode impor sanções econômicas aos palestinos contra esta violação dos Acordos de Oslo que proíbe ações unilaterais como esta.
O grande desafio para Israel agora, não está no campo diplomático. O mundo árabe está no meio de uma crise sociopolitica e não pode dar atenção aos palestinos. Israel conseguiu evitar que a última flotilha zarpasse para quebrar o bloqueio naval de Gaza e tem o reconhecimento do mundo como um estado judeu.
O que está em jogo é a união social do país. Um Israel unido atrás de um governo forte pode sustentar um longo conflito. A vasta maioria de israelenses acredita que os palestinos não estão ainda prontos para fazerem as concessões necessárias para a paz. E uma resolução não irá de modo algum mudar a opinião pública de Israel sobre a falta de credibilidade, incompetência e hostilidade das Nações Unidas.
Finalmente, esta reviravolta no mundo árabe, com a provável tomada da Irmandade Islâmica em vários países vizinhos, só mostra o quanto Israel precisa de fronteiras defensáveis. A não ser que apareça uma liderança palestina mais pragmática, o conflito continuará. Setembro será seguido por Outubro e muitos outros meses sem um estado palestino. Em vez de dar ouvidos a Barak e outros da esquerda que pregam a derrota e a desmoralização, Israel deve confiar em si mesma e em seus instintos e fazer o que deve ser feito para assegurar sua defensibilidade para esta e para as gerações futuras.
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