Sunday, September 11, 2011

Dez Anos - 11 de Setembro - 11/9/2011

Hoje é o décimo aniversário dos ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono. Naquele dia, eu saí bem cedo para trabalhar porque tinha que pegar o vôo para o Brasil à noite. Ao atravessar a 5ª avenida eu olhei para o sul da rua e lembro pensar que o dia estava tão claro, tão brilhante, que eu conseguia ver as Torres da Rua 45.


Eu estava em reunião numa corretora quando quase simultaneamente, todos os canais de televisão, usados para o acompanhamento dos mercados e bolsas mundiais, começaram a mostrar imagens do World Trade Center I em chamas. Imediatamente o pessoal aumentou o som. O que ouviamos era que havia ocorrido um acidente. E eu me perguntei como num dia tão claro sem uma núvem sequer, este acidente poderia ter acontecido.

Justo quando a especulação havia começado, vimos com nossos próprios olhos o segundo avião atingir a segunda torre. E todos nós sabíamos. Sabíamos que estávamos sob ataque. Neste momento olhei pela janela, para a 5ª avenida, que havia cruzado horas antes. As pessoas estavam paradas no lugar olhando para o sul, algumas com as mãos na cabeça, outras cobrindo a boca, os carros estavam parados no lugar, com os motoristas de pé imóveis com suas portas abertas. Os ônibus parados. Tudo tinha congelado como num filme de ficção científica.

Nas próximas horas ficamos transfixos com o colapso das torres e outros prédios em volta., o ataque ao Pentágono, o vôo 93 que caiu na Pennsylvannia e outras possíveis ameaças de vôos que aparentemente não haviam sido localizados. Tentei várias vezes ligar para o Brasil mas as linhas estavam simplesmente congestionadas. Lá pelas 3 da tarde, recebemos instruções para irmos para a casa. Olhando as ruas cheguei a pensar como meu caminho de volta estava diferente. As ruas desertas de pessoas e carros, uma fina camada de poeira cobria o chão. Lojas, bancos, negócios, todos fechados. Alguns haviam deixado a televisão acesa na vitrine e imagens das torres caindo se repetiam de todos os ângulos.

Foi impossível trabalhar nos dias seguintes. A cidade estava fechada e eu fui ser voluntária numa estação de bombeiros perto de casa. Eu não posso nem descrever a tristeza, angústia, frustração e lágrimas daqueles dias. Nas semanas e meses que se seguiram, a 5ª avenida estava praticamente fechada para o enterro de mais um policial, mais um bombeiro encontrado nos escombros das torres.

Menos de um mês depois a América atacou o Afganistão e venceu os Talibans.

É impressionante como, apesar do número de mortes e do impacto dos ataques, não houve muita mudança em como os países combatem o terrorismo nestes 10 anos. Neste tempo, a Al-Qaeda e seus associados conseguiram perpetrar vários ataques à países afiliados com o Ocidente.

Bali, Istambul, Casablanca, Jakarta, Tunisia, Londres, Madrid e Mumbai foram alvejados e outras dezenas de tentativas foram frustradas. No entanto, apesar de não ter ocorrido outro ataque espetacular como os de 11 de setembro, ficou claro que a Al-Qaeda e seus associados são peritos em guerra psicológica, tirando vantagem dos desenvolvimentos tecnologicos para aumentar a pecepção de seu poder.

Este sistema de propaganda é essencial para estes grupos terroristas por causa de sua necessidade de recrutamento constante e em particular para reabastecer o medo em seus inimigos. Há um aspecto no qual a Al-Qaeda e seus afiliados conseguiram vitória nesta década: a proliferação dos ataques por homens-bomba no mundo inteiro. Só no Iraque, Afganistão e Paquistão, ocorreram 2.400 ataques por homens-bomba desde 2001.

O medo e temor imposto pela Al-Qaeda e sua corja é baseado na total indiferença pelas vidas tanto de seus inimigos quanto de seus membros. Sua vontade de engajar em assassinato em massa vem de uma suposta chamada divina e demonstra o espírito apocalíptico desta luta, no qual o terror se tornou um instrumento legítimo. Esta chamada divina é o que os faz com que eles nunca hesitem em tomar o próximo passo e usarem armas de destruição em massa, se tiverem a oportunidade.

E a situação também não mudou em relação à Israel. Em 2001, ela estava combatendo ataques suicidas diários e ironicamente, tentando se contrapor à Conferência anti-racismo e discriminação patrocinada pelas Nações Unidas em Durban, na África do Sul, que havia se tornado o forum do veneno anti-semita.

Hoje, Israel está sendo atacada por todos os lados. Sua embaixada no Egito destruida e seus diplomatas salvos no último minuto. A Autoridade Palestina seguindo à frente com sua petição de ter seu estado reconhecido nas Nações Unidas sem qualquer negociação. Durban III está dando os toques finais em sua declaração final acusando Israel, e somente Israel, de racismo. E temos ainda a Turquia que expulsou o embaixador israelense e ameaçou escoltar a próxima flotilha para Gaza com seus navios de guerra.

O que é mais frustrante nesta retórica turca é que ninguém, nem um só país neste vasto mundo, tem a coragem, a ombridade de dizer à Turquia que ela é uma hipócrita.Ninguém nem sequer menciona a ocupação da Republica de Chipre pela Turquia desde 1974. Naquela data, um país soberano, de lingua grega foi invadido, resultando em ocupação contínua e considerável violações dos direitos humanos da população local. A Turquia cometeu limpeza étnica no norte da ilha, deliberadamente violando a Convenção Européia e a Convenção de Genebra de 1949.

Em 2004, Recip Erdogan hipócritamente condenou a construção da barreira de separação por Israel. Mas diferentemente de Israel que precisava da barreira para impedir a passagem de homens-bomba, a barreira que divide Chipre foi erguida para separar a população grega dos invasores turcos ajudando a consolidar sua presença na ilha.

Nesta última segunda-feira, o ministro do exterior turco Ahmet Davutoglu disse que a ocupação de Gaza é ilegal e que ela é fortalecida pelo bloqueio naval que para ele também é ilegal. Ninguém na arena internacional apontou o dedo para a Turquia como uma ocupadora ilegal de terras estrangeiras às quais ela não tem qualquer direito. A Turquia também se recusa a assumir qualquer responsabilidade sobre o Genocidio armênio.

Este foi o primeiro genocídio do século 20, que ocorreu quando dois milhões de armênios que viviam no leste da Turquia foram simplesmente eliminados de sua terra ancestral através de deportações forçadas e massacres entre 1915 e 1918. No cúmulo da arrogância, em julho, Erdogan exigiu desculpas do presidente armênio Serzh Sarksyan que havia se referido à Turquia oriental como parte da Armênia ancestral a crianças de uma escola. Isto sem falar nos kurdos que continuam a ser massacrados indiscriminadamente pelos turcos.

A Turquia é culpada dos mesmos crimes que ela diz são cometidos por outros mas ninguém a mandou calar a boca ou a chamou de hipócrita. Desde sua ascensão ao poder em 2002, o islamista Erdogan tem torpedeado a relação do seu país com Israel. Em 2009, depois da operação Chumbo Fundido, ele pediu que Israel fosse banida das Nações Unidas. No mesmo ano ele disse que Gaza era uma prisão à céu aberto, e acusou Israel de assassinato. Mas nem uma palavra sobre Chipre que continua invadida e dividida. E ainda assim a Turquia continua sendo candidata a membro da Comunidade Européia.

A realidade é que a Turquia está se aproveitando das revoluções nos países árabes para mostrar seus músculos e assumir a liderança do Oriente Médio. Sua continua vilificação de Israel, ocupação de Chipre e recusa em reconhecer o genocídio armênio é parte do esforço maior que os islamistas estão fazendo para reavivar os gloriosos dias do Império Otomano. O objetivo mor de Bin Ladin: de restituir o Califado.

A mesma ideologia da Al-Qaeda está no Hamas que a Turquia quer tanto proteger. O Hamas que prega em sua constituição a destruição de Israel e jogar os judeus ao mar. Mas de acordo com as Nações Unidas em Durban III é aparentemente legítimo odiar judeus enquanto eles tiverem o nome de “israelenses” ou “sionistas”. E é isto o que esperamos nos próximos discursos de Ahmadinejad e Recip Erdogan nesta Assembléia Geral.

Muitas vezes nos últimos 10 anos Israel avisou o mundo sobre a natureza do regime de Bashar Assad na Síria, das intenções genocidas de Ahmadinejad do Irã e da loucura do líder líbio Muammar Khadafi e mesmo assim, cada um deles foi recebido com honras e fanfarras em conferências internacionais e viajam livremente para Nova York para encontros na ONU. Enquanto isto, líderes israelenses não podem viajar para a Inglaterra pois podem ser presos por “crimes de guerra” – o crime de defenderem seu país de mísseis e foguetes. Enquanto isso, Khadafi se sentou no Conselho de Direitos Humanos da ONU e foi quase substituido pela Síria.

O mundo livre pode ter mudado em 11 de setembro de 2011 mas ainda não entendeu a força que o atacou. Bin Laden está morto mas as forças do mal, no entanto, não estão.

Este comentário é dedicado às 2,819 pessoas que pereceram no dia 11 de setembro de 2001 e em particular aos 343 bombeiros e 60 policiais, heróis nova iorquinos.

Sunday, September 4, 2011

Prestação de Contas Pela ONU - 5/9/2011

Nos Estados Unidos, depois do furacão Irene, houve uma tempestade de outro tipo. A congressista americana e presidente do Comitê de Relações Estrangeiras Ileana Ros-Lehtinen apresentou um projeto de lei que, se for aprovado, irá colocar severas restrições às contribuições dos Estados Unidos para as Nações Unidas. Hoje a América contribui com 22% do orçamento da ONU que é passado sem qualquer prestação de contas aos Estados Unidos e é inclusive mandatório, isto é, os contribuintes nem podem perguntar aonde vai este dinheiro todo.


Se o Ato para Transparência e Prestação de Contas das Nações Unidas for aprovado, a ONU terá 2 anos para passar reformas orçamentárias pelas quais pelo menos 80% das contribuições seriam voluntárias. Se a ONU se recusar, os Estados Unidos serão obrigados a cortar pela metade o que pagam para a organização.

Além da reforma orçamentária, este ato contém várias exigências para com instituições das Nações Unidas que promovem agendas anti-americanas e anti-Israel. Por exemplo, os Estados Unidos teriam que suspender qualquer contribuição ao Comitê de Direitos Humanos até que revogue sua resolução que proíbe Israel de fazer parte dele permanentemente e passe uma resolução proibindo países que patrocinam o terrorismo de serem membros do comitê.

Além disso, o ato proibe dar fundos a atividades como o Relatório Goldstone e o processo anti-semita de Durban. Restringe substancialmente o patrocinio da agência palestina a refugiados que está tomada por terroristas e incita a destruição de Israel. O projeto de lei nota especialmente o plano da Autoridade Palestina de submeter seu pedido de reconhecimento de estado no final deste mês na Assembléia Geral e manda toda a suspensão de pagamentos a qualquer agência ou organização da ONU que elevar o nível de representação da missão palestina ou que votar a favor dela.

Este projeto tem 57 co-signatários e nota que a presença dos Estados Unidos no Conselho de Direitos Humanos desde 2009 não teve qualquer impacto na agenda anti-Israel que continua a ser atacada como um estado ilegítimo e racista.

Ignorando absolutamente todos estes fatos, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland disse que este projeto de lei “seriamente mina a posição americana no cenário internacional e enfraquece perigosamente a ONU como um instrumento para avançar os objetivos de segurança nacional dos Estados Unidos”.

Não esperavamos menos do governo Obama. Desde que se tornou presidente, ele repete que a ONU deve substituir os Estados Unidos como o líder do globo. Obama acredita que a América não pode operar unilateralmente no mundo.

Ele ainda insinua que as operações conduzidas fora do âmbito da ONU são de alguma forma ilegítimas – ele diz por exemplo que a situação complicada no Iraque é devida à falta de permissão do Conselho de Segurança para a invasão . Terceiro, ele acha que para os Estados Unidos terem credibilidade, não podem impor sua vontade e “ofender” outros membros. E finalmente, Obama acredita ser ultrapassado exigir que uma organização como a ONU preste contas. Qualquer um que levante este assunto é simplesmente “atrasado”. Mas a história prova o contrário. Há dezenas de casos em que os Estados Unidos agiram unilateralmente com sucesso como as ações em Kosovo, por exemplo.

Em contrapartida, as últimas reportagens mostram que na Líbia, as ações americanas devidamente autorizadas pelas Nações Unidas irão gerar uma situação em que o próximo governo será dominado por forças políticas e militares aliadas ao Irã.

Dizer que os Estados Unidos irão perder influência em assuntos internacionais se a ONU o ver como mandão, é simplesmente demente. A verdade é que os estados-membros são somente oportunistas quando se trata da ONU. Eles apoiam a organização quando ela apoia seus interesses e a ignoram quando ela se opõe.

Interesses nacionais conflitantes são a razão pela qual Obama falhou em conseguir apoio do Conselho de Segurança para qualquer coisa que parecesse como uma medida efetiva contra o programa nuclear do Irã. Chamar de “ultrapassado” aquele que exige que a ONU pare de patrocinar as causas dos inimigos da América, é insultante. É indicativo da cultura que motiva esta administração que continua a promover sua agenda centrada na ONU apesar de suas falhas óbvias e repetidas.

Como ficou claro, esta agenda de Obama não é fruto de um pensamento lógico e racional. Ela é fruto de uma ideologia endêmica nas universidades de hoje e de onde Obama e seus “conselheiros” saíram. Esta ideologia é direcionada por clichés repetidos como se fossem raciocínios sofisticados. Clichés como “governancia global”, “revolução twitter”, “multilateralismo” e “interdependência.”

Estas pérolas se tornaram artigos de fé impermeáveis a qualquer fato ou realidade. Aqueles que aderem à estes mantras nunca, nunca reconhecerão sua incapacidade de cumprir suas promessas utópicas. Em vez disso, eles atacam qualquer um que mostra estas falhas como “ultrapassado” ou “pessoas velhas e cansadas que não têm qualquer sofisticação para entender o mundo”.

E vemos esta atitude em todos os aspectos da política de Obama. Ele se tornou presidente dizendo que a razão pela qual todos os esforços para concluir um acordo de paz entre Israel e os palestinos falharam, era porque os palestinos nunca confiaram que os Estados Unidos pudessem “entregar” Israel. Para remediar esta percepção, Obama consistentemente procurou colocar Israel contra a parede. Esta política falhou miseravelmente, pois hoje os palestinos abandonaram a mesa de negociação e estão às portas das Nações Unidas pedindo reconhecimento sem negociação e sem que ter que abrir mão de absolutamente nada, perpetuando o conflito na região. E apesar disto, esta administração continua a se apegar à esta política porque reconhecer um erro envolveria renunciar à este cliché.

Outro exemplo é a política desta administração de engajar o Irã, o que resultou nos mullas ganharem a corrida nuclear, consolidarem seu poder reprimindo de modo violento os manifestantes pró-democracia, expandir sua influência no Iraque e Afganistão, dominar o Líbano, tomar passos para dominar o Egito, a Líbia e outros. E apesar disto, esta administração se recusa a admitir que sua política está errada e a adotar outra mais efetiva, porque ao faze-lo, seria admitir que o “engajamento” pregado por Obama não é o remédio que ele disse curava todos os males.

É claro, este projeto de lei deverá ser bloqueado pelo Senado controlado pelos democratas antes que Obama tenha a oportunidade de veta-lo. Isto é uma pena não só porque esta lei avançaria os interesses americanos e a causa da liberdade ao redor do mundo. É uma pena porque mostra que o debate sobre a política externa dos Estados Unidos hoje se resume àqueles que confiam nos fatos contra aqueles que confiam nos clichés.

Erdogan vs. Israel - 4/9/2011

Nesta última sexta-feira, a Turquia expulsou o embaixador israelense e resolveu cortar todos os laços militares com Israel por ela não ter se desculpado por suas ações contra a flotilha no ano passado. Netanyahu reiterou várias vezes que sente a perda das vidas humanas mas não irá se desculpar por defender seu país. A Turquia havia dado à Israel prazo até a emissão do relatório das Nações Unidas sobre o evento. De fato, o relatório diz que as ações de Israel foram dentro do direito internacional e que houveram atos de violência por parte dos passageiros mas que o uso de força por Israel foi exagerado. Mesmo assim, o relatório foi rejeitado pelo governo turco.


Hoje há uma notável transferência de influência do Irã sobre as populações dos países árabes para a Turquia, especialmente por suas ações em relação à Síria. Recip Erdogan se vê como o próximo líder do mundo islâmico e não quer perder o momento. Ela quer mostrar que pode humiliar Israel e se não, está pronto a cortar os laços diplomáticos com o estado judeu. A Turquia não tem nada a perder expulsando o embaixador de Israel e rebaixando as relações diplomáticas. Ela só irá ganhar prestígio entre as populações dos países árabes e isto será muito importante na corrida pela liderança do mundo muçulmano.