Sunday, December 6, 2020

A Eliminação de Fakhrizadeh e a Hipocrisia da Midia - 06/12/2020

 A hipocrisia da mídia esta semana extrapolou todo o aceitável e o bom senso. Depois da eliminação do chefe do programa nuclear e general da Guarda Revolucionária do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, os jornais e noticiários aqui parecem estar em outro mundo. A PBS declarou “Assassinato do Cientista Iraniano”. O NYT twitou seu espanto, pois de acordo com o jornal, "as autoridades iranianas ... sempre sustentaram que suas ambições nucleares são para fins pacíficos, não para armas".  

Ainda mais absurdo, John Brennan, o "czar" do contraterrorismo de Obama que planejou o ataque que matou Osama bin Laden, tuitou: "Este foi um ato criminoso e altamente imprudente."

O Irã imediatamente apontou o dedo para Israel e prometeu vingança. Israel manteve o silêncio, não reivindicou o ataque, mas tomou medidas para proteger seus cientistas, seus diplomatas e locais sensíveis.

Realmente, considerar Mohsen Fakhrizadeh apenas um cientista é como chamar Bin Laden de apenas um clérigo. Um religioso pacífico. Fakhrizadeh era um oficial sênior da Guarda Revolucionária Islâmica, designada como um grupo terrorista pelos Estados Unidos, Arabia Saudita e Bahrain.

Só para lembrar, durante o governo Obama, os EUA executaram 563 ataques com drones, em sua maioria contra operativos muito menos perigosos do que Fakhrizadeh.

Em abril de 2012, Brennan disse que o presidente Obama deveria "usar de toda a força americana" para "proteger a segurança do povo americano". Para justificar a legalização e a ética do uso de drones, Brennan disse que era preciso “garantir que o indivíduo fosse um alvo legítimo...; que ele “representasse uma ameaça significativa...; determinasse que a captura não era algo viável” e não prejudicar "civis inocentes". Por esses parâmetros, tanto os Estados Unidos como Israel seriam justificados em eliminar  Fakhrizadeh, neste ataque cirúrgico que matou apenas ele e um guarda-costas.

Nesta semana, o jornalista canadense Gil Troy fez um apanhado das novas memórias de Obama, publicado recentemente. O livro de mais de 750 páginas de auto-congratulações, mostra a visão de Obama, de apaziguador do Irã e de acusador de Israel. De acordo com Troy, a América para Obama é a Terra Prometida, que tem permissão para se defender, e a outra “Terra Prometida”, Israel, não tem esta permissão.

O duplo padrão para Obama é justificável. Ele sempre denunciou o excepcionalismo americano, pedindo desculpas ao mundo pelas supostas agressões anteriores da América. Ele achou que se tratasse os mulás do Irã com respeito e honra, eles se dobrariam ao seu charme. E sempre desconfortável com o poder desproporcional do Ocidente, ele decidiu “equilibrar” a situação entre “Israel e os palestinos” exigindo que “Israel, o lado mais forte, desse um passo maior em direção da paz.” Israel fez o gesto, congelando as construções não só na Judeia e Samaria, mas em Jerusalem. E isto não levou a absolutamente nada. Os palestinos não voltaram à mesa de negociações.

Mas para Obama, ao pressionar Israel e ao mesmo tempo engajar o Irã, ele estava compensando os "pecados" anteriores da América. É por isso que ele higieniza a virada palestina da negociação para o terrorismo em 2000, descrevendo uma "violência" mútua, minimizando o terrorismo que os palestinos iniciaram traindo e traumatizando os israelenses. Em vez disso, ele decide que "as atitudes israelenses em relação às negociações de paz se endureceram, porque a paz não parecia mais tão crucial para garantir a segurança e a prosperidade de Israel". Esta obsessão com o poder econômico e militar de Israel o cega para os sentimentos israelenses de vulnerabilidade e culpabilidade palestina.

Ele nunca assume a responsabilidade por nada errado. Ele culpa os republicanos para explicar suas deficiências políticas, assim como ignora a ascensão da Irmandade Muçulmana no Egito depois de ter intimidado Hosni Mubarak a se aposentar. E Obama tolamente continua duro com Israel, mas brando com o Irã.

Indo mais além, Obama escreve que a “visão de Bibi Netanyahu de si mesmo como o principal defensor do povo judeu contra a calamidade permitiu-lhe justificar quase tudo que o mantivesse no poder”. Como se Bibi não tivesse sido eleito ou não tivesse trazido outros partidos de Israel para o governo.

Obama acredita que sua posição é justa, idealista - e se ressente das críticas que recebeu, especialmente da AIPAC. Mas sua obsessão com a culpabilidade da América e o resto dos países ocidentais o fizeram muito generoso com ditadores e terroristas como os iranianos e palestinos.

Todo o charme de Obama, junto com os Bilhões de dólares que ele transferiu ao Irã, não deteve os mulás de continuarem com seu projeto de obter uma bomba atômica e dominar o Oriente Médio. Não os deteve de invadir e dominar o Iraque, a Síria e o Líbano e a desestabilizar o Iêmen. Não os deteve de atacar a Arábia Saudita e ameaçar os outros países do Golfo explodindo tanqueiros no estreito de Ormuz. O charme de Obama só os encorajou e os bilhões lhes deu o poder. Poder para eliminar qualquer protesto interno ou externo.

Este governo insano não pensou duas vezes antes de executar um campeão de luta de calibre mundial, de 27 anos, por ter protestado contra o governo em 2018. Navid Afkari foi acusado falsamente de homicídio culposo de um segurança durante o protesto. Ele negou categoricamente até ser torturado brutalmente e forçado a confessar. Apesar de repetidos pedidos internacionais, Navid foi enforcado em Setembro. Seus irmãos, que também participaram do protesto, pegaram 56 anos de prisão cada um. Esta foi uma execução de exemplo. Os líderes do Irã quiseram enviar a mensagem que ninguém, nem mesmo um atleta famoso está a salvo de ser acusado.

É este tipo de gente, que pratica a injustiça sistêmica, e que enforca ou joga do alto de edifícios homossexuais como passatempo, que Obama queria apaziguar e que Joe Biden, se empossado em janeiro, vai querer reengajar em negociações.

Como disse Gil Troy em sua opinião, “O presidente eleito Joe Biden e sua nova equipe devem corrigir os erros de Obama, não repeti-los. Olhe à sua volta, não apenas à frente. Não se trata apenas de fronteiras ou armas nucleares: os líderes palestinos devem parar de aterrorizar palestinos e israelenses; Os iranianos devem parar de aterrorizar o mundo. Em vez de criticar amigos como Israel e mimar inimigos como os iranianos e os palestinos, restaure a verdadeira ordem moral do universo: apóie seus amigos, seus aliados e enfrente seus inimigos”. A mídia deveria fazer o mesmo.

Sunday, November 29, 2020

Fakhrizadeh e a Vingança do Irã - 29/11/2020

 Dois eventos marcaram o noticiário nesta semana. O primeiro foi o assassinato do chefe do programa nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh.

Fakhrizadeh não era apenas um cientista nuclear. Ele também era um brigadeiro general da Guarda Revolucionaria Iraniana. Diferentemente de Qassem Soleimani, o líder da Guarda Revolucionaria assassinado pelos Estados Unidos em Janeiro, Fakhrizadeh era uma pessoa extremamente privada, nunca visto em qualquer evento oficial, nunca dando entrevistas, ou mesmo permitindo que o fotografassem.

Quando em 2018, Bibi Netanyahu revelou ao mundo o arquivo nuclear do Irã, ele mostrou um documento no qual Fakhrizadeh instruía seus subalternos a anunciar o fim do Projeto Amad, o programa de desenvolvimento de ogivas nucleares, e desviar sua pesquisa em tecnologia para outras áreas e projetos. E foi exatamente isto que o Irã fez.

Em 2018, os objetivos do Projeto Amad haviam sido transferidos para um departamento do Ministério da Defesa do Irã, liderado por não outro que Fakhrizadeh.

Vários cientistas nucleares iranianos foram assassinados ao longo dos anos, mas Fakhrizadeh foi de longe o mais importante a ser morto até hoje. Ele era tão importante que só depois de Netanyahu mostrar sua foto é que fotos dele se tornaram disponíveis. As autoridades iranianas negaram repetidamente  pedidos da Agência Internacional de Energia Atômica para entrevistá-lo. O Irã fez um esforço sobre humano para protegê-lo.

Embora ninguém tenha reivindicado o assassinato, as tensões entre o Ocidente e o Irã têm sido altas. Vários relatos especularam que os EUA atacariam a instalação de enriquecimento de urânio em Natanz antes de Donald Trump deixar o cargo. Mas Trump se convenceu que um ataque direto ao Irã seria muito arriscado e talvez remover Fakhrizadeh fosse a segunda melhor escolha.

Nas últimas semanas, altos funcionários israelenses se reuniram com seus colegas americanos para discutir a ameaça representada pelo Irã.

Israel considera o programa nuclear do Irã como sua preocupação número um. Como disse o Tenente-General do Chefe de Gabinete do exercito de Israel, Aviv Kochavi, “O Irã se tornou o país mais perigoso do Oriente Médio tendo feito progressos significativos em seu programa nuclear e em armas convencionais”.

No meio deste ano, o Irã foi atingido por uma série de explosões misteriosas - especificamente em locais conectados ao seu projeto nuclear e de mísseis. Estes eventos e a morte de Fakhrizadeh podem ter dado um sério golpe no programa nuclear do Irã.  

A morte de Fakhrizadeh deve ser considerada pelos mulás em Teerã que nem Israel nem os EUA desistirão de impedir que o país obtenha armas nucleares.

E aí temos o segundo evento. No domingo passado, Bibi Netanyahu discretamente voou para a Arábia Saudita para se encontrar com o príncipe Mohammed Bin Salman. A reunião foi supostamente para discutir o Irã e uma possível normalização das relações entre os dois países. E também ao que parece, o Secretário de Estado americano Mike Pompeo, também estava presente.

O fato de essa reunião ter acontecido é uma grande notícia. Israel e a Arábia Saudita não têm relações diplomáticas. Duas vezes, em 1948 e 1973, os sauditas enviaram tropas para travar guerra contra Israel.

Muita coisa mudou desde então, e a principal mudança é que Israel e a Arábia Saudita e outros Estados do Golfo estão do mesmo lado de um grande problema: a ameaça do Irã. Essa ameaça é o que, acima de outras considerações provocou os acordos de paz com países do Golfo e o Sudão.

Não é segredo que quando os EUA estavam negociando o acordo com o Irã, os embaixadores de Israel e dos Emirados Árabes Unidos estavam trabalhando juntos para tentar convencer o governo Obama a exigir o fim do programa nuclear iraniano.

Na época, Netanyahu foi à frente, discursando perante as duas casas do Congresso para a fúria de Obama, deixando os líderes árabes tomar um caminho mais diplomático. Mas esta liderança de Netanyahu mostrou aos países do Golfo em 2015, que Israel leva a ameaça do Irã muito a serio e está disposta a fazer o que for preciso para detê-la.

Agora, em 2020, a cooperação entre Israel e os estados árabes nesta frente não é mais segredo. Israel tem novas relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein; e laços não oficiais com a Arábia Saudita, que alcançaram novos patamares nesta semana.

Com a possível transição do governo Trump que colocou sanções de "pressão máxima" sobre o Irã para um governo Biden que busca retornar ao acordo com o Irã que lhe concede um caminho para a bomba, as parcerias de Israel com os Estados do Golfo se tornam fundamentais.

Trump por seu lado, está claramente comprometido em continuar a pressão contra o Irã. O Comando Central do exército americano divulgou no último fim de semana, que bombardeiros americanos B-52 voaram uma “missão de longo alcance no Oriente Médio para deter a agressão e tranquilizar os parceiros e aliados dos EUA”. Este foi um sinal claro para o Irã: aviões americanos com capacidade de explodir suas instalações nucleares estão nas proximidades.

Apesar dessa demonstração de força, Israel e outros países visados ​​pelo Irã não podem se arriscar quando Trump deixar o cargo. Israel, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita estão dizendo claramente ao novo governo Biden que não aceitarão um novo acordo com Irã sentados. Israel não está mais sozinha. Os Estados do Golfo estão agora ao seu lado.

E, de fato, o rei Salman da Arábia Saudita exortou o mundo a tomar “uma posição decisiva contra o Irã que garanta uma resolução drástica de seus esforços para obter armas de destruição em massa e desenvolver seu programa de mísseis balísticos. ”

Mais declarações e demonstrações de unidade como estas são esperadas. No meio tempo, o Irã já decidiu que Israel é o culpado pelo assassinato de Fakhrizadeh e prometeu retaliar. Israel está tomando suas precauções, mas as próximas sete semanas serão de espera e ansiedade para todo o mundo ocidental.

 

Sunday, November 22, 2020

Jonathan Pollard Livre! 22/11/2020

Jonathan Pollard está finalmente livre. Mas o caso do acusado americano que teria passado segredos para Israel ficará como o mais vil da história da espionagem. Pollard foi condenado por espionagem por ter entregado a Israel, um país aliado, documentos que os Estados Unidos se haviam obrigado a entregar a Israel, mas decidiu segurar.

A maior pena dada a outros que espionaram para países aliados foi de 16 anos. A média? Somente de 2 a 4 anos. Pollard pegou prisão perpétua e ficou encarcerado por 30 anos sendo que os primeiros sete anos em confinamento solitário. Depois de sua soltura em 2015 ele foi obrigado a ficar outros cinco anos usando uma pulseira eletrônica, proibido de sair de casa entre 7 da noite e 7 da manhã; proibido de ter um computador e ter seus telefones foram constantemente monitorados.

Só a título de comparação, americanos que espionaram para a União Soviética, um país inimigo na época da Guerra Fria, como David Boone, Clayton Lonetree, Harold Nicholson, Earl Edwin Pitts e outros, todos pegaram ou foram soltos antes de 30 anos. Alguns foram responsáveis pela morte de dezenas de espiões americanos. Então por quê Pollard?

Acreditem se quiserem. Mas porque Pollard é judeu. E não sou eu quem fala. Quem fez esta bombástica declaração foi não outro que o ex-diretor da CIA, James Woosley, numa carta ao editor ao jornal The Wall Street Journal em 5 de julho de 2012.

Naquela carta ao editor, Woosley disse que “quando recomendou contra dar clemencia a Pollard, ele estava preso menos que uma década. Hoje ele está encarcerado por mais de 25 anos de sua sentença de prisão perpétua”. Ele descreveu como entre mais de 50 condenados por espionarem para a Russia e China, somente dois foram sentenciados à prisão perpétua. Dois terços foram sentenciados a períodos de prisão menores que Pollard já havia servido. Ele ainda observou que “Pollard havia cooperado completamente com o governo americano, prometera não lucrar com seu crime (através da publicação de um livro), e muitas vezes expressara remorso”.

Woosley não tinha dúvidas que Pollard ainda estava preso somente por ser judeu. Ele afirmou que “antissemitismo teve um papel importante na prisão de Pollard... Para aqueles que ainda se atém ao fato que ele é um judeu americano, imaginem que ele é um grego ou coreano ou filipino americano e libertem-no”.

Pois é. Isso e mais ainda. Por ser o único espião judeu, Pollard foi considerado como uma carta na manga de várias administrações americanas em sua política para com Israel.

Pollard sempre evitou a política. Ele sempre recusou ser moeda de troca por terroristas palestinos ou por terras que Israel teria que ceder aos palestinos. E isso aconteceu em mais de uma ocasião. Durante os acordos de Wye River que Netanyahu assinou em 1998, estava tão claro que a libertação de Pollard seria parte do acordo, que seus pais foram instruídos a se prepararem para receberem seu filho, e pacotes de mídia foram preparados.

O ex-porta-voz de Netanyahu, Aviv Bushinsky, lembrou que antes de ir para Wye, Netanyahu fez pesquisas para determinar como amenizar o golpe da renúncia de terras que estavam no acordo. A pesquisa concluiu que ele deveria trazer Azzam Azzam do Egito e Pollard dos EUA. O então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, prometeu a Netanyahu que Pollard faria parte do acordo. Mas na véspera da assinatura, Clinton avisou Netanyahu que Pollard estava fora do acordo porque o diretor da CIA George Tenet, havia ameaça renunciar.

Anos mais tarde, o negociador norte-americano Dennis Ross revelou em seu livro de 2005, The Missing Peace, que havia aconselhado Clinton a manter Pollard na prisão como moeda de troca para negociações de paz definitivas.

Clinton perguntou a Ross: “É Pollard uma grande questão política em Israel e poderá ajudar Bibi?”. “Sim”, respondeu Ross, “porque ele é considerado um soldado de Israel” e “existe um ethos em Israel de que você nunca deixa um soldado para trás no campo. Mas se você quiser meu conselho, eu não o liberaria agora. Seria uma grande recompensa para Bibi; você não tem muitos assim no bolso. Eu o guardaria para um status permanente. Você precisará disso mais tarde; não o use agora.”

É surpreendente que Dennis Ross tenha feito esta revelação em seu livro. Até onde a falta de ética pode ir, brincando com a vida de pessoas, por proveito político?

Em 2014, um ano antes de Pollard ser libertado em condicional, outra tentativa foi feita sem sucesso. O então presidente Shimon Peres, que era primeiro-ministro no momento da prisão de Pollard e deu aos EUA documentos com as impressões digitais de Pollard que o incriminaram, tentou persuadir o então presidente dos EUA Barack Obama a intervir.

Os dois presidentes se encontrariam em Washington durante a última viagem de Peres no cargo em 25 de junho, seis dias antes da audiência de liberdade condicional. Peres jurou ao povo de Israel que iria pedir por Pollard, e seus advogados o prepararam meticulosamente.

A mensagem de Peres para Obama foi a seguinte: você não precisa conceder clemência. Na verdade, você pode se distanciar completamente do assunto. Em particular, informe ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que você não se opõe à liberdade condicional de Pollard e à sua partida para Israel. Obama não precisaria sujar as mãos, apenas manter o compromisso que assumira com os israelenses 15 meses antes, de tratar Pollard com justiça, como qualquer outro prisioneiro, e deixar que sua liberdade condicional fosse avaliada naturalmente com base no mérito de seu caso.

Após a reunião, o conselheiro diplomático de Peres, Nadav Tamir, anunciou que “a mensagem havia sido entregue”. Aí o gabinete de Peres vazou o fato para a imprensa e disse que “Toda a nação está interessada em libertar Pollard e eu sou o emissário da nação”. Mas todas as esperanças de que a audiência fosse justa foram frustradas imediatamente. Os representantes do governo trataram Pollard com desprezo, impediram seu advogado de apresentar seu caso e deixaram claro que ele não veria o Estado judeu tão cedo, se nunca. Os presentes descreveram a audiência como um "um linchamento".

Agora, imagine que isto aconteceu na mesma época em que Obama pedia a Bibi um gesto de “boa vontade” e libertar 104 prisioneiros palestinos, com sangue em suas mãos, para que a Autoridade Palestina voltasse à mesa de negociações.  Nenhum país no mundo aceitaria libertar 104 terroristas como um gesto de “boa vontade”, muito menos os Estados Unidos. 

A liberdade condicional de Pollard veio um ano depois, em 2015, e foi concedida por motivos técnicos, não políticos. As restrições de liberdade condicional sem precedentes que ele enfrentou eram típicas de Pollard, cuja prisão perpétua também foi uma exceção à regra.

Ele ficou preso 20 anos a mais do que qualquer outra pessoa na mesma situação. Ele foi vítima de uma tentativa de torná-lo um exemplo e dissuadir futuros espiões. O acordo de confissão que ele assinou, que deveria garantir que ele não receberia uma sentença de prisão perpétua, foi ignorado. Pollard não pode ser comparado completamente com os casos de Dreyfus na França, ou do Rabbi Chaim Shapira na Polonia, porque ele foi mesmo um espião para Israel. Mas sem dúvida o que moveu seu processo foi o mesmo dos outros dois. Antissemitismo puro e simples.

É justo que Pollard finalmente tenha conseguido sua libertação na sexta-feira - não por causa da política, mas apesar dela.