Sunday, April 18, 2021

Israel e Suas Ações no Irã - 18/04/2021

 Em 2010, um virus de computador chamado de Stuxnet atingiu o Irã, especificamente a usina nuclear de Natanz. O Stuxnet eliminou cerca de mil centrífugas fazendo-as aumentar e diminuir a velocidade, criando vibrações que no final as destruíram.

O dano ao programa nuclear do Irã foi tão sério que Israel reavaliou o prazo para o Irã enriquecer suficiente urânio para uma bomba, de um para quatro anos. Aí, em julho do ano passado, o Irã foi atingido por uma série de explosões, incluindo uma em Natanz. Os especialistas estimaram que 3/4 das centrífugas que estavam acima do solo foram destruídas. O programa nuclear do Irã foi atrasado em mais um ou dois anos.

E esta semana, antes que o Irã pudesse se  recuperar dos danos causados ​​pela explosão de julho, e menos de um dia após começar a operar centrífugas novas e avançadas em Natanz, a rede elétrica local e seu sistema de reserva foram destruídos, junto com um grande número de centrífugas. Estima-se que o último ataque tenha adicionado nove meses ao prazo que o Irã precisa agora para chegar ao seu objetivo.

Há algo sobre a usina de Natanz, que nem mesmo a transferencia da maioria das centrífugas para baixo da terra conseguiu impedir as ações de Israel.

Mas há diferenças importantes entre os dois primeiros ataques e o desta semana, e elas indicam uma mudança de tática por parte Israel.

Nos dois ataques anteriores, em 2010 e 2020, havia ficado claro, se não explicito, que as ações tinham sido conjuntas Israel e Estados Unidos.  O Stuxnet teria sido um projeto conjunto da Agencia Nacional de Segurança dos Estados Unidos e da Unidade 8200 do exército de Israel, sancionado pela administração Obama para impedir um ataque militar israelense direto ao Irã. Além disso, uma sabotagem forçaria o Irã a voltar à mesa de negociações.

A explosão em Natanz de julho do ano passado foi parte de uma estratégia que, junto com a campanha de sanções máximas, os Estados Unidos e Israel esperavam reverter o programa nuclear do Irã.

Neste último ataque, no entanto, a Casa Branca de Joe Biden foi rápida em se distanciar dos danos causados em Natanz. A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki foi enfática ao dizer que os Estados Unidos “não se envolveram de forma alguma”.

Autoridades em Washington disseram ao The Wall Street Journal que não foram avisados sobre o ataque a Natanz - outro sinal que os Estados Unidos não querem o envolvimento.

Mas o ataque da semana passada ocorreu e ocorreu apenas dias após o início das negociações nucleares indiretas entre os EUA e o Irã em Viena, para o retorno dos dois países ao Plano de Ação Conjunto Global de 2015, que colocava limitações ao programa nuclear do Irã até 2030, em troca do levantamento gradual das sanções.

Também ocorreu no momento em que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin viajava a Israel, na primeira visita de um membro do gabinete Biden.

Na segunda-feira, e apesar de Israel não ter reinvidicado o ataque e ter mantido o silêncio, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, escreveu uma carta irada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, dizendo que Israel tinha cometido um "grave crime de guerra" para inviabilizar as negociações nucleares, e advertiu que "o terrorismo nuclear” não iria pressionar o Irã nas negociações.

No dia seguinte, o Irã anunciou que começaria a enriquecer urânio a 60% e isso foi confirmado pela Agencia Internacional de Energia Atômica há algumas horas atrás. Logo o Irã estará mais próximo do que nunca dos 90% de pureza necessários para uma bomba nuclear.

As negociações de Viena podem não ter sido o fator que decidiu a hora de atacar Natanz. A operação começou muito antes do anúncio das negociações. O momento que Netanyahu e outros decidem é quando falar sobre as operações.

Nem Israel nem os EUA admitiram abertamente seu envolvimento nos ataques anteriores de Natanz. Edward Snowden,  que vazou o material da Agencia de Segurança Nacional americana afirmou que o Stuxnet foi um projeto americano-israelense, e analistas de fora dos governos disseram o mesmo. Mas quando se tratava de admissões oficiais em Washington ou Jerusalém, a mídia só recebia sorrisos.  

Desta vez também, Israel não assumiu a responsabilidade pelo ataque. Mas o que foi incomum é que vários veículos de notícias israelenses relataram em poucas horas que havia sido uma operação do Mossad. Ao mesmo tempo, Netanyahu e o chefe de gabinete do IDF, Aviv Kohavi, aludiram sobre o envolvimento israelense.

Netanyahu declarou que “a luta contra o Irã, seus representantes e armamentos é uma missão enorme. A situação que existe hoje pode não ser a situação amanhã. ”

Kohavi disse que “as ações do exército de Israel em todo o Oriente Médio não estão escondidas de nossos inimigos. Eles estão nos observando, vendo nossas habilidades e pesando cuidadosamente os próximos passos.” Além disso Kochavi falou de “atos complexos e sofisticados” para proteger Israel.

O ataque de Natanz e esses comentários não vêm no vácuo. Eles fazem parte de uma campanha contínua, na surdina, operada em vários teatros, de "guerra entre guerras".

Desde 2019, o mar tem sido um importante teatro para esta guerra não declarada entre Israel e o Irã, com Israel atacando discretamente os petroleiros iranianos em sua maioria indo para a Síria, e o Irã atacando navios de propriedade israelense. Há a alegação do Ministério de Proteção Ambiental de que o Irã despejara petróleo intencionalmente perto da costa israelense causando um sério dano ambiental. Na semana passada, uma mina explodiu danificando o navio iraniano Saviz, que servia como base no Mar Vermelho para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

Em terra, Israel esteve por trás do assassinato do cientista-chefe do programa nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, e um grupo ligado ao Irã tentou bombardear a Embaixada de Israel na Índia. No ar, Israel tem bombardeado regularmente agentes iranianos que operam perto da fronteira com a Síria.

No espaço ciber, além do Stuxnet, a explosão de Natanz do ano passado também foi desencadeada por um ataque cibernético. Isto foi seguido pela tentativa do Irã naquele mesmo mês de invadir o abastecimento de água de Israel para colocar cloro em excesso e envenenar israelenses.

E esta não é uma lista abrangente.

No passado Israel foi muito mais ambígua sobre suas operações. E porque a mudança agora? Porque pelo menos implicitamente sair das sombras?

A idéia é que Israel está vendo a necessidade agora de enviar uma mensagem não só ao Irã, mas também aos Estados Unidos de Joe Biden. Que presidentes americanos podem ir e vir mas Israel não hesitará um só momento para agir e se defender. Independentemente de quem está sentado na Casa Branca e se esta pessoa tem outros planos, como por exemplo, voltar a um acordo que Israel considera profundamente falho a ponto de ser perigoso, Israel não pretende ficar parado enquanto o Irã se empenha em obter uma arma nuclear.

Ou, como Netanyahu disse no Dia da Memória do Holocausto: “Um acordo nuclear com o Irã está novamente na mesa, mas a história nos ensinou que acordos com regimes extremistas são inúteis. Aos nossos melhores amigos, eu digo: um acordo com o Irã que abre caminho para armas nucleares que nos ameaçam de destruição – este é um acordo que não nos vinculará.

“Hoje temos um estado, temos o poder de nos defender e temos o direito natural e pleno, como estado soberano do povo judeu, de nos proteger de nossos inimigos”.

Muitos oficiais aposentados da inteligência israelense ficaram visivelmente contrariados com estas revelações. E isso é compreensível. Eles estão acostumados a guardar segredos como estes a sete chaves.

Mas o fato do mundo ver o que Israel é capaz tem suas vantagens especialmente com o Irã correndo para a nuclearização. Levar o crédito de ataques sofisticados neste caso, não é um passo em falso, mas um aviso para seus inimigos.


Sunday, March 21, 2021

A Hipocrisia Sem-Fim da ONU - 21/03/2021

Além da aflição com as noticias do Covid-19, esta semana as famílias judias estão ocupadas com a limpeza da casa para o Pessach, a Páscoa judaica. Alguém sabiamente me enviou a pergunta: como podemos comemorar a saída do Egito se não podemos nem sair de casa?

Realmente. Este ano, mais que o anterior vamos ter que cavar a alegria e a esperança do fundo dos nossos corações.

Nesta semana, o presidente americano Joe Biden, decidiu insultar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de uma maneira que pareceu gratuita. Quando perguntado pela ABC numa entrevista se ele achava que Putin era um assassino, ele disse que sim, e que iria pagar caro pela suposta intromissão da Rússia nas eleições americanas.

Putin imediatamente mandou chamar o embaixador russo de volta e retrucou em um programa de televisão que é preciso um (assassino) para reconhecer outro.

Nunca as relações entre os Estados Unidos e a Rússia estiveram tão baixas desde o fim da Guerra Fria. E a verdade é que nunca uma acusação destas foi feita por um presidente americano sobre outro chefe de Estado. E Biden quer impor mais sanções contra o Kremlin.

O que é preocupante aqui, não é tanto o balé das duas potências, mas como isso irá afetar Israel no processo. Para punir os Estados Unidos, Putin pode resolver não mais estender sua cooperação nas incursões de Israel na Síria contra milícias iranianas. A Rússia tem tido um papel vital para Israel, já que os russos mantêm uma base na Síria e manejam as baterias antiaéreas. A Rússia também age como intermediário entre Israel e a Síria e o Líbano.

E isso é importante num momento em que a própria ONU pede o desarmamento da Hezbollah. Nesta última quinta-feira, numa reunião fechada do Conselho de Segurança, o Secretário-geral Antonio Guterres declarou que a Hezbollah precisa ser desarmada e que as forças da paz da ONU precisam ter acesso aos túneis que ela construiu ao longo da fronteira com Israel. Em 2018, Israel descobriu seis túneis que atravessavam a fronteira entre o Líbano e Israel, mas a Hezbollah proibiu a UNIFIL acesso aos locais. Guterres também notou que não são apenas os tuneis, mas a falta de acesso previne às forças da ONU patrulharem a fronteira.

Guterres citou as declarações de Nasrallah, chefe da Hezbollah, em que ele afirma ter mais de 13 mil mísseis apontados para Israel, muitos instalados no meio da população civil. E isso é uma violação da Resolução 1701, que  regula o cessar-fogo entre o Líbano e Israel desde a guerra de 2006.

Sem dúvida, o entendimento do Conselho de Segurança da ONU é que Israel é um alvo constante da Hezbollah e dos seus comandantes em Teerã. Por este entendimento, Israel teria o direito de se defender, se atacada, certo? Não.

Amanhã o Conselho de Direitos Humanos da ONU estará votando pela quarta vez uma resolução para impor um embargo de armas contra Israel pelo temor (vejam bem, não evidências) que elas possam ser usadas em violações de direitos humanos.

Só que neste ano a votação tem um significado diferente. Isto porque Israel recebeu uma carta da promotora-chefe do Tribunal Penal Internacional Fatou Bensouda, formalmente notificando o país da abertura de uma investigação sobre crimes de guerra e dando a Israel 30 dias para responder. Israel agora tem que decidir se responde e engaja o Tribunal ou se o ignora.

Engajar o Tribunal daria a Israel a possibilidade de ter uma voz no processo. Mas como vimos no passado, a parcialidade contra o estado judeu impera. O próprio juiz Richard Goldstone, que tem filhos que moram em Israel, não conseguiu resistir à pressão e declarou Israel culpada de crimes de guerra em sua resposta a milhares de mísseis enviados de Gaza sobre sua população civil. O que podemos esperar de um promotor muçulmano, Karim Ahmad Khan, que está substituindo Bensouda em Junho?

Vamos deixar claro que o palestinos só concordaram a se submeter ao tribunal a partir do dia 13 de junho de 2014, um dia depois que os três meninos israelenses, Naftali Fraenkel, Gilad Shaer e Eyal Yifrah foram covardemente sequestrados e mortos por palestinos de Hevron. Assim, a Autoridade Palestina não dá qualquer direito ao tribunal de investigar o sequestro e assassinato, somente a reação de Israel a eles.

Se Israel decidir boicotar o Tribunal para não dar legitimidade à um processo falho desde o principio,  ela corre o risco de ter uma sentença contra seus oficiais e políticos que poderá proibi-los de viajar para o exterior, colocando-os na lista da Interpol de criminosos de guerra.

Mas a briga está somente começando. Várias ONGs e advogados ainda podem submeter suas objeções e a maior delas é que o Tribunal não tem jurisdição sobre Israel e não pode aceitar jurisdição da Autoridade Palestina já que seus próprios regulamentos limita o Tribunal a Estados soberanos. Israel não é membro e a Autoridade não é um Estado de acordo com a lei internacional. Mas de qualquer forma é muito preocupante para os valorosos soldados de Israel que vão além do que é requerido para poupar a vida de inocentes civis palestinos, exatamente o contrário que procura o outro lado.

Quanto à votação de amanhã no Conselho de Direitos Humanos, ela vai ocorrer no Mandato do Item 7 da Agenda que é única contra um só país: Israel. Israel é o único país que tem uma agenda própria que a cada ano a condena em umas 20 resoluções.

A Alta Comissária do Conselho, Michele Bachelet disse que ela tem três relatórios de atividades de Israel contra palestinos no período de novembro 2019 a outubro de 2020 que inclui o desproporcional ou desnecessário uso de força. Nada sobre as persistentes tentativas de esfaqueamento de israelenses, sobre a incitação da Autoridade Palestina em seus discursos, na mídia oficial, nos livros escolares.

E este ano, com o objetivo de tentar a aprovação ocidental e europeia, o texto que pede o embargo de armas contra Israel foi transferido para votação para o item 2 da agenda, incorporando outra resolução anual sobre alegações gerais de abusos de direitos humanos israelenses contra os palestinos. Assim, um embargo de armas contra Israel pode ser aprovado também pela porta de trás.

Este não é o único fórum onde tais textos são passados. A Assembleia Geral também aprova cerca de 20 resoluções contra Israel anualmente. É o maior número de resoluções da ONU condenando um único país.

Vale a pena notar a hipocrisia deste Conselho de Direitos Humanos considerou nesta sessão as violações dos direitos humanos em somente seis outros países - Coréia do Norte, Mianmar, Nicarágua, Sudão do Sul, Irã e Síria - e em cada caso, o assunto é tratado apenas uma vez e somente uma resolução é passada, não 20. E cadê a China? A China não está nem na lista, apesar de ter mais de um milhão de Uigurs em campos de reeducação e de praticar a esterilização das mulheres, de ter violado os acordos sobre Hong Kong, de estar ameaçando Taiwan, de ter cometido transferência de população no Tibet e provocado a maior pandemia que o mundo já viu. Como alguém pode dar qualquer credibilidade a este Conselho ou à ONU como um todo. Como pode esta organização corrupta declarar um país em perigo de um lado e por outro pedir um embargo de armas contra ele? Isto mostra o quanto a ONU está obsoleta, inchada, fazendo declarações e tomando decisões contraditórias para apaziguar ditadorezinhos, como o Sr. Abbas.

Vamos esperar que o Brasil, que é um dos 14 estados do Conselho de Direitos Humanos, não se deixe levar como gado e votar contra Israel.  Ainda há tempo de deixarmos o Ministério das Relações Exteriores saber como o povo brasileiro quer votar.

Esta é a minha opinião de hoje. Nas próximas duas semanas será Pessach. Nesta época de lockdowns e solidão, gostaria de recomendar aos ouvintes aproveitarem a festa, seja Pessach ou a Pascoa cristã, para ligarem para um parente, um amigo, um vizinho, um colega ou mesmo só um conhecido que pode estar sozinho. Ninguém sabe o bem que uma ligação desta pode fazer a alguém, de saber que há pessoas pensando nele ou nela.

Um Chag Kosher Kasher ve Sameach a todos e até a volta!

 

 

Sunday, February 28, 2021

O Vírus do Antissemitismo - 28/02/2021

Nesta época de pandemia todos nós aprendemos alguma coisa sobre o vírus. Uma delas é que a pior coisa que pode acontecer quando há um surto em um local, é o vírus ser transportado para outro local.

Em menos de um ano o Corona vírus chegou aos quatro cantos do mundo custando a vida de milhões e praticamente a economia mundial.

Mas há outro vírus se alastrando mundo a fora, de um modo não mais tão sutil. E este é o vírus do antissemitismo.

Há duas semanas, 300 pessoas foram ao cemitério da Almudena na Espanha, para comemorar a chamada “divisão azul”, uma divisão de voluntários espanhóis que lutaram do lado dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. O evento incluiu um padre e várias saudações nazistas foram filmadas e postadas na mídia social. O que especialmente viralizou, foi um discurso inflamatório feito por uma jovem, que não devia ter 20 anos de idade, se declarando fascista e colocando a culpa de todos os males do mundo, em quem? Nos judeus, é claro.

Algumas semanas atrás, o Leo Lins, um comediante brasileiro, quis fazer uma piada dizendo que na sala de cinema era possível colocar pelo menos 18 judeus no cinzeiro se socassem bem. Para mim, o que foi ofensivo não foi tanto a piada sem graça mas as risadas incontroláveis da audiência. Lins demonstrou como o sentimento antissemita anda no Brasil.  

No final de janeiro, Hélder Teixeira, um participante do Big Brother de Portugal foi expulso do programa por imitar um soldado nazista fazendo a saudação a Hitler e tudo mais. Os promotores do programa disseram que ele havia passado todos os limites.

E na semana passada, no programa da NBC, Saturday Night Live, aqui em Nova Iorque, o comediante Michael Che, soltou uma piada idiota sobre Israel e a vacina contra o coronavírus dizendo: “Israel declarou que vacinou metade de sua população”. "Eu vou adivinhar que é a metade judia."

Por outro lado, a atriz Gina Carano, a líder do programa The Mandalorian do Canal Disney, foi despedida por ter comparado o “ódio a alguém por suas opiniões políticas com o tratamento dos judeus durante o Holocausto”. E nisso ela tem razão. O Holocausto não começou com os fornos crematórios. Ele terminou com eles. No começo os nazistas vilificaram os judeus, perseguiram aqueles que tinham alguma voz e manipularam a opinião publica contra eles. Exatamente o que os democratas fizeram e continuam a fazer com Donald Trump e seus seguidores e Carano disse isso. Alegando uma falsa indignação por ela ter feito esta simples comparação, Disney despediu a atriz.

E isso tudo nestes dois primeiros meses de 2021.

O que todas estas tentativas de comédia nas costas de judeus têm em comum é de serem de mau gosto, insensíveis, que não apenas distorcem a realidade, mas jogam com todos os estereótipos antissemitas feios sobre judeus. De serem os causadores dos males a egoístas que se preocupam apenas com eles próprios. E sobre Israel, Che está completamente errado. Todos os israelenses com mais de 16 anos podem receber a vacina, gratuitamente e isso inclui dois milhões de cidadãos árabes.

O que alarma é que o mundo mais uma vez está comprando as falsas narrativas que causaram tanta dor e mortes no passado. Do primeiro libelo de sangue, ocorrido na Inglaterra em 1144, passando pela publicação dos Protocolos dos Sábios de Sião em 1903 na Rússia sobre um suposto plano judaico de dominar o mundo, até o genocídio industrializado do Holocausto, achávamos que o mundo tinha aprendido. Que o vírus do antissemitismo havia sido erradicado na Europa. Mas não.

Ele sofreu uma mutação e contaminou os países árabes e muçulmanos. E com esta população doutrinada imigrando para o velho continente, o antissemitismo voltou para a Europa de forma diferente. Agora o antissemitismo inclui não somente o ódio ao judeu, mas à Israel. A narrativa usada na mídia social e nos noticiários é que Israel cuida de sua população judaica "branca", mas não de seus cidadãos árabes que apesar de também serem brancos, são considerados como sendo de “cor”.

Como é possível pensar assim no século 21? Infelizmente nós, judeus, temos feito um péssimo trabalho para educar o mundo sobre quem somos, sobre o que comanda nossa religião e também o fato de que os três milhões de cidadãos árabes de Israel desfrutam de maiores liberdades do que em qualquer país do Oriente Médio. Quanto à corona, dois terços dos cidadãos árabes de Israel já foram vacinados. E sobre os judeus em Israel serem brancos, Israel tem uma população judaica negra de milhares que ela salvou de perseguições em ousadas operações militares na Etiópia. Israel foi o único país da História que trouxe negros da África para a liberdade e não para a escravidão.

Seja através de comediantes ou da mídia parcial, a ideia de Israel ser um país racista que pratica o apartheid predomina. E muitas vezes este tipo de alegação fica sem resposta, pois assumimos que não há como vencer esse tipo de acusação.

Então vamos lá com fatos: A Bíblia Judaica ensinou ao mundo que todo ser humano é criado igualmente à imagem de Deus, independente de raça, cor ou credo. Sangue é considerado a coisa mais impura na religião judaica. Um ovo com uma gotícula de sangue não pode ser usado de modo algum ou ingerido. Quanto mais o sangue de um ser humano.

Israel é a única democracia no Oriente Médio aonde árabes gozam de todos os direitos igualmente aos judeus, exceto quanto a uma coisa: os árabes não são obrigados a servir o exército, que é obrigatório aos judeus. Eles podem ser voluntários.

Com os Acordos de Oslo de 1995 a Autoridade Palestina assumiu a responsabilidade pelos palestinos que vivem na Cisjordânia e em Gaza. Mesmo assim, Israel transferiu para eles milhares de doses para seus médicos e enfermeiras e concordou em vacinar cerca de 100 mil palestinos que são empregados por Israel apesar da ampla propaganda de Mahmoud Abbas que as vacinas de Israel não eram seguras e que ele iria importar a vacina russa para os palestinos.

Nada disso significa que não se possa criticar ou questionar Israel. Claro que sim. Israel é uma democracia aberta e livre. Um país com menos de 100 anos que ainda tem muito que fazer. Mas hoje, por causa de Israel, nós judeus podemos levantar a voz. Já não somos órfãos, sem-teto. Temos a obrigação de atacar cada comentário antissemita e aqueles que nos negam o direito de autodeterminação em nossa terra ancestral.

Nós sabemos a diferença entre humor e calunia. E sabemos o que é ser mal representado por estereótipos mentirosos. E isso inclui pessoas que fazem o que parecem ser piadas inofensivas, mas que perpetuam situações que são tudo menos engraçadas.