Sunday, December 11, 2022

Como Lutar Contra a Ascenção Meteórica do Antissemitismo na America - 11/12/2022

 

O Lutador Natan Levy levanta a bandeira de Israel durante sua última luta.
Credito da foto Amy Kaplan

Os Estados Unidos têm sido um refúgio seguro para os judeus desde sua criação como nação há mais de duzentos anos. E desde a Segunda Guerra Mundial, os judeus americanos fizeram um tremendo progresso na quebra de barreiras discriminatórias. Hoje judeus podem ser encontrados nos mais altos escalões do governo e da indústria privada.

Mas ultimamente, diante de uma onda crescente de antissemitismo expresso abertamente, os judeus começaram a se perguntar se e como seria possível combater este ódio na América.

Reconhecendo a gravidade do problema, em 7 de dezembro último, a Casa Branca convidou altos funcionários do governo Biden e representantes de várias organizações judaicas, para participar de uma mesa redonda sobre anti-semitismo presidida por Doug Emhoff, o marido da vice-presidente Kamala Harris.

Emhoff – que é neto de imigrantes judeus poloneses – chamou esta onda uma “epidemia do ódio”. Que hoje as pessoas não mais cochicham seu antissemitismo. Elas publicam suas opiniões alto e claro. Um dia antes desta reunião, 125 legisladores da Câmara dos Deputados e do Senado instaram o governo Biden a adotar um plano de ação para lidar com o aumento do antissemitismo.

No ano passado, os incidentes antissemitas atingiram um recorde, com 2.717 casos de agressões, assédio e vandalismo. Este foi um aumento de 34% em relação ao ano anterior e o maior número desde que a ADL começou a computar estes incidentes em 1979. Em Nova York, lar da maior concentração de judeus do país, a polícia reportou que somente no mês de novembro último ataques antissemitas aumentaram em 125%.

Mas pior que isso, nos últimos meses, temos visto que o antissemitismo na América está em processo de normalização. O rapper Kanye West, com 32 milhões de seguidores nas redes sociais, saiu elogiando Hitler e promovendo teorias conspiratórias sobre judeus que o tornaram o porta-voz do ódio ao Judeu de hoje. Ele não só ameaçou “apertar o botão para matar” judeus mas fez uma série de outros comentários antissemitas que seriam impensáveis uma década atrás. 

Uma outra estrela, desta vez do basquete, Kyrie Irving, promoveu um filme antissemita nas redes sociais.

Até o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que tem uma filha e netos judeus, não pensou duas vezes antes de receber Kanye West e seu amigo, o propagandista antissemita e negador do Holocausto Nick Fuentes, em sua mansão na Flórida. Incrível que Trump não condenou nenhuma declaração de West ou de Fuentes, mas anteontem Trump criticou os líderes judeus por não serem suficientemente leais a ele depois dos passos pró-Israel que ele tomou como presidente.

No mês passado, um homem de Nova Jersey foi preso após publicar um manifesto online incitando ataques a sinagogas, e outro foi detido após twittar sobre seu plano de “atirar em uma sinagoga e morrer”.

Não há semana em que não ouvimos que judeus ortodoxos foram agredidos na cidade de Nova York, Em suma, o antissemitismo saiu das margens e hoje está no centro da sociedade.

O dilúvio de ataques levou Christopher Wray, diretor do FBI, a dizer recentemente que os judeus, que representam apenas 2,4% da população dos EUA, são “uma comunidade que merece e precisa desesperadamente de apoio porque está sendo atingida por todos os lados”.

Mas um homem enfrentou Kanye à sua maneira e desafiou seus amigos e seguidores no Instagram a se juntarem a ele. Yuli Prizant, um orgulhoso judeu e sionista, “jogou fora” seu tênis Yeezy da Adidas. Ele não apenas falou; ele fez. Meses antes, Prizant falou com seus amigos e seguidores sobre o ódio aos judeus e os desafiou a enfrentar o ódio de todas as formas. Ele liderou pelo exemplo e ao fazê-lo contribuiu para a Adidas cancelar seu contrato milionário com Kanye West além da Gap, Balanciaga, e TJ Maxx.

A integração do ódio aos judeus não está mais apenas em nossas ruas, mas encontrou um terreno fértil em instituições de ensino superior e plataformas de mídia social. Os antissemitas correm soltos nas universidades, onde ninguém é responsabilizado nem mesmo chamado à atenção. A mídia social está repleta de ódio aos judeus nas páginas do Tik Tok, onde recentemente até Anne Frank foi parodiada para os fornos como piada para atacar judeus. Não se enganem, o ódio aos judeus é real.

Outro herói, Natan Levy, judeu israelense, venceu, por decisão unânime, sua luta no Campeonato de Luta Definitiva. Mas o que chamou a atenção, não foi tanto a luta como a coletiva de imprensa que ocorreu depois. Levy foi questionado sobre a ascensão meteórica do antissemitismo e os comentários de Kanye West. Levy respondeu com grande calma que se sentia mal por pessoas que têm tanto ódio em seus corações. Mas foi sua declaração direta a Kanye que nos fez levantar e aplaudir. “Kanye West, se você tem algum problema comigo ou com meu povo, venha me ver mano.”

Aliás, antes da luta, Levy anunciou que seu uniforme seria leiloado para apoiar uma instituição de caridade para sobreviventes do Holocausto. Esse é um verdadeiro guerreiro na luta contra o ódio.

A única frase de Levy em sua coletiva de imprensa pós-luta deve ser uma convocação para todos os judeus se levantarem, falarem, gritarem, encurralarem e responsabilizarem o ódio aos judeus em todas as areas. É uma declaração forte para responsabilizar as empresas. É um desafio encurralar os que apoiam o ódio aos judeus e responsabilizá-los por apoiar o antissemitismo.

E isso me lembrou o que estudamos na porção da Bíblia que lemos nesta semana. Nesta porção, vimos Jacó separar seu campo e enviar presentes a Esaú com medo de enfrentá-lo. Mas finalmente, ele não teve saída a não ser lutar contra o anjo de Esaú. E quando Jacó venceu ele recebeu o nome de Israel. Israel só é Israel quando luta por si e seus direitos.

Natan Levy demonstrou claramente o que os judeus precisam fazer todos os dias. Com uma resposta simples e direta à pergunta de um repórter, ele se tornou um líder na luta contra o ódio aos judeus. "Venha me ver mano." E Yuli Prizant teve um momento semelhante. Ele disse: “vejam o que eu faço”.

Hoje não somos mais impotentes. Temos um Estado e temos que nos orgulhar de toda a contribuição que demos ao mundo até agora. E é esta a mensagem que temos que dar ao mundo agora.


Sunday, December 4, 2022

A Obsessão da ONU com Israel - 04/12/2022

 

Nas últimas duas semanas, Israel tem sido alvo de vários ataques terroristas que vão desde esfaqueamentos, atropelamentos propositais e até sequestros. Na quarta-feira retrasada dois rapazes drusos israelenses de 17 e 18 anos sofreram um acidente de automóvel gravíssimo perto da cidade palestina de Jenin. Árabes israelenses, cristãos, muçulmanos, drusos, regularmente entram nas áreas administradas pela AP para compras mais baratas, apesar de ser contra a lei. Quando a ajuda chegou, enviaram um dos rapazes para um hospital na própria Jenin. A equipe médica logo o operou, conseguindo estancar a hemorragia interna e o colocaram na UTI em coma e no respiradouro. O pai dele foi avisado e foi ao hospital com um irmão.

Umas duas horas depois, 20 terroristas mascarados e armados entraram no hospital e demandaram o garoto. Sem qualquer senso de humanidade eles foram atirando até chegarem na UTI onde arrancaram os tubos que mantinham o menino vivo e o levaram na frente do pai e do tio desesperados. Óbvio que o menino, Tiran Ferros, morreu. Os terroristas sequestraram o corpo para usá-lo como moeda de troca com Israel.

Israel declarou que não negociaria com os terroristas de modo algum. Já basta o impasse que continua até hoje com os corpos dos dois soldados israelenses ainda em Gaza. Mas os drusos entendem a linguagem dos terroristas. Um grupo druso, também mascarado, sequestrou três palestinos de Hebron na mesma noite e avisou que iria matá-los e sequestrar outros 3 no dia seguinte se o corpo de Ferros não fosse entregue à família.

Poucas horas depois, e com o envolvimento da Autoridade Palestina, dos drusos, dos americanos, egípcios, jordanianos e qataris, o corpo foi devolvido. Se tivesse sido um menino judeu com certeza este não teria sido o resultado.

Enquanto milhares de palestinos são recebidos em hospitais de Israel para tratamentos de todos os tipos, incluindo a esposa de Mahmoud Abbas e a irmã do chefão de Gaza Ismail Hanyieh, nenhum judeu pode nem sonhar em poder ser atendido por serviços médicos palestinos. Mesmo ele sendo um “irmão” árabe. Como vimos, este resgate foi para este menino druso, uma sentença de morte.

Algumas horas depois do país respirar aliviado com o caso de Ferros, duas bombas explodiram em Jerusalém em pontos de ônibus. O menino canadense Aryeh Shupak, de 16 anos, e um imigrante da Etiópia de 50 anos Tadese Tashume Ben Ma'ada, foram mortos pelas bombas que além dos explosivos estavam carregadas de pregos e pedaços de metais para causar o maior dano possível. Outras 22 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. Entre os feridos estava pelo menos um cidadão americano.

Conforme reportado pela Palestinian Media Watch, a organização que segue as publicações palestinas, embora os ataques tenham sido amplamente condenados, duas condenações não foram ouvidas: a condenação do líder palestino Mahmoud Abbas e das organizações que ele chefia - a Autoridade Palestina e a OLP, e a condenação da Agência das Nações Unidas para a Infância – UNICEF.

Nada impediu Abbas de condenar o ataque terrorista em Istambul na Turquia, no dia 13 de novembro último, ou enviar condolências ao presidente chinês Xi Jinping, pelas mortes causadas por um incêndio na China.

Embora Abbas tenha ocasionalmente condenando ataques de palestinos contra israelenses, ele só o faz quando encurralado e sempre igualando o terrorismo às ações israelenses para prevenir ataques. Mas depois Abbas, a AP e a OLP, continuam com a mesma incitação ao terrorismo e sua política de “Pagar-para-Assassinar”, recompensando em dinheiro os mesmos terroristas cujas ações eles condenaram.

Outra condenação que faltou, como disse, foi a de Lucia Elmi, Representante Especial da UNICEF para o “Estado da Palestina”.

Enquanto Elmi e a UNICEF Palestina são frequentemente rápidos em condenar Israel quando menores palestinos são mortos, mesmo que tenham participado dos atos terroristas, quando crianças judias são assassinadas em atos claros de terrorismo seu silêncio é ensurdecedor.

Ainda, Elmi e a UNICEF ignoraram completamente a documentação da Palestinian Media Watch sobre o abuso de crianças palestinas pela AP, incluindo seu recrutamento para treinarem e participarem de atos terroristas e até morrerem.

Nem mesmo desta vez, em que a vítima foi uma criança canadense, Elmi fez um esforço para emitir uma condenação.

E nesta última sexta-feira, um terrorista tentou sequestrar um carro com um casal dentro, do lado do posto da polícia de fronteira em Huwara. Depois de não conseguir abrir a porta do carro, ele pegou uma pedra e tentou quebrar o vidro. O homem, que estava armado, atirou ferindo de leve o terrorista. Mesmo assim, ele se dirigiu ao posto da polícia e esfaqueou um dos policiais no rosto e tentou pegar a arma de outro que então atirou nele.

Isso e tudo que Israel passou desde a sua criação, poderiam elicitar um pingo de simpatia do mundo. Mas não. O representante da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland declarou estar “horrorizado pela morte do palestino durante uma “briga” com um soldado israelense”. É ... uma briga... e ainda enviou suas “sinceras condolências à família enlutada”. Somente neste ciclo, a ONU aprovou nada menos que 16 resoluções condenando Israel enquanto para todo o resto do mundo, ela aprovou apenas 13 resoluções. Isso inclui a Coreia do Norte, a Síria, Myanmar. O Irã recebeu apenas uma condenação apesar de ter matado mais de 200 pessoas incluindo crianças nos protestos da morte de Mahsa Amini. Seis resoluções foram aprovadas contra a Rússia pela sua invasão da Ucrânia que causou a fuga de milhões e a morte de milhares de civis.

Mas para não ficar só nisso a ONU aprovou na quarta-feira uma resolução marcando a fundação do estado de Israel como uma “catástrofe” e adotou a narrativa palestina dos fatos que ocorreram em 1948 como verdade histórica.

Gilad Erdan, o embaixador de Israel na ONU perguntou: o que vocês achariam se a comunidade internacional comemorasse o estabelecimento de seu país como um desastre? Uma catástrofe? Erdan continuou dizendo que os palestinos trouxeram o desastre sobre si próprios quando não aceitaram a partilha e quando 5 exércitos árabes atacaram Israel. Abdul Rahman Azzam, o primeiro secretário-geral da Liga Árabe, disse que o estabelecimento de um estado judeu levaria a "uma guerra de extermínio e um massacre tão grande que seria lembrado na história como o massacre da Mongólia e das Cruzadas".

E isso nos leva à pergunta: como Israel pode fazer a paz, com pessoas deste tipo? Israel já tentou. Já entregou território com toda a infraestrutura e negócios em andamento na esperança de que os árabes transformassem a Faixa de Gaza em um território pacífico e próspero. Mas não. A primeira coisa que os palestinos fizeram foi destruir a infraestrutura até dos serviços mais básicos que serviriam à sua população como o fornecimento de água, esgoto e eletricidade. A Faixa de Gaza hoje é um antro de terroristas que gasta todos os seus recursos em mísseis, morteiros e armas. E isso com o apoio da população que é obcecada, desde o nascimento com a destruição de Israel. Malas e malas de dinheiro são enviadas pelo Qatar e outros países árabes para supostamente aliviar o “sofrimento” dos palestinos que o inflige sobre seu próprio povo. Eles nunca são culpados. A culpada é sempre a “ocupação” de Israel. Somente porque Israel é um estado judeu. Porque quando era a ocupação Jordaniana e Egípcia destes mesmos territórios, os palestinos nunca reclamaram ou exigiram sua “autodeterminação”.

A ONU deveria se ocupar com problemas mundiais mais importantes que os palestinos e enviar seus líderes e representantes fazerem terapia para se curarem desta obsessão. Só assim a organização não perderá muito breve sua relevância. Ninguém mais está interessado nestas condenações e votações vazias. A opinião da ONU já hoje não vale mais nada.

 

 

Sunday, November 13, 2022

Biden: O Marionete Russo - 13/11/2022

 

A história começa no início dos anos 2000, quando o então chanceler alemão Gerhard Schroeder teve a brilhante ideia de promover relações entre Berlim e Moscou. Ele chegou a oferecer à Rússia parceria na EADS, uma multinacional europeia de defesa e potência aeroespacial. Em novembro de 2004, Schroeder chamou o presidente russo Vladimir Putin de "democrata impecável". No mesmo ano, Schroeder também elogiou o autocrata islâmico da Turquia, na época o primeiro-ministro e hoje presidente, Recep Tayyip Erdoğan como um "grande reformador".

Alguns dias depois de Schroeder ter deixado o cargo de chanceler, ele recebeu um telefonema de seu amigo Putin. Daí para a frente, Schroeder tem trabalhado para empresas estatais russas de energia, incluindo a Nord Stream AG, a Rosneft e a Gazprom, com um salário de US$ 1 milhão por ano. Em março deste ano, o Procurador-Geral da Alemanha iniciou um processo contra Schroeder por sua cumplicidade em crimes contra a humanidade devido ao seu papel em empresas estatais russas.

Em 2008, o "democrata impecável" Putin invadiu a Geórgia. O Ocidente ficou chocado. Os críticos de Putin ficaram chocados com o choque do Ocidente. Em 2014, Putin invadiu a Península da Criméia, território soberano da Ucrânia e a anexou. O Ocidente continuou chocado.

Em fevereiro deste ano, Putin novamente invadiu a Ucrânia e anexou mais outros territórios. O Ocidente se disse chocado. Não deveria ter ficado. Como se diz em inglês, me engane uma vez, a vergonha é sua, me engane duas vezes, a vergonha é minha.

Em 1972, as exportações de gás natural da União Soviética representavam cerca de 4% do consumo da Europa. Em 2021, a Rússia já fornecia quase 40% do gás da Europa. À medida que aumentou sua participação de mercado também aumentou a capacidade da Russia de manipular preços e desencadear crises. A maioria dos europeus agora reconhece que essa dependência da Rússia representa um grande erro estratégico. Tarde demais. Esta louca "transição para energia verde" da Europa apresenta uma grande falha: depende das importações de gás da Rússia que não tem qualquer problema em explorar energia suja para que o Ocidente se sinta limpo.

Em 2017, surgiu uma alternativa ao fornecimento de energia da Rússia. Os governos da Itália, Grécia, Chipre e Israel assinaram uma declaração para desenvolver o Gasoduto do Mediterrâneo Oriental (EastMed), um projeto de gasoduto de 1.900 km ao custo de US$ 6,7 bilhões para conectar as reservas de gás de Israel e Chipre para a Grécia e daí para a Europa. O gasoduto teria capacidade inicial para transportar 10 bilhões de metros cúbicos de gás por ano (bmc/a) para a Grécia, Itália e outros países do sudeste europeu. A capacidade seria então aumentada para um máximo de 20 bmc/a na segunda fase. O projeto foi definido como "de Interesse Comum" (PCI) pelos governos europeus.

O EastMed melhoraria a segurança energética da Europa, diversificando suas rotas e fontes de fornecimento de gás e permitindo acesso direto aos campos de produção, reduzindo a dependência da Rússia. Isso proporcionaria uma oportunidade para Chipre, membro da União Europeia, se conectar à rede de gás europeia, o que aumentaria ainda mais o comércio de gás no sudeste da Europa.

Mas a Turquia, após um isolamento internacional punitivo após várias crises diplomáticas com Israel, ameaçou militarmente a EastMed. Em contraste, outros países da região, como Egito, Jordânia, Líbano e os estados do Golfo, apoiaram o projeto, também favorecido pela UE e pelos Estados Unidos. Maravilha. Mas espera aí.

Este acordo ameaçava a força regional da Turquia. Ela não gostou da aliança entre a Grécia, Chipre e Israel. Não esqueçamos que a Turquia ocupa ilegalmente o norte de Chipre. Mas tudo isso poderia ser gerenciado não fosse o monumental e histórico erro de cálculo e de custo estratégico de Joe Biden. Ele decidiu que era melhor apaziguar a Turquia pró-Putin, e comprometer a segurança energética da Europa.

Apenas algumas semanas antes da Rússia invadir a Ucrânia em fevereiro, Biden surpreendeu os parceiros da EastMed ao retirar abruptamente o apoio dos EUA ao gaseoduto, matando efetivamente o projeto, impedindo um fornecimento diversificado de energia para a Europa e fortalecendo ainda mais a chantagem energética de Putin contra a Europa.

A Casa Branca disse que o projeto de US$ 6,7 bilhões era contrário aos seus "objetivos climáticos". Quanto incrivelmente mentecapto deve ser Biden para esperar que ninguém ainda esteja usando combustíveis fósseis até 2025, a data prevista para a conclusão planejada do gasoduto EastMed. A administração Biden também citou uma suposta falta de viabilidade econômica e comercial, embora o estudo de 2019 financiado pela UE tenha confirmado que “o Projeto é tecnicamente e economicamente viável e comercialmente competitivo”.

O erro de cálculo de Biden deve ter causado a abertura de muitas garrafas de champanhe no Kremlin. "Bem-vindo ao admirável mundo novo onde os europeus vão muito em breve pagar 2.000 euros por 1.000 metros cúbicos de gás natural!" twittou Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente e primeiro-ministro do país, em 22 de fevereiro de 2022, apenas dois dias antes da invasão.

Mas Biden não parou por aí. Enquanto sua administração continua a bater na mesma tecla para tentar convencer os mulás a voltarem à mesa de negociação sobre seu programa nuclear, o regime iraniano está fornecendo armas e tropas para a Rússia com total impunidade. A pergunta é o que os governantes do Irã estão recebendo em troca?

Em primeiro lugar, o Irã está correndo para se tornar uma potência nuclear e conseguir a hegemonia em todo o Oriente Médio. Os aiatolás querem que a Rússia os ajude a reforçar e acelerar seu programa nuclear. Em 24 de outubro, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez a seguinte advertência:

"Em oito meses de guerra aberta, a Rússia usou quase 4.500 mísseis contra nós. E seu estoque de mísseis está diminuindo. A Rússia então procurou armas acessíveis em outros países para continuar seu terror. Encontrou-as no Irã."

Zelensky acrescentou: "Eu tenho uma pergunta para você - como a Rússia paga o Irã, na sua opinião? O Irã está apenas interessado em dinheiro? Provavelmente não em dinheiro, mas na assistência russa ao programa nuclear iraniano. Provavelmente, esse é exatamente o significado de sua aliança."

E o regime iraniano, que no passado sempre negou estar buscando armas nucleares, hoje está se gabando de sua capacidade de construir uma bomba.

A liderança inexistente do governo Biden ajudou os mulás no poder a ganhar tempo nos últimos dois anos e acelerar seu programa nuclear, aumentando seu enriquecimento de urânio de 20% para 60%, conduzindo pesquisa, desenvolvimento e produção de metal de urânio e adicionando mais centrífugas avançadas de enriquecimento. O ousado regime iraniano chegou a anunciar que não permitirá que a Agência de Energia Atômica visse imagens das centrífugas.

O novo acordo nuclear de Biden, se alcançado, também permitirá à Rússia lucrar com um contrato de US$ 10 bilhões para expandir ainda mais a infraestrutura nuclear do Irã. Infelizmente, esse ainda parece ser o legado que o governo Biden quer deixar: o regime predatório do Irã, o principal patrocinador do terrorismo, armado com bombas nucleares e uma Rússia empoderada que não hesita em usar de chantagem, agressão e força militar para invadir outros países.

Não é à toa que Biden está sendo chamado de "marionete russo". Mesmo que a Russia não tivesse invadido a Ucrânia em Janeiro, o erro de Biden garantiu que Putin estava no caminho certo. Se os europeus congelarem neste inverno ou precisarem pagar contas altíssimas, eles podem brindar Schroeder, Putin e Biden.