Sunday, August 7, 2022

Apaziguando Bullies - 07/08/2022

 

Esta foi uma semana cheia de eventos importantes e que, direta ou indiretamente, impactam nossas vidas. Mas apesar de terem acontecido em pontos diversos do mundo, todos eles tiveram um ponto em comum. E este é o apaziguamento a todo o custo. O problema é que os bullies nunca param quando têm a vítima entre as mãos.

A invasão da Ucrânia pela Rússia, com a morte de milhares de inocentes, um desrespeito total pela vida e direitos humanos além da economia mundial, causando a alta do trigo, do petróleo e do transporte internacional, apesar de condenada pelo mundo, na semana passada deu uma virada. O presidente francês François Macron declarou que “não podemos humilhar a Rússia, porque quando o combate terminar poderemos construir um caminho através de canais diplomáticos”. Claro, Macron, que está sofrendo uma crise de energia e falta de alimentos básicos, já está cheio. Mas isto quer dizer o quê para a Ucrânia? Ela tem que desistir de sua independência e dar as costas ao Ocidente e aos valores ocidentais para que Macron fique contente? É esse tipo de coisa que dá ímpeto a Putin de continuar seu bullying do Ocidente.

Zelensky, por seu lado, deve só sonhar com todas as armas nucleares que a Ucrânia entregou para a Rússia contra um pedaço de papel no qual os Estados Unidos e a Inglaterra “garantiram” a segurança do seu país. Promessa que valeu o papel em que foi escrita. Que mensagem é essa não só para a Rússia, mas para a China e o Irã?

E por falar no Irã, novamente esta semana, o chefe da autoridade de energia atômica, Mohammad Eslami, declarou que “o Irã tem a capacidade técnica de produzir a bomba nuclear, mas que não tem intenção de fazê-lo”. Não vamos abrir o champagne ainda! É mais uma admissão do Irã que está enriquecendo urânio acima dos níveis necessários para energia elétrica ou para propósitos médicos como alega. E o que acontece? O Ocidente reabre as negociações para ressuscitar o acordo nuclear de 2015 que irá somente, e somente, livrar o Irã das sanções econômicas, enchendo os bolsos dos mulás para continuarem seu patrocínio do terrorismo mundial. Não sei se isso foi apaziguamento ou direto uma capitulação.

Hoje, as notícias estão inundadas sobre a vinda próxima a Nova York do presidente iraniano Ibrahim Raisi, conhecido como o “açougueiro de Teerã” (sem querer ofender os açougueiros) – ele próprio um criminoso de guerra acusado de cometer crimes contra a humanidade. Mas como chefe de estado, ele tem imunidade.

 

E aí temos a China. Nesta semana a porta-voz do Congresso, Nancy Pelosi, teve a audácia de visitar Taiwan, apesar (vejam só) apesar de ameaças da China. E ainda bem que ela foi! As palavras da China foram: “aqueles que brincam com fogo não terão um final feliz e aqueles que ofendem a China serão punidos”. Claramente os chineses veem o governo Biden como fraco e patético para usar esta linguagem. Isso não teria acontecido com Trump. E o avião de Pelosi tinha mal decolado quando a China começou exercícios militares, violando abertamente o espaço aéreo e as águas territoriais de Taiwan. A mesma Taiwan que também tem uma promessa em papel dos Estados Unidos de defender sua independência.

O Diretor do FBI, Christopher Wray disse recentemente que “a maior ameaça de longo-prazo para a propriedade intelectual e de informação e para a vitalidade econômica dos Estados Unidos é a espionagem econômica e de contrainteligência da China”. E daí? Nada.

E aí chegamos a Israel.

Nesta semana, o enviado americano Amos Hochstein chegou em Beirute para ajudar a resolver a longa disputa de fronteiras marítimas entre Israel e o Líbano. Esta disputa está impedindo o Líbano de começar a prospectar o depósito de gás natural na sua costa. Israel já construiu a plataforma de Karish em suas águas territoriais e espera começar a prospecção em setembro. Mas em vez de tentar resolver o problema, a Hezbollah, braço do Irã, decidiu ameaçar atacar a plataforma de Israel. Nasrallah declarou que “se a extração de petróleo e gás de Karish começar em setembro antes que o Líbano obtenha seu direito, estaremos caminhando para um problema e faremos qualquer coisa para alcançar nosso objetivo”. Israel frustrou recentemente pelo menos três infiltrações de drones do Hezbollah, duas delas indo para Karish.

Pressão está sendo feita sobre Israel para que ela aceite, por exemplo, abrir mão de parte da área rica em recursos naturais – mesmo que a organização terrorista que domina o Líbano e é a causa da miséria no país, não mostre qualquer sinal de abandonar seu objetivo de destruir o Estado Judeu ou renunciar seu apoio ao jihad global. Há uma razão pela qual a Hezbollah é considerada uma organização terrorista pelos EUA, Reino Unido, Liga Árabe e outros, e ceder às suas ameaças é uma receita certa para mais chantagens e ameaças.

E desde sexta-feira, Israel se encontra em guerra no sul, desta vez contra o Jihad Islâmico Palestino.

Tudo começou com a prisão do terrorista sênior do grupo Bassam al-Saadi e seu genro em Jenin depois de Israel ter descoberto um plano do grupo para alvejar civis na Judeia e Samaria. Então, o Jihad Islamico de Gaza, ameaçou lançar mísseis contra Israel se al-Saadi não fosse solto. O aconteceu a seguir foi uma vitória para os terroristas – aqueles cuja razão de ser é espalhar o medo. Preocupados com a retaliação o primeiro-ministro Yair Lapid, o ministro da Defesa Benny Gantz e altos funcionários da segurança decidiram fechar estradas e a linha de trem no Negev perto da fronteira com a Faixa. Milhares de moradores do Sul de Israel ficaram presos em casa devido à ameaça de ataques. Tudo isso sem que o Jihad Islâmico tenha atirado uma única bala, um míssil ou um projétil antitanque.

Como a situação não poderia durar mais, Israel decidiu neutralizar o comandante do Jihad Islâmico que estava fazendo as ameaças assim como destruir depósitos de armas do grupo. Numa ação espetacular e cirúrgica, Israel eliminou Tayseer al-Jabary, o comandante do norte de Gaza. O Jihad então lançou centenas de mísseis contra Israel. Até sábado à tarde, mais de 350 mísseis foram lançados, 227 atravessaram para dentro de Israel, dos quais 162 foram interceptados pelo Domo de Ferro, 29 caíram no mar outros em espaços abertos, mas 94 caíram na própria Faixa de Gaza. E foi um destes mísseis que matou vários adultos e 3 crianças no bairro de Jabalyiah. Alguém ouviu alguma condenação da mídia por estas mortes? Mas se tivesse sido Israel, não iriamos ouvir o fim delas.

O Hamas, inteligentemente, ficou fora da briga. Ele também tem um problema com o Jihad Islâmico que instalou um governo dentro de seu governo. O Hamas tem tentado finalmente reconstruir Gaza, conseguiu que Israel permitisse a milhares de seus residentes trabalharem em Israel e outros alívios que os egípcios se negam a dar. Mas o Jihad Islâmico, com sua liderança sentada confortavelmente na Síria e no Irã, prometeu continuar os ataques.  Claramente, o Jihad Islâmico não é só perigoso para israelenses, mas também para os palestinos.

Como sempre, no entanto, o mundo e a mídia estão condenando Israel.

E assim, os bullies globais continuam rindo de nós. Tanto a ação quanto a inação vêm com um preço que precisa ser cuidadosamente considerado, mas o ponto principal é: se você deixar terroristas e ditadores escaparem impunes, usarem somente de apaziguamento para fazê-los mudar de comportamento, eles não terão motivos para parar. O mundo livre não pode se dar a este luxo.

Hoje nos encontramos em uma situação insustentável. Não importa se for Putin, Xi Jinpin ou os aiatolás do Irã. Todos eles representam uma ameaça grande demais para ficarmos complacentes. A sobrevivência de nossas democracias exige que nos mantenhamos firmes nos mesmos princípios que as fizeram florescer – o Estado de Direito, a liberdade de expressão, os direitos humanos e, acima de tudo, o reconhecimento de que a vida é sagrada.


Sunday, July 31, 2022

Quando a ONU Viola Suas Próprias Regras - 31/07/2022

 

Algumas vezes acontece de eu escrever aqui sobre a ONU – pelo menos uma vez a cada três meses. Isso porque é a cada três meses que o Conselho de Segurança da ONU realiza sua mandatória sessão sobre Israel. O único país a sofrer este tipo de bullying diplomático deste monstruoso organismo mundial que se alimenta em promover o antissemitismo em vez de promover os direitos humanos e a paz.

Mas a ONU não se restringe a atacar o estado judeu somente quatro vezes por ano. Caso o assunto corresse o risco de sair do radar mundial, no final do ano passado a ONU lançou uma investigação sem precedentes sobre supostos “crimes de guerra contra Israel”, com mandato de apresentar um relatório duas vezes por ano, e sem data para terminar. Como a ONU concedeu exclusivamente aos palestinos o status de refugiados perpétuos, um status que eles podem passar de geração em geração, ela precisa, paralelamente, manter o status de Israel como o culpado perpétuo.

O fato de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança incluírem a Rússia e a China pode explicar por que a organização prefere se concentrar em Israel em vez de algo mais próximo a elas.

A verdade é que daria para falar sobre a hipocrisia e discriminação da ONU contra Israel toda semana, mas esta é uma ocasião especial. É difícil ficar em silêncio depois que o funcionário da ONU Miloon Kothari, um dos três membros da “Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e em Israel” repetiu numa entrevista, uma das mais velhas tropes antissemitas conhecidas.

Mas vamos ver primeiro o que é esta Comissão. Ela foi inicialmente aprovada em maio de 2021 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra, outro órgão da ONU que obsessivamente ataca Israel. Ela se seguiu à Operação Guardião dos Muros de 11 dias que começou quando o Hamas em Gaza lançou mísseis, primeiro em Jerusalém e depois em grande parte do resto do país. A Comissão de Inquérito é composta por três membros, todos com um longo histórico de ativismo contra Israel.

A comissão é chefiada pela sul-africana Navi Pillay, ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, que no passado apoiou pedidos para boicotar e sancionar Israel. Os outros, Christopher Sidoti e Milton Kothari, não têm históricos menores de retórica vitriólica e ações anti-Israel.

Pillay, ainda no ano passado, assinou uma carta ao presidente Joe Biden se referindo à “dominação e opressão do povo palestino” e pediu aos EUA que abordassem a “discriminação e opressão sistêmica sempre crescentes de Israel”. No ano anterior, ela assinou uma petição intitulada “Sancionando o Apartheid de Israel”.

Sidoti não é menos comprometido. Ele é consultor do Centro Australiano para Justiça Internacional, uma organização doentiamente anti-Israel que exigiu que a Austrália apoiasse o movimento BDS contra Israel e instituísse o processo penal contra israelenses por crimes de guerra. A mesma organização assinou uma carta que denunciava “a brutalidade sistemática, perpetrada ao longo das últimas sete décadas de colonialismo de Israel, apartheid = e prolongada ocupação beligerante ilegal …” No mês passado Sidoti afirmou que judeus lançavam acusações de antissemitismo “como arroz em um casamento”.

Mas foi o terceiro membro do painel que atraiu as manchetes esta semana. Em uma entrevista ao site pró-palestino e antissionista Mondoweiss que foi publicada na segunda-feira, o advogado indiano Kothari não apenas questionou a participação de Israel como membro da ONU – dizendo “Eu chegaria a ponto de levantar a questão de por que Israel é mesmo membro da Nações Unidas” – ele chegou a dizer que os judeus controlam as mídias sociais.

Chateado com as críticas à investigação da Comissão, inclusive por alguns governos, Kothari disse: “Estamos muito desanimados com a mídia social que é controlada em grande parte por – seja o lobby judaico ou ONGs específicas – muito dinheiro está sendo jogado na tentativa de nos desacreditar”.

Bem... não custa nada desacreditar esta comissão – eles próprios fazem um bom trabalho. Já em 2001, Kothari escreveu um relatório durante a Segunda Intifada, usando palavras como “massacre” e “limpeza étnica” para descrever o tratamento de Israel aos palestinos e se referiu ao terrorismo palestino como “resistência”. Alguém poderia ter pensado que, nesta altura, Kothari poderia ter inventado algo mais original do que os tropos anti-semitas do controle judaico da mídia apoiado por dinheiro judaico.

A Missão Permanente de Israel nas Nações Unidas em Genebra emitiu um comunicado chamando os comentários de Kothari de “extremamente perturbadores” e observando que Israel tinha questionado sua nomeação em vista de suas observações anteriores.

“Desde que a Comissão foi formada em maio de 2021, enquanto mísseis caíam sobre civis israelenses, ... o único objetivo [de Kothari] era argumentar que a raíz da causa do conflito era a própria criação do Estado de Israel e nada mais”. “Agora ficou ainda mais evidente que esta é a visão dos próprios Comissários, bem como de muitos dos Estados membros que criaram esta comissão. Indivíduos com opiniões tão tendenciosas nunca deveriam ter sido nomeados para cargos que exigem os mais altos padrões de imparcialidade, objetividade e independência”. Em outras palavras, com cada relatório, a Comissão está se aproximando mais à conclusão que Israel não deveria ter sido criada.

Não há fim para as tentativas de deslegitimar Israel. E, as notícias dos comentários de Kothari vieram junto com a publicação de outro relatório feito pelo Coordenador Especial da ONU para a Paz no Oriente Médio que cobre o período de 27 de junho a 21 de julho deste ano. Parece que a ONU não tem mais nada para fazer além de relatórios sobre Israel. Que país aceitaria estar sob uma lupa destas?

A ONU nunca se perdoou por ter votado a favor da criação de Israel há 74 anos. Mas na época, as apostas diziam que o Estado não iria sobreviver de qualquer maneira, a uma invasão árabe. Então, nada melhor do que limpar a consciência do mundo pelo Holocausto, dando um estado aos judeus, que seria logo destruído, acabando o que Hitler havia começado. Que decepção deve ter sido quando Israel conseguiu vencer e sobreviver.

Hoje, a ONU já reconhece um Estado da Palestina ao mesmo tempo em que descreve os palestinos como refugiados. E este relatório é ainda mais absurdo. Enquanto condena Israel e o que chama de colonos judeus por 27 ataques a palestinos resultantes em 12 feridos e/ou danos a oliveiras, ele também descreve 50 ataques de palestinos contra civis israelenses, 39 dos quais por apedrejamento, esfaqueamentos, coquetéis molotovs e outros incidentes.

Em outras palavras, houve mais ataques a civis israelenses por palestinos do que o contrário. Mas para a ONU, todos os palestinos são considerados inocentes, ao contrário dos soldados israelenses que arriscam suas vidas para impedir ataques terroristas, que são sempre culpados. Como aceitar uma comissão que vai te culpar por ter sido atacado? Mas a ONU o faz. E quando se retira o direito de um individuo ou de um estado de autodefesa, você está removendo sua própria humanidade. Baratas não têm o direito de se defender.

Não seria mais produtivo fazer uma investigação séria sobre a participação da agência da ONU para os palestinos UNRWA na construção de túneis do Hamas e armazéns de armas em suas escolas e hospitais? Mas não.

As regras da ONU são claras. Elas exigem imparcialidade por parte dos indivíduos que conduzem investigações e inquéritos em nome da ONU– e Pillay, Sidoti e Kothari violam completamente essas regras. Eles têm que ser demitidos.

O triste é que mesmo sem saber quando terroristas do Hamas, Jihad Islâmico, ou a Hezbollah irão atacar Israel, podemos ter certeza de uma coisa: que quando o fizerem, a ONU estará pronta – com um relatório contundente criticando a resposta de Israel.



 

Sunday, July 24, 2022

A Fatwa Mentirosa do Irã - 24/07/2022

 

Na última sexta-feira, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, disse ao jornal espanhol El País, que o programa nuclear do Irã está avançando a passos “galopantes” e que a Agência tem visibilidade muito limitada sobre o que está acontecendo. Em junho, o Irã começou a remover essencialmente todos os equipamentos de monitoramento da Agência da ONU.

Isso, junto com as últimas ações de Teerã, não deixam muito para a imaginação sobre os propósitos dos mulás.

Jamshid Sharmahd de 67 anos é um jornalista e engenheiro de software alemão-iraniano. Ele nasceu em Teerã, mas se mudou com a família para a Alemanha quando tinha apenas sete anos. Ele é cidadão alemão desde 1995. Em 2003 ele se mudou para os Estados Unidos, onde reside legalmente. No final de julho de 2020, Jamshid foi sequestrado em Dubai e trazido para o Irã para ser julgado por espionagem. O governo iraniano alega que ele é responsável por um ataque em 2008 a uma mesquita em Shiraz que matou 14 pessoas e feriu 200. Ele pode receber a pena de morte por estes crimes fakes.

Por muito menos, em 2020, o Irã executou Ruhollah Zam, um jornalista que vivia na França e que também foi sequestrado em visita ao Iraque. O crime? O de corromper a terra. Seja lá o que isso for.

Em julho do ano passado, o Irã tentou sequestrar Masih Alinejad, uma autora iraniana que mora em Nova Iorque, que lançou uma campanha online contra o uso forçoso do véu no Irã.

Por outro lado, o Parlamento belga, com 79 parlamentares a favor e 41 contra, ratificou um tratado com o Irã na noite da última quarta-feira permitindo que Bruxelas liberte um terrorista iraniano condenado por tentar bombardear uma manifestação anti-regime. Assim, Bruxelas agora poderá libertar Assadollah Assadi, que cumpriu apenas um ano de sua sentença de 20 anos por conspirar para bombardear um comício do grupo de oposição exilado, o Conselho Nacional de Resistência do Irã, perto de Paris em 2018.

O governo belga argumentou que o tratado poderia garantir a libertação do trabalhador humanitário belga Olivier Vandecasteele, detido no Irã em fevereiro. O professor da Universidade de Bruxelas Ahmadreza Djalali, que tem dupla cidadania iraniana-sueca, também está detido no Irã desde 2016 por acusações forjadas de espionagem.

O legislador François de Smet, líder do partido de oposição Defi, twittou: “A Bélgica está enviando a mensagem de que sua justiça está à venda”. Outro deputado Michael Freilich chamou o acordo de "escandaloso" em um tweet após a votação.

Freilich disse no início deste mês: “A Bélgica está cometendo um grave erro ao ceder à chantagem, e acho que estamos abrindo as portas do inferno assinando este tratado com o diabo. O Irã saberá que pode agir com impunidade, porque se seu pessoal, que trabalha sob cobertura diplomática for pego, sempre terá a possibilidade de voltar ao seu país por meio dessas trocas, dessa chantagem”.

Para os que votaram a favor, aceitar a chantagem iraniana é um “mal menor”.

E é esta a tática do Irã. Sequestros, ataques terroristas e patrocínio de grupos terroristas que têm como único objetivo desestabilizar outros países para expandir seu domínio, como o Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen.

No início desta semana, o Irã declarou que agora tem capacidade de desenvolver uma arma nuclear se decidir, como uma ameaça a Israel depois da visita do presidente americano Joe Biden. O presidente do Conselho Estratégico de Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi declarou que “em poucos dias conseguimos enriquecer urânio em até 60% e podemos facilmente produzir urânio enriquecido em 90%... O Irã tem os meios técnicos para produzir uma bomba nuclear”. Embora Kharrazi tenha acrescentado a ressalva de que “não houve decisão do Irã de fabricar uma bomba”, a declaração foi um claro aviso aos Estados Unidos e a Israel.

Mas durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira passada, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Naser Kanani, desvendou uma velha mentira à qual o regime de Teerã recorre regularmente quando finge ter objetivos pacíficos para seu programa nuclear. Ele disse que “em relação ao tema das armas de destruição em massa, temos a fatwa [decreto religioso]”, que proíbe tais armas letais na lei islâmica e pela mais alta autoridade islâmica do Irã, o Supremo Líder aiatolá Ali Khamenei.

Se as observações de Kharazzi escaparam sem pré-aprovação de Khamenei, ninguém sabe. Mas elas merecem ser levadas mais a sério do que a afirmação ridícula de que o Irã está enriquecendo urânio apenas para fins de energia civil. Isso é parte da tática iraniana de falar com os dois lados da boca. Por um lado, eles juram aderir a uma fatwa antinuclear e por outro, se gabam de testes bem-sucedidos de mísseis balísticos e atividade de centrifugação de alto grau.

O ministro da Inteligência iraniano, Mahmoud Alavi, usou essa mesma retórica falsa no ano passado. Em fevereiro de 2001, ele declarou que “o Líder Supremo disse explicitamente em sua fatwa que as armas nucleares são contra a lei da sharia e a República Islâmica as vê como religiosamente proibidas e não as persegue”. “Mas um gato encurralado pode se comportar de maneira diferente. de quando o gato está livre. E se eles [os estados ocidentais] nos empurrarem nessa direção, então não mais será a culpa do Irã.”

Ele fez parecer que uma fatwa é algo bastante flexível, e violá-la não é algo tão problemático. Mas é aí que está o problema. A fatwa em questão, é uma farsa.

A notícia desta fatwa foi usada pelo Irã para mostrar ao governo do então presidente Barack Obama, que as intenções de Teerã ao entrar no acordo nuclear eram honrosas. Ela foi música para os ouvidos de Washington, e ninguém na Casa Branca ou no Departamento de Estado se incomodou em verificar se ela verdadeira ou não. Obama, assim como Biden, acreditam que qualquer acordo com o Irã é um “mal menor”.

Mas a Memri, o Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio começou a investigar o assunto em 2012 e viu que Khamenei nunca emitira uma decisão jurisprudencial sobre armas nucleares. E nada disso seria relevante se a mentirosa fatwa não fosse constantemente levantada no contexto das negociações nucleares.

Isso é precisamente o que o ex-vice-ministro das Relações Exteriores iraniano Mohammad-Javad Larijani fez no domingo passado em entrevista à TV iraniana. Ele disse: “Durante a visita de Biden ao regime sionista, eles assinaram um documento jurando não permitir que o Irã obtivesse armas nucleares”. Ele então mencionou e prontamente descartou o decreto ostensivo de Khamenei. “Naturalmente, de acordo com a fatwa do [supremo] líder, somos religiosamente proibidos de obter armas de destruição em massa, e isso inclui armas nucleares”. “No entanto, se quisermos fazer isso, ninguém poderá nos parar, é claro. Eles mesmos sabem disso.” Ele continuou dizendo que as capacidades nucleares do Irã “são o orgulho do mundo islâmico”.

Ele deve ter esquecido os países muçulmanos que normalizaram suas relações com Israel para enfrentar o que eles consideram uma fonte de medo, não “orgulho”.

As revelações sobre a maneira como o regime vem enganando o Ocidente desde o início foram motivo suficiente para Trump rasgar o acordo nuclear. Como o MEMRI relatou há menos de três meses, o ex-membro do parlamento iraniano Ali Motahari disse em abril: “Quando começamos nossa atividade nuclear, nosso objetivo era realmente construir uma bomba. Não há necessidade de rodeios… queríamos construi-la como meio de intimidação.” Aí ele explicou: "O verso do Alcorão diz: 'Ateie o medo nos corações do inimigo de Alá'". E que eu saiba, o Alcorão se sobrepõe à uma fatwa seja ela fake ou verdadeira.

A filósofa política Hannah Arendt, em seu ensaio “Responsabilidade Pessoal Baixo à Ditadura” de 1964 escreveu que: “Aqueles que dizem que escolhem o mal menor rapidamente esquecem que, em última análise, escolheram o mal”.

E é isso que não podemos esquecer.