Sunday, March 10, 2024

Ramadã e a Guerra de Gaza - 10/3/2024

 

Quem abriu o noticiário internacional esta semana notou a quantidade de artigos sobre o Ramadã e a guerra em Gaza.

O Ramadã, para quem não sabe, é o nono mês do calendário islamico e é quando os muçulmanos do mundo inteiro jejuam do nascer ao por do sol. No Brasil é um jejum de em torno 13 horas durante o dia. É um mês para supostamente orar, refletir, fazer caridade e tentar ser uma pessoa melhor. Mas é também um mês que premia em dobro atos de sacrificio e martirio.

Enquanto a maioria das publicações focam na falácia da fome que paira sobre a Faixa e tristeza das familias de Gaza por não poderem comemorar seu mês santo como sempre, com suntuosos jantares e cafés da manhã, elas omitem o que a história mostra do que se passa realmente durante o Ramadã. Elas tambem não conseguem evitar de interpretar os eventos com lentes ocidentais.

Então vamos lá. Primeiramente, não confundam Ramadã com Natal. Somente por ser um mês de jejum, Ramadã não deixa de ser um mês de avanço islâmico e de guerras e isso desde a época de Maomé. Entre outras e já em 624, a batalha de Badr contra Mecca foi travada em Ramadã. Em 653 os muçulmanos invadiram e conquistaram a ilha grega de Rodhes. Em 710 invadiram a Espanha, conquistando a Andaluzia e ocupando a região por 800 anos. Em 1187, Saladino venceu o exercito Franco e tomou Jerusalem na batalha de Hattin também em Ramadã. 

Mais recentemente, em 1981 e 1987, o Irã rejeitou dois cessar-fogos oferecidos pelo Iraque durante Ramadã. A guerra entre eles continuou. Em Israel, a primeira intifada palestina durou 6 Ramadãs. 

E não podemos esquecer a Guerra do Ramadã como é chamada a guerra de Iom Kippur, quando o Egito e a Siria lançaram um ataque de surpresa contra Israel, no seu dia mais sagrado, e também de jejum.  De alguma forma, a oração, a contrição e a reflexão não inibiram aquele ataque traiçoeiro que massacrou 2700 israelenses. Tampouco o jejum. Os soldados egípcios e sírios foram isentos de jejuarem porque estavam empenhados no dever religioso de matar infiéis, a categoria em que os judeus se enquadram. 

Não dá para entender então porque o mundo exige um cessar-fogo e o respeito pelo mês santo islâmico quando os próprios muçulmanos vêem a guerra neste mês como um dever religioso? Como disse, nada como aplicar valores ocidentais a situações e pessoas que estão longe deles. 

Seria bom se os muçulmanos palestinos em Jerusalém, Judeia, Samaria e Gaza se aproximassem do Ramadã como eles querem que acreditemos: como um mês de jejum, caridade, oração, contrição e reflexão.

Tenho certeza que muitos muçulmanos devotos fazem isso, mas é igualmente verdade que o Ramadã tem sido frequentemente celebrado com uma orgia de violência muçulmana, especialmente palestina. Invariavelmente, o Ramadã é usado como desculpa para o aumento da guerra santa contra Israel.

Aqueles com alguma memória – e isso exclui muitos indivíduos na Casa Branca de Biden e no Departamento de Estado de Blinken – podem facilmente verificar que os inimigos de Israel há muito que usam o Ramadã para assassinar judeus. Em 2016, o Hamas rotulou o ataque assassino ao Mercado Sarona em Tel Aviv de “Operação Ramadã” e o celebrou como o “Primeiro Ataque do Ramadã”. Outros ataques terroristas contra judeus logo se seguiram, tornando aquele Ramadã num mês particularmente sangrento para Israel. 

E isso não se limita nem aos judeus. Em 2016 e 2017, o ISIS bombardeou duas vezes uma rua popular em Bagdá durante o Ramadã, matando centenas de muçulmanos. Durante o mesmo Ramadã de 2016, um muçulmano radical atacou a boate Pulse em Orlando, Flórida, assassinando 49 pessoas. E estes não são exemplos isolados. Os árabes têm historicamente travado guerras cruéis uns contra os outros durante o Ramadã. 

E, com certeza, mais uma vez este ano, todos temem uma “escalada” no Ramadã, que ao que parece, começa amanhã. Especialmente porque o Hamas e o seu porta-voz, o canal Al Jazeera, estão apelando aos fiéis para expandirem a “Inundação de Al-Aqsa” (o nome que o Hamas deu ao massacre de 7 de outubro) a Jerusalém e à Cisjordânia através do terrorismo e da revolta. 

E o que está fazendo o Departamento de Defesa americano? Ele está ocupado enviando alertas aos líderes de Israel para prestarem reverência ao Ramadã, para serem extremamente cautelosos durante o Ramadã, para não fazerem nada para “provocar” os muçulmanos no Ramadã – especialmente dentro e em volta do Monte do Templo de Jerusalém – porque “as emoções muçulmanas são oh -muito sensível durante este mês”.

O presidente americano, Joe Biden, chegou ao ponto de sugerir que Israel deveria interromper a sua guerra contra o Hamas em Gaza para permitir que os muçulmanos observassem piedosamente o Ramadã e, aproveitassem parte daquele famoso espírito de caridade, para fazer o Hamas se derreter e concordar em soltar os reféns. (Halevai, mas na dúvida, vamos esperar sentados).

Para nós judeus e israelenses, tais sentimentos parecem tão bizarros, tão bizarros....porque são bizarros. Nunca ouvi que um judeu tenha saído para matar não-judeus por emoção à uma festa judaica. Ou um cristão que saiu para metralhar pessoas sob a influência do “espírito natalino”. Na verdade, é inconcebível para qualquer judeu – ou qualquer pessoa normal, moral e de pensamento correto – gritar “Allah uAkbar- Deus é Grande” como um prelúdio para assassinar, estuprar, saquear, decapitar, explodir, esfaquear, atirar em pessoas inocentes, Por qualquer motivo. Talvez os bons muçulmanos devessem usar este Ramadã para um exame de consciência e a melhor forma de erradicar este mal do seu meio. 

E não como os chamados “especialistas” em segurança, políticos, diplomatas e estadistas dizem: “Bem, é claro, as tensões são sempre elevadas durante o Ramadã e, assim, os judeus devem se manter discretos, abaixarem suas cabeças, voltarem a serem cidadãos de segunda classe, dhimmis, porque a violência muçulmana deve ser antecipada durante o mês sagrado” 

Tal sentimento insulta ou deveria insultar a maioria dos muçulmanos do mundo, bem como a nossa inteligência. É a própria definição de se render aos agressores, em vez de confrontá-los e vencê-los. 

Além disso, a tal “piedade” em Ramadã, deveria começar em casa. O Hamas, que diz ser primeiramente um movimento islãmico, deveria sim soltar todos os reféns e se render para salvar as vidas de outros muçulmanos nocentes que certamente morrerão com a continuação da guerra. Mas o Hamas quer apenas uma coisa: a sobrevivencia e a preservação de seu poder em Gaza. Eles pouco se importam se o mês é santo ou não, a não ser para inculcar nos jovens terroristas o desejo de morrerem neste mês pois a recompensa é dobrada. Se o mundo permite ao Hamas tirar as luvas no Ramadã, não esperem que Israel guarde as suas. 

Para finalizar, comemoramos na sexta-feira o Dia Internacional da Mulher. Muito tem sido escrito sobre a vergonhosa traição das mulheres israelenses por suas “irmãs” em todo o mundo, a maioria das quais permaneceu em silêncio sobre a “tortura sexualizada” a que foram submetidas no dia 7 de Outubro.

Os grupos de mulheres, incluindo a ONU Mulheres, agravaram este sofrimento com o seu silêncio, alguns até chegando a exigir à apresentação de provas para apoiar as alegações de violação e abuso sexual que agora o Hamas nega. Tragicamente, muitas das vítimas do Hamas foram assassinadas em 7 de Outubro ou ainda estão em Gaza, onde permanecem reféns.

Levou quatro longos meses, para que a enviada da ONU, Pramila Patten, visitasse Israel. O relatório que se seguiu confirmou que “violência sexual, incluindo mutilação genital, tortura sexualizada ou tratamento cruel, desumano e degradante” foi cometida durante os ataques de 7 de Outubro.

No entanto, mesmo agora, com a confirmação por parte de uma organização internacional afiliada à ONU, da ocorrência de tais atrocidades contra as mulheres, o mundo permanece em silêncio. 

Então entre os 134 cativos, vou repetir o nome aqui das 14 moças (apesar da violência sexual também ter sido cometida contra homens e rapazes), que ainda estão sendo torturadas ou mortas em Gaza: Liri Albag, de 18 anos, Daniella Gilboa, de 19 anos, Naama Levy de 19 anos, neta de sobreviventes do Holocausto, Karina Ariev, 19 anos, Agam Berger de 20 anos, Noa Argamani, de 26 anos, Romi Gonen 26, Arbel Yehud de 28 anos, Carmel Gat de 39 anos, Eden Yerushalmi de 24 anos, Doron Steinbrecher de 30 anos, Shiri Bibas, a mãe dos dois meninos Ariel de 4 anos e o bebê Kfir que continuam cativos, Amit Buskila de 28 anos e Emily Damari de 27 anos. Não esqueceremos, não perdoaremos até que retornem.

 

Sunday, March 3, 2024

Em Resposta ao Estadão - 3/3/2024

Apareceu em um dos meus grupos de WhatsApp, a opinião publicada no jornal O Estado de São Paulo, o Estadão, de ontem, titulada “Gaza: Um Abismo Moral Para Israel”. Lendo o artigo, lembrei do que astronautas descrevem quando vêem o planeta Terra do espaço: que não há fronteiras, não há guerras, só uma linda bola azul.

Sempre me surpreende quando renomadas publicações, milhares de milhas longe do conflito, se acham no direito de julgar esta ou aquela parte, com base na torrente de informações, muitas fake, algumas verdadeiras, todas infalivelmente com agendas ideológicas, que escondem a verdade e levam à conclusões erradas e perigosas. Sim. Há uma diferença entre fato e opinião e ninguém pode distorcer os fatos para provar sua opinião.

E isso aconteceu com o editorial do Estadão.

De acordo com o jornal, a morte por pisoteamento de dezenas de palestinos em Gaza é de total responsabilidade de Israel porque Israel está ocupando o norte da Faixa onde ocorreu a tragédia.

Vamos lá! De acordo com o direito internacional, nenhum país, quando atacado, tem qualquer obrigação de enviar “ajuda humanitária” para o seu agressor. Alguém viu qualquer comboio de centenas de caminhões ucranianos sendo entregues para ajudar a Russia? Absurdo não é? Mas aparentemente não é no caso de Israel. Há anos, centenas de containers entram em Gaza diariamente com todo o tipo de ajuda humanitária. E ela vai diretamente para as mãos do Hamas que, fato, foi eleito democraticamente pelo povo de Gaza para governá-los. E isso - outro fato – apesar de Israel ser diariamente bombardeada com mísseis vindos da Faixa.

O Hamas então vende a ajuda humanitária ao povo de Gaza a preços exorbitantes, enchendo seus bolsos para que seus líderes tenham uma vida de marajá no Qatar. Somente na semana passada, Israel explodiu os portões de dois armazéns do Hamas que estava repleto de alimentos e remédios deixando o povo entrar para pegar os produtos.

Agora,  Israel escolheu o horário das 4 da manhã para entregar a ajuda humanitária, precisamente para evitar tumulto. Mas a informação da entrega vazou, e centenas de palestinos se dirigiram para o corredor criado por Israel para fazer a entrega. Os motoristas egipcios dos caminhões foram quase mortos e várias pessoas foram pisoteadas. Isso não é a culpa de Israel. É a culpa do Hamas.

Aqueles que hoje criticam Israel claramente esqueceram que havia um cessar-fogo com o Hamas em vigor até a manhã de 7 de Outubro, quando milhares de terroristas invadiram Israel, assassinando, decapitando, estuprando e mutilando centenas de Israelenses. Os terroristas sequestraram mais de 240 pessoas, idosos, bebês, mulheres, jovens, crianças, 134 das quais ainda estão mantidas como reféns.

Mas aí o Estadão faz uma série de perguntas: “o que Israel está fazendo para abrigar os civis em campos de refugiados, garantir os suprimentos ou reabilitar hospitais destruidos?

Primeiro, Israel não destruiu nenhum hospital. Destruiu sim os tuneis e armazéns de armas que estavam em baixo deles. Ainda, médicos de Israel foram enviados a vários deles para fazer um levantamento dos equipamentos e medicamentos em falta. Só no Al-Shifah, Israel transferiu dezenas de encubadoras para prematuros. Sobre os suprimentos, desde o começo da guerra, Israel transferiu 274 mil 540 toneladas em mais de 15 mil caminhões. Foram 180 mil toneladas de alimentos, 25 mil toneladas de água, 18 mil toneladas de suprimentos médicos, 31 mil toneladas de abrigos, 170 tanques de gasolina e mais de 300 tanques de gás de cozinha. Quanto mesmo a Ucrania enviou em ajuda para a Russia?

E porque o Estadão não pergunta como é que ainda há campos de refugiados em Gaza? Eles não estão na terra deles? Não deveriam estar assentados depois de 3-4 gerações?

Outra pérola: “o que Israel está fazendo para arquitetar um mínimo de ordem e resguardar direitos civis e humanos da população nos territórios ocupados?” Desde quando países em guerra devem procurar resguardar os "direitos civis" da população inimiga? Quando isso jamais foi feito na História? Que direitos civis são estes? Direito de voto? Eles já votaram e escolheram o Hamas.

Aliás, de acordo com o instituto de pesquisa palestino, se hoje houvesse eleições, o Hamas ganharia de longe em todos os lugares, inclusive na Judeia e Samária. Para resguardar os direitos humanos é muito simples: antes de atacar qualquer lugar, Israel envia milhões de panfletos em árabe avisando os civis para saírem do local; faz milhares de telefonemas para os moradores de Gaza com instruções para não se ferirem. Israel sacrificou a vida de mais de 500 de seus jovens soldados que já morreram nesta guerra, para salvar a vida de palestinos. Ou o Estadão acha que Israel não teria a capacidade de arrasar completamente a Faixa com sua força aérea se quisesse?

E a maior de todas as perguntas: “O que está fazendo para construir uma paz duradoura com seus vizinhos?” Eu vou fazer outra pergunta: como podemos obrigar uma pessoa a morar com outra que ela odeia? Fazemos ela ficar na marra?

O povo elegeu o Hamas por causa de sua proposta política e militar. O artigo 1 de sua constituição declara que “o Hamas é um movimento islâmico palestino de libertação e resistência nacional. O seu objetivo é libertar a Palestina e confrontar o projeto sionista.” Em nenhum momento o objetivo é de construir um estado palestino. O seu artigo 2 descreve o território da Palestina como sendo o território “que se estende desde o rio Jordão, a leste, até ao Mediterrâneo, a oeste, e da fronteira com o Líbano, no norte, até o Mar Vermelho, no sul, é uma unidade territorial integral.  Seu artigo 13 diz que “iniciativas diplomáticas, as chamadas soluções pacíficas e conferencias internacionais para encontrar uma solução para o problema palestino contradiz a posição ideológica do Movimento Islamico de Resistencia. Desistir de qualquer parte da terra da Palestina é ignorar parte da fé islâmica”.  

E é por isso que um dos líderes do Hamas, Mousa Abu Marzouk, afirmou que “os túneis subterrâneos construídos na Faixa de Gaza são para proteger os ‘combatentes’ do Hamas e a responsabilidade de proteger os civis cabe às Nações Unidas e a Israel”. Tais declarações demonstram a indiferença dos líderes do Hamas relativamente ao sofrimento do seu próprio povo fora os bilhões em ajuda internacional que foram para a construção de túneis e mísseis.

Como é que se pode começar uma negociação com alguém que tem como ponto de partida para você é: deite e morra?

Agora, vamos ver o que Israel fez até agora para ter uma paz duradoura com seus vizinhos como o Estadão exige: em 1947 os judeus aceitaram a partilha da região ao lado oeste do rio Jordão para formar dois países: um judeu e um árabe. Os árabes recusaram e juntaram 5 exércitos para destruir o recem-nascido estado. Perderam. E perderam novamente em 1956 e de modo espetacular em 1967 na guerra dos Seis Dias quando perderam a Judeia, Samaria, Gaza, o Sinai, e os Altos do Golã. Na época, Israel ofereceu devolver todos os territórios em troca de reconhecimento e paz. E resposta árabe foi os 3 nãos: não para o reconhecimento, não para negociações e não para a paz. Perderam a guerra de Iom Kippur em 1973.

Israel então ofereceu os Acordos de Oslo, que criaram a Autoridade Palestina e aceitaram criar um estado palestino em 5 anos. Mas em resposta Arafat lançou duas intifadas com milhares de judeus mortos. Em 2005, em mais uma tentativa, Israel saiu completamente da Faixa de Gaza para experimentar a solução de dois estados.

Mas em vez de desenvolverem a Faixa, em 2006 o povo votou no Hamas com base na sua proposta de guerra e trabalhou febrilmente para transformar a Faixa em uma plataforma de lançamento de mísseis e base militar com mais de 500 km de túneis.  Porque será que nenhum líder mundial ou o Estadão perguntam o que querem os palestinos? Porque o mundo e o Estadão não querem ouvir. Até agora os palestinos foram consistentes: eles querem tudo e querem destruir Israel.

Essa é só a ultima guerra que Yahya Sinwar, um dos mentores do massacre de 7 de Outubro, poderia acabar em um minuto se libertasse todos os reféns e se rendesse. Mas como sempre ele está apostando na pressão internacional sobre Israel.  Sua esperança é que ela obrigue Israel a aceitar o fim da guerra e tudo volte como era em 6 de outubro.

Se a comunidade internacional estiver verdadeiramente interessada em acabar com a guerra em Gaza, deverá exercer pressão sobre o Hamas e não sobre Israel. E sim, Israel tem que reocupar a Faixa e começar um processo de desnazificação dos palestinos, como foi feito na Alemanha e no Japão. E não. Isso não destruirá a democracia de Israel.

É só o Estadão descer da nave espacial, aterrissando em Israel para ver a realidade. 

Infelizmente, o mundo ainda não compreendeu que o Israel de hoje não é o Israel do 6 de Outubro. Não mais aceitaremos sermos alvos impunemente. Aprendemos, da maneira mais difícil, mais dolorosa, que as concessões que fazemos e cessar-fogos que acordamos, têm uma forma desagradável de explodir na nossa cara.

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Sunday, February 25, 2024

Os Brasileiros que Lula Esqueceu em Gaza - 25/02/2024

 

Em 18 de fevereiro de 1943, quando a maré da Segunda Guerra Mundial parecia estar se voltando contra a Alemanha, Joseph Goebbels fez o seu discurso "Guerra Total" no SportPalast de Berlim para 14.000 dirigentes do partido nazista, veteranos de guerra, trabalhadores e mulheres. Enquanto outros milhões de alemães ouviam na rádio, Goebbels falou sobre o "infortúnio das últimas semanas" e ofereceu uma "imagem nua e crua da situação" para os aplausos espontâneos do público. No final, Goebbels fez a pergunta crucial: “Vocês querem uma guerra total?” “Algo mais radical do que vocês imaginaram até hoje?” E todos os 14 mil levantaram de suas cadeiras gritando “Sim! Heil Hitler!”

Lembrei deste fato histórico quando li a recente pesquisa publicada pelo Centro Palestino de Política e Pesquisa que mostrou que 72% dos palestinos acreditam que os ataques de 7 de outubro pelo Hamas foram corretos. E que apesar da mídia e do resto do mundo enfatizarem as supostas milhares de mortes de civis de Gaza e o avanço do exército de Israel para desmantelar o Hamas, o apoio eleitoral ao grupo terrorista triplicou na Judeia e Samaria nos últimos 4 meses, para 85%.   

​Isso, junto com as declarações de oficiais do Hamas para a imprensa, como a de Ghazi Hamad que disse que o massacre de 7 de outubro foi só o primeiro, e haverá um segundo, um terceiro, um quarto, porque temos determinação, a vontade, a capacidade para fazê-lo e porque a existência de Israel é ilógica”, só nos deixa concluir que a vontade do povo palestino é a guerra. A guerra total contra Israel. E como aconteceu com os nazistas, eles serão completamente derrotados.

Agora só depende da vontade de cada um no mundo se posicionar do lado correto ou errado da história.

Apesar da animosidade de Biden para com Netanyahu, ele não deixou de se posicionar, logo no primeiro momento, contra os perpetradores do massacre.

Nós no Brasil tivemos menos sorte. E dado o passado pró-palestino do presidente brasileiro, dos assessores antissemitas e completamente anti-Israel que o cercam (incluindo seu principal conselheiro Celso Amorim), sua aproximação com o financiador-mor do terrorismo global, o Irã, era só uma questão de tempo até que ele dissesse algo ultrajante sobre a guerra em Gaza.

Afinal, Lula vestiu uma keffiyeh e depositou uma coroa de flores no túmulo de Yasser Arafat em 2010, em Ramallah, mas se recusou a visitar o túmulo de Theodor Herzl em Jerusalém durante a mesma viagem. É também o mesmo que apoiou Dilma a chamar de volta o embaixador do Brasil em Israel em 2014 durante a Operação Margem Protetora, levando o então porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, a declarar que o Brasil era “um gigante econômico e cultural”, mas um “anão diplomático”.

Mas no domingo passado, enquanto participava da reunião da União Africana na Etiópia, Lula excedeu todas as expectativas no seu ataque a Israel. Ele declarou que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não tem paralelo em outros momentos históricos. Na verdade, teve. Foi quando Hitler decidiu matar os judeus”. “Não é uma guerra de soldados contra soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças.”

A reação de Israel foi rápida e feroz. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu qualificou os comentários de Lula de “vergonhosos e graves” e disse que equivaliam à “banalização do Holocausto e a uma tentativa de prejudicar o povo judeu e o direito de Israel de se defender”. No dia seguinte, o chanceler Israel Katz convocou o embaixador do Brasil, Frederico Meyer, para uma reprimenda, mas não no Ministério do Exterior, como costuma ser feito, e sim no Museu do Holocausto. Lá, Katz disse que Israel “não esquecerá e nem perdoará” os comentários de Lula. Katz disse a Meyer: “Eu trouxe você a um lugar que testemunha mais do que qualquer outro o que os nazistas e Hitler fizeram aos judeus, incluindo membros da minha família. A comparação entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as atrocidades de Hitler e dos nazistas é uma vergonha e um grave ataque antissemita.” Ele completou dizendo que até que Lula retirasse suas declarações, ele seria persona non grata em Israel.

No dia seguinte, o Brasil respondeu não pedindo desculpas, mas chamando Meyer de volta para consultas.

Então, em menos de dois dias, as relações israelo-brasileiras, que se fortificaram sob o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, caíram para um novo nível.

Curiosamente, porém, o público brasileiro não está seguindo o presidente. Uma pesquisa da CNN Brasil na segunda-feira descobriu que 83% dos entrevistados discordaram da comparação de Lula revelando a grande lacuna entre o governo e o público. Interessante que a situação é a mesma no Chile e na Colômbia que também têm governos de esquerda, mas o povo apoia muito mais Israel do que o governo.

Porque Lula foi além para se indispor com Israel? Ele quer ser o líder do movimento não-alinhado Sul-Sul, tornar-se o líder dos países que se consideram anti-Estados Unidos e que tentam criar um novo alinhamento global.” O Brasil, junto com a Colômbia e o Chile, apoiaram o processo da África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça em Haia.

Lula então está posicionando o Brasil do lado errado, do lado de assassinos, do lado de um povo que não quer construir um país mas destruir o outro, de um povo que ainda apoia com maioria absoluta, ser governado por um grupo terrorista que só pensa em morte e destruição sem levar em conta se suas vítimas são bebês ou idosos, se são mulheres, adolescentes, doentes ou simples civis.

Desde o início da guerra, Lula se reuniu com o representante da Autoridade Palestina no Brasil e com o ministro das Relações Exteriores da AP na Etiópia. Ele ainda enviou aviões para resgatar brasileiros em Israel e extrair palestinos com passaporte brasileiro que viviam em Gaza.

Lula foi ao aeroporto de Brasília para receber os palestinos que voltaram ao Brasil e até os convidou a jantar, mas não os israelenses brasileiros. Além disso, o Brasil foi o único país a não ter intercedido junto ao Hamas para reaver reféns brasileiros ou até mesmo mencionar os que foram brutalmente assassinados.

Karla Stelzer, 42 anos, Bruna Valeanu, 24 anos, Ranani Glazer, 24 anos foram chacinadas no festival de música. Os corpos de Celeste Fishbein, 18 anos e Gavriel Barel, 22 anos foram encontrados alguns dias depois mutilados e decompostos. Ela foi sequestrada e depois assassinada e Gavriel morreu também no festival, ambos filhos de brasileiros.

Rafaela Treistman, namorada de Ranani, sobreviveu aos ataques hediondos no bunker aonde 40 jovens indefesos procuraram abrigo mas foram mortos com granadas, esmagados, amontoados uns sobre os outros, num espaço onde não cabiam mais de 10 pessoas. Para a sua sorte as pessoas estavam amontoadas umas em cima das outras. As que estavam embaixo, apesar de terem sofrido muita privação de ar, terem ficado intoxicadas pelos gases das granadas, encharcadas por pedaços de corpos e sangue das pessoas que explodiram ou morriam por cima, conseguiram sobreviver.

Rafaela e Jade Kolker, sobreviventes brasileiras e os brasileiros mortos ou sequestrados nunca tiveram seus nomes mencionados ou lembrados pelo presidente da república em rede nacional. Também não receberam homenagens como ocorreu na França e na Alemanha. Lula também não foi visitar Israel ou usar de seu grande relacionamento com o Hamas para implorar pelo retorno do refém brasileiro Michel Nissembaum, que está há 142 dias em um tunel sem comida, água, sem luz, sem banhos ou troca de roupas e provavelmente sofrendo abusos físicos, sexuais e psicológicos como relatado pela maioria dos reféns que retornaram. Ou Lula não tem esta intimidade toda com o Hamas ou simplesmente não quis.

Putin interveio com o Irã e conseguiu soltar os reféns russos. Parece que Lula não se importa com seus cidadãos já que são judeus.

Quando você chama Israel de o novo nazista, o Hitler de hoje, ela precisa então ser destruída. Com esta posição, Lula está se alinhando com todos aqueles que querem destruir Israel: o Hamas, o Hezbollah, o Estado Islamico, o Irã. E isso tem uma correlação direta com o aumento em mil porcento dos incidentes antissemitas no Brasil desde 7 de outubro.

Um presidente que sofre a dor do povo palestino mas que ignora a dor dos seus, dos brasileiros que sofreram o massacre não honra os votos recebidos para sentar na cadeira de líder de nosso Pais.

O Brasil e os Brasileiros sempre têm que vir antes! Se o governo e a mídia não parecem se importar, faça a sua parte e divulgue o nome do refém Michel Nussembaum e das outras vítimas que parecem não ter existido para Lula.

Em memória aos 1400 mortos brutalmente no massacre e aos 134 reféns que permanecem até hoje em Gaza.