Saturday, April 20, 2024

Um Pessach Kasher e Menos Sameach - 21/4/2024

 

Quase meio século depois de terem sequestrado a Pérsia, os aiatolás do Irã finalmente atacaram Israel diretamente, em vez de usar seus lacaios. E não foi qualquer ataque. Centenas de drones e misseis balísticos além de mais de 30 mísseis de cruzeiro.

Este tremendo ataque, desenhado para causar o maior dano a Israel e seus cidadãos, foi um ato inédito, não só do lado do Irã, mas do lado árabe. Até a Jordânia, que não morre de amores por Israel, se uniu ao Estado Judeu para abater estes misseis. O resultado foi a interceptação de 99.9% dos mísseis e drones. 

Estando no Oriente Médio, Israel não poderia ter deixado tal agressão sem resposta. E ela veio esta semana. Israel não causou danos maiores mas mostrou ao Irã que podia neutralizar seu sistema antiaéreo avançado que comprou da Russia, o S-300, deixando a República Islâmica vulnerável a ataques. Se Israel procurava recuperar a dissuasão, este foi um jeito brilhante. Imagino que os aiatolás não irão dormir bem daqui para a frente, sabendo que Israel pode entrar no país (seja com mísseis ou caças) sem ser detectada.

A decisão dos aiatolás de disparar 350 mísseis e drones contra o Estado judeu teve que ser pesada tanto ao nível militar quanto diplomático. E pelo visto, os aiatolás cometeram um grande erro. Mas há outra dimensão: a histórica.

E como discorreu Amos Asa El, o prisma mais crucial é o de avaliar o propósito da Revolução do Aiatolá Khomeini de 1979 e o padrão que ela está seguindo, muito parecido com os modelos do Japão Imperial, da Alemanha Nazista e da Rússia Soviética, que terminaram em colapso total.

O ATAQUE DO IRÃ foi o terceiro marco da guerra atual que Israel enfrenta. O primeiro foi o ataque de 7 de Outubro porque o terrorismo nunca antes soltou milhares de terroristas ao longo de fronteira de 40 quilómetros, onde cometeram uma chacina sem precedente. Os outros dois marcos da guerra, foram os ataques com mísseis dos Houthi e o ataque do Irã na semana passada.

Os ataques dos Houthi foram um marco porque foram o primeiro confronto militar no espaço sideral. O ataque iraniano é um marco não pelo tipo de arma  utilizada pelo Irã, mas pelo que encontrou: um sucesso de defesa sem precedente.

A dimensão diplomática do ataque iraniano foi também única. Foi a primeira vez que o exército de Israel e os exércitos árabes lutaram juntos contra seu inimigo comum.

O significado estratégico deste alinhamento é profundo. A intimidação regional do Irã saiu pela culatra. Depois de ter estacionado milícias num tanto de terras árabes, alimentado múltiplas guerras civis e estabelecido pontes políticas em Bagdad, Sana, Damasco e Beirute, a agressão de Teerã uniu o resto da região e agora a obrigou a reagir.

E isso marcou o primeiro grande fracasso da agressão iraniana. Enquanto a sociedade do Irã se desgasta e a sua economia afunda, Teerã escolheu o caminho dos maiores agressores da história recente, todos que como os aiatolás, queriam dominar seus vizinhos e talvez o mundo.

A Alemanha nazista foi motivada por uma teoria racista e o seu plano era conquistar a Europa e escravizar os povos “inferiores”. O Japão Imperial foi motivado pela sede de recursos naturais e planejou dominar a Ásia, acreditando que esse era o seu destino. A União Soviética foi motivada pela fé comunista, que esperava espalhar pelo mundo.

Todos os três foram inicialmente bem-sucedidos. Os japoneses conquistaram grandes áreas da China e de seus vizinhos e lançaram bombas de Pearl Harbor a Austrália; os alemães conquistaram territórios da Tunísia ao Volga; e os soviéticos ocuparam metade da Europa e lançaram uma rede de representantes de Cuba ao Vietnã. No entanto, todas as conquistas desses três não duraram mais que duas gerações. Seus planos eram tão loucos quanto suas crenças.

O caso do Irã é diferente mas o princípio é o mesmo. Ao contrário dos outros três que foram movidos por ideias seculares, o Irã é movido pela religião. Os aiatolás acreditam que o Irã deve dominar o Oriente Médio, o Xiismo deveria dominar o Islão e o Islão deveria dominar o mundo. Foi isto que fez com que Teerã gastasse bilhões de dólares na criação de milícias para  desestabilizar o Oriente Médio. Foi isto que os levou a enviar terroristas de Buenos Aires para Bancock, e é isto que agora os faz ajudar a Rússia a enfrentar o Ocidente na Ucrânia.

A resposta do mundo livre a esta agressão infelizmente tem sido a mesma que foi nos três casos anteriores: relutância estratégica e negação psicológica. A agressão da Alemanha poderia ter sido evitada militarmente, se o mundo livre não tivesse mentido a si próprio que Hitler iria se contentar somente com os Sudetos, o Japão com partes da China e a União Soviética iria parar sua expansão.

É claro que isso não funcionou. Para os tiranos fascistas a guerra é um valor nacional, um ideal moral e uma arma política de primeiro recurso; Para nós, do mundo livre, a guerra é um anátema, um trauma e uma arma de último recurso.

É por isso que o mundo livre em 1956 abandonou a Hungria à mercê dos seus senhores soviéticos, em vez de ajudar a sua revolta anti-soviética, mesmo depois de Budapeste ter declarado o seu desejo de aderir à OTAN.

É por isso que não ficamos surpresos pelos apelos que o mundo fez esta semana a Israel, tanto da Europa como da América, para Israel não retaliar contra o Irã. E assim o mundo continua e não muda: os agressores continuam a aumentar suas agressões, os livres continuam a negar a ameaça da agressão e a história. Se o tempo acaba por conduzir o agressor para uma derrota total, ele também continua a aumentar o preço da liberdade.

Portanto, sim, a República Islâmica do Irã, tal como o Japão Imperial, a Alemanha Nazista e a Rússia Soviética, mais cedo ou mais tarde entrará em colapso. A única questão é se isso acontecerá devido à conduta do mundo livre, ou apesar dela.

Queria aproveitar alguns minutos para lembrar os 133 reféns que continuam presos em Gaza por 197 dias. Esta Páscoa, o nosso Pessach, é a festa da liberdade. Este ano, pelo menos aqui, ela não está sendo comemorada como todos os anos. As pessoas desejam umas as outras Pessach Kasher mas falar a palavra Sameach, alegre, parece fora de lugar.

Vamos continuar rezando para que haja um milagre e que neste Pessach possamos dar aos reféns a liberdade que tanto esperam e que tanto esperamos.

 

Saturday, April 13, 2024

O Irã Ataca - 14/04/2024

 

Logo após a saída do Shabbat ontem, todas as redes de notícias de Israel relatavam que o Irã iria ou já teria lançado um ataque direto a Israel. O porta-voz do exército foi ao ar para instruir a população sobre como se proteger e o que estaria suspenso hoje, como as escolas, passeios e grandes eventos. Principalmente meus filhos não estavam nem um pouco felizes em terem que dormir no abrigo da casa.

Desde o dia 1º de abril estávamos esperando alguma ação do Irã. Naquele dia, um ataque aéreo ao anexo consular da embaixada iraniana em Damasco, eliminou dois generais iranianos, membros da Guarda Revolucionária Iraniana responsáveis pela transferência de armas contra Israel vindos da Síria. O Irã esperneou reclamando que seu consulado tinha imunidade. Mas de acordo com o direito internacional, quando um local é usado para planejar e levar a cabo ataques contra outro país, a imunidade cai. Israel tinha não só o direito, mas o dever de eliminar estes militares.

Em torno da meia-noite, o exército avisou que o Irã havia de fato lançado centenas de drones e aviões não tripulados em direção a Israel, e que eles deveriam entrar no nosso espaço aéreo às 2 da manhã. Só que não foram só drones. O Irã lançou uma barragem de mais de 120 mísseis balísticos, 170 drones e 30 mísseis cruzeiros. Estes mísseis levam apenas 12 minutos para cobrir a distância entre o Irã e Israel. Em torno das 2 da manhã as sirenes começaram em todo o país.

E apesar do dano a Israel ter sido mínimo, a quantidade de mísseis e drones lançados mostram que o Irã estava sério em causar danos substanciais tanto em vidas como em danos materiais.

Nos últimos 45 anos, o Irã tem usado seus procuradores para atacar Israel no que chamamos de um anel de fogo. O Hamas no sul, a Hezbollah no norte e os Houthis a partir do Iêmen, no sudeste. O que é inusitado e sem precedente, é que o ataque do Irã ocorreu apenas um dia depois de Joe Biden ter emitido um aviso a Teerã para não fazê-lo e reforçando o compromisso de Washington em apoiar e defender Israel.

Pela primeira vez que eu saiba, um aviso tão definitivo dos Estados Unidos foi completamente ineficaz mostrando claramente como a América perdeu o respeito dos seus inimigos e junto com ele, seu poder de dissuasão. 

Como isso aconteceu?

A resposta parece ser óbvia para qualquer pessoa que tem acompanhado a política externa americana não apenas durante esta administração, mas durante a administração Obama. A administração Obama deu início a uma política com o Irã que alternou fraqueza e apoio: capitulando no Acordo Nuclear de 2015, e liberando bilhões de dólares permitindo aos mulás continuarem a financiar seus grupos terroristas.

A administração Biden continuou esta política exatamente onde Barak parou, deixando o Irã bem posicionado para o ataque de hoje. Isso, em vez dos Estados Unidos significativamente dissuadirem este regime apocalíptico de causar o caos na região.

Vamos ver as inúmeras tentativas de Biden de entrar num novo acordo nuclear com os iranianos. Logo que assumiu a presidência, Biden defendeu a sua política covarde em relação ao Irã, citando negociações, sugerindo que se os resultados não surgissem em breve, ele assumiria uma política mais dura em relação aos aiatolás.

O Irã ficou tão “intimidado”, e estou sendo sarcástica, que continuou à todo vapor com seu programa nuclear, proibiu a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica, fez incontáveis tentativas e assassinatos de dissidentes inclusive em solo americano, assinou uma cooperação industrial em defesa com a Rússia, reprimiu brutalmente os protestos sobre a economia, apertou a lei islâmica causando a morte de meninas e moças... mas nada disso testou a paciência de Biden ou dos seus conselheiros trazidos da administração Obama.

Esta política de indiferença se aplicou até nos ataques às forças americanas no Iraque, na Síria e até na Jordânia, que receberam pouca ou nenhuma retaliação. Numa audiência no Senado em 2023, o senador Tom Cotton questionou o secretário da Defesa Lloyd Austin sobre os ataques iranianos, salientando que as forças americanas tinham sido atacadas 83 vezes pelo Irã e suas milícias e os Estados Unidos haviam contra-atacado apenas quatro vezes. “Que tipo de sinal pensamos que isto envia ao Irã?” perguntou Cotton na época.

Hoje, enquanto o Irã dispara centenas de mísseis contra Israel, nem sequer um dia depois de Biden ter aconselhado a contenção, temos a resposta a esta pergunta.

Embora a maior parte da abordagem de Biden à República Islâmica tenha sido caracterizada pela inação, há uma excepção notável: a administração se mostrou mais que disposta a fazer pagamentos generosos ao regime iraniano, sob a forma de alívio de sanções e descongelamento de fundos.

O alarme sobre os perigos do alívio das sanções já havia soado no Acordo com o Irã em 2015. Todos nós sabíamos que os estimados 50 bilhões de dólares que o Irã teria acesso seriam usados para financiar os terroristas da região.

Mesmo com Israel sendo atacada diariamente com misseis vindos do Hamas em Gaza e da Hezbollah no Líbano, os dois financiados pelo Irã, não impediu Biden liberar 6 bilhões de dólares ao Irã, apenas duas semanas antes dos ataques de 7 de outubro. E depois de 7 de outubro, Biden liberou outros 10 bilhões para o principal patrocinador desse massacre.

A fraqueza e a loucura desta política seriam ridículas se não fossem um perigo urgente para a estabilidade mundial. Aparentemente, não há limite para o que o Irã possa fazer, seja contra Israel, Estados Unidos ou o resto do Ocidente, que fará Biden mudar sua política em relação aos mulás. Biden tentou apaziguar um regime e ele usou esta fraqueza para causar esse estrago na região sem sofrer qualquer penalidade.

E é em continuidade à esta política, e a declaração do Irã que havia “concluído” sua retaliação, que Biden está pedindo a Israel agora para não revidar o ataque de ontem. Mas ontem e hoje de madrugada, o Irã atirou do seu solo para o solo de Israel. Isso é uma declaração de Guerra. E a não ser que Israel responda de maneira substantiva, ela vai “normalizar” este tipo de ataque, criando um novo precedente.  Hoje é normal para a comunidade internacional que Israel seja alvejada todos os dias pelo Hamas e pela Hezbollah. Que outro país aceitaria uma situação desta? E é por isso que os líderes do Hamas se recusam a soltar os reféns, adotando uma posição inflexível nas negociações.

A guerra do Irã contra o Ocidente não é apenas um problema de Israel, é e sempre foi um problema da América. Precisamos de um líder que reconheça isso e aja. Não de um líder que só oferece palavras vazias e políticas covardes.

A questão mais importante agora é: o que nos espera? Infelizmente, o Oriente Médio e os Estados Unidos se preparam para o que poderá muito bem ser um terrível conflito regional. Por seu lado, Israel é obrigada a restaurar a dissuasão. Para isso ela precisa trabalhar com seus aliados e formar uma coalisão para confrontar esta ameaça iraniana. E isso inclui os países árabes sunitas que já ontem se mostraram prontos a isso.

O G7 e o Conselho de Segurança da ONU vão se reunir hoje para discutir a ação do Irã. Se eles quiserem fazer algo realmente substantivo, devem reter e expandir as sanções contra o Irã, especialmente as sanções contra armas e mísseis balísticos que eludiram todos os acordos anteriores.

A comunidade internacional, por seu lado, deve concluir que este regime medieval do Irã já passou do seu prazo de expiração e precisa ser jogado fora. Não por estrangeiros, mas pelo próprio povo iraniano que precisa e merece líderes melhores.

Sunday, April 7, 2024

7 de Abril - 180 Dias de Guerra com o Hamas - 7/4/2024

 

Hoje é dia 7 de abril e marcamos 6 meses do maior massacre de judeus desde a segunda grande guerra. Este pogrom iniciou a guerra que Israel continua a travar contra o Hamas em Gaza, todos os minutos do dia e da noite.

O balanço geral desta guerra até agora foi de uma perda imensa para Israel. 12 mil mísseis lançados de Gaza sobre a população civil de Israel (sem contar aqueles que caíram dentro da própria Gaza); 604 soldados e soldadas mortas. Quatro deles somente ontem, em Khan Yunis. 1,200 civis mortos, estuprados, mutilados e torturados, incluindo homens, mulheres, crianças, bebês, deficientes e idosos. 250 reféns levados para Gaza dos quais 133 ainda continuam em catividade incluindo um bebê, um menino de 4 anos, mulheres, meninas adolescentes, homens, soldados e soldadas. Dentre eles, o exército já confirmou a morte de 39 reféns, sendo que o corpo de Elad Katzir, um agricultor de 47 anos foi resgatado ontem de Khan Yunis. Ele teria sido morto em Janeiro.

O balanço para Israel também conta com 3,200 soldados e soldadas feridos, alguns com um longo caminho de recuperação à frente e outros com deficiências para o resto da vida.

Do lado de Gaza, o Ministério da Saúde do Hamas, declarou ter contado 32 mil mortos. Primeiramente, os 13 mil terroristas neutralizados por Israel estão entre este número. Segundo, num estudo feito dos números de mortos fornecidos pelo Hamas, há uma progressão linear, que aumentaram inclusive no período de cessar-fogo, o que não faz qualquer sentido.

E outro dado deve ser adicionado à este balanço. As mortes não intencionais, seja dos três reféns israelenses mortos nas mãos do exército de Israel, seja dos sete ligados à Cozinha Mundial Central na semana passada. Estas foram duas das inúmeras tragédias desta guerra provocada pelo Hamas.

Israel foi rápida a pedir desculpas e a dizer que danos não intencionais a não-combatentes “acontecem no meio da guerra”. Sim, esses incidentes acontecem em condições de batalha e aconteceram com todos os países que já se envolveram em guerras. E é aí que vemos a hipocrisia.

O presidente Biden foi rápido ao declarar que “incidentes como este simplesmente não deveriam acontecer. Israel também não fez o suficiente para proteger os civis. Os Estados Unidos têm instado repetidamente Israel a reduzir as suas operações militares contra o Hamas e substitui-las com operações humanitárias, a fim de evitar baixas civis.”

Isso é um verdadeiro absurdo! Senão vejamos: os EUA, durante a guerra no Afeganistão em julho de 2008, atacou acidentalmente uma festa de casamento, acreditando que os participantes eram insurgentes. Quarenta e sete civis, incluindo a noiva, foram mortos. Em novembro do mesmo ano, outro ataque a um casamento no Afeganistão matou 37 pessoas. Em 2021, um drone dos EUA atirou e matou 10 civis em Cabul – um trabalhador humanitário, e nove membros de sua família, entre eles sete crianças – acreditando erroneamente que eram terroristas.

E estes não foram incidentes isolados. De acordo com o Escritório de Jornalismo Investigativo, ataques americanos com drones no Afeganistão, Paquistão, Somália e Iêmen, de 2002 a 2020, mataram entre 10 mil e 17 mil pessoas. Entre eles 10% pelo menos eram civis. E isso foi somente mortes com drones. De acordo com o Instituto Watson de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Brown, cerca de 433,000 civis foram mortos pelos americanos no Iraque, Afeganistão, Iémen, Síria e Paquistão.

E onde está o escândalo do mundo quando nesta última quinta-feira, a Rússia atacou um prédio residencial com drones iranianos, na Ucrânia matando 4 pessoas, 3 deles trabalhadores humanitários e ferindo outros 12? Onde estão as condenações?

É com isso em mente que a declaração de Joe Biden, soa bem hipócrita e apresenta dois problemas:

A primeira, é que dizer que Israel não fez o suficiente para proteger os trabalhadores humanitários e outros civis é simplesmente falso e irresponsável. Isso só fornece combustível para aqueles que espalham mentiras sobre Israel.

A segunda é que o presidente não reconhece nem uma vez, em toda a sua declaração, a responsabilidade do Hamas por essa situação. Foi o Hamas quem atacou Israel; é o Hamas quem está prolongando esta guerra, se recusando a libertar os reféns e a se render. Os terroristas do Hamas são aqueles que se escondem entre a população civil usando-a como escudo humano, se disfarçando de jornalistas, de motoristas de ambulâncias, de feridos, e trabalhadores humanitários, colocando assim em risco aqueles que realmente agem nessas capacidades.

Israel deve adotar a posição de que todas as vítimas civis em Gaza, mesmo as não intencionais reconhecidas por Israel, devem ser atribuídas ao Hamas. O que precisamos agora é que a comunidade internacional controle a sua hipocrisia e pare de tratar as zonas de batalha como cenas de crime comum, algo que aparentemente só faz inexplicavelmente quando o Estado judeu está envolvido.

Quando o Hamas ataca é uma declaração de guerra. Quando Israel se defende é um crime de guerra. Assim não dá!

Outra pérola que saiu esta semana foi a publicação do prêmio “A Foto do Ano” que foi para um fotógrafo free-lancer da Associated Press, de Gaza, Ali Mahmoud. Mahmoud acompanhou os terroristas no massacre de 7 de outubro. A foto e o vídeo do corpo semi-nú e mutilado de Shani Nicole Louk, de 22 anos, uma linda artista, assassinada no festival de música, exibido na caçamba de uma caminhoneta pelas ruas de Gaza para o deleite dos civis inocentes que vieram cuspir nela. Esta foto não é apenas desrespeitosa, mas também levanta sérias questões de ética para a Associated Press. Mesmo sendo um free-lancer, quanto conhecimento prévio este Ali Mahmoud tinha sobre este massacre?

A clareza moral está fundamentalmente perdida. E se não a reencontrarmos podemos dizer adeus ao mundo. Então vamos deixar alguns pontos claros.

Em 7 de Outubro, o Hamas agiu de acordo com o seu expresso esforço genocida de assassinar, violentar e raptar brutalmente homens, mulheres e crianças judeus. O Hamas declarou estar empenhado em repetir essa violência continuamente, se tiver oportunidade. No início, líderes dos países ocidentais em sua maioria falaram decisivamente, descrevendo os acontecimentos daquele dia como puro mal e apoiando a obrigação moral de Israel de se defender. Seis meses mais tarde, vemos um substancial enfraquecimento desse apoio e um aumento das vozes estridentes que apoiam o Hamas, uma organização terrorista.

As organizações defensoras dos direitos humanos, estão preocupadas, não com os 133 israelenses ainda reféns em Gaza, mas com as alegadas falhas de Israel no fornecimento de ajuda humanitária àqueles com quem está em guerra. Algo que não tem qualquer precedente na história dos conflitos. Ao mesmo tempo, estas organizações não prestam qualquer atenção palpável à verdadeira fome que aflige o Sudão e o Haiti, a guerra na Ucrânia e a tantas outras crises. Só pensam em culpar Israel e não o Hamas, cuja crueldade nunca distinguiu entre judeus e palestinos.

O mundo agora vê o dia 7 de outubro apenas como uma interrupção indesejável ao seu sonho profundo de um acordo de dois estados.  Israel precisa dar um basta nisso e deixar bem claras suas necessidades de segurança. Nós aqui estamos acordados e não devemos ficar parados num silêncio atordoado. Devemos exigir que os Estados Unidos e o mundo ocidental civilizado permaneçam fortes em seu apoio a Israel, ao povo judeu e aos reféns, e que acabem com estes duplos padrões de exigências que eles não demandam nem de si próprios quando estão em guerra.  E que assim restaurem um pouco da clareza moral para este mundo que anda confuso demais.