Israel está
comemorando, não efusivamente, porque ainda temos 101 reféns em Gaza, mas
respirando mais aliviada. Às 6:20 tarde desta última sexta-feira, a força aérea
de Israel lançou umas 100 bombas na sede subterrânea da Hezbollah, no coração de
Dáhia, o bairro xiita de Beirute, matando o chefe do grupo terrorista nos
últimos 32 anos junto com toda sua cúpula. A ironia da história é que o
bombardeamento se deu no momento preciso em que Netanyahu discursava na ONU,
sendo a sua voz, a última que Hassan Nasrallah ouviu antes de descer ainda mais
para o inferno.
Finalmente o
arqui-inimigo de Israel foi vencido. Um homem que matou tantos morreu justo no
dia 25 de Elul, no dia em que acreditamos que D-us começou a criação do mundo e
que Ele disse “é bom”.
A morte de
Nasrallah nas mãos de Israel, marca o fim de uma era perigosa, mas mais
importante que isso, ela simboliza o papel crítico de Israel na luta contra a
opressão e a liberdade.
É sabido que
antes de ser libanês e usar seu fake patriotismo para formar um dos maiores e
melhor exército do Oriente Médio, Nasrallah era um xiita devoto, um radical
islâmico, completa e publicamente submetido aos aiatolás do Irã, que não
suportava as liberdades do ocidente, dos direitos das mulheres, de outras
religiões, dos LGBT, que era contra a democracia e que tinha como objetivo
maior impor o xiismo iraniano no mundo.
E de fato. A
Hezbollah foi criada em 1982 pelo Irã, no vale do Bekkah para operar como um
exército por procuração, um proxy do Irã. O primeiro do anel de fogo que os
aiatolás planejaram para destruir Israel. Depois vieram o Jihad Islâmico, o
Hamas, os Houthis e as milicias xiitas do Iraque. Mas a Hezbollah sempre foi a
menina dos olhos dos aiatolás. O primeiro ataque do grupo terrorista ocorreu
alguns meses depois de sua formação, contra a embaixada americana em Beirute,
matando 49 e ferindo 34. Logo em seguida, a Hezbollah enviou dois carros bomba
que explodiram nas bases americana e francesa em Beirute, matando 240
americanos e 58 franceses que fazim parte da força de paz na guerra civil do
Líbano. Uma guerra civil provocada por Yasser Arafat e os palestinos.
Em 1984, a
Hezbollah explodiu um restaurante próximo à base aérea americana na Espanha,
matando 18, atacou outra vez a embaixada americana em Beirute, matando 11,
sequestrou um avião da Kuwait Airlines matando 4. Em 1985 sequestrou um avião
da TWA para forçar Israel a soltar 700 terroristas. Em 1988 assassinou 3
diplomatas sauditas e outro em 1989 em Bangkok. Os ataques terroristas
continuaram no início dos anos 90 e em 1992, a Hezbollah explodiu a embaixada
israelense em Buenos Aires, matando 29 civis e ferindo mais de 240. Outra vez
em 1994, a Hezbollah orquestrou um ataque suicida à Associação Judaica Amia em
Buenos Aires matando 85 e ferindo 300.
Depois disso,
o Irã começou a armar a Hezbollah com mísseis de curto, médio e longo alcance e
o grupo passou a atacar Israel militarmente, lançando mísseis, morteiros e
sequestrando soldados além de continuar suas atividades terroristas no
exterior, em países como Tailandia, Azerbaijão, Índia, Turquia e Bulgária.
O problema é
que mesmo sendo um alvo constante destes grupos e do Irã, os Estados Unidos se
recusam a ver o mundo como ele é, mas querem o mundo como eles querem que seja.
Desde 1948,
todos os governos democratas americanos procuraram um empate entre Israel e o
mundo árabe e isso nunca ficou tão claro como nesta administração Biden. No
final do governo Trump em 2020, ele havia garantido quatro acordos de
normalização no Oriente Médio — conhecidos como Acordos Abraão.
Hoje estamos
no final do governo Biden e a região está pegando fogo, à beira de uma guerra
regional que pode descambar para uma guerra mundial.
Não é
coincidência.
Desde o
começo de sua administração, Biden tem enviado mensagens truncadas para líderes
errados, jogando gasolina numa região instável, como por exemplo, suspender as negociações
de outros Acordos Abraão especialmente com a Arábia Saudita. E isso só para não
dar a Trump o gostinho de ter seu nome ligado a este sucesso.
Desde que
tomou posse, Biden decidiu tratar a Arábia Saudita como um pária, publicamente
culpando o príncipe herdeiro pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, sem ter
provas.
Ao final, ele teve que se curvar ao príncipe por causa da subida do preço do petróleo, causada pela guerra na Ucrânia
Biden também
criticamente removeu algumas sanções contra o Irã, como suborno para Teerã
voltar ao acordo nuclear de Obama, liberando bilhões de dólares para os
aiatolás continuarem seu patrocínio dos seus grupos terroristas como a
Hezbollah.
O grande
momento que significou o sinal verde ao Irã foram os 9 meses de desprezo americano
ao Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e da impressão de ter
havido uma cisão entre Washington e Jerusalem que este desprezo criou.
A retirada
caótica e catastrófica das tropas americanas do Afeganistão, que levou os
aliados americanos a questionar se Washington os estaria abandonando foi outro
sinal ao Irã.
Mas Biden foi
mais além. Ele também removeu os Houthis da lista de organizações terroristas,
renovou os pagamentos à Autoridade Palestina, apesar de eles serem contra a lei
americana, renovou os pagamentos para a UNRWA, e retornou os Estados Unidos ao
antissemita Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Embora não possamos
considerar qualquer dessas ações como a responsável pela atual situação no
Oriente Médio, todas juntas o são e todas têm sua origem nas políticas do
governo Biden. E incrivelmente, Biden continua hoje a empurrar estas políticas
perniciosas.
Numa
entrevista ontem sobre a situação no Líbano, ele declarou que está trabalhando
num cessar-fogo. Um cessar-fogo agora só daria para a Hezbollah e ao Hamas
tempo para se reorganizar e para o Irã rearmá-los. Agora eles estão sem
liderança, a Hezbollah sem seu sistema de comunicação e o Irã não pode nem
mesmo aterrissar seus aviões em Beirute. Este não é o momento de Israel jogar
um salva-vidas para a Hezbollah ou para o Hamas. Este é o momento que Israel
tem para destruir completamente esses grupos e aleijar a capacidade de ataque
do Irã por seus proxis.
E é por isso
que Israel continua a explodir tuneis em Rafiah e a atacar a Hezbollah em
Beirute e no sul do Líbano.
Com tanto
sangue americano nas mãos, Biden não teve outra alternativa a não ser elogiar
Israel no sábado. “Hassan Nasrallah e o grupo terrorista que ele liderou, o
Hezbollah, foram responsáveis por matar centenas de americanos ao longo de um
reinado de terror de quatro décadas”, disse ele. “Sua morte em um ataque aéreo
israelense é uma medida de justiça para suas muitas vítimas, incluindo milhares
de americanos, israelenses e civis libaneses”.
A morte de
Nasrallah é mais do que uma vitória para Israel: é um triunfo para cada nação
que valoriza a democracia sobre a ditadura e a liberdade sobre a tirania.
A resposta fria
do Ocidente a essa vitória em defesa de seus próprios valores, a inexplicável
explosão do antissemitismo, mostra uma desconexão preocupante da Europa e dos
Estados Unidos.
As ações de
Israel servem como um lembrete de que a defesa da democracia não é uma questão
regional.
A eliminação
de Nasrallah é uma vitória para todo o mundo livre, e é hora de o Ocidente
reconhecer o papel de Israel não apenas como um aliado local, mas como um
defensor crítico da ordem democrática mundial.