Sunday, September 29, 2024

Nasrallah Eliminado - 29/9/2024

 

Israel está comemorando, não efusivamente, porque ainda temos 101 reféns em Gaza, mas respirando mais aliviada. Às 6:20 tarde desta última sexta-feira, a força aérea de Israel lançou umas 100 bombas na sede subterrânea da Hezbollah, no coração de Dáhia, o bairro xiita de Beirute, matando o chefe do grupo terrorista nos últimos 32 anos junto com toda sua cúpula. A ironia da história é que o bombardeamento se deu no momento preciso em que Netanyahu discursava na ONU, sendo a sua voz, a última que Hassan Nasrallah ouviu antes de descer ainda mais para o inferno.

Finalmente o arqui-inimigo de Israel foi vencido. Um homem que matou tantos morreu justo no dia 25 de Elul, no dia em que acreditamos que D-us começou a criação do mundo e que Ele disse “é bom”.

A morte de Nasrallah nas mãos de Israel, marca o fim de uma era perigosa, mas mais importante que isso, ela simboliza o papel crítico de Israel na luta contra a opressão e a liberdade.

É sabido que antes de ser libanês e usar seu fake patriotismo para formar um dos maiores e melhor exército do Oriente Médio, Nasrallah era um xiita devoto, um radical islâmico, completa e publicamente submetido aos aiatolás do Irã, que não suportava as liberdades do ocidente, dos direitos das mulheres, de outras religiões, dos LGBT, que era contra a democracia e que tinha como objetivo maior impor o xiismo iraniano no mundo.

E de fato. A Hezbollah foi criada em 1982 pelo Irã, no vale do Bekkah para operar como um exército por procuração, um proxy do Irã. O primeiro do anel de fogo que os aiatolás planejaram para destruir Israel. Depois vieram o Jihad Islâmico, o Hamas, os Houthis e as milicias xiitas do Iraque. Mas a Hezbollah sempre foi a menina dos olhos dos aiatolás. O primeiro ataque do grupo terrorista ocorreu alguns meses depois de sua formação, contra a embaixada americana em Beirute, matando 49 e ferindo 34. Logo em seguida, a Hezbollah enviou dois carros bomba que explodiram nas bases americana e francesa em Beirute, matando 240 americanos e 58 franceses que fazim parte da força de paz na guerra civil do Líbano. Uma guerra civil provocada por Yasser Arafat e os palestinos.

Em 1984, a Hezbollah explodiu um restaurante próximo à base aérea americana na Espanha, matando 18, atacou outra vez a embaixada americana em Beirute, matando 11, sequestrou um avião da Kuwait Airlines matando 4. Em 1985 sequestrou um avião da TWA para forçar Israel a soltar 700 terroristas. Em 1988 assassinou 3 diplomatas sauditas e outro em 1989 em Bangkok. Os ataques terroristas continuaram no início dos anos 90 e em 1992, a Hezbollah explodiu a embaixada israelense em Buenos Aires, matando 29 civis e ferindo mais de 240. Outra vez em 1994, a Hezbollah orquestrou um ataque suicida à Associação Judaica Amia em Buenos Aires matando 85 e ferindo 300.

Depois disso, o Irã começou a armar a Hezbollah com mísseis de curto, médio e longo alcance e o grupo passou a atacar Israel militarmente, lançando mísseis, morteiros e sequestrando soldados além de continuar suas atividades terroristas no exterior, em países como Tailandia, Azerbaijão, Índia, Turquia e Bulgária.

O problema é que mesmo sendo um alvo constante destes grupos e do Irã, os Estados Unidos se recusam a ver o mundo como ele é, mas querem o mundo como eles querem que seja.

Desde 1948, todos os governos democratas americanos procuraram um empate entre Israel e o mundo árabe e isso nunca ficou tão claro como nesta administração Biden. No final do governo Trump em 2020, ele havia garantido quatro acordos de normalização no Oriente Médio — conhecidos como Acordos Abraão.

Hoje estamos no final do governo Biden e a região está pegando fogo, à beira de uma guerra regional que pode descambar para uma guerra mundial.

Não é coincidência.

Desde o começo de sua administração, Biden tem enviado mensagens truncadas para líderes errados, jogando gasolina numa região instável, como por exemplo, suspender as negociações de outros Acordos Abraão especialmente com a Arábia Saudita. E isso só para não dar a Trump o gostinho de ter seu nome ligado a este sucesso.

Desde que tomou posse, Biden decidiu tratar a Arábia Saudita como um pária, publicamente culpando o príncipe herdeiro pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, sem ter provas.

Ao final, ele teve que se curvar ao príncipe por causa da subida do preço do petróleo, causada pela guerra na Ucrânia

Biden também criticamente removeu algumas sanções contra o Irã, como suborno para Teerã voltar ao acordo nuclear de Obama, liberando bilhões de dólares para os aiatolás continuarem seu patrocínio dos seus grupos terroristas como a Hezbollah.

O grande momento que significou o sinal verde ao Irã foram os 9 meses de desprezo americano ao Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e da impressão de ter havido uma cisão entre Washington e Jerusalem que este desprezo criou.

A retirada caótica e catastrófica das tropas americanas do Afeganistão, que levou os aliados americanos a questionar se Washington os estaria abandonando foi outro sinal ao Irã.

Mas Biden foi mais além. Ele também removeu os Houthis da lista de organizações terroristas, renovou os pagamentos à Autoridade Palestina, apesar de eles serem contra a lei americana, renovou os pagamentos para a UNRWA, e retornou os Estados Unidos ao antissemita Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Embora não possamos considerar qualquer dessas ações como a responsável pela atual situação no Oriente Médio, todas juntas o são e todas têm sua origem nas políticas do governo Biden. E incrivelmente, Biden continua hoje a empurrar estas políticas perniciosas.

Numa entrevista ontem sobre a situação no Líbano, ele declarou que está trabalhando num cessar-fogo. Um cessar-fogo agora só daria para a Hezbollah e ao Hamas tempo para se reorganizar e para o Irã rearmá-los. Agora eles estão sem liderança, a Hezbollah sem seu sistema de comunicação e o Irã não pode nem mesmo aterrissar seus aviões em Beirute. Este não é o momento de Israel jogar um salva-vidas para a Hezbollah ou para o Hamas. Este é o momento que Israel tem para destruir completamente esses grupos e aleijar a capacidade de ataque do Irã por seus proxis.

E é por isso que Israel continua a explodir tuneis em Rafiah e a atacar a Hezbollah em Beirute e no sul do Líbano.  

Com tanto sangue americano nas mãos, Biden não teve outra alternativa a não ser elogiar Israel no sábado. “Hassan Nasrallah e o grupo terrorista que ele liderou, o Hezbollah, foram responsáveis ​​por matar centenas de americanos ao longo de um reinado de terror de quatro décadas”, disse ele. “Sua morte em um ataque aéreo israelense é uma medida de justiça para suas muitas vítimas, incluindo milhares de americanos, israelenses e civis libaneses”.

A morte de Nasrallah é mais do que uma vitória para Israel: é um triunfo para cada nação que valoriza a democracia sobre a ditadura e a liberdade sobre a tirania.

A resposta fria do Ocidente a essa vitória em defesa de seus próprios valores, a inexplicável explosão do antissemitismo, mostra uma desconexão preocupante da Europa e dos Estados Unidos.

As ações de Israel servem como um lembrete de que a defesa da democracia não é uma questão regional.

A eliminação de Nasrallah é uma vitória para todo o mundo livre, e é hora de o Ocidente reconhecer o papel de Israel não apenas como um aliado local, mas como um defensor crítico da ordem democrática mundial.

 

Sunday, September 22, 2024

A Escalada da Guerra com a Hezbollah - 22/09/2024

 

Hoje de manhã  em Israel, para quem conseguiu dormir, acordou com a escalada substancial da guerra contra a Hezbollah no Norte do país. Durante toda a madrugada ouvimos os aviões de combate passando em direção ao sul do Líbano. Para os que moram no Norte, no entanto, a noite foi passada num bunker. Era o esperado. Mais de 300 mísseis foram lançados pela Hezbollah sobre Israel a mando do Irã neste final de semana. E hoje, um veículo aéreo não tripulado foi lançado do Iraque contra o Estado judeu.

Com as negociações sobre os reféns completamente rejeitadas pelo Hamas, a Hezbollah, com a desculpa de estar dando suporte ao Hamas, decidiu colocar mais pressão sobre Israel, e aumentar os lançamentos indiscriminados de mísseis contra as cidades israelenses. São quase 100 mil israelenses evacuados de suas casas desde o dia 8 de outubro do ano passado. A situação se tornou insustentável.

E aí aconteceu. Desde a quarta-feira, as manchetes no mundo inteiro não falavam de outra coisa a não ser sobre a inacreditável e devastadora operação contra membros da Hezbollah em todo o Líbano. Primeiro os bípers explodiram. No dia seguinte foram os walkie talkies. Alguns dos aparelhos alegadamente também explodiram no Iraque e na Síria. Tirando o insano trabalho de inteligência, planejamento e implementação deste plano ousado, o resultado foi sem sombra de dúvida, o maior tapa na cara que a Hezbollah levou em anos.

Israel, o suspeito usual, não reivindicou a autoria do feito. Mas seja lá quem foi que fez isso, conseguiu de uma (ou duas) tacadas, imobilizar 5 mil membros do alto escalão da Hezbollah, que, ou morreram ou estão muito feridos, ao mesmo tempo em que poupou ao máximo a exposição de civis libaneses não afiliados à Hezbollah.

Sim, sempre há um dano colateral, mas a morte das duas crianças que estavam brincando com os bípers na hora da explosão não poderia ter sido prevista e apesar de terem sido trágicas e infelizes, não se comparam com o míssil que a Hezbollah enviou propositalmente contra uma comunidade no norte de Israel que matou 12 crianças drusas que estavam jogando futebol num sábado à tarde.

Ao mesmo tempo, a Assembleia Geral da ONU, em sua capacidade da mais inútil organização da história e da face da terra, estava votando mais uma vez, uma resolução contra Israel. Desta vez a Assembleia aprovou, com o voto do Brasil, uma resolução não vinculativa exigindo que Israel acabe em 12 meses, com sua "presença ilegal no Território Palestino Ocupado". Ela também exige que Israel retire o exército, interrompa a construção de novas residências para judeus e evacue todos os que chama de “colonos” da região, além de demolir o muro de separação construído para impedir a entrada de terroristas em Israel.

Se esta fosse uma resolução do partido nazista, com seu puro racismo, antissemitismo aflorado, buscando a limpeza de judeus de um território, ninguém se surpreenderia. Mas não. 124 países votaram a favor, 14 incluindo Israel e os Estados Unidos votaram contra e 43 países se abstiveram. Mas a coisa não parou aí. A resolução também pede aos estados-membros que não transfiram armas para Israel e imponham sanções aos colonos envolvidos na violência contra palestinos. Ela também pede a responsabilização de Israel por supostas violações do direito internacional humanitário, incluindo o pagamento de reparações. Uma verdadeira vergonha. Nada sobre a chacina de 7 de outubro. Nada sobre os 101 reféns que ainda estão nas mãos do Hamas quantos, não sabemos, sobrevivendo em condições horrendas e inumanas por quase um ano.

E na sexta-feira, a ONU veio à carga outra vez. A pedido da Argélia, o Ministro das Relações exteriores do Líbano Abdallah Bou Habib, acusou Israel no Conselho de Segurança de orquestrar o que ele chamou de ataque terrorista e que “Israel, através de sua agressão terrorista, tinha violado os princípios básicos do direito internacional humanitário”.

O Alto Comissário Para Direitos Humanos, Volker Turk, declarou que “o direito internacional humanitário proíbe o uso de dispositivos letais na forma de objetos portáteis aparentemente inofensivos", durante a mesma sessão.

Agora, não sei de qual faculdade este pessoal comprou seus diplomas. Para ser considerado um ataque terrorista, é preciso que ele tenha 3 componentes: primeiro: que seja de propósito, deliberado. Segundo que seja contra civis e por último, que tenha um objetivo político.

Ora, mesmo se fosse Israel, o alvo destes dispositivos foi comprovadamente contra os combatentes da Hezbollah, que mesmo se estivessem vestidos como civis, não eram civis. E Israel não teve um objetivo político. Ela quer que a Hezbollah cesse os ataques ao Norte para que seus cidadãos possam voltar para casa.

Agora, todas os ataques da Hezbollah são ataques terroristas. Ela lança centenas de mísseis por dia de propósito, indiscriminadamente sobre a população civil de Israel e tem como objetivo destruir o Estado de Israel. Então me poupem estas declarações bombásticas que não merecem qualquer simpatia vindas de alguém que alberga, que encobre, que protege uma organização terrorista em seu território.

Danny Danon, o embaixador de Israel na ONU, disse aos repórteres na sexta-feira que Israel não tinha "intenção de entrar em guerra com a Hezbollah no Líbano, mas não podemos continuar do jeito que está". Falando no Conselho de Segurança, ele disse que Israel faria "o que fosse preciso" para restaurar a segurança nas áreas do norte.

E Israel fez. Na mesma sexta-feira, num ataque aéreo, Israel matou dois comandantes militares da Hezbollah e outros 10 altos comandantes, que estavam planejando nada menos que uma repetição do 7 de outubro no norte de Israel na operação que chamaram de “Conquistando a Galiléia”.

A Hezbollah, confirmou a morte de Ibrahim Aqil, o comandante das forças de elite do grupo Radwan. Também confirmou que Ahmed Wahbi, também do Radwan. Notem que Ibrahim Aqil estava sendo procurado pelos EUA com uma recompensa de 7 milhões de dólares porque foi ele quem planejou e levou à cabo o ataque terrorista contra a embaixada americana em Beirute em 1983.

O ataque de sexta-feira foi outro grande golpe para o Hezbollah e o primeiro ataque aéreo a atingir Beirute desde julho, quando Fuad Shukri, braço direito do líder Hassan Nasrallah, foi morto.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel Daniel Hagari disse que Aqil, e outros comandantes das forças Radwan "estavam reunidos no subsolo sob um prédio residencial no coração do bairro de Dahiyah, em Beirute se escondendo entre civis libaneses, usando-os como escudos humanos".

No sábado, a Hezbollah disse que o segundo comandante a ser morto, Wahbi, "participou de muitas operações" desde os anos 1980 incluindo o de "assumir a responsabilidade" pela força de elite Radwan até o início de 2024.

Com tudo isso acontecendo, e nossa atenção desviada, é imprescindível não esquecermos os reféns. Os pequenos Kfir de um ano e Ariel de 4 anos. Naama de 19 anos e outras meninas, idosos, homens e mulheres. Com o aniversário de um ano da guerra se aproximando, esta situação de incerteza, de dor constante para as famílias, está passando de inaceitável para insuportável.

Neste mês de Elul, vamos torcer e pedir aos céus para uma vitória completa contra a Hezbollah que leve a uma capitulação do Hamas e a volta dos reféns aos seus entes queridos e os 100 mil evacuados às suas casas.

 

 

Sunday, September 15, 2024

O Secretário-Geral Mais Antissemita da História da ONU - 15/9/2024

 

              O túnel em Rafah, Faixa de Gaza, onde seis reféns foram assassinados pelo Hamas.10/09/2024. 
                (credito: Forum das Familias dos Reféns e Desaparecidos)

Alguém ouviu em algum noticiário que quase 650 pessoas foram mortas numa recente onda de ataques em Bangladesh entre 16 de julho e 11 de agosto último por muçulmanos contra a minoria Hindu? Esse número foi o publicado pelo Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre relatos de execuções extrajudiciais, prisões e detenções arbitrárias. Os ataques foram chamados de "ataques comunitários islâmicos contra os hindus".

A Grande Aliança Nacional Hindu de Bangladesh disse que a comunidade enfrentou ataques e ameaças em 278 locais em 48 províncias, classificando-os como um "ataque à religião hindu". Vários templos, casas e empresas da comunidade minoritária hindu foram destruídos este mês. O jornal The Guardian relatou em 7 de agosto que "imagens de hindus sendo linchados por multidões, templos incendiados e empresas saqueadas inundaram as mídias sociais na Índia, embora a escala total dos ataques não esteja clara".
Em 1971, na época da independência de Bangladesh do Paquistão, os hindus representavam 20% da população. Hoje os hindus são menos de 8% dos 171 milhões de habitantes do país numa clara limpeza étnica.

Outro conflito amplamente ignorado pela mídia global, é a guerra no Sudão nos últimos 15 meses. O conflito entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, custou algo aproximando 150.000 vidas.

As duas forças rivais saíram das forças armadas do regime de Omar al-Bashir, um radical islâmico que se manteve no poder de 1989 até 2019. Essas milícias foram responsáveis pelos enormes massacres da população africana em Darfur, na primeira década deste século.

O genocídio em Darfur, que começou em 2003, resultou em cerca de 300.000 mortes de civis, e cerca de 10,2 milhões de pessoas deslocadas até hoje (de uma população total de 47 milhões). Um relatório recente do Programa Mundial de Alimentos estima que cerca de 25 milhões de pessoas no Sudão precisam de assistência humanitária. O relatório descreve a situação no Sudão como constituindo a “maior crise de fome do mundo”.

E, ainda assim, o silêncio é ensurdecedor. Pessoas estão morrendo de fome todos os dias, e o foco permanece em debates semânticos e definições legais que não levam a qualquer ação prática para resolver o problema.

Por outro lado, todos ouviram sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Desde o começo da guerra, a Rússia tem atacado indiscriminadamente edifícios residenciais, maternidades, hospitais, escolas e outros alvos civis, sem qualquer repercussão no âmbito mundial. Até 31 de julho deste ano, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos verificou 35.160 vítimas civis, e até fevereiro deste ano haviam cerca de 6,7 milhões de refugiados ucranianos. Aproximadamente 14,6 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária. E pior. Na última sexta-feira, a Rússia ameaçou a OTAN com uma guerra nuclear e de transformar a capital da Ucrânia num monte de cinzas se o Ocidente der a Zelensky permissão para usar mísseis de longa distância, ameaçando também os Estados Unidos e a União Europeia com uma guerra nuclear.

E tudo bem. Com tudo acontecendo, a “comunidade internacional” e a “sociedade civil global” parecem largamente indiferentes. E porque isso? Porque nestes casos nem judeus, nem Israel podem ser acusados.

O fato de Israel ter sido atacado em 7 de outubro, da maneira mais brutal, desumana, sádica por uma horda de 6 mil árabes de Gaza, entre combatentes do Hamas, Jihad Islâmico e outros grupos e “civis inocentes” que invadiram o sul do país, conseguiu a simpatia do mundo por mais ou menos 36h. Aí chegaram as justificativas do injustificável, como cantos de “por todos os meios necessários” e “do rio ao mar”. Junto com isso, países ao redor do mundo enviaram avisos para Israel não retaliar, para não entrar em Gaza e ameaças continuam a vir a cada passo da defesa legítima do estado judeu em todos os campos, desde o embargo de armas até ações na Corte Internacional de Justiça. O mundo está focado, obsessivamente no que faz Israel.

E a hipocrisia é tanta, que o “amor” do mundo pelos Balestinos, não se estende à população Balestina refugiada em outros países árabes. Alguém ouviu falar do massacre do campo de refugiado de Yarmouk na Síria? Claro que não. Isso porque foi perpetrado pelas forças do exército sírio de Bashar Al-Assad. 3.196 palestinos foram mortos incluindo 352 crianças e 312 mulheres. 491 morreram torturados nas prisões sírias. Pelo menos 2663 refugiados palestinos estão ainda encarcerados ou desapareceram desde 2011 incluindo 10 crianças e 23 mulheres. Onde esteve a condenação do mundo, da UNRWA, da ONU?

Ainda assim, nada se compara com a tortura que o Hamas infligiu e continua a infligir aos reféns israelenses em seu poder. Nesta semana, o exército de Israel mostrou as condições do túnel onde foram encontrados os corpos dos reféns Carmel Gat, Eden Ierushalmi, Ori Danino, Hersh Goldberg Polin, Almog Sarussi e Alex Lobanov, todos os seis brutalmente executados com tiros na cabeça.

As câmeras focaram no sangue no chão, num túnel muito estreito e baixo onde não é possível nem mesmo ficar em pé. Um saco do lado guardava garrafas não de água, mas de urina escura. Um balde servia de privada. O túnel cavado há 20 metros do solo começava no quarto de crianças de uma casa, com a figura da Branca de Neve, do Mickey Mouse, e da palavra “Love” pintados na parede. Não havia luz ou ventilação. Deixaram para os reféns uma lanterna e um al-Corão no meio de magazines de balas de metralhadoras.

Estes 6 reféns são os verdadeiros heróis por terem sobrevivido 11 meses nestas condições sob as quais nem animais conseguem sobreviver.

Mas a guerra de Israel não é só em Gaza. Neste final de semana tivemos barragens de mais de 60 mísseis lançados sobre Israel do sul do Líbano pela Hezbollah. E hoje um míssil de longa distância conseguiu chegar na cidade de Lod, do lado do aeroporto internacional de Israel lançado do Iêmen pelos Houthis. O Irã continua a ameaçar Israel que ainda tem que lidar com a infiltração iraniana na Síria e no Iraque. E finalmente, os ataques terroristas diários vindos da Judeia e Samaria. Esse é infelizmente o novo “normal” da vida em Israel.

Ainda se tivéssemos o apoio .da comunidade internacional.... Mas não. O próprio secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterrez, e isso não é piada, declarou no X que os últimos acontecimentos no que ele chama de Cisjordânia e nós de Judeia e Samaria, são muito preocupantes. A escolha de Guterres de condenar a luta de Israel contra o terrorismo para impedir o estabelecimento do Hamas na Judeia e Samaria, especialmente em face dos ataques terroristas diários só pode ser interpretada de uma maneira: antissemitismo.

Ele não expressou preocupação com as ameaças de guerra nuclear da Rússia, ou os milhões de refugiados ucranianos. Não dá bola para a ameaça nuclear ou a opressão das mulheres no Irã. Não está nem mesmo em seu radar, a possibilidade da morte por fome de 700 mil crianças no Sudão. Nem tampouco a fome no Haiti, ou as tensões entre a Armenia e o Azerbaijão.

Esta última condenação não vem do vácuo. Guterres se posicionou como um dos maiores antissemitas do nosso tempo. É muito estranho que este título pertença a um homem que lidera uma organização encarregada da estabilidade e harmonia globais.

O fato de Israel se defender, incomodar mais o Secretário-Geral da ONU do que o terrorismo que necessita ser debelado ilustra o fracasso das Nações Unidas.

E para parecer que ele é o adulto responsável, equilibrado e objetivo na sala, Guterres tenta traçar uma equivalência entre o Hamas e Israel, retratando ambos como igualmente violentos. Mas isso só o torna mais perigoso e malévolo.

E isso após Guterrez tentar justificar os crimes do Hamas; iniciar uma votação no Conselho de Segurança da ONU para impedir Israel de tomar ações militares em Gaza; e condenar Israel toda vez que ela tenta combater o terrorismo regional.

Mas em seu tuíte ignorante e antissemita, Guterres não responde a perguntas óbvias: se Israel não agir contra os terroristas, quem impedirá um outro 7 de outubro? Quem protegerá as filhas de Israel de outro pogrom que a ONU não condenará? Quem devolverá nossos reféns, que a ONU não reconhece? Quem nos dará um estado alternativo se este, D-us me livre, for destruído? Até que ele responda a isso, talvez ele devesse gastar menos tempo passando sermões a Israel e mais tempo ajudando as crianças famintas do Sudão.

Elas também não surgiram do vácuo.

Sunday, September 8, 2024

O Hamas Segue Impune Por Seu Terrorismo - 8/9/2024

 

No sábado à noite da semana passada, recebemos a terrível notícia do assassinato de seis reféns no cativeiro do Hamas apenas 48 horas antes. Durante a semana, o Hamas publicou os últimos vídeos feitos pelos reféns, como parte de sua guerra psicológica contra Israel.

Ficou claro, depois do terceiro vídeo que as palavras que eles diziam não eram as deles. Todos conclamaram os israelenses a continuarem os protestos e a desestabilizarem o governo, culpando Netanyahu por seu cativeiro. Esses vídeos foram feitos obviamente como propaganda do Hamas. 

E assim, esta semana foi a de assistir a funerais e a fazer visitas de condolências. Como alguém que passou a maioria de sua vida adulta nos Estados Unidos, não tinha como eu não me identificar com os pais de Hersh Goldberg-Polin. Sua mãe Rachel viajou o mundo falando com Joe Biden, o Papa, na ONU, na Convenção Democrata, pedindo a todos para interceder junto ao Hamas para libertar seu filho e os outros reféns.

Mas frente ao microfone, diante da multidão que lotou o cemitério em Jerusalém, a voz de Rachel jorrou a dor de uma mãe que suportou o insuportável. Ela descreveu o tormento, a esperança e, finalmente, a realidade esmagadora da morte de seu filho. Hersh, com apenas 23 anos, que tinha ido ao festival com amigos para comemorar seu aniversário, foi assassinado pelo Hamas em um túnel em Gaza, após quase um ano de cativeiro.  

As palavras desta mãe ficaram gravadas nos corações de todos os presentes: “Finalmente, finalmente, finalmente.... você está livre”. “Por 332 dias, eu me preocupei  cada milissegundo de cada dia”, ela disse, sua voz quebrada pelas lágrimas. “Eu estava aterrorizada, assustada, preocupada e alarmada. Minha garganta esteve fechada e fez minha alma pulsar como se estivesse com queimaduras de terceiro grau.”

E aí tivemos as reações dos líderes mundiais. Nos EUA, o presidente Biden, disse ter ficado “devastado e indignado”, e a vice-presidente Kamala Harris condenou fortemente “a brutalidade contínua do Hamas”. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer ficou "completamente chocado com a matança horrível e sem sentido" e declarou que "um acordo de cessar-fogo deve ser feito por todos os lados imediatamente para acabar com o sofrimento". No entanto, poucos dias depois, a Grã-Bretanha embargou a venda de armas para Israel. Ao que parece, Israel tem o direito de se defender - mas nunca atirar em seus inimigos.

A relatora especial da ONU Francesca Albanese mais uma vez jorrou seu veneno de cobra pró-Hamas, declarando no X: "Libertem os reféns, tanto israelenses quanto palestinos". É? Que reféns palestinos?

A mídia de esquerda também emitiu suas pérolas. A CNN colocou a manchete declarando que Hersh havia "morrido", como se levar tiros na cabeça em um túnel do terror, mais de 10 meses após ser sequestrado, pudesse ser considerada uma morte por causas naturais.

O discurso nos círculos políticos e da mídia, nesta altura do campeonato, em qualquer outro caso, deveria ser de colocar a pressão e as condenações sobre o Hamas. Mas o que estamos testemunhando é exatamente o contrário. Há hoje mais pressão do que nunca sobre Israel para fazer concessões. O Hamas, por seu lado, se recusa até mesmo a apresentar uma lista dos 101 reféns restantes — os mortos e os que ainda estão vivos.

E o Hamas continua a agir e a controlar a Faixa de Gaza com uma impunidade inabalável. O Hamas não tem qualquer receio ou medo de possíveis consequências internacionais pelo assassinato de 1.200 pessoas, o estupro, a mutilação, o saque e a incineração de pessoas e propriedades em 7 de outubro. As ações da comunidade internacional falam mais alto e elas exigem o envio de cada vez mais ajuda humanitária ao regime terrorista e para que Israel facilite essa ajuda. Isso fortalece o Hamas. Aliás, a ajuda inclui containers e containers de cigarros, como se isso fosse “ajuda humanitária”.

Os líderes do Hamas continuam confortavelmente hospedados no Qatar, que ao mesmo tempo finge ser um intermediário honesto nas negociações de um cessar-fogo e a libertação de reféns. O Egito, outro negociador que diz falar em nome do Hamas, está tão ou mais interessado que o grupo terrorista em tirar a presença israelense do Corredor Filadélfia. Este corredor é de fato, a fronteira entre o Egito e Gaza onde um labirinto de centenas de túneis sofisticados foi encontrado por Israel, os quais por décadas permitiu que o Hamas contrabandeasse armas, dinheiro e possivelmente prisioneiros enquanto enriquecia os egípcios.

Muitos israelenses esta semana lamentaram os reféns assassinados, outros não conseguiram sair do choque.  Eles acreditavam que um acordo estava próximo, talvez a apenas alguns dias de distância. Eles se esqueceram que este é um acordo com o diabo. O Hamas poderia tê-los libertado há muito tempo, em novembro, quando negociações e pressão militar levou à libertação principalmente de mulheres, crianças e casos humanitários em troca de terroristas palestinos. Hersh teve seu braço explodido e precisava de cuidados médicos e Carmel Gat, de 39 anos e Eden Ierushalmi de 23 anos eram mulheres civis. Mas então o Hamas quebrou sua palavra. Que surpresa!

Acho que não há pessoa no mundo que não se pergunta o que aconteceu com Shiri Bibas e seus dois meninos ruivinhos, Kfir, que fez um ano em cativeiro, e Ariel, que fez cinco. E o pai deles? E os velhos, os enfermos, as mulheres jovens e os soldados e soldadas? Existe algum caso que não seja humanitário depois de 338 dias em cativeiro? Que garantia temos que o Hamas não irá libertar alguns dos reféns, vivos e mortos e manter outros como moeda de troca futura?  

Quando Biden disse, em resposta à pergunta de um repórter, se o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estaria fazendo o suficiente para fechar um acordo, e Biden disse que não, isso é exatamente o tipo de declaração que fortalece o Hamas. Os israelenses estão com raiva. Mas direcionar esta raiva para Netanyahu é errado.  É o Hamas, mandado pelo Irã quem está mantendo os reféns, e é o Hamas — não Netanyahu — que tem o poder de libertá-los.

E a situação de Israel continua complicada porque ela não tem somente o Hamas e os reféns para lidar. Fomos alvos de mísseis diários vindos da Hezbollah no Líbano. Em um dia eles enviaram mais de 100 mísseis. Também tivemos o assassinato dos 3 policiais no domingo passado e quatro tentativas de ataques com carros-bomba dentro de Israel. E hoje de manhã, na fronteira entre Israel e a Jordania, na ponte de Alenby, três israelenses foram mortos por um motorista de caminhão Jordaniano. E na capital Aman estão neste minuto, distribuindo doces para comemorar os assassinatos, mesmo que o terrorista tenha sido também morto. 

Depois de quase um ano, as faixas em Israel proclamando “Yachad nenatze’ach” – juntos venceremos – estão ficando desbotadas e rasgadas. Exatamente o que os inimigos de Israel querem ver. As mortes dos reféns não estão na consciência dos membros do Hamas. Eles não têm consciência. Eles têm um objetivo – escrito em seu estatuto – o de destruir Israel. Eles ficam felizes ao ver a destruição resultante dos ataques terroristas e da instabilidade que eles causam em Israel.

O Hamas matou os reféns, mas não pode forçar Israel a cometer suicídio. E se o mundo não estender uma mão amiga a Israel em sua luta contra os terroristas e o Irã, corre o risco de também ser arrastado para aqueles túneis profundos e escuros do terror. 

Esta é uma luta de todos.

Sunday, September 1, 2024

Terroristas Não Devem Ser Recompensados com um Estado - 01/09/2024

Por cinquenta anos, muitos líderes e políticos do mundo inteiro têm promovido a ideia de que "não há alternativa para o conflito no Oriente Médio a não ser a criação de um estado palestino, ou seja, a “solução de dois estados". Mas nenhum destes líderes ou políticos mundiais se pergunta, ou pergunta a outros se isso seria viável,  apesar do terrorismo contínuo e do fato de que tal estado será administrado por terroristas comprometidos com a destruição de Israel.

Aqueles que não vivem em Israel não têm ideia do que o israelense passa todos os dias. É o que nos faz acreditar que continuamos aqui por milagre.

Na sexta-feira à noite dois carros bomba dirigidos por palestinos de Hebron, detonaram antes do previsto, não alcançando os alvos pretendidos de Gush Etsion e Karmei Tzur e custando apenas as vidas dos terroristas. Na manhã do sábado, houve um tiroteio também na região de Hebron. Hoje pela manhã, tres policiais israelenses foram mortos quando terroristas em um carro atiraram na van que os levava. Em cima disto tudo, os ataques incessantes de mísseis da Hezbollah ao norte de Israel.

Mas ontem também encontramos os corpos de outros 6 reféns em um túnel em Gaza. E este é o incidente mais triste de todos. É triste porque estes reféns foram sumariamente executados pelo Hamas esta semana para que o exército de Israel não os resgatasse em vida. Eles foram mortos logo após Israel ter libertado o refém Kaid Farhan Elkadi, de 52 anos, um beduíno muçulmano.

E o que Israel está fazendo hoje em Gaza? Está facilitando a vacinação de milhares de crianças palestinas contra a pólio.

Ontem o Hamas conclamou os palestinos a se mobilizarem, em todas as cidades, vilarejos, e campos e incendiar o que puderem. Eles conclamam a todos que têm armas, para apontarem suas balas para o peito dos ocupadores. É com esse tipo de pessoa que o mundo quer que Israel faça a paz, se retire de áreas críticas para sua segurança e profundidade estratégica para que eles formem um estado. E isso sem falar de Jerusalem Oriental. A recusa palestina em reconhecer o direito de Israel de existir e acabar com o terrorismo não é nem mesmo cogitada.

Sabemos que todos os olhos estão em Gaza no momento, mas a situação na Judeia e Samaria é tão preocupante quanto. Hebron fica a apenas 30 km de Jerusalem. Gush Etsion a 24 Km.

Muitos aqui culpam Netanyahu por não conceder tudo ao Hamas para soltar os reféns. Eles argumentam que um tal acordo levaria ao fim do seu governo. Mas os dois ministros que ameaçaram sair da coalisão hoje, pelas pesquisas, estarão muito piores em uma próxima eleição então esta desculpa não faz sentido. E conhecendo Netanyahu, ele nunca poria a vida de jovens israelenses na linha para se manter no poder. Todos nós sabemos que para fazer um acordo, é preciso de dois. É Yahya Sinwar, não Netanyahu, quem está impedindo um acordo porque ele não quer soltar nenhum refém que são seu seguro de vida.

Aqueles que ainda apoiam a solução de dois estados argumentam que os árabes que se autodenominam palestinos e apoiam o terrorismo têm direito a um estado, que inclui a Judeia, Samaria, Gaza e Jerusalém Oriental, sem qualquer fundamentação. Estas áreas foram libertadas por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967. Foram liberadas e não conquistadas por que em todas elas havia comunidades judaicas milenares que foram expulsas em 1948. Em outras palavras, os judeus estavam lá há mais de 3 mil anos, foram expulsos por 19 anos e são eles os colonos?

Essa obsessão se baseia na narrativa palestina da "Nakba" ou a catástrofe da fundação de Israel e de seu fracasso de aniquilar o Estado Judeu em 1948; “O Direito de Retorno”, copiado dos judeus, para milhões de refugiados árabes para Israel; e sua reivindicação a tudo o que era chamado de Palestina sob o Mandato Britânico e pela Liga das Nações. A Nakba é a base do Pacto da OLP e da Carta do Hamas – e é o fundamento da identidade palestina – não a construção de um estado palestino, mas a destruição de Israel. Renunciar a tais crenças não é apenas improvável; é virtualmente impossível. Disputas sobre território podem ser resolvidas, mas não disputas ideológicas.

Por que, então, já que quase todos os palestinos rejeitam a divisão da terra em dois estados, esta ideia é ainda relevante – e por que a alegação é constantemente feita de que não há outra “alternativa?”

"Nenhuma alternativa" é uma crença aplicada unicamente à solução de dois estados. Raramente não há alternativa. Mas este continua sendo um mantra poderoso. O perigo de acreditar neste mantra não está apenas no fato do estado palestino se tornar a única base de negociação, mas legitima organizações terroristas que liderarão tal estado.

O fato é que isso já foi tentado com os acordos de Oslo de 1993 e 1995 e a retirada de todos os judeus de Gaza em 2005. E vimos o que isso deu. Não podemos mais deixar a comunidade internacional continuar com as pressões por concessões políticas e territoriais e oferecer incentivos econômicos na esperança que isso resultará em paz, ou pelo menos o fim da violência. Isso acabou em 7 de outubro.

Arafat quis os acordos de Oslo não para fazer a paz, mas para avançar sua agenda de destruir Israel. Receber concessões territoriais, políticas e econômicas, legitimidade e reconhecimento mundial serviu à sua estratégia.

Em 2000 com a oferta do então primeiro-ministro Ehud Barak em Camp David de dar a Arafat quase tudo o que ele queria confirmou ao líder da OLP que ele estava certo: Israel estava disposto a se render e se retirar para as linhas do Armistício de 1949. O enviado americano Dennis Ross que presenciou as negociações escreveu que Arafat rejeitou as ofertas de Barak porque o conflito em si era sua própria identidade, e a base da "consciência nacional palestina".

Dois meses depois ele lançou a Segunda Intifada, que durou até 2005, para impedir uma resolução do conflito. Arafat foi um aproveitador e oportunista. Ele nasceu no Cairo e nunca foi palestino. Mas ele construiu sua personalidade em torno do conflito, conseguindo extorquir bilhões de dólares dos países árabes em troca da promessa que ele não faria ataques contra estes países.

E em vez de ser tratado como um criminoso de guerra, Arafat foi homenageado como chefe da Autoridade Palestina e da OLP. Foi ovacionado nas Nações Unidas em 1974 e ninguém pareceu incomodado quando ele disse que vinha com um ramo de oliveira em uma mão, mas segurando a arma de um guerreiro na outra e para não deixarem que o ramo de oliveira caia de sua mão. E de fato, Arafat foi a única pessoa permitida a portar sua arma na Assembleia da ONU.

Infelizmente, a solução de dois estados é um símbolo de ódio e violência, que foi amplamente aceita como "a única alternativa". O apoio a esse mantra minou os esforços de Israel para resolver o conflito e levou à ascensão do Hamas, outros grupos jihadistas islâmicos e representantes iranianos, como o Hezbollah e os Houthis.

O apoio à solução de dois estados, portanto, impede qualquer consideração racional de outras propostas que possam ser muito melhores para palestinos e israelenses e para toda a região. Por exemplo: Oferecer para eles se mudarem para outros países árabes e muçulmanos, desenvolver entidades sociopolíticas baseadas em tribos/clãs, fazer uma federação com a Jordania. Enfim, há muitas possibilidades! Mas a exigência de uma visão única dessa famigerada solução de dois estados é uma receita amarga para premiar o terrorismo e continuar o conflito, não para resolvê-lo.

Esta opinião mas antes de ir, gostaria de lembrar os nomes dos reféns mortos e dos 3 policiais assassinados neste final de semana: Arik Ben Eliyahu, Hadas Branch, and Roni Shakuri, o qual tinha uma filha chamada Mor que também foi morta em 7 de outubro.

Os seis reféns encontrados são Hersh Goldberg-Polin de 23 anos, Eden Yerushalmi de 24 anos, Almog Sarusi de 27 anos, Alex Lubnov de 32 anos, Carmel Gat de 39 anos, e Ori Danino de 25 anos. Todos morreram baleados na cabeça há 72 horas.