Sunday, October 15, 2017

Trump, a Unesco e o Irã - 15/10/2017

Ventos novos continuam soprando no mundo, impulsionados por Donald Trump. Nesta semana, sua bombástica decisão de retirar os Estados Unidos da UNESCO, catapultou a candidatura da ex-ministra da Cultura da França, Audrey Azoulay para a direção da organização. Nos últimos anos a Unesco - braço da ONU responsável pela Educação, Cultura e Ciência - se tornou em um antro dominado por países antissemitas, que pouco têm em cultura, ciência ou educação. Sua agenda se foca quase exclusivamente em condenar Israel e em implementar uma revisão histórica que nega o elo entre os judeus e cristãos com a cidade de Jerusalem e a Terra de Israel como um todo.

A nova diretora-geral da UNESCO venceu a eleição contra o representante de não outro que Qatar. O candidato, Hamad Bin Abdulaziz al-Kawari é um reconhecido antissemita que consistentemente promove esforços contra Israel inclusive questionando princípios fundamentais da fé Judaica. De acordo com a Conferencia de Presidentes das Organizações Judaicas da América, al-Kawari tem um histórico de endossar, encorajar, patrocinar e apoiar Projetos e programas com conteúdo flagrantemente antissemita.  

O interessante nesta votação é que Kawari estava em primeiro lugar, mas no segundo round da votação, que foi secreto, alguns países árabes mudaram seu voto. A especulação é que os Emirados Árabes, o Egito e a Arábia Saudita tenham votado em Azoulay. Interessante também o fato de Audrey Azoulay ser judia.

Audrey declarou que sua primeira ação será propor reformas para devolver os princípios e objetivos originais da organização para a qual ela foi criada e no processo convencer os Estados Unidos e Israel a ficarem na Unesco. E isso parece ser algo muito bom. Vamos ver se ela consegue triunfar sobre os burocratas antissemitas de carreira que trabalham lá. Quem sabe teremos uma guinada de 180 graus na agenda da organização?

Nesta semana Trump também decidiu retirar a certificação do acordo nuclear com o Irã. Isto não quer dizer que os Estados Unidos estão se retirando do acordo. É um procedimento interno pelo qual o Congresso agora tem 60 dias para apreciar se é do interesse nacional da América continuar no acordo ou reimpor sanções contra o Irã.

A resposta dos aiatolás foi histérica. Apesar de já terem recebido bilhões de dólares em cash que Obama enviou num avião especial para Teherã e terem firmado acordos econômicos com vários países europeus, os iranianos sabem ser muito difícil conduzir transações internacionais em moedas que não sejam o dólar americano. E qualquer sanção irá obrigatoriamente afetar este meio. Mas realisticamente, as sanções não terão o mesmo efeito que tiveram no passado, quando a Europa e a Ásia estavam no mesmo barco. 

Trump não quer simplesmente punir o Irã pela falta de democracia, por impor castigos islamicos bárbaros ao seu povo e tentar expandir sua zona de influência na região. Trump quer evitar que um regime destes adquira a bomba nuclear e a capacidade de entrega por meio de mísseis balísticos intercontinentais com os quais poderá ameaçar não só Israel, mas a Europa e os Estados Unidos.

Hoje temos um Oriente Médio totalmente diferente de há 10 anos. Com o exército sírio severamente incapacitado e a paz com o Egito e Jordânia ainda de pé, Israel não tem uma ameaça convencional contra sua segurança. Hoje, felizmente, o perigo de uma invasão de território ficou bem reduzida para Israel.

Mas isto não quer dizer que está tudo esteja bem. Longe disso. A Hezbollah tem 130 mil foguetes e mísseis com um poder de devastação sem precedentes e capazes de atingir qualquer lugar em Israel. O Hamas, no sul, tem 30 mil mísseis e alguém na Faixa de Gaza passa seus dias a planejar mega ataques contra Israel. Mas até agora não dá para imaginar a Hezbollah ou o Hamas invadindo e conquistando Israel.

Hoje o problema é o Irã. O acordo nuclear foi um péssimo passo tomado por Barack Obama, pois isenta as instalações militares de inspeções e em oito anos, o Irã estará liberado para adquirir uma bomba nuclear. Neste meio tempo, o regime e a Guarda Revolucionária junto com a Coreia do Norte, continuam livres para aperfeiçoar os misseis balísticos intercontinentais porque simplesmente o acordo não os menciona.

E é por isso que o exército de Israel apoia colocar mais pressão no Irã.

Alguns dizem que o presidente Trump está simplesmente tentando cumprir uma promessa de campanha, de anular o que ele chama do “pior acordo jamais assinado”, uma verdadeira “vergonha”. Sua decisão esta semana prova a seus eleitores que ele quer cumprir suas promessas e só não o faz quando o Congresso não deixa.

Para Israel, no entanto, isto é muito importante. Com a presença iraniana cada vez maior na Síria e o fornecimento constante de mísseis avançados para a Hezbollah, Israel quer ver mais ações do mundo para amarrar a capacidade armamentista e logística do Irã. Isto pode ser através de sanções econômicas, mas também designar a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista. 

Nesta altura, e tendo em vista que outros países não seguirão os Estados Unidos com relação ao acordo, Israel deve procurar pressionar estes países para revisarem o acordo e remover as cláusulas de terminação em 2025, permitir inspeções em todos os locais, proibir o desenvolvimento e testes de misseis balísticos intercontinentais e cessar por completo o patrocínio a grupos terroristas ao redor do mundo.

Este acordo foi realmente péssimo e uma vergonha para os Estados Unidos e para os outros países que o assinaram. Mas agora Israel tem que trabalhar para torna-lo melhor. Se as condições forem racionais, não há porque não convencer a França, a Inglaterra, a Alemanha, a Rússia, e a China que o acordo precisa ser revisto.

Mas em paralelo, Israel precisa tomar todas as precauções para se preparar para um confronto com o Irã. Um confronto que certamente não será nada como os anteriores.


Sunday, October 8, 2017

A Reconciliação da Fatah e o Hamas - 08/10/2017

Nesta semana muito foi falado e elogios jorrados sobre a “reconciliação” entre o Hamas e a Fatah. Na terça-feira uma comitiva de 400 oficiais saiu de Ramallah para Gaza para os proverbiais abraços e beijos entre os rivais.  A mídia em geral descreveu o reencontro como uma vitória para a Fatah e derrota para o Hamas.

De fato, na superfície, a decisão do Hamas de cumprir as exigências da Fatah parece um reconhecimento que quando se trata de governar, o grupo não tem ideia do que fazer. Depois de 10 anos no leme, tomado jogando membros da Fatah do alto de prédios, o Hamas não tem nada para mostrar além de miséria e guerra. Chamados a fornecer comida, casas, empregos, eletricidade, esgotos, hospitais, segurança para mais de 1 milhão e meio de pessoas, eles decidiram que a prioridade era continuar suas ações contra Israel. Entregaram guerra, destruição e morte.

Em vez de pegar os trabalhadores treinados e toda a infraestrutura deixada pelos judeus expulsos em 2005 para fazer a Faixa de Gaza florescer, o Hamas os usou para produzir armas e mísseis. A consequência para os que elegeram o Hamas foi catastrófica. O desemprego chegou a 42%, combustíveis desapareceram, os esgotos entupiram, eletricidade e água foram racionadas, e a propaganda culpando Israel por tudo só aumentou junto com a vontade de destruir o estado judeu.

No campo diplomático o Hamas também só fez más escolhas. Quando a guerra civil irrompeu na Síria, o grupo apostou contra Bashar Al-Assad que sumariamente os expulsou de Damasco e bloqueou a ajuda financeira do Irã. Hoje os aiatolás voltaram a financiar o Hamas, mas Assad ainda no poder jurou o grupo como seu inimigo eterno. Com o Egito, a escolha não foi melhor. O Hamas alardeou seu apoio à Irmandade Islâmica de Mohamed Morsi - que pouco durou no poder, e contra os militares e o novo presidente al-Sissi. 

Seu grande aliado, a Turquia, mostrou muito menos entusiasmo pela “causa” do Hamas quando Israel encontrou enormes reservas de gás natural. Finalmente, a amizade entre o Hamas e Qatar também veio abaixo quando o Egito e a Arábia Saudita impuseram um boicote no emirado por financiar grupos terroristas nos dois países.

Assim, na superfície, o Hamas depois de 10 anos no poder parece estar econômica, politica e diplomaticamente falido e forçado a esta “reconciliação” com a Fatah. Uma prova que os islamistas não têm qualquer ideia sobre governo e como melhorar a vida de sua população.

Mas como eu disse no começo, as aparências enganam e a verdade está mais além. Apesar de sua derrota humilhante e sua expulsão de Gaza, a Fatah e a Autoridade Palestina continuaram a financiar o Hamas em Gaza. Abbas pagou as contas do Hamas incluindo a eletricidade fornecida por Israel, as contas dos hospitais israelenses que tratam de palestinos de Gaza e até os  salários das forças de segurança que deixaram a Fatah e se uniram ao Hamas. 

Internacionalmente, a Autoridade Palestina defendeu o Hamas em sua constante agressão, buscando e conseguindo condenar Israel por se defender dos ataques. A última vitória da Autoridade Palestina foi conseguir a afiliação na Interpol, a polícia internacional, apesar de seu apoio aberto e financiamento ao terrorismo. Daqui para frente, o Hamas terá acesso a todas as informações e ações da Interpol no mundo e poderá usá-la ou vender a informação pelo preço certo.

Na última década, a Fatah alocou mais da metade das doações europeias e americanas para o Hamas. Defendeu suas ações junto as três ultimas administrações americanas, para a ONU e ONGs europeias. Nenhum tipo de pressão fez qualquer efeito sobre a devoção ilimitada de Abbas em pagar salários aos terroristas do Hamas e suas famílias. Mas de repente em abril, Abbas decidiu suspender os pagamentos.

Novamente, a desculpa foi a pressão americana que aprovou uma lei proibindo dar ajuda econômica para a Autoridade Palestina enquanto ela continuar a pagar salários a terroristas. Mas os próprios palestinos dizem que a pressão americana nada teve a ver com a decisão de Abbas. Teve a ver com a aproximação do Hamas com seu arquirrival, Mohamad Dahlan.

Até a expulsão da Fatah pelo Hamas em 2007, Dahlan era o homem forte de Gaza. Por suas críticas a Abbas ele foi expulso com seus seguidores e se mudou para os Emirados Árabes aonde vive até hoje.

Os Emirados Árabes são aliados da Arábia Saudita e do Egito contra Qatar. Em maio deste ano, eles decidiram tirar Gaza da esfera de influencia de Qatar e engajaram Dahlan para se aproximar do Hamas. Em maio o Hamas cortou seus laços com a Irmandade Muçulmana. Em resposta, o Egito rapidamente apoiou a iniciativa e relaxou o fechamento da fronteira com Gaza.  

Logo o Hamas começou a descrever Dahlan como uma alternativa viável para Abbas e conseguiu o comprometimento dos Emirados Árabes para financiar o Hamas e pagar entre outras, as contas de eletricidade da Faixa de Gaza. Assim, Abbas não mandou seus representantes ao Cairo para negociar a “derrota” do Hamas, mas foi a entrada de Dahlan no cenário que trouxe a derrota de Abbas.                                                                                                                                Por outro lado, o Hamas está reconstruindo seu relacionamento com a Guarda Revolucionária do Irã tendo participado da posse do presidente Hassan Rouhani no mês passado. Um mês antes, o terrorista do Hamas Salah Arouri que vive em Beirute, preparou uma reconciliação entre seu grupo e a Hezbollah e por tabela, o Irã. Em todos os casos, o Hamas saiu vitorioso.

Como comentei anteriormente, o Hamas fez uma concessão: desbandar uma entidade governamental cosmética, formada há alguns meses em resposta ao corte de Abbas. Com isto o Hamas volta a receber o dinheiro da Autoridade Palestina incluindo os salários para os terroristas e suas famílias. Além disso, o Hamas está passando a responsabilidade pela eletricidade, coleta de lixo, esgotos, água e serviços públicos para a Fatah.

Com isso o Hamas estará livre para se concentrar na próxima guerra contra Israel. Pode escavar túneis, produzir mísseis, expandir seus laços com a Hezbollah, a guarda revolucionaria do Irã e a Fatah.

De fato, o novo primeiro ministro de Gaza, Yahya Sinwar declarou no Irã que o Hamas está “aumentando sua capacidade militar para libertar a Palestina.” Ele disse ainda que “cada dia produzimos mísseis e continuamos nosso treinamento militar dia e noite.”

De acordo com a comentarista Caroline Glick, esta reconciliação entre o Hamas e a Fatah nos ensina duas coisas: primeiro, a noção que Abbas quer derrotar o Hamas é uma idiotice. Por 10 anos a Fatah foi humilhada e expulsa de Gaza mas continuou a patrocinar e defender o Hamas. Para este fim, Abbas continuará a financiar as próximas 10 guerras contra Israel, se ele viver para tanto e com dinheiro Americano e europeu.

A segunda lição é que precisamos abaixar nosso entusiasmo sobre o apoio de Sissi a Israel. A decisão do presidente do Egito de mediar esta reaproximação entre a Fatah e o Hamas prova que sua aliança com o Estado Judeu é estratégica e limitada. E que sua decisão de ficar do lado de Israel e contra o Hamas na guerra três anos atrás pode não se repetir no próximo conflito.

Tudo deverá gerar em torno do que acontecerá entre o Irã e os Estados Unidos nos próximos meses.




Sunday, October 1, 2017

A Era dos Movimentos Nacionalistas - 01/10/2017

Hoje a polícia de Madrid, posicionada perto de Barcelona, caiu sobre a população da Catalunha não para protegê-los de alguma ameaça, mas impedi-los de simplesmente votar. As imagens que vimos pela manhã foram verdadeiramente vergonhosas. A polícia quebrando portas de escolas e ginásios, confiscando urnas e material eleitoral, fazendo cordões de força impedindo as pessoas de votar.

Até o século 12 a Catalunha era uma região separada, com uma população distinta, e uma língua muito diferente do espanhol e de fato, mais próxima do francês. No século 12 o Conde de Barcelona se casou com a filha do rei de Aragão e formaram uma confederação que atravessava os Pireneus e chegava até Marselha na França. No século 15 os reis católicos Ferdinando e Isabella uniram à força todas as regiões da Espanha, mas no século 19 a Catalunha foi anexada ao Império francês por Napoleão. Em 1932 os catalães finalmente conseguiram sua autonomia política somente para perdê-la sete anos mais tarde com a ocupação do ditador Francisco Franco.

A Catalunha não está só. Desde o século 19 praticamente todas as regiões da Espanha têm buscado alguma forma de independência. Hoje há movimentos nacionalistas nas regiões de Castela, Aragão, Murcia, Astúrias, Andaluzia, Galícia, Leão, Valencia e é claro, o país Basco que atormentou Madrid por décadas com o grupo terrorista ETA.

Madrid diz que não tem outra escolha a não ser confiscar as urnas já que este referendo de independência é, de acordo com o governo central, inconstitucional. Mas as imagens feias da violência policial reflete a quebra na fibra social espanhola e escancara o total fracasso dos políticos. Num dia de expressão democrática, numa região que tem seu presidente, seu parlamento e instituições democráticas, não cabe a qualquer outro governo interferir. Desde quando no primeiro mundo quando o povo quer votar se usa a força? Viva a democradura espanhola e europeia!

Nesta semana vimos outro referendo. O dos curdos no norte do Iraque que votaram por criar seu estado independente. E não há povo no mundo que mereça um país hoje mais que os curdos. São mais de 20 milhões numa só região que foi injustamente dividida entre o Iraque, o Irã, a Síria e a Turquia pelas forças coloniais. A reação a este referendo foi visceral. Erdogan, o presidente turco, prometeu retaliar contra os curdos do Iraque porque morre de medo que seus curdos, que reclamam sua independência há décadas, se fortaleçam com esta vitória. Os curdos no Irã já mostram sinais similares.

Parece que o mundo está numa onda de revolta contra a ideologia de esquerda, multiculturalista e de globalização que só trouxe insegurança, violência e pobreza por onde passou. Hoje há literalmente milhares de movimentos de independência e partidos nacionalistas reagindo à falta de fronteiras, de identidade nacional e de imigração descontrolada. E a reação dos poderes atuais tem sido nada menos que histérica e repressora.  Somente na Europa, de direita na França, Holanda, Bélgica e choque! Depois de 70 anos, também na Alemanha! Nos Estados Unidos, Donald Trump ganhou a presidência prometendo colocar os interesses da América primeiro.

A ideologia que até hoje permeou a América do Norte e Europa, prega que todas as pessoas são iguais, que todas querem a mesma coisa e que todo o mundo tem os mesmos valores. A ilusão humanística que todo o mundo é como eu. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi um reflexo desta ideologia criada como reação à supremacia racial nazista. Mas a Arábia Saudita, por exemplo, se absteve de ratificar a Declaração dizendo que a liberdade de religião era contra o islamismo, e que direitos humanos garantidos pela lei islâmica eram superiores aos descritos na Declaração Universal de Direitos Humanos.

Em 1984, o Irã declarou que a Declaração Universal conflitava com a Shaaria e em 2000 a Organização da Conferência Islâmica apoiou uma Declaração alternativa que garantia a dignidade de vida de acordo com a Shaaria. Só que esta declaração excluiu, por exemplo, as liberdades de expressão, de religião, de casamento e outras.

O Ocidente, no entanto, continuou a avançar o multiculturalismo dizendo que todos os modos de vida são igualmente válidos e assim permitiu a criação de cortes islâmicas paralelas, sistemas educacionais paralelos dificultando enormemente a integração dos imigrantes.

O Ocidente partiu para celebrar a diversidade negando as diferenças que chegam a ser muito profundas. Se terroristas atacam em nome do jihad logo ouvimos que não tiveram oportunidades de sucesso, ou se ele for imigrante, deve ter sofrido islamofobia. Assim, de acordo com a ilusão humanista, terroristas violentos são desesperados porque não obtiveram as “coisas” que nós temos.

Mas pessoas de outras culturas nos dizem repetidamente que elas veem o mundo de modo distinto do Ocidente. Hamas repete a cada oportunidade que eles amam a morte enquanto os judeus amam a vida. Os Jihadistas amam a morte porque acreditam que ao morrer terão 72 virgens no céu e gloria na terra.

Cansamos de ouvir que os palestinos e israelenses tem que fazer a paz. Mas é isto mesmo que os palestinos querem? Os palestinos já recusaram oito ofertas de um estado.

Em 1937, a Comissão Peel propôs a partilha rejeitada pelos árabes e levou ao massacre de judeus em Tiberias. Em 1947, a ONU votou a partilha, rejeitada por todos os árabes. Entre 1948 e 1967 a Judeia, Samaria e Gaza estavam nas mãos da Jordânia e Egito, mas em vez de pedir independência, Arafat explicitamente excluiu estas áreas das reivindicações palestinas. Em 1979, nas negociações de paz entre Israel e Egito, foi oferecida a autonomia aos palestinos para evolver em independência, também rejeitada. Em 1993 os acordos de Oslo estabeleceram o caminho para a independência palestina, descarrilhada pelas ondas de terrorismo.

Em 2000 Ehud Barak ofereceu retirar Israel de 100% de Gaza e 97% da Judeia e Samaria para a criação da Palestina, outra vez rejeitada por Arafat que deslanchou a segunda intifada com mais de mil israelenses mortos. Em 2005, Israel retirou os judeus de Gaza para dar a oportunidade para os palestinos criarem um estado. Em vez disso o Hamas tomou o poder na Faixa e até hoje aterroriza Israel com tuneis e misseis.

Em 2008 Ehud Olmert ofereceu aos palestinos 98% da Judeia e Samaria e 2% de território Israelense. Ofereceu dividir Jerusalem entregando todos os lugares sagrados, incluindo o Muro das Lamentações aos palestinos. Oferta também rejeitada.  E por quê?

Porque os palestinos acreditam que a “injustiça” que eles sofreram só poderá ser corrigida com a destruição de Israel e sua substituição por um estado muçulmano palestino. Isto está declarado na Constituição da OLP, do Hamas e em todos os mapas oficiais da Autoridade Palestina. E apesar do mundo acreditar que cada país deve respeitar o outro, isto não deteve a Rússia de invadir a Ucrânia, da China de se apossar do Mar do Sul da China, do Irã de se estabelecer no Iraque, no Iêmen e na Síria, e de continuar a ameaçar os Estados Unidos e Israel.

Assim, parece que a paz e estabilidade, respeito ao outro como igual não é o que os outros procuram. Se alguém pensar realmente que todos são iguais chegou a hora de repensar esta premissa. Não o fazer será perpetuar e exacerbar as diferenças que só geram desconfiança e violência. Exatamente o que o mundo está vivendo agora.


Thursday, September 28, 2017

O Circo da Assembleia Geral da ONU - 24/09/2017

Esta foi realmente uma semana muito interessante. Tirando o pesadelo do transito em Nova Iorque durante esta época, com a abertura da Assembleia Geral da ONU, vimos trocas de insultos inusitadas neste fórum sempre tão bem educado e diplomático. Donald Trump deu uma guinada de 180 graus sobre seus antecessores, especialmente Obama e esclareceu de uma vez por todas qual é a sua doutrina: É a América primeiro mas não a América isolada.

Trump não mediu as palavras para avisar os países que ameaçam a paz mundial, que ele irá atrás deles se forem hostis com os Estados Unidos ou seus aliados. Especificamente Trump avisou Kim Jon-Un, chamando outra vez o tiraninho assassino de “rocket man”, dizendo que ele está “numa missão suicida dele próprio e de seu regime”; que se ele se aventurasse contra a ilha de Guam, a costa oeste americana, a Coreia do Sul ou outro aliado americano, ele destruiria totalmente a Coreia do Norte. Indiretamente ele mandou uma mensagem para a China, dizendo que se ela não domasse seu cachorro raivoso, ele o faria.

Trump foi também claro com o Irã avisando seu governo para “parar de patrocinar terroristas, começar a servir seu próprio povo, e respeitar os direitos de soberania de seus vizinhos”. Chamou o governo iraniano de ditadura escondida atrás de uma máscara de democracia que transformou um país rico em história e cultura num fora-da-lei, economicamente vazio que tem como exportação principal o terrorismo, violência, derramamento de sangue e o caos. Trump disse que em vez de canalizar a riqueza dos recursos naturais de seu país em beneficio do povo, o Irã manda milhões de dólares para o grupo terrorista Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e Bashar al-Assad na Síria. Isto tudo e ainda promove o assassinato em massa prometendo morte para a América e para Israel. Como não poderia deixar de ser, Trump criticou o acordo nuclear negociado por Obama, como uma das “piores transações que ele já viu, totalmente unilateral” e “uma vergonha”.

Em boa forma, Trump falou o que ele pensa.

Em resposta, o próprio Kim Jon-Um enviou uma mensagem a Trump, lida por seu marionete na ONU. A resposta foi patética e infantil. Não fosse a seriedade da situação, seria hilária. O pior que o liderzinho foi capaz foi dizer que “o cachorro assustado é o que late mais alto”. E que Trump é um louco e um herege da política. Kim Jon-Um tentou denigrir Trump como um velho que não escuta bem e diz o que lhe sai na hora.

Eu me senti de volta na 5ª série...

Na troca de “elogios”, o Ministro do Exterior do Irã Javad Zarif não quis ficar para trás e disse que o discurso de Trump pertencia à Idade Média. Esta resposta não foi muito diplomática tendo em vista que Trump tem que re-certificar o acordo nuclear com o Irã no próximo dia 15 de outubro.

Bibi Netanyahu por seu lado aplaudiu o discurso de Trump e a novidade foi que pela primeira vez, um número de representantes de países árabes decidiriam ficar para ouvi-lo. Vimos na audiência representantes do Kuwait, Arabia Saudita, Bahrain e Emirados Árabes. De fato, o emir de Bahrain declarou esta semana que achava o boicote a Israel uma idiotice e autorizou seus cidadãos a visitarem o Estado judeu. Em vez de uma mensagem negativa, Bibi trouxe as últimas conquistas em tecnologia de Israel e a aproximação de seu país com a comunidade internacional.

Ares de mudança.

Menos para o líder da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas. Seu discurso foi infeliz, um resumo das alegações mentirosas do passado com exigências absurdas que mais parecem para consumo interno do que para o mundo.

Como disse na semana passada, a antecipação da mídia para seu discurso estava fora de lugar.

Abbas repetiu que Israel é uma força colonial de ocupação brutal que já dura mais de meio século descrevendo a criação do estado judeu em 1948 como “catástrofe”. Ele voltou a exigir desculpas e vejam só, reparações da Inglaterra pela declaração Balfour de 1917. Não importa que a Inglaterra não tenha cumprido com o prometido naquela declaração. Para Abbas ela é o suficiente para arrancar mais dinheiro do Ocidente para alimentar sua máquina de corrupção. Ele disse que a declaração Balfour foi uma grave injustiça porque prometeu um lar nacional para os judeus na Palestina, quando, segundo ele, a Palestina já era habitada por palestinos e ... pasmem “ era um dos países mais progressistas e prósperos e não poderia ter sido colonizado ou sujeito a um mandato”.

Esta total distorção da história só pode vir de alguém completamente desesperado com sua repentina irrelevância no cenário mundial. A causa palestina já não está na lista nem dos cinquenta problemas mais prementes do mundo. Hoje pela manhã, o jornalista palestino Khaled Abu Toameh twitou que 3557 palestinos foram mortos na Síria, mais de 1637 presos e 304 desaparecidos. Nem uma pequena palavra de Abbas em defesa de seus conterrâneos que para ele funcionam apenas como peões em seu jogo de corrupção e poder.

Alguém deveria rever estes discursos na ONU e não permitir a propagação de falsidades históricas como os palestinos terem um “país” em 1917. Nunca houve na história da humanidade uma entidade governamental independente e soberana na Terra Santa, que não fosse um governo judeu. Primeiro com os reis David e Salomão e depois da destruição do primeiro Templo, com Nehemias até a destruição por Roma e finalmente com a recriação do Estado de Israel em 1948.

Abbas teve ainda a coragem de dizer que a solução de dois estados estava em perigo se Israel não aceitasse todas as suas imposições e neste caso, Israel teria que dar aos árabes da Judeia, Samaria e Gaza, o direito de voto nas eleições israelenses ou ser chamada de apartheid. Interessante porque ele já usa esta descrição para Israel, então não haveria muita mudança aí.

Abbas terminou colocando dez pontos para a comunidade internacional adotar. Sem debate, sem discussão: forçar Israel a evacuar centenas de milhares de judeus da Judeia, Samaria e Jerusalem, proteger a população palestina, determinar que a linha de armistício de 1948 seja declarada como fronteira do Estado Palestino, adotar o boicote econômico de Israel, reconhecimento geral do Estado da Palestina, e finalmente, vejam só, para que a comunidade internacional continue a financiar e fornecer apoio econômico ao povo palestino inclusive através da UNRWA, fazendo uma grande ameaça se isso fosse de qualquer modo mudado.   Ainda, Abbas ameaçou caso houvesse mudança na agenda numero 7 da ONU que visa exclusivamente Israel. Só isso. Ele continua a querer tudo sem conceder nada.

Os palestinos estão a cargo de seu próprio governo desde o começo da implantação dos Acordos de Oslo em 1994. E depois de 23 anos, além de intifadas, incitação, torturas, pobreza, não podem mostrar qualquer conquista positiva. A aproximação esta semana entre Abbas e o Hamas deve piorar ainda esta situação. Acho que os palestinos e o mundo estão prontos para começar a pensar numa era pós-Mahmoud Abbas. Cabe a Israel agarrar este momento e começar discussões positivas com possíveis sucessores. Não faze-lo será um tremendo erro, que continuará a expor Israel a  mais violência.
          

Monday, September 18, 2017

Atrás da Mascara de Embusteiro de Mahmoud Abbas - 17/09/2017

Neste domingo, o grupo terrorista Hamas concordou em negociar com o movimento da Fatah de Mahmoud Abbas para formar um governo de união e convocar eleições gerais nos territórios palestinos.

Em sua declaração, o Hamas disse ter aceitado as condições-chaves impostas por Abbas. Mas isto tudo é uma cortina de fumaça. Hamas teria aceitado dissolver seu Comitê Administrativo de Gaza, criado há apenas seis meses e está ativamente presente na Judéia e Samaria convencido que poderá ganhar as próximas eleições palestinas. E isto é muito provável.

Desde 2007, quando o Hamas e a Fatah travaram uma guerra sangrenta, a liderança palestina ficou dividida em dois governos: o Hamas no controle de Gaza e a Autoridade Palestina na Judéia e Samaria. Mas a influência do Hamas e a corrupção desenfreada da Fatah fizeram Abbas agarrar e não soltar o leme do governo. Ele já está com 82 anos, está no poder há 12 anos apesar de ter sido eleito para apenas quatro anos e não nomeou qualquer sucessor caso venha a falecer.

Este novo anúncio do Hamas, tem que ser entendido num contexto que de todos os lados pode ser muito perigoso para Israel. O Hamas tem sido penalizado por Abbas com cortes em eletricidade, salários e água. O Egito fechou sua fronteira com Gaza por causa dos ataques terroristas no Sinai e de uma aproximação preocupante entre o Hamas e o Irã. Isto no sul. No norte de Israel, as forças da guarda revolucionaria iraniana junto com guerrilheiros da Hezbollah poderão se plantar a 5 km da fronteira norte de Israel. A Rússia tomou o poder decisório da Síria e negociou este limite irrisório em seu nome e em conluio com o Irã. Se houver mesmo eleições entre os palestinos e o Hamas ganhar, teremos o Irã nas portas de Tel Aviv e Jerusalem, de fato cercando Israel.

Não é de espantar que nestas condições, o Hamas tente uma reconciliação com a Fatah. Para conseguir um alívio econômico, os líderes de Gaza podem se esconder atrás da máscara falsária de “moderado” de Mahmoud Abbas. Em alguns dias, o veremos no pódio da Assembleia Geral da ONU vomitando acusações mentirosas contra Israel e louvando a “moderação” a que chegou o Hamas. Infelizmente ninguém lhe chamará a atenção para a falta de vontade de entrar em negociações sérias com Israel, por seu incitamento à violência, por venerar terroristas e por liderar a criminalização de Israel no mundo, tudo isso mantendo seu título de campeão da paz pela comunidade internacional.

Vejam só: por quase duas décadas, o mundo tem dito a Israel que Abbas é o líder mais moderado possível; o melhor parceiro para a paz, e uma pessoa tão razoável que um acordo somente será possível com ele.

Mas aí em 2008, Abbas virou as costas para Ehud Olmert e sua oferta escandalosamente generosa que incluía a transferência do Muro das Lamentações para os palestinos; Abbas recusou sentar com Netanyahu mesmo depois de Israel ter congelado a construção de judeus na Judeia, Samaria e Jerusalem por 10 meses.

Podemos voltar e ler seus discursos passados na Assembleia Geral para ver o verdadeiro Abbas. Em 2011 ele chamou Yasser Arafat “um homem de paz” e Israel de “brutal”, “agressivo”, “racista”, “apartheid”, “horrível” e “um ocupador militar colonial”. Acusou Israel de “limpeza étnica” e de “alvejar palestinos civis com assassinatos, bombardeamentos aéreos e tiros de artilharia”. Falou do elo dos muçulmanos e cristãos com a Terra Santa – e somente deles. E pior, ele falou de 63 anos de ocupação, não de 44 anos desde a Guerra dos Seis Dias, mas a ocupação da criação do Estado de Israel.

Em 2012 ele exigiu que o mundo impusesse uma solução a Israel, sem ele precisar fazer qualquer concessão, continuando com as mesmas acusações escandalosas. Em 2013 Abbas avisou que Israel estava à beira de cometer um genocídio dos palestinos e exigiu uma ação urgente da ONU.

Depois disso ele jurou “nunca” reconhecer Israel como um estado judeu, “nunca” desistir do direito de retorno dos refugiados palestinos para dentro de Israel própria, de “nunca” aceitar o controle do Vale do Jordão por Israel, de “nunca” aceitar a presença de qualquer judeu na Judeia e Samaria, e de “nunca” aceitar qualquer soberania de Israel sobre qualquer parte de Jerusalem.

Em 2014, Abbas acusou Israel de promover um “genocídio” em Gaza, e que em vez de retificar a “injustiça histórica” de 1948, isto é, de sua criação, os judeus estariam impondo um estado de terror, através de gangues de colonos que estariam atacando mesquitas, igrejas e oliveiras. Até a esquerdista-mor de Israel Tzipi Livni descreveu o discurso como “horrendo”. Mas ninguém da administração Obama repreendeu Abbas. Somente Israel foi repreendida.

Em 2015 Abbas acusou Israel de tentar destruir os santuários islâmicos e cristãos de Jerusalem e saiu para abertamente incitar a violência contra judeus na cidade santa. Foi nesta ocasião que ele descreveu os pés sujos dos judeus impurificando a mesquita de Al-Aqsa. Ele também declarou que não mais estava obrigado aos Acordos de Oslo.

No ano passado, Abbas exigiu um pedido de desculpas da Inglaterra ao povo palestino pela Declaração Balfour pelas “catástrofes, miséria e injustiças” que ela trouxe. E continuou com a ladainha das “agressões e provocações contra a mesquita de Al-Aqsa” e acusando Israel de execuções extrajudiciais.

A que nível Abbas deve descer para que a comunidade internacional e a esquerda da Israel comecem a procurar outras opções? Isto é importante porque temos um precedente crítico. Com Yasser Arafat e o processo de Oslo. A esquerda e a administração Clinton se apegaram tanto às negociações com Arafat que fecharam os olhos para o terrorismo, a incitação à violência e a instilação do ódio contra israelenses e judeus.

Cada vez que alguém trazia outra evidência sobre as ações perniciosas de Arafat era rotulado de “inimigo da paz”. Qualquer atenção dada às falhas de Arafat era considerada uma distração desnecessária para a paz.

E incrivelmente, o mesmo processo idiótico e patético está ocorrendo com Abbas. Seu extremismo é ignorado, seu obstrucionismo é negligenciado; sua corrupção? Super tolerada! sua repressão a críticos? É perigosamente desconsiderada.

Ao ponto de palestinos procurarem as cortes de Israel para obterem reparação por anos de tortura sofridos nas mãos de Abbas. Nesta semana a Corte Regional de Jerusalem decidiu que palestinos poderão acionar a Autoridade Palestina em cortes Israelenses. Incontáveis histórias de horror e tortura começaram a jorrar na mídia, junto com fotos das cicatrizes e danos corporais que poderão chegar a centenas de milhões de shekels.

E ainda assim, a mídia, os políticos e o resto do mundo estão aguardando ansiosamente e cheios de especulação para ver se hoje, com a administração Trump, Abbas irá fazer um discurso mais “equilibrado” na Assembleia Geral.

Realmente gente, nesta altura do campeonato, isto faz qualquer diferença?




Sunday, September 10, 2017

O Visionário Theodor Herzl - 10/09/2017

Há 120 anos, no dia 29 de agosto de 1897, 208 judeus de 17 países se reuniram na Suiça, na cidade da Basiléia. Estes judeus, vestidos de fraque, entraram na sala de concertos do casino municipal que estava toda decorada com bandeiras azuis e brancas para a ocasião. De repente, três batidas de martelo. Os olhos se voltaram para o membro mais velho do grupo, Dr. Karpel Lippe, que se dirigiu ao palco. Colocando uma kipá na cabeça, e lágrimas escorrendo de seus olhos e de outros delegados, ele recitou a prece de Shecheyanu, agradecendo a Deus por trazer os judeus para aquele momento.

Com esta prece, começava a jornada do Estado judeu.

A marcha na qual embarcava este Primeiro Congresso Sionista não iria somente levar ao estabelecimento do Estado de Israel. Iria causar uma transformação interna nos judeus do mundo. Theodor Herzl falou na ocasião que a “essência de um estado está na vontade do seu povo”. Ele quis dizer que o território era importante por ser uma base concreta, mas o estado, como entidade abstrata, não poderia existir se não houvesse a vontade do povo judeu de cria-lo.  

Um dos delegados, Mordechai Ben-Ami, descreveu a reação dos presentes: “Herzl foi aplaudido estrondosamente. Parecia que os sonhos de dois mil anos da nação judaica estavam resolvidos e que tínhamos o Mashiah Ben-David na nossa frente”.

Logo após o discurso de Herzl, trabalhos intensos começaram envolvendo deliberações sobre os aspectos nacionais, econômicos, análises da condição da terra para agricultura, recursos hídricos, a situação das várias comunidades judaicas existentes, discussões sobre a ressuscitação da língua e da literatura hebraica, e outros tópicos.

Israel Zangwill, outro delegado, relatou a atmosfera reinante: “Junto aos rios da Babilônia sentamos e choramos ao recordarmos Sião. Junto ao rio da Basiléia nos sentamos e resolvemos: “não iremos mais chorar”. Era uma declaração de guerra contra o fatalismo que tinha paralisado a nação judaica por dois mil anos.

Em 1897, 200 judeus deram um basta e foram trabalhar para terminar com o fatídico exílio que havia durado demais. Herzl transmitia a urgência da tarefa, dizendo que uma catástrofe estava iminente e quanto mais demorasse para chegar, pior ela seria.

De manhã até a noite, durante três dias, os delegados plantaram as sementes para a edificação das duas instituições básicas que impulsionariam a criação do Estado: o Fundo Nacional Judaico e a Organização Sionista Mundial.

Os debates foram ferrenhos, com muitas diferenças de opinião. Era a primeira vez que judeus se reuniam neste formato. Comerciantes assimilados da Inglaterra junto com judeus de vilarejos da Polônia e russos intelectuais de Odessa. Quando as discussões esquentavam, o Professor Zvi Shapira lembrava aos envolvidos que o objetivo de todos era um só. Em um certo momento, o professor fez algo dramático: pediu a cada delegado que levantasse sua mão e repetisse depois dele: “Se eu te esquecer ó Jerusalem, que a minha mão direita esqueça sua destreza”. Esta promessa ficou como um cordão de união repetida a cada Congresso.

Apesar de Herzl não ter sido o esperado Messias, ele corretamente previu a catástrofe e outra: ele disse que o Estado judeu nasceria dentro de 50 anos.

Chega a ser surpreendente que numa era de “ismos” somente o Sionismo ficou. Passamos pelo Comunismo, Maoismo, Leninismo, Stalinismo, Trotskismo, Anarquismo, Fascismo, Nazismo, Nasserismo, todos vieram em grande fanfarra e se foram, tendo trazido aos seus seguidores, somente calamidade e desespero. Os atuais ismos totalitários como o Chavismo e os fundamentalistas, similarmente terão o mesmo destino. O Marxismo foi reduzido de sonho a pesadelo, especialmente aonde foi tentado; o socialismo, depois de ter destruído economias saudáveis foi ultrapassado pelo capitalismo que, após um breve aplauso, tornou-se  uma monstruosidade moral promovida por uma “aristocracia” elusiva. Até o pacifismo, tão na moda há algumas décadas, tornou-se coisa de idiota quando tiranos se apoderaram da tecnologia nuclear.

Somente o “ismo” de Theodor Herzl sobreviveu, mantendo-se corrente, relevante e um grande sucesso 120 anos mais tarde.

Nos 50 anos que se seguiram ao Primeiro Congresso, vimos a explosão de kibutzim, a fundação do hospital Hadassah, da Universidade Hebraica de Jerusalem, da Companhia de Água, de Eletricidade, enfim, toda a base de um Estado, décadas antes de sua criação.

É preciso descrever tudo isto para entender que o Estado de Israel foi o resultado não só do sonho, mas do trabalho árduo dos líderes das comunidades, dos imigrantes que deixaram suas famílias na Europa para os pântanos infestados da Terra Santa.

Contrapomos isto à cultura de auto-piedade dos árabes e de acusações sem base, de complôs imaginários, de puras mentiras usadas para culpar todo o mundo, menos eles próprios pelo que reclamam ser a falta de um estado palestino. Este grupo que roubou o nome “palestino”, composto em sua grande maioria de árabes egípcios, sauditas, jordanianos, marroquinos, e de outras nacionalidades, -e eu não canso de repetir isto - recebeu até agora, mais de 25 vezes o que a Europa inteira gastou para sua reconstrução depois da Segunda Guerra Mundial.

E incrivelmente, depois de 50 anos, não conseguiram construir uma só instituição de base, nem uma companhia elétrica, nem de água ou tratamento de esgotos, nada. É um grupo que acima de tudo promove o ódio, a discriminação, e a violência. O inventor do terrorismo moderno, é anti-mulheres, anti-gay, anti-liberdade de expressão e de religião enfim, tudo o que consideramos como liberdades humanas essenciais. E o mundo continua a bajular os palestinos achando que ao faze-lo irão ser poupados do menosprezo árabe. Como vimos nas distribuições de doces e comemorações pelos ataques de 11 de setembro em 2001, de julho de 2005 e em outros ataques, eles sabem cuspir bem no prato aonde comem.

E isto não é só entre os palestinos mas é endêmico ao mundo árabe como um todo. Isto vem de uma ideologia que os ensina que a civilização ocidental inteira está errada e que seu fundamentalismo islâmico é o correto. Uma ideologia que promete trazer o final dos tempos e que se estiver de posse de uma arma atômica, irá sem dúvida usa-la e pior, na esperança que o outro lado faça o mesmo.

Na semana passada apesar do seu silencio, parece que a força aérea de Israel atacou uma base no norte da Síria aonde teria existido um laboratório de armas químicas e mísseis de precisão. Sem confirmar ou desmentir o ataque, o ministro da defesa Avigdor Lieberman somente avisou que Israel não iria permitir a transferência de tais armas para a Hezbollah que há muito procura meios de extermínio em massa contra Israel. Armas como a bomba de hidrogênio que ontem foi confirmado pela inteligência inglesa, foi produzida pela Coreia do Norte com ajuda e assistência do Irã.

Depois de 120 anos do Primeiro Congresso Sionista, aí está a diferença. O Estado de Israel é um sucesso em todas as áreas porque trabalhou duro para sê-lo. Sua motivação foram as duras lições de extermínio e perseguições. Hoje Israel é proativa em sua defesa e não deixará ninguém prejudicar a segurança de sua população.

Quem sabe que o que os palestinos e o resto dos árabes precisem, em vez de terroristas como líderes, seria o seu Theodor Herzl? Infelizmente até agora estão muito longe disto.




Sunday, September 3, 2017

O Último Teste Nuclear da Coreia do Norte - 03/09/2017

A semana passada eu não escrevi porque fui convidada pela pastora Jane Silva, presidente da Comunidade Internacional Brasil-Israel a participar de um grupo muito especial de brasileiros que viajaram a Israel para conhecer a realidade política do país em loco. A Comunidade organizou passeios e seminários com autoridades em estratégia militar, política e mídia que simplesmente desmontaram a retórica anti-Israel que nos bombardeia diariamente através da imprensa. Fizemos um tour de Jerusalem com Chaim Silberstein que mostrou como a divisão da cidade é inviável e perniciosa principalmente para os residentes árabes. Ouvimos Itamar Marcus, um perito da mídia palestina, que nos mostrou como o ódio aos judeus é instilado em crianças árabes da mais tenra idade e como as autoridades palestinas promovem a incitação dos jovens à violência.

Apesar de estarem com a agenda lotada com visitas oficiais, deputados federais brasileiros em visita a Israel dos Estados do Acre, Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Rondonia conseguiram participar desta experiência. Em especial, gostaria de agradecer o Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul, Carlos Gomes e o deputado Rocha do Acre que demostraram grande interesse e envolvimento. Os participantes receberam a comenda de Embaixadores da Paz entregue no Ministério das Relações Exteriores com a presença do presidente da Bnei Brit Mundial Chaim Katz, do Ministro das Comunicações de Israel Ayoub Kara e do Deputado Robert Ilatov.

O grupo também trocou bandeiras de cada Estado brasileiro com a bandeira de Israel em sinal de solidariedade, denunciando a posição oficial do governo do Brasil nas últimas votações da UNESCO que não refletem os sentimentos do povo brasileiro.

As grandes estrelas desta viajem, que reportaram suas experiências em tempo real para o Brasil foram a renomada ativista Dra. Bia Kicis e a jornalista Joice Hasselmann. A energia e alegria das duas transformaram um evento com exposição limitada em um marco nacional. Mas como disse antes, nada disso poderia ter acontecido não fosse o sonho e o empenho da pastora Jane Silva que é implacável em seu trabalho em defesa de Israel. Parabéns a ela e a todos pelo sucesso!

Meu comentário esta semana deveria ter sido sobre a força devastadora do furacão Harvey e as chuvas recordes que basicamente destruíram a costa do Estado do Texas. O dano e as perdas - inclusive de vidas - foi enorme, mas em meio à tragédia vimos a solidariedade e o verdadeiro espírito do povo americano que se uniu como um só homem para ajudar nos esforços de salvamento. Quando o governo anunciou que não tinha barcos suficientes para procurar sobreviventes, centenas de residentes de outros estados amarraram seus barcos nos carros e se dirigiram para a zona do desastre para ajudar. Mas esta e outras estórias tocantes ficarão para outra vez.

No meio desta noite foi detectado um terremoto de 6.3 pontos na escala Richter na região norte da República Popular Democrática da Coreia. De acordo com a Agência Geológica Americana que detecta tremores no mundo, tudo indica que este tenha sido o resultado do sexto teste nuclear deste regime criminoso.

E de fato, a agência de noticias da Coreia do Norte anunciou hoje que testaram com sucesso uma bomba de hidrogênio. Isto não é absolutamente nenhuma brincadeira. Este país tem um louco, egomaníaco como líder que nem é democrático, nem uma republica e muito menos popular. É um regime ditatorial bárbaro, impiedoso e irracional.

O teste e a magnitude da explosão pegou todos os peritos de surpresa. Os mesmos peritos que há uma semana diziam que levaria uns 2 ou 3 anos para Kim Jon Un desenvolver uma bomba miniaturizada forte o suficiente para ameaçar os Estados Unidos.

Estavam errados. Ele já chegou lá.

E agora? Será que temos tempo para mais chances e danças diplomáticas ou teremos que aprender a viver num mundo com este monstro armado de bombas atômicas e de hidrogênio e mísseis intercontinentais para lança-las aonde quiser? O programa nuclear norte-coreano, que é o mesmo que o iraniano, tem evoluído numa velocidade alucinante. Em 2013 eles testaram uma bomba de 6 a 7 Kilotons, em Janeiro de 2016 de 7 a 10 Kilotons, apenas 9 meses depois testaram uma bomba estimada entre 15 e 25 Kilotons e hoje, a bomba teria entre 100 e 120 Kilotons. Só para efeito de comparação, a bomba que os americanos explodiram em Hiroshima e que instantaneamente matou 90 mil pessoas tinha entre 13 e 18 Kilotons e a de Nagasaki que matou 80 mil pessoas tinha até 22 Kilotons.

O mundo não pode viver com esta ameaça. Não pode tampouco aceitar ser chantageado por um doente mental que tem sonhos expansionistas de pelo menos reunificar a península coreana sob seu comando. Este é seu objetivo.

Ele acha que agora está em posição de força para exigir que os Estados Unidos retirem suas tropas e armamentos da Coreia do Sul, algo que a China também quer. Os Estados Unidos tem 38 mil soldados americanos estacionados na Coreia do Sul além de submarinos, jatos e outros ativos militares. Uma vez isto alcançado, Kim Jon Un facilmente poderá invadir a Coreia do Sul e reunificar a península.

Não há uma resposta fácil para este problema. Seul, a capital da Coreia do Sul e seus 10 milhões de habitantes, ficam próximos à fronteira e estão ao alcance da artilharia e armas convencionais do Norte. Se Kim Jon Un se sentir ameaçado, irá certamente causar muito dano e mortes ao sul antes de se voltar contra os Estados Unidos. Mas outra vez, não estamos lidando com alguém racional.

Os peritos hoje dizem que o que falta para a Coreia do Norte é passar de combustível líquido para solido para seus mísseis, algo que eles disseram já ter. Se isto for verdade, poderemos ter uma situação em que a cidade de Chicago poderá ser alvejada com zero tempo de alerta, por uma bomba vastamente mais destrutiva que a bomba nuclear. Isto é uma escalada séria da situação.

O que fazer? A última cartada diplomática que os Estados Unidos têm disponível é ir atrás da China que continua a lavar dinheiro para a Coreia do Norte através de seus bancos e continua a dar assistência ao programa nuclear norte-coreano através de empresas chinesas. O porta-mísseis, os computadores e outras partes das usinas são chinesas.  O jogo da China é simples. Toda a vez que Pyongyang faz um passo, o mundo fala com Beijing para usar sua influencia e parar o programa nuclear do Norte. Em troca, a China quer reconhecimento de seu expansionismo no Mar do Sul da China que já chegou perto das Filipinas.

Como podemos confiar na China? Em junho último, os Estados Unidos foram atrás da empresa chinesa Mingzheng por agir como laranja para o banco norte coreano, lavando milhões de dólares. Isto era um aviso aos chineses que eles não ouviram. Se os Estados Unidos banirem o Banco da China, por exemplo, de operar em dólares americanos, levará a China ao caos econômico e possivelmente a uma mudança de regime. Então os Estados Unidos têm pelo menos uma arma para ameaçar a China se não colocar a Coreia do Norte na linha. O que tem faltado até agora é vontade política de faze-lo.

Desde Bill Clinton, que deu 4 bilhões de dólares ao regime norte-coreano em troca do desmantelamento do programa nuclear que não aconteceu, temos visto uma apatia total das sucessivas administrações americanas em aplicar sanções contra a Coreia do Norte. As sanções contra o Sudão e o Zimbabwe chegam a ser mais robustas!

O grande perigo para o mundo não é apenas a Coreia do Norte, mas o Irã estar de posse desta tecnologia e usar das mesmas táticas de Kim Jon Un. Os aiatolás podem a qualquer momento denunciar o mau acordo feito com Obama e partir para a ameaça de todo o Oriente Médio.

Estamos caminhando para uma situação sem volta. A ameaça à paz mundial está cada vez maior. E volto a perguntar: porque o Brasil continua a manter relações diplomáticas com a Coreia do Norte?? O que o Brasil tem a ganhar em continuar a se posicionar do lado dos fora da lei internacional? Isto é uma vergonha. Coloco aqui o meu protesto e espero que as autoridades brasileiras tomem as medidas necessárias para retornar nosso país ao lado correto da história.



Tuesday, August 15, 2017

A Ameaça da Coreia do Norte a Israel - 13/08/2017

Tirando o caos e a violência de ontem em Charlottesville na Carolina do Norte provocada por neo-nazistas e supremacistas brancos, o foco quase exclusivo da mídia esta semana esteve voltado para a troca de ameaças entre a Coreia do Norte e a administração Trump. A pergunta nos lábios de todos os jornalistas e comentaristas se resumiu se a retórica do presidente poderia levar os Estados Unidos a uma guerra nuclear.

Desde os anos noventa com o presidente Bill Clinton, toda a vez que o líder da Coreia do Norte mostrava as presas, a administração Americana corria para os bastidores para apaziguar o líder louco do dia.

Em 1994, Clinton anunciou um acordo com Kim Sung Il pelo qual os Estados Unidos dariam quatro bilhões de dólares para a Coreia do Norte em troca da suspensão e desmantelamento de seu programa nuclear. Na ocasião Bill fez um pronunciamento ao povo Americano afirmando que o acordo era a ultima maravilha para a segurança mundial.

A Coreia do Norte recebeu a ajuda, mas não cumpriu o prometido.  Em 2002 o filho de Kim Sung Il, Kim Jon Il já no poder, expulsou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e retirou a Coreia do Norte do Tratado de Não-Proliferação. Em vez de apertar a retórica e o cerco, o presidente George Bush mais uma vez conseguiu convencer a Coreia do Norte, juntamente com a Coreia do Sul, o Japão, a China e a Rússia, de cessar seus testes nucleares em troca de 950 mil toneladas métricas de combustível ou ajuda econômica no mesmo valor.

Obama continuou esta mesma politica mas deixou o Pentágono tentar ataques cibernéticos contra as usinas nucleares da Coreia do Norte. Kim Jon Il não pareceu preocupado e conduziu pelo menos 4 testes nucleares subterrâneos durante a administração Obama. O novo líder da Coreia do Norte, é um louco megalomaníaco e assassino de membros de sua própria família e Deus sabe de quantos mais. Ele sabe que sem armas nucleares e a ameaça de uma guerra iminente, ele não se mantém no poder. O povo norte-coreano é o mais oprimido do mundo. Eles nascem para idolatrar e servir o líder e ponto. A fome é endêmica, sua única fonte de renda é exportação de minerais principalmente para a China.

Kim Jon Un viu como no passado seu pai e avô conseguiram extorquir concessões do ocidente sem dar nada em troca. Mas ele não contava com um Trump pela frente.  Diferentemente do que a mídia quer que acreditemos a retórica de Trump não causou o problema com a Coreia do Norte. Trump herdou este problemão e agora está tentando outra avenida, usando a linguagem que este bully entende. A Coreia do Norte é o único país que possui armas nucleares que ativamente ameaça usa-las contra seus vizinhos e a América. Trump resolveu coloca-lo contra a parede.

Por um lado há os que advogam uma resposta militar para trocar o regime e unir a península, por outro, há o perigo real de uma guerra nuclear que afetará milhares de sul coreanos, japoneses e americanos estacionados na região. Mas é precisamente porque governos anteriores adotaram a política do apaziguamento com estes ditadores malucos que chegamos nesta situação.

E Israel não está fora desta briga. Em abril deste ano, a Coreia do Norte ameaçou Israel com “mil punições impiedosas” porque o Ministro da Defesa Avigdor Liberman teria “ferido a dignidade da liderança suprema”. De fato, Liberman descreveu numa entrevista em hebraico para o site Walla que Kim Jon-Um era um louco e junto com os lideres do Irã e da Síria era membro de uma gangue “insana e radical” que objetivava minar a estabilidade mundial.

Em sua resposta a Coreia do Norte acusou Israel de manter armas nucleares ilegalmente (!) e ser responsável por perturbar a paz do Oriente Médio. O porta-voz de Kim Jon-Un explicou que Israel poderia sofrer o impacto de uma piora das relações com os Estados Unidos porque recursos que estão no Oriente Médio seriam transferidos para a Asia deixando Israel descoberta.

Apesar de não tirar nota 10 na precisão dos fatos, se a Coreia do Norte fizer alguma agressão e usar armas nucleares, estará quebrando um tabú que desde 1945 o mundo cuidou em manter. E isso porque a devastação e mortes causadas em Hiroshima e Nagasaki foram várias vezes maiores do que o esperado.

E apesar de tropas americanas não estarem estacionadas em Israel, ela estará sozinha para se defender do Irã, se a América for para a guerra contra a Coreia. E pode ser que o jovem, inexperiente e influenciável Kim Jon-Un esteja sendo manipulado pelos aiatolás para criar exatamente este cenário.

O Irã está trabalhando com a Coreia do Norte no programa nuclear e muitos especialistas dizem que os dois têm na verdade o mesmo programa. O reator Sírio que Israel destruiu em 2007 era norte-coreano. O Irã conduziu testes para a Coreia do Norte depois do acordo com Clinton e hoje a Coreia está desenvolvendo a miniaturização de ogivas nucleares com a presença de observadores iranianos. Nesta semana, o numero 2 do governo de Pyongyang viajou para Teerã para discutir o programa nuclear apesar da ONU ter aprovado novas sanções contra o regime.

Se a Coreia do Norte se sentir ameaçada, como parece, irá correr para finalizar a tecnologia e passa-la ao Irã. Pode ser que até tenha já alcançado este objetivo. Neste caso, Teerã aguardará pela reação do mundo à ameaça norte-coreana para decidir seu próximo passo.

Se Trump continuar com suas ameaças, mas não fizer nada, mesmo em face a um ataque não nuclear à América ou a algum aliado, isto encorajará não só a Coreia do Norte mas o Irã, a Rússia e outros a agirem mais agressivamente.

Se Trump resolver continuar com o apaziguamento, a Coreia do Norte também sairá mais forte e os aiatolás colocarão menos peso no acordo assinado com Obama e avançarão seu programa nuclear e balístico com mais confiança.

Se houver uma reação decisiva por parte de Trump, o Irã terá que repensar sua próxima jogada, especialmente se os Europeus se juntarem aos Estados Unidos para trocarem este regime insano.

Mas há ainda outro cenário. A presença iraniana na Síria, na fronteira com Israel traz ainda outra ameaça. O Irã poderá usar jihadistas para detonarem um dispositivo nuclear miniaturizado contra Israel. Isto seria um meio mais “seguro” de atacar o Ocidente do que envolver diretamente os Estados Unidos.

Neste caso, com o tabú quebrado, teremos uma corrida armamentista no Oriente Médio, algo que Israel não quer.  Mas ainda se o tabú não for quebrado, pode ser que Israel esteja no caminho de um envolvimento nuclear mesmo que o conflito principal esteja muito longe do Oriente Médio.


Sunday, August 6, 2017

As Lições da Venezuela, Turquia e Israel - 6/8/2017

A Venezuela chegou ao fundo do poço. Nicolas Maduro, o ex-motorista de ônibus virado sindicalista e hoje presidente do país conseguiu afundar de vez o país antes próspero, desenvolvido e livre. Mas o processo não começou com ele e sim com seu predecessor Hugo Chavez que se apoderou das reservas de petróleo do país (uma das maiores do mundo) para enriquecer os seus comparsas, distribuindo migalhas aos pobres em forma de bolsas para se manter no poder. A classe média foi esmagada, o pequeno e médio empreendedor caçado e as poucas indústrias do país nacionalizadas e sucateadas. O sistema despencou junto com o preço do petróleo mundial. Soa familiar?

Dois milhões de venezuelanos deixaram o país, praticamente toda a comunidade judaica, mais uma vez demonstrando que o socialismo só funciona até acabar o dinheiro. Maduro prendeu líderes da oposição, empossou uma nova Assembleia Constituinte que lhe dará poderes ilimitados, destituiu a procuradora-geral enfim, tomou todas as instituições do país como reféns como todo ditador que se preze. A imagem do país exótico, aonde pessoas dançavam salsa nas ruas já não existe. Hoje a Venezuela é realmente única: um buraco negro econômico, com hiperinflação, filas gigantescas para comprar comida, falta de remédios e produtos básicos; um desastre social e um campo político minado com eleições roubadas, protestos diários e desordem. Direitos humanos, liberdades civis, já não existem.

Já no começo desta onda, em 2009, Caracas expulsou o embaixador de Israel acusando o Estado judeu de “perseguir” os palestinos.

O mesmo está se passando com a Turquia. Antes o país mais avançado do mundo islâmico, esperando ser aceito a qualquer momento como membro da União Europeia, a Turquia está regredindo a passos largos para se tornar o centro da intolerância e ditadura islâmica. Recep Tayyp Erdogan, seu presidente, está concretizando sua afirmação de que “a democracia é como um trem. Você desce dele quando chegou ao seu destino”. Um após o outro, ele tem removido os guardiões das instituições democráticas do país: as forças armadas, o judiciário e a mídia.

Ele organizou o suposto “golpe” no ano passado para em menos de dois dias eliminar ou neutralizar milhares de seus opositores que hoje estão sendo julgados “em massa”. Como a resposta do mundo foi fraca, Erdogan se tornou confiante e hoje nem finge mais que a Turquia seja uma democracia. Erdogan posicionou o país como um bastião muçulmano em primeiro lugar procurando restaurar a glória passada do Império Otomano e do califado islâmico. Ele quer restabelecer a lei islâmica como a imposição do uso do véu e vestimentas que cobrem todo o corpo. Milhares de mulheres marcharam esta semana pelo direito de se vestirem como quiserem depois de uma onda de expulsões e violência contra algumas que usaram shortes e regatas em transportes e espaços públicos.

A economia da Turquia também está em frangalhos, mas apesar de depender da ajuda internacional, seu comportamento só piora. Depois de supostamente vencer um referendo popular, Erdogan restabeleceu a pena de morte e continuou a prender acadêmicos, jornalistas, comerciantes, políticos e membros da polícia e do exército. A Alemanha anunciou que nesta situação não dará à Turquia a ajuda de 4.1 bilhões de dólares prometidos. Outros países também estão questionando a participação da Turquia na OTAN.

Na situação atual de impasse entre a Arábia Saudita e o Irã, a Turquia fez sua escolha, se aliando aos aiatolás e ao Qatar. Ela importa gás natural do Irã e Qatar prometeu mandar milhões de dólares em compensação . Como sabemos, este eixo é extremamente anti-Israel e recebe apoio da Rússia.

Com a crise dos detectores de metal no Monte do Templo, a Turquia adotou uma retórica antissemita especialmente agressiva incitando a população contra a comunidade judaica. O próprio Erdogan conclamou os turcos para marcharem contra Jerusalem para defender a mesquita da Al-Aqsa das botas imundas dos soldados israelenses.

Como a Venezuela, as relações da Turquia com Israel começaram a deteriorar em 2010 com o incidente do navio Mavi Marmara que tentou violentamente quebrar o bloqueio naval israelense de Gaza.

Antes do famigerado acordo de Obama com os mulás de Teherã, o Irã também estava à beira do precipício econômico. Isto porque o governo dos clérigos escolheu a busca por armas nucleares e a hegemonia xiita no mundo islâmico sobre o bem estar econômico do povo. Em vez de usar a renda do gas natural e petróleo para fomentar a economia e a indústria, Teherã usou de todos os seus recursos para construir usinas nucleares subterrâneas e aumentar o volume de sua retórica contra Israel. Esta semana, com a reeleição de Rouhani, não há qualquer mudança pela frente e a relação desta ditadura com os Estados Unidos e Israel só tende a piorar.

É preciso notar que a Venezuela, a Turquia e o Irã mantém laços muito estreitos entre si, e em todas as esferas. O que podemos aprender deles?

A primeira lição é sobre autoritarismo.

Desde 1989, quando o mundo se dirigiu para a democratização, houve uma reação muito forte liderada pela China, Rússia e Turquia. Mas mesmo a China foi obrigada a abrir sua economia e substituir os uniformes sem gosto de Mao por ternos feitos sob medida. A Rússia teve que adotar uma postura democrática para dar a Putin legitimidade antes dele tentar restaurar a União Soviética. E a Turquia supostamente adotou valores ocidentais para se juntar à União Europeia só para voltar atrás.

Mas o autoritarismo não dura para sempre e seu fim é duro. A segunda lição que aprendemos destes países é sobre o antissemitismo.

Em 1655, o judeu holandês Menasseh Bem Israel pediu, numa carta para Oliver Cromwell, que voltasse a admitir os judeus que haviam sido expulsos em 1291 da Inglaterra. Ele argumentou que todos os que maltrataram os judeus foram “punidos”, mas seus benfeitores foram “recompensados e seus países começaram a florescer”.

Ele citou a Espanha que fora à falência quatro vezes nas décadas seguintes à expulsão dos judeus enquanto que o Império Otomano, que os recebeu, progrediu. Quando a Antuérpia atacou os judeus, perdeu seu status de centro financeiro para Amsterdã que os recebeu.

Este fenômeno foi tão prevalente na Europa que o sociólogo nazista alemão Werner Sombart declarou que “Israel passa sobre a Europa como o sol: com a sua chegada surge nova vida; quando se vão, tudo declina”. Colocando o supernatural de lado, lideres como Hugo Chavez usam os judeus como tradicionais bode expiatórios acusando-os de todo o mal. Mas a natureza do judeu é empreendedora e inovadora e é isso que os países perdem quando perseguem ou se livram de seus judeus.

A terceira e mais importante lição, fica com Israel. Ela não pode subestimar os que usam os judeus e o Estado judeu para consolidarem seu poder e não pode se dobrar às suas demandas para restabelecer relações ou outro ganho qualquer a curto prazo. Orgulho nacional é algo muito importante nesta região. Quando Israel se rende em disputas aparentemente pequenas com países autoritários, faz com que seus inimigos se fortaleçam e continuem a ataca-la implacavelmente. Isto mina sua capacidade de dissuasão e de forjar alianças com países que têm os mesmos objetivos como a Arábia Saudita, por exemplo. Israel tem que primeiro pensar em proteger seus interesses estratégicos como um país soberano e independente. Se dobrar para obter resultados imediatos não é uma política de governo nem a longo e nem a curto prazo. 

Não é se o Estado judeu quiser manter o poder de dissuasão e o respeito que lhe cabe.