Sunday, June 11, 2017

A Complicada Situação de Qatar - 11/06/2017

Nesta semana tivemos vários eventos com consequências imprevisíveis para os Estados Unidos e Israel.

Primeiro, a embaixadora americana na ONU Nikki Haley visitou Israel, recebendo uma acolhida de estrela. Apesar de estar baseada em Nova Iorque, Haley tem marretado o Conselho de Direitos Humanos em Genebra e ameaçou retirar os Estados Unidos – o maior patrocinador do Conselho - se suas exigências de reforma não forem implementadas. Uma dela é a eliminação do Artigo 7 da Agenda que obriga o Comitê a criticar Israel a cada sessão. O único país do mundo a ter um artigo de condenação obrigatório. 

No meio da semana tivemos o testemunho bizarro do ex-diretor do FBI, James Comey no qual ele confessou ter vazado para a imprensa um memorando oficial de seu encontro com Trump. Pelo menos Comey confirmou de uma vez por todas que não houve qualquer conluio entre Trump e os russos sobre as eleições – para desespero dos democratas.

Pela primeira vez, esta semana o Irã tomou uma dose de seu próprio veneno. Sendo o patrocinador-mor do terrorismo mundial, Teherã sofreu dois ataques simultâneos na quarta-feira, supostamente perpetrados pelo Estado Islâmico.  O Irã imediatamente culpou a Arábia Saudita e prometeu vingança.

E finalmente, tivemos a inesperada ação da Arábia Saudita, Egito, Líbia, Iêmen, Bahrain e Emirados Árabes que cortaram relações diplomáticas com Qatar, fechando suas fronteiras, negando acesso ao seu espaço aéreo e declarando um bloqueio econômico ao Emirado por suas ligações com grupos terroristas e a Irmandade Muçulmana.

O pequeno emirado devia estar esperando por uma destas. Há anos que o Emir trabalha incessantemente para dominar a política do mundo Islâmico. Em 1995, Qatar descobriu um dos maiores campos do mundo de gás natural. Só que um terço do campo está em águas territoriais do Irã o que prontificou a aproximação entre o emirado Sunita e a Republica Islâmica xiita.

Nos anos 90 Qatar se tornou um dos países mais ricos do mundo e seu regime adotou uma política para minar os regimes sunitas do mundo árabe usando propaganda e patrocinando o terrorismo.

Em 1996, o Emir de Qatar criou o canal de noticias em árabe Al Jazeera. Em 2013 Al Jazeera comprou o canal Current TV do ex-presidente americano Al Gore e lançou Al-Jazeera em inglês. O canal tem  em média 60 milhões de telespectadores, sendo o maior formador de opinião do mundo árabe. Sua programação é abertamente oposta aos Estados Unidos e seus aliados sunitas,  apoia a Irmandade Muçulmana e todo grupo terrorista derivado além do Irã e da Hezbollah.

A Al-Jazeera é também visceralmente anti-Israel e antissemita.

O canal funciona como  braço propagandístico da Al-Qaeda, da Hezbollah, do Hamas, do Jihad Islâmico e de qualquer um que atacar a América, Israel, a Europa ou seus aliados.  A Al-Jazeera fez uma extensa cobertura das comemorações em Beirute da volta de Samir Kuntar, o brutal terrorista solto por Israel em 2008 que em 1979 matou quatro adultos a tiros e duas crianças batendo suas cabeças contra pedras na praia em Nahariah.

Al Jazeera teve um papel central na tomada de poder no Egito pela Irmandade Muçulmana e na queda de Muamar Qadafi na Líbia. Nos últimos 20 anos o regime de Qatar foi o maior financiador da al-Qaeda, do Hamas e das milícias associadas com o Estado Islâmico no Iraque e Síria.  Numa comunicação do Depto de Estado americano vazada pela Wikileaks em 2009, Qatar figura como o maior financiador do terrorismo do mundo.

A gota que transbordou o copo, de acordo com o Financial Times, foi a descoberta pelos sauditas que em abril Qatar pagou ao Irã e suas milícias iraquianas e às forças da al-Qaeda na Síria, módicos 1 bilhão de dólares para libertar 50 terroristas presos na Síria.

Depois da visita de Trump ao Oriente Médio, os países sunitas decidiram romper com Qatar até que o emirado denuncie sua aliança estratégica com o Irã, cesse seu suporte financeiro a grupos terroristas e expulse terroristas de seu território.

Se isto acontecer, o Irã irá sofrer um baque enorme. Qatar funciona hoje como seu banqueiro e intermediário diplomático. E se fosse só isso, seria fácil para Trump se manter firme junto a seus aliados sunitas, mas a coisa é mais complicada.

Os Qataris não são bobos e assistiram O Poderoso Chefão. No filme, o filho de Don Corleone diz ter aprendido a manter seus amigos próximos e seus inimigos ainda mais próximos. Nestes anos os Qataris não mediram esforços e dinheiro para envolver os Estados Unidos e suas instituições num emaranhado de relações que levou o Secretario de Estado Rex Tillerson a correr para colocar panos quentes na crise.

Além de doações milionárias a várias fundações, inclusive a dos Clintons, os Qataris investiram centenas de milhões de dólares em universidades americanas. As seis maiores universidades dos Estados Unidos têm campus em Qatar. Até o Instituto Brookings, o prestigioso think-tank americano, abriu uma filial em Doha.

Qatar tentou até trazer Israel para sua zona de influência. Em 1996 o emirado estabeleceu relações comerciais com o Estado Judeu que abriu um escritório comercial em Doha. O escritório foi fechado em 2000 e em 2009 Qatar rompeu todas as relações comerciais com Israel por causa da guerra com o Hamas.

Não é surpresa que Obama tenha tentado substituir o Egito por Qatar como mediador durante a guerra entre Israel e o Hamas. Não funcionou porque Qatar defendeu completamente as exigências do Hamas.

E aí temos o Pentágono. No fim dos anos 90, Qatar gastou mais de um bilhão de dólares para construir a Base Aérea Al Udeid e a ofereceu aos Estados Unidos. Em 2003, o Comando Militar Central Americano foi transferido da Arábia Saudita para Doha e é de lá que as ações americanas no Iraque, Afeganistão e Síria são coordenadas.

Com medo da situação deteriorar, o Irã enviou sua Guarda Revolucionária para proteger o Emir de Qatar, sua família e palácio. Na quarta-feira o parlamento turco, defensor da Irmandade Muçulmana votou para enviar tropas para proteger o regime em Qatar.

Isto tudo foi muito bem calculado. Qualquer ataque a Qatar será entendido como um ataque ao Irã e à Turquia que é membro da OTAN. Em toda esta bagunça entra também a Rússia, tentando tomar o lugar dos Estados Unidos. Trump imediatamente disse que ele próprio iria mediar o conflito e pode ser que ele consiga que Qatar atenda as exigências dos outros países sunitas do Golfo.

De qualquer forma, hoje temos uma nova realidade no Oriente Médio que não está mais claramente dividido entre sunitas e xiitas mas aonde poderosos critérios econômicos tomaram precedência.

Temos que estar todos atentos porque pessoas com um ego enorme, recursos ilimitados e contatos com os maiores grupos terroristas do mundo podem fazer muito estrago se decidirem faze-lo.




Sunday, June 4, 2017

A Guerra Contra a Imagem de Israel - 04/06/2017

Parece que não saímos das mesmas noticias e comentários. Na semana passada começamos com a contagem de 51 mortos e centenas de feridos em dois ataques terroristas: um em Manchester na Inglaterra e outro contra um ônibus de cristãos no Egito.  Os dois ataques foram reivindicados pelo Estado Islâmico. E nesta semana começamos com sete mortos e dezenas de feridos em Londres, muitos em estado crítico. Depois de atropelarem dezenas, três terroristas saíram de uma van armados de facões e apunhalaram vários pedestres incluindo uma criança.

Mais uma vez ouvimos os políticos, a polícia, os comentaristas, os especialistas, e mais velas, flores e ursinhos serão colocados no local do último massacre. O prefeito Sidi Khan procurou assegurar a população dizendo que Londres é a cidade internacional mais segura do mundo. Sério?? Três ataques em três meses, dezenas de mortos e a cidade é a mais segura do mundo?

Infelizmente a Europa criou um problema para si que hoje ninguém consegue resolver. Depois da Segunda Grande Guerra, como penitência pelos crimes cometidos em nome da pureza de raça, os europeus abriram suas portas a milhões de refugiados, especialmente os vindos de países islâmicos e antigas colônias. E como para provar sua redenção, resolveram adotar a política do multiculturalismo. Em outras palavras, em vez de assimilar os refugiados à cultura, língua e valores europeus, a Inglaterra e outros países abraçaram as culturas estrangeiras permitindo a criação de um estado paralelo, literalmente. Hoje só na Inglaterra existem mais de 100 cortes islâmicas para os muçulmanos. Imaginem, um sistema judiciário distinto para os que são de uma certa fé! Na capital da França, Paris, há bairros em que a polícia não entra sem permissão. E todo o tipo de violência, crimes e contravenções são aceitos se cometidos por muçulmanos, só para que o país não seja rotulado de islamofobico.

Há algumas semanas atrás, uma medica de 65 anos, que morava sozinha em um pequeno apartamento num bairro modesto de Paris, foi atacada enquanto dormia. O atacante, seu vizinho de 27 anos com várias passagens pela polícia, entrou no apartamento pela varanda e a torturou por mais de uma hora. O ataque foi tão violento que resultou em mais de 20 fraturas em seu rosto e corpo. Quando os gemidos cessaram, o atacante pegou a senhora ainda viva, e a jogou pela janela do terceiro andar no pavimento, gritando allah uakbar.

Durante todo o incidente, a policia armada estava do lado de fora do apartamento e não fez nada. Os vizinhos, que podiam ouvir os gritos da vítima, também não fizeram nada. A mídia foi avisada ainda durante o evento. Ela não apareceu e não reportou o assassinato.

O nome da vítima era Sara. Sara Halimi.

Esta cena atroz não ocorreu em 1942, à véspera do Rafle du Veld’hiv, quando os franceses prenderam seus judeus e os transportaram para os campos de concentração nazistas. Esta cena aconteceu entre o dia 3 e 4 de abril deste ano, num apartamento a alguns quarteirões do Bataclan, aonde mais de 100 jovens foram mortos por terroristas muçulmanos em 2015.

No domingo seguinte ao assassinato de Sara, uma marcha silenciosa foi organizada na área. Ela foi saudada pelos jovens do bairro aos gritos de “morte aos judeus” e “nós temos kalachnikovs”.

Se a Europa conseguiu abraçar o estrangeiro e seus valores retrógrados e medievais, ela não conseguiu erradicar seu ódio ao judeu. Este ódio milenar se transformou com a criação do Estado de Israel.

Contra todas as expectativas, um punhado de sobreviventes dos campos nazistas conseguiram rechaçar o ataque dos exércitos árabes em 1948.  E ao fazê-lo, sem qualquer ajuda exterior, o Estado judeu tornou-se independente. Longe de ser o resultado do colonialismo europeu, a criação do Estado de Israel moderno foi um exemplo milagroso e único, de um povo antigo, que depois de dois mil anos de exilio, conseguiu retornar à sua terra, ressuscitar sua língua e se tornar um sucesso econômico.
  
Isto não foi digerido pela Europa acostumada a mandar no Oriente Médio. Em novembro de 1967, quando o mundo ainda maravilhava a vitória de Israel na Guerra dos Seis dias e a reunificação de Jerusalem, o Presidente francês Charles de Gaulle chocou 900 jornalistas e 200 diplomatas com uma declaração que não havia sido ouvida por um líder europeu desde 1945: Ele disse: “Os judeus são um povo elitista, dominador e seguros de si próprios”, uma nação que – tendo seu próprio estado – exibirá uma “ambição ardente de conquista” um estado que se tornou de fato “guerreiro” e “determinado a se expandir”.  

Apesar da declaração ter trazido muitas condenações, ela foi o ponto de partida na guerra sobre a imagem de Israel. Uma guerra que Israel ainda não conseguiu vencer.

Sem poder explicar sua derrota contra um adversário minúsculo, os líderes árabes se empenharam em desviar a atenção de sua incompetência para o caráter de Israel. E para fazer isso usaram o livro de receita nazista. Os Protocolos dos Sábios de Sião têm sido publicados em árabe desde 1951 junto com acusações de conspirações para dominar o mundo, libelos de sangue e outras acusações fantásticas. Em 1965, para torpedear a influencia israelense em projetos de agricultura na Africa, os egípcios publicaram um panfleto “Israel, o Inimigo da África” que descrevia os judeus como trapaceiros, ladrões e assassinos.  

Mas até 1967 estes esforços árabes foram ridicularizados pelo mundo. A Guerra dos Seis Dias mudou isto. A terrível derrota militar sofrida dobrou os esforços árabes para desfigurar Israel mundo afora. O problema de De Gaulle foi que Israel ousou lutar apesar dele ter dito não e pior, Israel ousou ganhar, apesar dos planos dele preverem uma vitória árabe. Quando confrontado com a traição de Israel, ele decidiu culpar o Estado judeu. Sem qualquer vergonha de usar o melhor estilo nazista, De Gaulle disse que Israel tinha uma ajuda vasta em “dinheiro, influência e propaganda” dos “círculos judaicos na América e Europa”. Tudo para obter favor junto aos árabes.

Com De Gaulle as elites ocidentais aprenderam a atacar Israel pelas costas enquanto seus vizinhos atacavam pela frente.

Em Moscou, a vitória de Israel causou outro tipo de frustração. As armas usadas por Israel eram americanas enquanto as dos árabes eram soviéticas. A derrota em seis dias causou um dano enorme à indústria armamentista soviética, uma de suas maiores fontes de renda.  

Antes mesmo da Guerra acabar, o embaixador soviético na ONU em um discurso histérico, acusou o exército de Israel de ser uma gangue hitlerista, redefiniu a guerra de defesa declarando Israel como agressora e os árabes passaram a serem “vítimas”, argumentos até hoje usados em propagandas anti-Israel. Israel estava sendo acusada por aqueles que prenderam escritores, construíram Gulags e ocuparam à força terras da Lituânia até o norte do Japão!

Bater em Israel passou a ser o instrumento de todo aquele que quisesse desviar a atenção de qualquer problema. Esta guerra contra a imagem de Israel piorou em 2001. Duas semanas após um suicida matar 15 na pizzaria Sbarro em Jerusalem, milhares marcharam em Durban, na África do Sul, chamando Israel de racista enquanto mais de três mil ONGs acusavam Israel de genocídio sistemático. E pior, heróis culturais como o escritor José Saramago, o cantor inglês Roger Waters e outros embarcaram no trem do ódio. Um trem obcecado, irracional, implacável, independente das ações ou inações de Israel.

Hoje o mundo está entendendo talvez um pouco o que Israel tem enfrentado todos estes anos com o terrorismo. Mas o politicamente correto ainda reina. Em seu discurso hoje pela manhã Tereza May falou muito em engajar os muçulmanos, coisa que ouvimos 16 anos atrás depois dos ataques de 11 de setembro e não funcionou. Chegou a hora de colocar os terroristas na defensiva, interrogando suspeitos, deportando ilegais, expulsando imams radicais, cancelando a cidadania europeia dos perpetradores e seus familiares.


E Israel tem que entender que a guerra por sua imagem é tão importante quanto as conquistas militares. E para vencê-la ela tem que fazer o que faz de melhor: ir ao ataque e expor aqueles que querem sujar seu nome.

Sunday, May 28, 2017

Entre Manchester e Jerusalem - 28/05/17

Vamos começar com o balanço da semana: 51 mortos e mais de cem feridos. Primeiro, o ataque na Arena de Manchester, depois do show da cantora Ariana Grande. O alvo: meninas e adolescentes e mães que esperavam suas filhas saírem do estádio. E ao reclamarem a autoria do ataque, o Estado Islâmico decidiu atravessar uma linha que pode ser o alarme que o mundo precisava para erradicar estes energúmenos da face da terra: declarou que matar crianças infiéis é permitido, de acordo com sua interpretação do Al-Corão.

E mais: no começo da semana os ingleses achavam que havia três mil jihadistas no Reino Unido, quando a polícia anunciou que o número é na verdade 23 mil e não dava para seguir todos! Como se esta fosse uma desculpa boa para ignorar cinco avisos feitos por vizinhos deste terrorista.

Muito menos coberto foi o segundo ataque, a um ônibus que transportava cristãos coptas: 29 mortes, entre as quais 10 crianças, metralhados também pelo Estado Islâmico. Os cristãos do Oriente Médio continuam a ser massacrados e escorraçados e o mundo continua silente.

Não é de surpreender que Donald Trump tenha dito alto e claro aos líderes árabes, no domingo passado, que é preciso erradicar esta ideologia da face da terra. Vamos ver se eles ouviram.

Donald Trump completou com um estrondoso sucesso sua primeira viagem ao exterior mudando a realidade geopolítica onde ele passou. E a mídia de esquerda não se aguenta em sua miséria.  Procuraram de tudo para ataca-lo e quando não encontraram, inventaram. Disseram que sua esposa Melania tinha recusado segurar sua mão, que ele tinha empurrado o primeiro-ministro de Montenegro e finalmente que Trump era o culpado por um candidato ao Congresso americano ter atacado um jornalista. O candidato, do Estado de Montanha, acabou ganhando a eleição.

Em Israel, o que foi notável, não foi tanto o que Trump disse, mas o que ele deixou de dizer. Como todos os presidentes anteriores, ele começou elogiando o Estado e os judeus por sua perseverança, inovações tecnológicas e democracia. E após o açúcar, podíamos segurar a respiração porque aí vinha o vinagre.  Mas neste ponto, Trump agradeceu e terminou seu discurso. Desta vez não teve vinagre.

Trump fez sete discursos em Israel e nenhuma só vez mencionou os assentamentos. Ainda melhor, ele não fez qualquer ligação entre terrorismo e assentamentos como era tão comum com a administração anterior. Estávamos acostumados com Obama condenando o último ataque terrorista palestino e a próxima sentença dele culpava Israel pelos assentamentos.

Diferentemente, ao se encontrar com Abbas em Belém, Trump disse inequivocamente que a paz “nunca poderia criar uma raiz num ambiente aonde a violência é tolerada, paga ou premiada”.

Trump resolveu que atacar assentamentos implacavelmente, até a construção de algumas unidades dentro de Jerusalem, serve apenas como distração. Até mesmo porque os assentamentos nunca foram um empecilho até Obama torna-los um.

Mas muito mais significativo Trump também não falou uma só vez de um Estado Palestino, da solução de dois estados ou mesmo de autodeterminação palestina. Isto porque Trump quer que as partes na região cheguem a um consenso do que é o melhor para eles, e há outras soluções na mesa como uma federação com a Jordânia por exemplo.

A abordagem de Trump, em contraste com a de Obama, é limitada a exigir das partes seu comprometimento a tentarem chegar a um acordo. Ele não dá lições de moral, não tenta ensinar outros povos como governar, mas espera que todos se comportem responsavelmente. Ele também resolveu colocar as cortinas sobre a suposta “luz” que Obama disse ter sido necessária entre “amigos”, expondo a todos sua discordância e antipatia com Netanyahu.

Para mim a imagem mais marcante da visita de Trump foi sua visita ao Muro das Lamentações. Usando uma kipá negra e colocando sua mão nas pedras milenares, ele não estava só expressando sua prece que Deus lhe dê sabedoria para governar, como ele disse. Ele estava fazendo uma declaração sobre o elo dos judeus para com o Muro e com Jerusalem.

O Monte do Templo é um dos maiores exemplos do passado ilustre dos judeus. Ele nos leva de volta à um tempo quando éramos um povo com uma religião e uma língua comuns e povoávamos a terra de Israel e tínhamos Jerusalem como nossa capital.

O Talmud nos diz que dez medidas de beleza desceram ao mundo e que nove delas foram tomadas por Jerusalem. Uma só pelo resto do mundo.

E realmente. Jerusalem é linda, por dentro e por fora. Por fora é óbvio para todos verem: suas construções de pedra branca que a faz reluzir, seus jardins, o cheiro de alecrim no ar. Por dentro é aquela sensação que todos sentimos ao chegarmos à cidade: de estarmos conectados com nossa alma. E isto ouvi de um ateu!

Mas até a manhã do dia 6 de Sivan do ano 5727, metade da cidade santa, incluindo o Monte do Templo, estava fechada aos judeus. Durante os 19 anos de ocupação jordaniana, antigas sinagogas sofreram destruição sistemática, lugares arqueológicos nivelados, uma população árabe implantada aonde a comunidade judaica tinha vivido por milênios.

Mas naquela manhã de Shavuot de 1967, uma semana após a liberação da cidade por Israel, a cidade inteira foi aberta pela primeira vez. Dezenas de milhares de judeus vieram de todo o país e de fora para pisarem nas ruas e vielas sagradas e se uniram em prece no Muro das Lamentações.

Judeus religiosos e seculares, ashkenazim, sepharadim, homens, mulheres e crianças, mão em mão, comemoraram a antiga festa de Shavuot em sua nova/antiga/eterna capital, num momento de união que provavelmente só teve paralelo no Monte Sinai. Aqueles milhares de judeus, olhando para aquelas pedras antigas com um profundo senso de história e destino, souberam que finalmente tinham voltado para casa – depois de tantas perseguições, sangue, morte, lágrimas, tanto sofrimento em tantos anos de exílio.

As lágrimas derramadas naquele Shavuot foram lágrimas de alegria.

Todos nós queremos a paz. Tem aqueles que estão dispostos a não deixar nenhuma pedra intacta para alcançá-la. O mundo quer impor seus desígnios a Israel, rejeitando a anexação e unificação de Jerusalem. Exigindo a re-divisão da cidade.


Mas ao olharmos hoje para estas pedras que formam o Kotel, realizamos que há pedras que não podem ser mexidas para a paz. Elas são eternas e a volta dos judeus a elas cumpriram uma promessa que Deus fez. E esta promessa não pode ser desfeita por absolutamente ninguém.

Friday, May 26, 2017

Trump na Arabia e Israel - 21/05/2017

Donald Trump embarcou para sua primeira viajem ao exterior como presidente dos Estados Unidos. Muitas primeiras vezes são esperadas e já começaram a acontecer. Foi a primeira vez que um presidente americano escolheu um país muçulmano como sua primeira parada, E ao chegar à Arábia Saudita, o que foi muito comentado foi o fato de ser a primeira vez que a primeira dama e a filha do presidente apertaram a mão do rei na recepção e se sentaram junto com os homens na mesa de negociação e com o cabelo descoberto.

Após serem obrigados a participar da dança da guerra empunhando espada e tudo, Trump e seu secretário de estado Rex Tillerson tocaram a agenda do dia e assinaram um dos maiores acordos de venda de armas da história, se não o maior. São 350 bilhões de dólares em 10 anos que irão gerar milhares de empregos para a América e fortalecer o maior adversário do Irã na região.

A mídia saudita não poupou elogios a Trump e declarou a era Obama “morta”. A efusiva recepção saudita parece algo inédito para alguém que durante a campanha não parou de culpar o islamismo radical pelo terrorismo mundial, incluindo aquele saído da Arábia Saudita. Estranho não? Entre um presidente americano que se curva ao rei e fica no muro nas disputas regionais e um que fala o que todos acham que não deve sobre o islamismo e que não se curva a ninguém, os sauditas preferem o segundo. A diferença está no fato que como Churchill, Trump sabe que no Oriente Médio somente o cavalo mais forte é respeitado. Trump falou aberta e claramente aos lideres muçulmanos que eles têm que expulsar a ideologia radical de seus países.

As próximas paradas são Israel, aonde Trump será o primeiro presidente americano empossado a visitar o Muro das Lamentações, o Vaticano, Bruxelas e a Sicília.

Esta viagem veio bem a calhar dando umas férias ao presidente de tantos “escândalos” inventados pela mídia que a cada espirro do presidente ela encontra uma razão para um impeachment.

Chegou a um ponto que o Vice Advogado Geral da América Rod Rosenstein nesta semana decidiu nomear o ex-diretor do FBI Robert Mueller para investigar se existiu “qualquer ligação ou coordenação entre o governo russo e indivíduos associados com a campanha de Trump”.

A gota d’agua foi sobre uma revelação de inteligência que Trump teria feito ao ministro do exterior russo Sergei Lavrov sobre uma possível tentativa do Estado Islâmico de explodir um avião civil usando um computador. A coisa é tão bizarra e patética que chegou a ser definida por Putin como “esquizofrênica”. E ele tem razão.

Primeiro, o presidente dos Estados Unidos tem toda a liberdade de revelar segredos ao seu bel prazer. Segundo, a Rússia não está em guerra com os Estados Unidos e apesar das relações estarem tensas desde as eleições, há um interesse comum em derrotar o Estado Islâmico e a prevenir que outro avião com civis inocentes seja explodido como ocorreu com o avião russo sobre a península do Sinai.
Então quem são estes que fizeram de seu objetivo de vida derrubar Donald Trump? Quem é culpado de supostamente colocar em perigo uma fonte da inteligência americana? Trump que passou a informação numa reunião fechada e confidencial, ou a pessoa que vazou o fato para a mídia?

Está claro que Trump está enfrentando os mesmos atores que por anos tentam minar as ações de Israel. Durante toda a administração Obama, funcionários seniores vazaram informações sobre as operações de Israel para a mídia.

Em 2010, uma fonte de defesa expôs o Stuxnet, um vírus de computador desenvolvido por Israel e os Estados Unidos contra o reator nuclear iraniano em Busheir que conseguiu sabotar uma grande quantidade de centrífugas. A revelação terminou a operação. Obama apoiou o vazamento três dias antes de sair da Casa Branca quando perdoou James Cartwright por ter participado na divulgação da informação ao New York Times.

Outra vez em 2012, oficiais americanos divulgaram para a mídia que Israel tinha atingido alvos na Síria o que tornou este tipo de operação mais perigosa contra as forças iranianas e da Hezbollah. No mesmo ano, membros da administração Obama informaram a jornalistas que Israel estaria treinando em bases do Azerbaijão para possivelmente atacar o Irã. Abruptamente, Israel teve que abandonar o Azerbaijão. O objetivo claro de todos estes vazamentos era de prejudicar Israel. Nestes últimos meses o objetivo é de prejudicar Trump.

O incrível é que nos dois casos, os vazadores de informação são membros da comunidade da inteligência americana com um nível de acesso extremamente alto, e sem medo de estarem cometendo um crime ao revelar informação a repórteres. O que aconteceu com a comunidade da inteligência americana? Como é que eles chegaram à conclusão que é correto usar de seu cargo para obter informação para objetivos partidários?

Estes são oficiais de carreira, extremamente engajados na agenda de esquerda que subiram rapidamente após um êxodo de agentes provocado nas organizações de inteligência, investigados supostamente por torturar terroristas. A isso se seguiu uma limpeza nos manuais das organizações e também dos departamentos de polícia retirando qualquer menção sobre islamismo, terrorismo e radicalismo.

A campanha de Trump e sua eleição são vistos como uma afronta à este grupo poderoso. Do mesmo modo que uma Israel forte, capaz de defender seus interesses sem a ajuda ou permissão dos Estados Unidos chega a ser mais perigoso do que um Irã armado da bomba nuclear.

E a cara de pau é tanta, que alguns membros deste clubinho chegaram a dizer o que fizeram para a imprensa. É o caso de Evelyn Farkas que deixou o departamento de defesa para trabalhar para a campanha de Hillary Clinton em 2015. Numa entrevista para a MSNBC em março deste ano, ela admitiu orgulhosamente que a inteligência americana estava espionando Trump e seus conselheiros e passando a informação para políticos e jornalistas para prejudica-lo.

De acordo com ela, pelo menos de outubro do ano passado e até a sua inauguração em janeiro, Trump e seus assessores estavam sendo espionados apesar de nenhum deles ser suspeito de cometer qualquer crime. Isto é uma clara violação das proteções constitucionais dos cidadãos Americanos.

E a coisa não parou aí. Nas últimas duas semanas houveram vários vazamentos sobre a visita de Trump a Israel para criar no mínimo um mal-estar e controvérsia. A primeira dela surgiu quando um oficial americano coordenando a visita declarou a seu contraparte israelense que o Muro das Lamentações “não está em seu território” e que nenhum membro do governo de Israel poderia acompanhar Trump em sua visita ao Kotel. Esta declaração foi surpreendente e talvez para contrabalança-la, o novo embaixador americano David Friedman veio direto do aeroporto para o Muro ao chegar a Israel.

Confundindo as coisas, a embaixadora Americana na ONU Nikki Haley disse à televisão cristã que o “muro das Lamentações é parte de Israel e acho que essa foi sempre nossa visão e é como devemos lidar com o fato”.

A batalha sobre o Muro das Lamentações reflete a disputa tradicional entre o Departamento de Estado sempre antipático a Israel e outras agências do governo Americano.

Após 50 anos de unificação da cidade Santa, quando se trata de ganhar reconhecimento de seus direitos ao Muro das Lamentações pelos Estados Unidos e a comunidade internacional como um todo, Israel enfrenta uma luta árdua. Desde os anos 30, ativistas islâmicos tentam eliminar o direito dos judeus à área, declarando o Monte do Templo um local puramente islâmico. As resoluções hostis da Unesco são prova destas investidas.

O fato de Trump ter vindo nesta semana a Israel, precisamente durante as comemorações dos 50 anos da liberação e unificação da cidade, pode ser apenas coincidência, mas talvez ele quisesse mandar uma mensagem simbólica aos palestinos.

Uma mensagem de que se não houver um fim à incitação, ao pagamento de terroristas e a uma vontade real de negociar a paz, a América não estará mais disposta a patrocinar a Autoridade Palestina ou interceder em seu favor. Trump e Bibi já mostraram que podem trabalhar juntos. E com tanto na balança, é preciso tentar.

Thursday, May 18, 2017

A Verdadeira Face da Jordânia - 14/05/2017

No último sábado à noite um turista Jordaniano esfaqueou e feriu um policial israelense na cidade velha de Jerusalem. O policial, mesmo ferido, conseguiu sacar sua arma e matou o agressor.
Em resposta ao incidente, o governo da Jordânia emitiu uma declaração furiosa condenando Israel dizendo que “o Governo de Israel que é a força de ocupação, é responsável pela morte de um cidadão jordaniano no leste de Jerusalem... Condenamos duramente este crime desprezível que foi cometido contra um cidadão jordaniano, e exigimos que Israel forneça todos os detalhes sobre o incidente”.
O ataque de ontem é claramente parte desta última onda de terrorismo que começou em setembro de 2015 e que até agora custou a vida de 244 palestinos envolvidos em esfaqueamentos, atropelamentos, apedrejamentos e tiroteios. Trinta e sete israelenses, dois turistas americanos e uma estudante inglesa foram mortos nestes incidentes. Uma onda que Mahmoud Abbas, presidente dos palestinos, chama de uma insurreição pacífica!
Israel assinou um tratado de paz com a Jordânia há 23 anos.  E seu povo odeia Israel e os judeus até mais do que os iranianos. De vez em quando, os jordanianos têm a oportunidade de expressar como se sentem em relação a Israel, e a coisa é feia.
Em março de 1997, três anos após a assinatura do tratado de paz, meninas da 7ª e 8ª série de uma escola de Beit Shemesh foram ao vale do Jordão para um passeio. O ponto alto da viagem era uma visita à chamada “Ilha da Paz”. A área fica próxima à estação de eletricidade de Naharayim, que inclui terras que Israel cedeu para a Jordânia no acordo de paz, mas que Israel alugou da Jordânia para continuar o cultivo de agricultores judeus que haviam comprado estas terras várias décadas antes.
A transferência formal da soberania por Israel e o reconhecimento pela Jordânia do direito dos judeus àquela área eram prova de que o acordo de paz ia além do pedaço de papel em que foi escrito.  Nesta área da Ilha da Paz, tínhamos finalmente concretizado o fim das hostilidades entre Israel e a Jordânia.  
Mas justo ao descerem do ônibus, um soldado jordaniano designado a proteger visitantes, pegou sua M-16 e atirou contra as meninas matando sete e ferindo outras seis. A ilusão da Ilha da Paz tinha chegado a um fim brutal. Estando em território jordaniano não havia ninguém para proteger as meninas. O soldado teria matado todas se sua arma não tivesse emperrado.
Nos dias subsequentes, Israel viu as duas caras da Jordânia e com elas, a verdadeira natureza da paz que tinha alcançado.
De um lado, num gesto de inédita humildade. O próprio Rei Hussein foi a Israel para prestar suas condolências a cada uma das famílias das sete meninas. Ele se curvou aos pais e pediu perdão. Mas na Jordânia, os cidadãos comemoraram o massacre e seu perpetrador Ahmed Daqamseh, promovido a herói nacional.  
O judiciário jordaniano fez de tudo para não tratar Daqamseh como homicida. Em vez de receber a pena de morte por seu crime – que teria sido o normal se as vítimas não fossem meninas judias – os juízes o declararam louco e o sentenciaram à prisão perpétua. Pela lei jordaniana esta sentença se traduziu em 20 anos de detenção. Em outras palavras, o assassino recebeu menos de três anos por cada menina que matou e nada por aquelas que ele feriu.
Insatisfeitos com a sentença, no entanto, o publico jordaniano repetidamente exigiu sua libertação. Em 2011, o então ministro da Justiça Hussein Majali chamou Daqamseh de herói. Em 2014 a maioria do parlamento jordaniano votou para solta-lo.  Em março deste ano, com sua sentença cumprida, Daqamseh foi solto. Ele foi recebido em sua cidade com comemorações dignas de qualquer celebridade.
Daqamseh, o suposto louco, nunca expressou arrependimento. O oposto. Em sua primeira entrevista para a Al-Jazeera no dia seguinte à sua libertação, ele declarou que a “normalização com os sionistas é uma mentira”; que “os israelenses são dejetos humanos que o mundo vomitou aos pés dos árabes”; que “Israel deveria ser eliminada por fogo ou enterrada e se isto não fosse alcançado por suas mãos, então a tarefa deveria ser passada para a próxima geração para queimar o lixo”.
A situação atual da Jordânia é bem preocupante. E apesar de toda a ajuda econômica e estratégica que recebe, o reinado está à beira da falência econômica e social. O desemprego, oficialmente em 14%, de fato está em torno de 38%. É um dos países do mundo mais pobres em água e depende de exportações de Israel para sobreviver. Jordanianos que vivem no exterior mantêm mais de 350 mil famílias com suas remessas de dinheiro.
Desde 2003 a Jordânia absorveu um milhão de refugiados do Iraque e outro milhão da Síria. Refugiados que, em caso de um golpe ou guerra civil na Jordânia, inundariam a Europa. Para Israel, a Jordânia é imprescindível como zona amortecedora entre seu território e o Iraque e a Síria, ambos controlados pelo Irã.
A Irmandade Islâmica é a segunda força política do país. Apesar dos jordanianos terem ficado revoltados com a execução do seu piloto em 2015, queimado vivo pelo Estado Islâmico, mais de dois mil jordanianos se juntou ao grupo e contam com milhares de simpatizantes no país.
A Jordânia é um exemplo do perigo de assistência financeira sem restrições. A cada ano, os Estados Unidos fornecem à Amã mais e mais ajuda civil e militar para manter o regime. E a cada ano, vozes como as de Daqamseh aumentam em número e volume.  A Jordânia também mostra que o conceito de paz entre Israel e seus vizinhos árabes tem um valor limitado. A paz com o Egito é na melhor das hipóteses fria e com a Jordânia, é gélida.
Enquanto o coração e mentes dos árabes continuarem a ser alimentados por conspirações e teorias nefastas sobre os judeus e inspirados por jihad e destruição, que tornam um assassino de meninas inocentes em herói, a noção de que uma paz genuína possa ser alcançada é irracional e irresponsável.
Israel está hoje enfrentando uma situação bastante complicada em sua fronteira norte com a guerra civil na Síria. Ela não quer o mesmo em sua fronteira leste com a Jordânia. Mas Israel não pode apenas fingir que isto não irá acontecer e tem que planejar para esta eventualidade.
Depois do massacre de 1997, os pais das meninas mortas e o público perguntaram por que a escola não tinha levado guardas à paisana para a Ilha da Paz para protegê-las? Uma pergunta razoável. Daqamseh pôde matar as meninas porque Israel baixou a guarda. E o único jeito de evitar que isto aconteça novamente é reforçar o controle de sua fronteira leste.
Vinte e três anos após o acordo de paz, nada mudou na Jordânia. Nenhum coração e nenhuma mente foi convencida a aceitar Israel. O acordo de paz não protegeu as meninas em 97 ou o policial ontem. A única coisa que protege Israel e seus cidadãos é sua capacidade e disposição de usar os recursos que tem para se defender dos que seguem repletos de ódio apesar dos tratados de paz assinados.


Tuesday, May 9, 2017

Mais Um Vergonhoso Voto do Brasil e o Fim das Organizações Mundiais - 7/5/2017

Todos nós  conhecemos bem o que é a violência e o medo e a insegurança que ela traz. O Brasil está entre os 20 mais violentos do mundo. As estatísticas mostram que somente em 2015 uma pessoa foi morta a cada 9 minutos. Entre 2011 e 2015 a violência no país matou mais pessoas que na guerra da Síria!

Terrível, não? E isso num país aonde o homicídio é punido com até 20 anos de reclusão!

Agora imaginem morar num lugar aonde se você matar alguém, de preferência mulheres e crianças, estando morto ou na cadeia, você e sua família receberão um salário de ministro como recompensa. Você terá praças e ruas nomeados em sua honra, sua mãe e irmãos serão entrevistados pela televisão e todos subirão em status na sociedade.

Já imaginaram?? Mas vamos mais além. O presidente deste lugar é recebido como um superstar pela comunidade internacional apesar de suas investidas abertamente racistas. E ele consegue que todos denigram suas vítimas e as pressionem para dar o que ele exige.

Ficção científica? Um absurdo no século XXI?

E, no entanto, é exatamente isso o que ocorre com a Autoridade Palestina e seu líder Mahmoud Abbas. De acordo com os dados do Pentágono, os pobres e esquálidos palestinos gastam nada menos que $303 milhões de dólares, ou um bilhão de reais por ano, em salários para assassinos de judeus. E este é o mesmo montante de ajuda anual que eles recebem dos Estados Unidos. 7% do seu orçamento, 30% da ajuda internacional.

De acordo com os palestinos, eles não têm dinheiro para uma central elétrica ou de tratamento de água, mas o dinheiro para promover a morte de judeus? Este é sagrado.

Na semana passada falei aqui do voto que a UNESCO iria propor na terça-feira submetido por bastiões da Educação, Ciência e Cultura: Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã, Qatar e Sudão.  Só que eu errei. Pensei que a resolução se ativesse aos lugares santos de Jerusalem como o Monte do Templo e o Muro das Lamentações e o tumulo dos patriarcas em Hebron e o da matriarca Raquel em Belém. Mas não. A verdadeira resolução, à qual o Brasil votou a favor diz o seguinte:

Lembrando que todas as medidas administrativas e legislativas e ações tomadas por Israel como força de ocupação, que tiverem alterado ou tentado alterar o caráter e o status da Cidade Santa de Jerusalem, e em particular a “lei básica” de Jerusalem, são nulas e devem ser revogadas imediatamente”.

A lei básica é a que Israel promulgou para unificar a cidade de Jerusalem e dar aos cidadãos árabes os mesmos direitos dos judeus como acesso à saúde, educação, serviços sanitários e direito ao voto.

Pois é. A resolução final foi bem pior do que o rascunho circulado na imprensa. Não se trata dos locais santos, mas a UNESCO exige que Israel repudie Jerusalem como sua capital integralmente. Ela rejeita qualquer soberania judaica sobre qualquer lugar da cidade. E ainda assim, ela foi aprovada por 22 países contra 10 que se opuseram e 23 se abstiveram.

Os que tiveram a dignidade de refletirem os princípios e valores de seus cidadãos foram os Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Lituânia, Grécia, Paraguai, Ucrânia, Togo e Alemanha. Uma vergonha para o Brasil que ou sofre de ignorância crônica sobre o assunto ou continua a se dobrar aos carreiristas do Itamaraty que perpetuam as politicas de Lula e da esquerda.

Uma resolução miserável que finca mais um prego no caixão da ONU.

Há apenas duas semanas outro prego foi batido quando a Arábia Saudita, ouçam bem, a Arábia Saudita foi eleita para a presidência da Comissão de Direitos das Mulheres!

Parece estarmos vivendo numa realidade alternativa. Justo a Arabia Saudita!! Um país em que a discriminação das mulheres grosseira e sistemática é incorporada em lei e na prática.

Na Arábia Saudita a vida das mulheres é controlada do nascimento até a morte. Cada uma deve cobrir seu corpo e rosto inteiramente com um véu e capa negros quando sair na rua. Cada uma tem que ter um guardião masculino, em geral o pai ou o marido mas na falta destes pode ser um irmão ou até um filho. E somente estes guardiões têm o poder de tomar decisões criticas em nome dela.

O consentimento do guardião é necessário para ela poder ir para a escola, casar, abrir uma conta num banco, comprar ou vender propriedade, trabalhar, entrar ou se defender de uma ação na justiça, viajar e até ir ao médico. Mulheres também não podem praticar esportes dentro do reinado, usar o transporte público, não podem dirigir automóveis e não podem votar além de em eleições locais ou serem votadas. Elas não podem sair na rua sem estarem acompanhadas de um membro masculino de sua família. Em outras palavras, as mulheres na Arábia Saudita são apenas propriedade sem qualquer capacidade de tomar decisões sobre suas próprias vidas e corpos.

Situações absurdas incluem, por exemplo, a impossibilidade de uma mulher reportar abuso de seu guardião para a polícia sem o consentimento do próprio abusador. E para fazer cumprir todas as leis maravilhosas os sauditas montaram a Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício com poder de seguir, parar, questionar, verificar identidade e até prender os violadores da lei islâmica.

Este é o país responsável na ONU em proteger e defender o direito das mulheres no mundo. Um momento negro para o direito das mulheres e os direitos humanos em geral.

A boa noticia é que quanto mais disparatadas as decisões e os votos na ONU e suas agências, menos credibilidade elas terão. Trump prometeu cortar 40% da contribuição americana se a ONU não tomar jeito. Outros países também estão considerando cortes. Israel já decidiu reduzir sua contribuição. Não sei por que levou tanto tempo. É o cumulo Israel contribuir para uma organização que não faz outra coisa a não ser condená-la.

Cortar as contribuições é um bom começo, mas não é o suficiente. Bibi deveria aproveitar a oportunidade do aniversário de 50 anos da reunificação de Jerusalem para chutar os monitores da ONU que absurdamente dizem estar "verificando as linhas de cessar-fogo de 1948"  e tomar o imóvel aonde a ONU se estabeleceu na cidade.

Jerusalem tem sido a capital do povo judeu por milhares de anos e vai continuar a sê-lo.  Para a ONU readquirir relevância tem que retornar ao papel para o qual foi criada e deixar de ser um instrumento de déspotas e antissemitas. Jerusalem está unificada sob a jurisdição e soberania do povo de Israel. Ponto. Nenhuma resolução patética conseguiu ou conseguirá baixar a bandeira azul e branca que voa orgulhosamente na capital eterna do povo judeu.   


Sunday, April 30, 2017

Mais Uma Resolução da UNESCO - 30/04/2017

Próximo da entrada do cemitério de Ashquelon em Israel há cinco túmulos, cada um com uma bandeira de Israel e uma fita negra de Yiskor. O túmulo do meio é de um adulto e a cada lado dois túmulos menores. Uma mãe cercada por suas filhas, repousando eternamente juntas da mesma maneira que morreram: nas mãos de terroristas palestinos.

No dia 2 de maio de 2004, Tali Hatuel, então grávida de oito meses do primeiro menino da família, colocou suas quatro filhas no carro e se dirigia para Ashquelon para um ultrassom quando seu carro foi emboscado por dois terroristas palestinos que sem qualquer misericórdia esvaziaram suas kalashnikovs a queima roupa sobre Tali, então 34 anos, Hila de 11 anos, Hadar de 9, Roni de 7 anos e Merav de apenas dois anos de idade. Para finalizar atiraram no ventre de Tali para se certificarem que o bebê também estaria morto. Cortesia do Jihad Islâmico. Hoje à noite Israel comemora os que caíram em todas suas guerras e os inocentes assassinados por terroristas. Nos últimos 13 anos, a cada Yom Hazikaron eu penso em Tali e suas meninas, na promessa de cada uma, e na diferença que poderiam ter feito no mundo. A vela acesa neste dia representa de maneira especial para mim estas vidas perdidas pelo ódio, pelo antissemitismo.

Um antissemitismo que cresce a cada dia, vindo não só do mundo islâmico, mas do ocidente. E um exemplo crasso veio esta semana de não outro que o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel. Em sua visita a Israel para participar das cerimônias do Dia de Lembrança do Holocausto, o Ministro deveria se encontrar com Bibi Netanyahu. Mas em vez do primeiro-ministro de Israel o ministro alemão resolveu dar preferência para se encontrar com os representantes da ONG mais perniciosa da história do Estado judeu.

Sob o pretexto de trazer à luz ocorrências de violações do exército de Israel, a ONG “Quebrando o Silêncio” diz que compila testemunhos anônimos de soldados que não podem ser comprovados ou investigados e reporta estes “testemunhos” a seus patrocinadores europeus, o maior entre eles, o governo da Alemanha. O objetivo claro desta ONG é simplesmente o de sujar a imagem do exército mais moral do mundo, transformando seus soldados em criminosos de guerra e fortificando a causa dos que odeiam Israel. Uma organização condenada até pela esquerda de Israel.

Para o ministro do exterior da Alemanha se encontrar com tais elementos depois de hipocritamente colocar uma coroa de flores em Yad Vashem em honra de 6 milhões chacinados por seu próprio país, ilustra a profundidade a que os líderes alemães desceram. Não é a primeira vez que Gabriel expressa seu antissemitismo. Durante sua campanha para chanceler ele escreveu em seu Facebook que “Israel é um regime apartheid para o qual não há justificação”. A seu ver não há justificação para a existência de Israel.

O argumento que ele usou para se encontrar com esta ONG marginal é que ele queria ter um retrato global do que se passa em Israel. Isto é um insulto à nossa inteligência. Porque ele não se encontrou com líderes árabes israelenses ou com partidos de oposição?? Imaginem se Netanyahu, ao visitar a Alemanha, decidisse se encontrar com o grupo terrorista Baden Meinhoff! Que informação poderia ele obter sobre a situação na Alemanha??

Assim, na terça-feira passada, Netanyahu decidiu dar um basta e adotar uma nova estratégia nas relações de Israel com o Ocidente. Ou países autointitulados “amigos” tratam Israel com respeito e de acordo com as regras internacionais de comportamento ou serão tratados como críticos comuns e não mais terão acesso às autoridades do país.

A partir do final do século XX a Europa e outros países do ocidente abandonaram seu morno apoio a Israel. A partir de 1974, na esteira da improvável vitória de Israel na Guerra de Yom Kippur, a hostilidade europeia tornou-se palpável na arena internacional. Em 2000, depois de Yasser Arafat ter implodido Camp David para dar inicio à sua intifada, os Europeus começaram a expandir suas atividades para a esfera interna de Israel massivamente patrocinando ONGs de esquerda e pró-arabe. Milhões de euros jorraram para os bolsos de Shalom Achshav, ou Paz Agora, Betselem, e também “Quebrando o Silêncio”.

Isto não quer dizer que os Europeus afrouxaram seus esforços internacionais. Em dezembro do ano passado, falei aqui sobre a resolução da UNESCO para deslegitimar a soberania israelense sobre a Cidade Velha de Jerusalem, a primeira abstida pelos Estados Unidos de Obama, mas votada a favor pelo Brasil.

Pois é. Apesar de todas as condenações e vários países como o México e a Itália terem reconhecido que a resolução era parcial e historicamente disparatada, pois negava o elo entre o Muro das Lamentações, o tumulo de Raquel e o tumulo dos patriarcas em Hebron com o judaísmo, a UNESCO irá submeter nesta terça-feira uma nova resolução ainda pior que a de dezembro. Desta vez podemos contar com o voto contra dos Estados Unidos e talvez da Inglaterra. Outros países europeus irão provavelmente se abster, mas os dirigentes do Brasil, senhoras e senhores, irão votar em seu nome, a negação do elo judaico e cristão com Jerusalem. 

Explico: Ao citar o Monte do Templo, aonde dois Templos judaicos existiram e aonde de acordo com os Evangelhos Jesus pregou, a resolução usa apenas o nome islâmico Haram al-Sharif. Ao se referir ao Muro das Lamentações ela usa o nome islâmico de Praça al-Buraq, o nome do cavalo de Maomé. Quando nomes judaicos e cristãos aparecem, estão entre parênteses. Como se o judaísmo e o cristianismo fossem apenas um parênteses na história de Jerusalem. Seu nexo apagado e substituído por uma falsa narrativa islâmica para objetivos puramente políticos.  

Há já alguns anos que os palestinos tentam reescrever a história para deslegitimar o Estado de Israel e a presença de judeus na Terra Santa. Eles chegam ao cúmulo de dizer que nunca houve qualquer Templo judaico em Jerusalem, apesar de todas as evidências históricas e arqueológicas. Apesar do Muro das Lamentações e outras partes do Templo ainda estarem de pé para todos verem. Afirmam que Jesus não era judeu, mas o primeiro mártir palestino!

Há limite para deturpações e mentiras com objetivo puramente antissemita. E o fato é que se Jerusalem não tem qualquer vínculo com os judeus, ela também não tem qualquer vínculo com os cristãos! Por esta lógica, Salomão não construiu o primeiro Templo, Neemias não construiu o segundo, Jesus não esteve no Templo, não foi crucificado e não ressuscitou. Enfim, de acordo com os árabes e muçulmanos toda a fé judaica e a fé cristã são mentiras.

Um voto do Brasil reconhecendo esta posição não é só ofensivo aos judeus e israelenses. Ela é extremamente ofensiva a todos os cristãos, sejam eles evangélicos, católicos, espíritas ou de qualquer outra denominação. Jerusalem e Sião estão mencionados 850 vezes na Bíblia e mais de 142 vezes nos Evangelhos. Ela não está mencionada sequer uma vez no Alcorão.

O Itamaraty através da ONU, não pode estar querendo destruir os laços judaicos e cristãos com Jerusalem deixando os milhões de seus cidadãos órfãos espirituais. E para quê? Mais uma vez pergunto: o que o Brasil ganha votando a favor de promotores de mentiras? Por que o Brasil quer novamente entregar o berço da Bíblia para aqueles que disseminam falsidades históricas e religiosas. Isso é inacreditável!  

Esta nova resolução procura enganar os menos avisados, parecendo conter linguagem mais branda. Ela inclui uma pequena sentença que diz que o local é sagrado para as três religiões monoteístas. E só.

No entanto, o que é importante nesta resolução, não é o preâmbulo, mas sim o voto. E este reitera todas as decisões anteriores sobre Jerusalem, inclusive a resolução de dezembro.

O fato dos europeus que conhecem a história e a Bíblia terem se juntando neste esforço com os árabes, transpira o antissemitismo. E o maior cinismo de todos é que esta votação ocorrerá nesta terça-feira dia 2 de maio, dia da Independência do Estado de Israel e também do assassinato de Tali Hatuel e suas filhas.

O Brasil está passando por momentos muito graves. Rasgar a Bíblia e atacar a fé de milhões de seus cidadãos não deveria ser sequer uma consideração neste momento. Em 1947 com Oswaldo Aranha, o Brasil mostrou sua independência e soberania, liderando o voto para a criação do Estado de Israel.

Gostaria de pedir aos ouvintes que tomem a iniciativa e liguem, passem fax, deixem recado aos seus representantes no Congresso e Senado, especialmente para os representantes da bancada evangélica para exigir que o Brasil não vote a favor desta resolução ofensiva e absurda. Há também uma petição no site do change.org iniciada por Luis Milman.

Ao votar no próximo dia 2 de maio, o governo deve lembrar que representa o povo brasileiro. E o povo brasileiro em sua esmagadora maioria respeita a Bíblia e seus ensinamentos. Mandem uma mensagem alta e clara que um voto a favor desta resolução nesta terça-feira não será um voto em seu nome!


Sunday, April 23, 2017

A Proxima Guerra do Líbano - 23/04/2017

No dia 17 de março último, a Força Aérea de Israel foi alvejada por mísseis vindos da Síria. O porta-voz do exército esclareceu que os jatos estavam voltando de mais uma missão para destruir um comboio de armas para a Hezbollah quando mísseis terra-ar russos SAM-5 (Veja) foram lançados do território sírio. Os SAM-5 foram interceptados e destruídos sobre o Vale do Jordão.

Nesta quinta-feira, a Hezbollah fez um tour para jornalistas na fronteira com Israel, descrevendo os postos do exército e dando a clara impressão de que o grupo e não o exército libanês é quem está no comando das fronteiras do Líbano. O “guia” disse aos jornalistas que a Hezbollah tinha desenvolvido táticas especiais para lidar com as estruturas do exército israelense que – de acordo com ele – pela primeira vez estaria na defensiva. Ao que parece, nem o guia, nem Nasrallah se incomodaram que as declarações do grupo à imprensa estavam em flagrante violação da Resolução 1701 da ONU e ridicularizaram a presença da UNIFIL na região.

Aí na sexta-feira, sirenes tocaram no norte de Israel, e ao que parece dois mísseis perdidos atingiram uma área aberta nos Altos do Golan. E hoje pela manhã, foi reportado que a força aérea de Israel teria alvejado postos do exército sírios. A mídia libanesa reportou que três pessoas morreram e duas ficaram feridas.

Apesar de a Síria estar em guerra civil desde 2011, o sul do país está nas mãos do Irã, diretamente e através da Hezbollah e ao que parece provocar Israel tornou-se parte de sua estratégia.

Com isso, o comando do exército israelense está pressionando o governo por uma mudança de postura em caso de guerra. Uma mudança necessária para lidar com o dramático aumento do arsenal da Hezbollah desde a última guerra do Líbano em 2006 tanto em quantidade como em qualidade.

Em 2006, a Hezbollah tinha aproximadamente 15 mil foguetes e lançaram contra Israel 4.300 durante os 34 dias da guerra, uma média de 130 por dia. Hoje a estimativa é que o grupo tenha 130 mil foguetes e mísseis e pode lançar até mil deles por dia. Os foguetes e mísseis que a Hezbollah tem hoje têm um alcance maior, são mais precisos e contêm maiores ogivas, podendo atingir quase qualquer lugar em Israel. Se lembram, em 2006, a Hezbollah atingiu primariamente o norte do estado judeu. 

A Hezbollah também tem mísseis que podem ser lançados de bases subterrâneas. Este é o caso do M-600 feito na Síria, um clone do míssil iraniano Fateh-110. Ele tem um alcance de 300 km e carrega uma ogiva de 500 kg além de um sistema de navegação sofisticado. Israel também acredita que o grupo tenha mísseis Scud D com alcance de 700 km. Isto coloca o reator de Dimona, a central elétrica de Ashquelon e toda a sede do governo de Israel dentro do alcance da Hezbollah.

Além disso, a Hezbollah melhorou sua capacidade no chão. Ela tem uns cinco mil guerrilheiros lutando na Síria ganhando experiência real no campo de batalha o que a tornará uma adversária mais difícil numa próxima guerra.

A estimativa é que a Hezbollah tentará lançar seus mísseis de longo alcance no começo da guerra, infligindo maior dano e devastação o mais rápido possível e impedir Israel de destruí-los como aconteceu na primeira noite da Segunda Guerra do Líbano.

A devastação que a Hezbollah espera causar terá o efeito psicológico de chocar a nação e impedir uma resposta pronta e coordenada. Ainda, apesar de Israel ter feito muito progresso com o Domo de Ferro e o Estilingue de Davi, será difícil para estes sistemas defender o país de milhares de misseis por dia.

Isto quer dizer que se Israel quer minimizar os ataques da Hezbollah, ela tem que ser muito mais agressiva do que no passado. E isso deve incluir alvejar a infraestrutura do Líbano. Em 2006 esta possibilidade foi aventada, mas o governo de Israel, pressionado pelo então presidente Bush, decidiu distinguir entre a Hezbollah, que na época era uma organização pequena e atuante no sul do Líbano, e o povo libanês em geral.

Apesar de Israel ter bombardeado o aeroporto internacional de Beirute e algumas estradas e pontes, isto era para impedir que a Hezbollah tirasse os dois soldados israelenses sequestrados do país e impedir transportes de armas do Irã.

Hoje Israel entende que a Hezbollah, que é xiita, não é mais uma pequena organização com influência limitada, mas a força dominante que hoje controla o Líbano. Nada acontece na ex-Suiça do Oriente Médio sem a sua aprovação. E se este é o caso, não há porque distinguir o Líbano da Hezbollah.

Mas a coisa é complicada. Ataques contra a infraestrutura nacional do Líbano, podem levar os sunitas a juntarem-se à Hezbollah e Israel precisará dos sunitas para reequilibrar o país. Os em favor dos ataques argumentam que Israel tem que dissuadir a Hezbollah de ataques futuros e motivar o resto dos libaneses a conter o grupo.

Hassan Nasrallah, o líder da Hezbollah, lembra bem que a guerra de 2006 destruiu a indústria do turismo e com ela, a economia do Líbano. Ele já sofre duras críticas no país por apoiar Bashar Al-Assad e mandar libaneses lutar e morrer na Síria.

E é bem provável que a resposta de Israel a um ataque da Hezbollah seja uma reação maciça pelo ar, mar, terra e ciberneticamente, causando imediatamente mais danos do que causou no país em 2006. Se este for o caso, o povo libanês não irá perdoar a Hezbollah tão cedo, como o fez há 11 anos.

Porque isto é importante? Porque a Síria continua a se desintegrar e nada como uma guerra contra Israel para unir facções inimigas e para o Irã e Bashar al-Assad retomarem o controle. E estes pequenos incidentes e provocações estão acontecendo com mais frequência, justo quando o clima está menos frio e chuvoso, permitindo o livre movimento de guerrilheiros.

A situação pode infelizmente deteriorar bem rápido e alguns no gabinete de Israel já estão falando de um ataque preventivo para reduzir a capacidade da Hezbollah num conflito aberto.

É claro que independente da capacidade da Hezbollah, Israel ainda é mais forte. O problema é o dano que ela pode causar ao Estado judeu antes de mais uma derrota. E dado o que Assad tem feito com seus próprios cidadãos e irmãos muçulmanos, não podemos nos ludibriar sobre qualquer contenção quando se tratará de matar judeus. Um dia antes do Yom Hashoah temos que ter isto fresco em mente e Israel tem que estar mais alerta do que nunca. A terceira guerra do Líbano já está aparecendo no horizonte.