Tuesday, August 15, 2017

A Ameaça da Coreia do Norte a Israel - 13/08/2017

Tirando o caos e a violência de ontem em Charlottesville na Carolina do Norte provocada por neo-nazistas e supremacistas brancos, o foco quase exclusivo da mídia esta semana esteve voltado para a troca de ameaças entre a Coreia do Norte e a administração Trump. A pergunta nos lábios de todos os jornalistas e comentaristas se resumiu se a retórica do presidente poderia levar os Estados Unidos a uma guerra nuclear.

Desde os anos noventa com o presidente Bill Clinton, toda a vez que o líder da Coreia do Norte mostrava as presas, a administração Americana corria para os bastidores para apaziguar o líder louco do dia.

Em 1994, Clinton anunciou um acordo com Kim Sung Il pelo qual os Estados Unidos dariam quatro bilhões de dólares para a Coreia do Norte em troca da suspensão e desmantelamento de seu programa nuclear. Na ocasião Bill fez um pronunciamento ao povo Americano afirmando que o acordo era a ultima maravilha para a segurança mundial.

A Coreia do Norte recebeu a ajuda, mas não cumpriu o prometido.  Em 2002 o filho de Kim Sung Il, Kim Jon Il já no poder, expulsou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e retirou a Coreia do Norte do Tratado de Não-Proliferação. Em vez de apertar a retórica e o cerco, o presidente George Bush mais uma vez conseguiu convencer a Coreia do Norte, juntamente com a Coreia do Sul, o Japão, a China e a Rússia, de cessar seus testes nucleares em troca de 950 mil toneladas métricas de combustível ou ajuda econômica no mesmo valor.

Obama continuou esta mesma politica mas deixou o Pentágono tentar ataques cibernéticos contra as usinas nucleares da Coreia do Norte. Kim Jon Il não pareceu preocupado e conduziu pelo menos 4 testes nucleares subterrâneos durante a administração Obama. O novo líder da Coreia do Norte, é um louco megalomaníaco e assassino de membros de sua própria família e Deus sabe de quantos mais. Ele sabe que sem armas nucleares e a ameaça de uma guerra iminente, ele não se mantém no poder. O povo norte-coreano é o mais oprimido do mundo. Eles nascem para idolatrar e servir o líder e ponto. A fome é endêmica, sua única fonte de renda é exportação de minerais principalmente para a China.

Kim Jon Un viu como no passado seu pai e avô conseguiram extorquir concessões do ocidente sem dar nada em troca. Mas ele não contava com um Trump pela frente.  Diferentemente do que a mídia quer que acreditemos a retórica de Trump não causou o problema com a Coreia do Norte. Trump herdou este problemão e agora está tentando outra avenida, usando a linguagem que este bully entende. A Coreia do Norte é o único país que possui armas nucleares que ativamente ameaça usa-las contra seus vizinhos e a América. Trump resolveu coloca-lo contra a parede.

Por um lado há os que advogam uma resposta militar para trocar o regime e unir a península, por outro, há o perigo real de uma guerra nuclear que afetará milhares de sul coreanos, japoneses e americanos estacionados na região. Mas é precisamente porque governos anteriores adotaram a política do apaziguamento com estes ditadores malucos que chegamos nesta situação.

E Israel não está fora desta briga. Em abril deste ano, a Coreia do Norte ameaçou Israel com “mil punições impiedosas” porque o Ministro da Defesa Avigdor Liberman teria “ferido a dignidade da liderança suprema”. De fato, Liberman descreveu numa entrevista em hebraico para o site Walla que Kim Jon-Um era um louco e junto com os lideres do Irã e da Síria era membro de uma gangue “insana e radical” que objetivava minar a estabilidade mundial.

Em sua resposta a Coreia do Norte acusou Israel de manter armas nucleares ilegalmente (!) e ser responsável por perturbar a paz do Oriente Médio. O porta-voz de Kim Jon-Un explicou que Israel poderia sofrer o impacto de uma piora das relações com os Estados Unidos porque recursos que estão no Oriente Médio seriam transferidos para a Asia deixando Israel descoberta.

Apesar de não tirar nota 10 na precisão dos fatos, se a Coreia do Norte fizer alguma agressão e usar armas nucleares, estará quebrando um tabú que desde 1945 o mundo cuidou em manter. E isso porque a devastação e mortes causadas em Hiroshima e Nagasaki foram várias vezes maiores do que o esperado.

E apesar de tropas americanas não estarem estacionadas em Israel, ela estará sozinha para se defender do Irã, se a América for para a guerra contra a Coreia. E pode ser que o jovem, inexperiente e influenciável Kim Jon-Un esteja sendo manipulado pelos aiatolás para criar exatamente este cenário.

O Irã está trabalhando com a Coreia do Norte no programa nuclear e muitos especialistas dizem que os dois têm na verdade o mesmo programa. O reator Sírio que Israel destruiu em 2007 era norte-coreano. O Irã conduziu testes para a Coreia do Norte depois do acordo com Clinton e hoje a Coreia está desenvolvendo a miniaturização de ogivas nucleares com a presença de observadores iranianos. Nesta semana, o numero 2 do governo de Pyongyang viajou para Teerã para discutir o programa nuclear apesar da ONU ter aprovado novas sanções contra o regime.

Se a Coreia do Norte se sentir ameaçada, como parece, irá correr para finalizar a tecnologia e passa-la ao Irã. Pode ser que até tenha já alcançado este objetivo. Neste caso, Teerã aguardará pela reação do mundo à ameaça norte-coreana para decidir seu próximo passo.

Se Trump continuar com suas ameaças, mas não fizer nada, mesmo em face a um ataque não nuclear à América ou a algum aliado, isto encorajará não só a Coreia do Norte mas o Irã, a Rússia e outros a agirem mais agressivamente.

Se Trump resolver continuar com o apaziguamento, a Coreia do Norte também sairá mais forte e os aiatolás colocarão menos peso no acordo assinado com Obama e avançarão seu programa nuclear e balístico com mais confiança.

Se houver uma reação decisiva por parte de Trump, o Irã terá que repensar sua próxima jogada, especialmente se os Europeus se juntarem aos Estados Unidos para trocarem este regime insano.

Mas há ainda outro cenário. A presença iraniana na Síria, na fronteira com Israel traz ainda outra ameaça. O Irã poderá usar jihadistas para detonarem um dispositivo nuclear miniaturizado contra Israel. Isto seria um meio mais “seguro” de atacar o Ocidente do que envolver diretamente os Estados Unidos.

Neste caso, com o tabú quebrado, teremos uma corrida armamentista no Oriente Médio, algo que Israel não quer.  Mas ainda se o tabú não for quebrado, pode ser que Israel esteja no caminho de um envolvimento nuclear mesmo que o conflito principal esteja muito longe do Oriente Médio.


Sunday, August 6, 2017

As Lições da Venezuela, Turquia e Israel - 6/8/2017

A Venezuela chegou ao fundo do poço. Nicolas Maduro, o ex-motorista de ônibus virado sindicalista e hoje presidente do país conseguiu afundar de vez o país antes próspero, desenvolvido e livre. Mas o processo não começou com ele e sim com seu predecessor Hugo Chavez que se apoderou das reservas de petróleo do país (uma das maiores do mundo) para enriquecer os seus comparsas, distribuindo migalhas aos pobres em forma de bolsas para se manter no poder. A classe média foi esmagada, o pequeno e médio empreendedor caçado e as poucas indústrias do país nacionalizadas e sucateadas. O sistema despencou junto com o preço do petróleo mundial. Soa familiar?

Dois milhões de venezuelanos deixaram o país, praticamente toda a comunidade judaica, mais uma vez demonstrando que o socialismo só funciona até acabar o dinheiro. Maduro prendeu líderes da oposição, empossou uma nova Assembleia Constituinte que lhe dará poderes ilimitados, destituiu a procuradora-geral enfim, tomou todas as instituições do país como reféns como todo ditador que se preze. A imagem do país exótico, aonde pessoas dançavam salsa nas ruas já não existe. Hoje a Venezuela é realmente única: um buraco negro econômico, com hiperinflação, filas gigantescas para comprar comida, falta de remédios e produtos básicos; um desastre social e um campo político minado com eleições roubadas, protestos diários e desordem. Direitos humanos, liberdades civis, já não existem.

Já no começo desta onda, em 2009, Caracas expulsou o embaixador de Israel acusando o Estado judeu de “perseguir” os palestinos.

O mesmo está se passando com a Turquia. Antes o país mais avançado do mundo islâmico, esperando ser aceito a qualquer momento como membro da União Europeia, a Turquia está regredindo a passos largos para se tornar o centro da intolerância e ditadura islâmica. Recep Tayyp Erdogan, seu presidente, está concretizando sua afirmação de que “a democracia é como um trem. Você desce dele quando chegou ao seu destino”. Um após o outro, ele tem removido os guardiões das instituições democráticas do país: as forças armadas, o judiciário e a mídia.

Ele organizou o suposto “golpe” no ano passado para em menos de dois dias eliminar ou neutralizar milhares de seus opositores que hoje estão sendo julgados “em massa”. Como a resposta do mundo foi fraca, Erdogan se tornou confiante e hoje nem finge mais que a Turquia seja uma democracia. Erdogan posicionou o país como um bastião muçulmano em primeiro lugar procurando restaurar a glória passada do Império Otomano e do califado islâmico. Ele quer restabelecer a lei islâmica como a imposição do uso do véu e vestimentas que cobrem todo o corpo. Milhares de mulheres marcharam esta semana pelo direito de se vestirem como quiserem depois de uma onda de expulsões e violência contra algumas que usaram shortes e regatas em transportes e espaços públicos.

A economia da Turquia também está em frangalhos, mas apesar de depender da ajuda internacional, seu comportamento só piora. Depois de supostamente vencer um referendo popular, Erdogan restabeleceu a pena de morte e continuou a prender acadêmicos, jornalistas, comerciantes, políticos e membros da polícia e do exército. A Alemanha anunciou que nesta situação não dará à Turquia a ajuda de 4.1 bilhões de dólares prometidos. Outros países também estão questionando a participação da Turquia na OTAN.

Na situação atual de impasse entre a Arábia Saudita e o Irã, a Turquia fez sua escolha, se aliando aos aiatolás e ao Qatar. Ela importa gás natural do Irã e Qatar prometeu mandar milhões de dólares em compensação . Como sabemos, este eixo é extremamente anti-Israel e recebe apoio da Rússia.

Com a crise dos detectores de metal no Monte do Templo, a Turquia adotou uma retórica antissemita especialmente agressiva incitando a população contra a comunidade judaica. O próprio Erdogan conclamou os turcos para marcharem contra Jerusalem para defender a mesquita da Al-Aqsa das botas imundas dos soldados israelenses.

Como a Venezuela, as relações da Turquia com Israel começaram a deteriorar em 2010 com o incidente do navio Mavi Marmara que tentou violentamente quebrar o bloqueio naval israelense de Gaza.

Antes do famigerado acordo de Obama com os mulás de Teherã, o Irã também estava à beira do precipício econômico. Isto porque o governo dos clérigos escolheu a busca por armas nucleares e a hegemonia xiita no mundo islâmico sobre o bem estar econômico do povo. Em vez de usar a renda do gas natural e petróleo para fomentar a economia e a indústria, Teherã usou de todos os seus recursos para construir usinas nucleares subterrâneas e aumentar o volume de sua retórica contra Israel. Esta semana, com a reeleição de Rouhani, não há qualquer mudança pela frente e a relação desta ditadura com os Estados Unidos e Israel só tende a piorar.

É preciso notar que a Venezuela, a Turquia e o Irã mantém laços muito estreitos entre si, e em todas as esferas. O que podemos aprender deles?

A primeira lição é sobre autoritarismo.

Desde 1989, quando o mundo se dirigiu para a democratização, houve uma reação muito forte liderada pela China, Rússia e Turquia. Mas mesmo a China foi obrigada a abrir sua economia e substituir os uniformes sem gosto de Mao por ternos feitos sob medida. A Rússia teve que adotar uma postura democrática para dar a Putin legitimidade antes dele tentar restaurar a União Soviética. E a Turquia supostamente adotou valores ocidentais para se juntar à União Europeia só para voltar atrás.

Mas o autoritarismo não dura para sempre e seu fim é duro. A segunda lição que aprendemos destes países é sobre o antissemitismo.

Em 1655, o judeu holandês Menasseh Bem Israel pediu, numa carta para Oliver Cromwell, que voltasse a admitir os judeus que haviam sido expulsos em 1291 da Inglaterra. Ele argumentou que todos os que maltrataram os judeus foram “punidos”, mas seus benfeitores foram “recompensados e seus países começaram a florescer”.

Ele citou a Espanha que fora à falência quatro vezes nas décadas seguintes à expulsão dos judeus enquanto que o Império Otomano, que os recebeu, progrediu. Quando a Antuérpia atacou os judeus, perdeu seu status de centro financeiro para Amsterdã que os recebeu.

Este fenômeno foi tão prevalente na Europa que o sociólogo nazista alemão Werner Sombart declarou que “Israel passa sobre a Europa como o sol: com a sua chegada surge nova vida; quando se vão, tudo declina”. Colocando o supernatural de lado, lideres como Hugo Chavez usam os judeus como tradicionais bode expiatórios acusando-os de todo o mal. Mas a natureza do judeu é empreendedora e inovadora e é isso que os países perdem quando perseguem ou se livram de seus judeus.

A terceira e mais importante lição, fica com Israel. Ela não pode subestimar os que usam os judeus e o Estado judeu para consolidarem seu poder e não pode se dobrar às suas demandas para restabelecer relações ou outro ganho qualquer a curto prazo. Orgulho nacional é algo muito importante nesta região. Quando Israel se rende em disputas aparentemente pequenas com países autoritários, faz com que seus inimigos se fortaleçam e continuem a ataca-la implacavelmente. Isto mina sua capacidade de dissuasão e de forjar alianças com países que têm os mesmos objetivos como a Arábia Saudita, por exemplo. Israel tem que primeiro pensar em proteger seus interesses estratégicos como um país soberano e independente. Se dobrar para obter resultados imediatos não é uma política de governo nem a longo e nem a curto prazo. 

Não é se o Estado judeu quiser manter o poder de dissuasão e o respeito que lhe cabe.  


Sunday, July 23, 2017

A Soberânia de Israel e o Monte do Templo - 23/07/2017

A família tinha se reunido neste último Shabat em Halamish, uma comunidade na Samaria para comemorar o nascimento de mais um neto para Yosef e Tovah Salomon. A mesa, coberta com uma toalha branca, tinha sido preparada com refrigerantes e quitutes para receber os vizinhos e amigos que deveriam chegar para o Shalom Zachar, um dos mais antigos costumes judaicos conhecidos, em que a comunidade parabeniza os pais no primeiro Shabat depois do nascimento de um menino.

A porta da casa estava destrancada esperando os convidados. Mas em vez deles, um palestino de 19 anos brandindo um facão entrou e passou a esfaquear os membros da família. Ele matou Yossef de 70 anos, sua filha Chaya de 45 anos e seu filho Elad de 36 anos. A esposa de Yossef, Tova de 68 anos foi ferida gravemente. Enquanto o palestino chacinava seu marido, a esposa de Elad conseguiu retirar seus cinco filhos se trancando num quarto da casa de onde passou a gritar por socorro.

Um vizinho imediatamente compreendeu o que estava se passando, pegou sua arma e da janela, atirou no estomago do terrorista. Tudo isso durou 15 minutos, mas assim que os paramédicos chegaram, o palestino ferido pulou e tentou ataca-los. Menos de 24 horas depois do ataque, o assassino foi transferido para a custódia da policia. As primeiras fotografias liberadas pelo exército mostraram a extensão da chacina. O chão da sala e da cozinha, inteiros banhados de sangue; marcas de passos sangrentos nas escadas e de mãos nas paredes. Sofás e cobertores encharcados de sangue.

O exército anunciou que o terrorista postou em seu Facebook sua intenção de cometer o ataque por causa da conclamação dos mulás, políticos palestinos e árabes israelenses contra uma suposta “tentativa de tomada das mesquitas do Monte do Templo pelos “judeus””.

Isto tudo porque, depois do horrendo ataque na semana passada que deixou dois policiais drusos israelenses mortos, Israel decidiu instalar detectores de metais na entrada dos muçulmanos na mesquita de Al-Aqsa.

Em todos os lugares em Israel há detectores de metais inclusive na entrada do Muro das Lamentações. Os palestinos imediatamente acusaram Israel de infringir o status quo no Monte do Templo e conclamaram os árabes para protestarem, se baterem contra a polícia e rezarem na rua, bloqueando o tráfego. O Waqf Islâmico, gerente do local, também pediu aos muçulmanos recusarem entrada na mesquita até que os detectores sejam removidos porque de acordo com eles os detectores são contra o islamismo.
Pois é, só em Jerusalem, porque na Arábia Saudita, os peregrinos do Haj devem passar por detectores de metais e serem totalmente revistados antes mesmo de entrarem na cidade de Meca e são observados 24h por dia por mais de cinco mil câmeras além dos mais de 100 mil seguranças empregados para vigiá-los. Em junho, devido a estas medidas, um homem-bomba foi apreendido antes de entrar na Grande Mesquita de Meca. Hoje a Arábia chegou ao ponto de requerer que os peregrinos usem pulseiras eletrônicas para serem monitorados. No Vaticano, mais de cinco mil policiais revistam visitantes mesmo depois de eles terem passado por detectores de metal.
Mas sejamos honestos aqui. Toda esta incitação e agitação nada têm a ver com a mesquita ou com detectores de metal ou com um suposto complô dos judeus de tomarem a mesquita. Esta não é uma desculpa nova. A causa do massacre de Hebron de 1929 foi exatamente esta – tirando os detectores de metal. No dia 24 de agosto daquele ano 67 judeus foram massacrados, entre eles uma dúzia de mulheres e três crianças com menos de cinco anos de idade. 57 corpos foram enterrados pelos árabes numa fossa coletiva. Uma carta dos judeus de Hebron ao Alto Comissário Britânico descreveu os casos de tortura, mutilação e estupro.
Naquela época os árabes estavam em controle do Monte do Templo e judeus tinham acesso super-restrito ao local.  Quase 90 anos depois da mentira, ela é repetida e novos massacres ocorrem. E os árabes exigem a volta do “status quo”, como se nada tivesse acontecido. Como se armas não tivessem sido trazidas para a mesquita e dois soldados israelenses não tivessem perdido suas vidas. Como dizem os Salmos: um povo que vive de mentiras.
O Monte do Templo é um local sagrado, mas não há nada de sagrado sobre este status quo que políticos israelenses insistem em manter. E se este status quo não está funcionando, ele tem que ser mudado e uma nova ordem, um novo status quo implantado.
Foi um grande erro ter deixado o controle do Monte do Templo nas mãos do Waqf depois da Guerra dos Seis dias. Quando Moshe Dayan disse: “para que precisamos deste Vaticano?” ele mostrou uma total ignorância do significado do local para os judeus. Sendo um membro da esquerda de Israel, Dayan acreditava no apaziguamento dos árabes como instrumento para obter calma. Grande erro.
O controle do local aonde os dois Templos judaicos foram construídos e destruídos, não é uma questão passageira que pode ser ignorada. Ela tem um significado profundo para os judeus, e as sensibilidades da maioria alguma hora têm que ser respeitadas, especialmente quando não há qualquer razão para não fazê-lo. Conhecemos bem a liberdade de religião e pluralismo no mundo islâmico depois de séculos de proibição de acesso para os judeus de seu local mais sagrado. Hoje, 50 anos depois da reunificação de Jerusalem, os judeus deveriam ter liberdade para visitar o Monte do Templo e rezar no local sem serem atacados por gangues de punks fundadas pelo movimento islâmico. Judeus e cristãos devem ter o direito de subir ao Monte sem estarem sujeitos à supervisão humilhante e provocadora dos capos do Waqf.
Fora da mesquita de Al-Aqsa em si, porque o Waqf e seus traficantes do ódio têm qualquer direito ou status sobre o resto do Monte?? Ou seus portões? Ou sua esplanada? Porque os judeus só podem entrar pelo portão Mugrabi? E porque em pequenos números? Porque quando há um surto de violência muçulmana são os judeus que são evacuados? Porque não podemos nos locomover no local livremente? Porque continuamos a dar aos inimigos de Israel um status de estado dentro de um estado?

Por décadas o Waqf tem se aproveitado do desejo de Israel de manter a calma: seus imams promovem a incitação à violência a cada sermão, diariamente causam danos arqueológicos irreparáveis; fornecem proteção a terroristas e arruaceiros; encobrem a estocagem de pedras e tacos de madeira destinados às cabeças de judeus. O Monte do Templo, contra todo suposto status quo, se tornou uma arena de hostilidades e terrorismo extraterritorial. Israel pode dizer que tem a soberania, mas não a vemos em nenhum lugar do Monte.

Hoje Israel não mais se comporta como uma força confiante e soberana mas com hesitação e dúvida, voltando a cada passo a oferecer medidas apaziguadoras que no final não trazem a calma. E tudo isto porque? Porque ela passou sua autoridade ao Waqf. E os palestinos são bons para cheirar fraqueza. Por isso não se pode apaziguar um agressor. É preciso confrontá-lo.  

Israel não pode se dobrar agora. Ela tem que declarar inequivocamente que a soberania do Monte do Templo lhe pertence. Tem que manter os detectores de metal e implantar outras medidas de segurança como câmeras por exemplo. Israel tem que expulsar o Waqf e apontar um imam pró-Israel como gerente da mesquita. Tem que manter uma força policial expressiva em toda a esplanada para manter a segurança e abrir sua visitação a todos, judeus, cristãos, muçulmanos, nativos e turistas dando a todos o direito de rezar.

Enfim, Israel deve deixar claro de uma vez por todas que foi ela quem ganhou a guerra e eles perderam. Qualquer agraciamento dado aos palestinos é ao bel prazer de Israel e não um direito. Vão reclamar? Que reclamem. Abbas cortou as coordenações de segurança de Israel? É ele quem está em perigo do Hamas tomar a Judeia e Samaria. Vão ir para o Conselho de Segurança? O Conselho já vai se reunir amanhã para discutir os detectores de metal. Estes palhaços não têm o que fazer.

Vão para a guerra? Talvez isto seja uma bênção. Uma boa guerra é bem melhor do que uma paz ruim. E o que os palestinos chamam de paz é a destruição de Israel.

Mas se todos nós enviarmos nosso apoio, a Israel e aos seus governantes, ela poderá mostrar ao mundo que sua soberania é real e não apenas palavras vazias.




Monday, July 17, 2017

A Nova Bíblia da UNESCO - 16/7/2017

Mais uma vez começamos a semana de luto. As famílias de Hail Stawi de 30 anos e de Kamil Shanan, de apenas 22 anos, policiais drusos de Israel, enterraram seus filhos neste final de semana.

Os dois foram chacinados por terroristas na sexta-feira às 7h da manhã em nada menos do que o Monte do Templo em Jerusalem. E por mais que a Autoridade Palestina e até membros árabes do parlamento de Israel queiram descrever este como mais um ataque contra o que eles chamam a “ocupação israelense”, esta afronta, no local mais sagrado do mundo para judeus tem o potencial de inflamar toda a região.

Os terroristas, árabes israelenses de Um-El-Faham não viviam sob qualquer “ocupação”. Viviam em Israel própria, cidadãos do país com todos os direitos e bem representados na Knesset.

Desde a libertação de Jerusalem por Israel em 1967, nunca houve um ataque com armas de fogo vindo de dentro da mesquita de Al-Aqsa e a pergunta é: até que ponto o Waqf, o órgão islâmico responsável pelo gerenciamento do local, foi cumplice deste ato terrorista.

Logo após a vitória israelense na Guerra dos Seis Dias e a famosa frase “o Monte do Templo está em nossas mãos”, o então Ministro da Defesa, Moshe Dayan, achou por bem devolver as chaves das mesquitas ao Waqf para evitar mais conflitos com o mundo árabe. E o status quo, de que tanto se fala, é manter o Waqf no gerenciamento enquanto Israel detém a soberania do local.

Mas desde 1967, o status quo mudou e muito. Mudou para pior para Israel, beneficiando os muçulmanos. Quem visitou o Muro das Lamentações sabe das longas filas dos detectores de metal e segurança que temos que passar. Os muçulmanos não têm tais restrições. Eles têm entrada livre. Ainda, até alguns anos atrás, qualquer um, incluindo judeus e cristãos, podiam visitar as mesquitas e rezar, desde que comprassem uma entrada. Hoje, se alguém é pego movendo os lábios, é retirado imediatamente à força porque só muçulmanos têm o direito de rezar no platô. Que religião é essa que proíbe pessoas de outras fés de rezar?? E judeus e cristãos não rezam para o mesmo D-us que os muçulmanos??

Como, depois de 50 anos, a soberania de Israel é questionada, a presença de judeus e cristãos rejeitada, e a própria história negada?

Existe um esforço do mundo impulsionado pelos palestinos para minar a legitimidade de Israel como país e o direito dos judeus à sua terra ancestral.  E de acordo com Daniel Pipes do Fórum do Oriente Médio, não haverá paz neste canto do mundo até Israel deixar claro para os palestinos que eles perderam a guerra e têm que aceitar termos de rendição.

De fato, Israel continua a existir porque contra todas as probabilidades, ela ganhou todas as guerras em que esteve envolvida. E Pipes tem razão sobre uma declaração inequívoca de Israel. Temos que parar de engolir como verdade esta afirmação asinina de que “não há solução militar para o conflito” quando durante os cinco mil anos de história da humanidade conflitos só foram resolvidos militarmente. O que estudamos na escola senão sobre guerras e como os vencedores mudaram o curso anterior?

Este projeto do mundo contra Israel está claramente nas mãos da ONU. Vimos a palhaçada se repetir na UNESCO na semana passada, outra vez negando o passado judaico de três mil anos de Hebron e o túmulo dos patriarcas. Os palestinos reclamam os locais judaicos para si e dizem que eles estão em perigo forçando uma votação de emergência. A votação foi tão escandalosa que o embaixador de Israel Carmel Shama HaCohen disse que precisava sair porque a privada entupida de seu apartamento era um problema mais sério que a resolução adotada.

Esta é apenas a ultima manobra desonesta da organização que supostamente é encarregada dos lugares históricos da humanidade. Mas desta vez a UNESCO, seguindo a liderança do Líbano, Cuba e Kuwait (pilares da cultura mundial), foi ainda mais longe. Ela reconheceu apenas o passado islâmico de Hebron, da ocupação dos mamelucos até hoje. Assim, o mundo hoje considera o tumulo de Abraão, Isaac, Jacó, Sarah, Rebecca e Lea um local islâmico! Nem as objeções do Conselho Internacional de Monumentos e Locais que avalia os locais de Herança Mundial e notou que não havia nenhuma indicação que Hebron estava em perigo, além da inadmissível omissão da história anterior aos mamelucos - foi suficiente para mudar os termos da resolução.

Aonde chegamos!!! Isto é o que acontece quando países civilizados deixam a liderança de organizações internacionais nas mãos de tiranos ignorantes.

E esta vitória encorajará os palestinos a submeter outros pedidos. Na sua lista está Jericó e pasmem: as cavernas de Qumran aonde foram encontrados os textos do Mar Morto. Os palestinos reclamam os textos, escritos em hebraico do Segundo Templo como sua Herança Nacional!

Esta não é uma tática nova. Todas as vezes que muçulmanos conquistaram um local, ou eles destruíram os centros religiosos ou os transformaram em mesquitas. É só ver o que fizeram na Turquia, quando converteram a suntuosa basílica cristã de Santa Sofia na mesquita Ayasofia. Em Israel, além da implantação da mesquita no Monte do Templo e no túmulo dos patriarcas em Hebron, o túmulo do profeta Samuel virou mesquita, o tumulo de José foi destruído, e o tumulo da matriarca Raquel, apesar de nunca ter havido uma mesquita no local, é chamado pelos palestinos de Mesquita de Bilal bin Rabah.

A única coisa positiva deste voto da UNESCO foi o debate acirrado que ele causou em Israel. Na quarta-feira, a vice-ministra do exterior Tzipi Hotovely declarou no plenário da Knesset que os palestinos estavam “roubando a história judaica”.

Ela levantou a Bíblia como prova da história autêntica da história do povo judeu e depois abriu um livro sobre a história palestina com páginas em branco que fez um sucesso incrível na Amazon até ser removido.

Hotovely perguntou: “vocês sabem por que as páginas estão em branco? Porque os palestinos nunca tiveram reis ou locais de herança mundiais. David, Moises, Abraão, Isaac e Jacó foram antepassados dos judeus e vocês palestinos, não conseguirão islamiza-los”.

Mas o membro árabe da Knesset Abdel Hakim Haj Yahya respondeu que “Abraão é o pai dos palestinos, não dos judeus. E que todos os profetas são muçulmanos, ou eles não seriam profetas!” Agora entendemos como Jesus se tornou o primeiro “mártir palestino”. Esqueçam os Evangélios. De acordo com esta lógica, Jesus não era judeu. Ele era na verdade muçulmano!

Estamos prontos a viver com esta nova verdade??

Senhores, não há como desfazer este tipo de retórica. Não há paz porque os árabes e palestinos são alimentados todos os dias com este tipo de excremento ideológico e falsidades históricas que os fazem acreditar que estão com a verdade. Temos que deixar bem claro que rejeitamos este discurso absurdo e temos que exigir que nossos líderes não fechem os olhos para esta retórica que procura semear a dúvida sobre as fés judaicas e cristãs e cria uma expectativa irreal para os palestinos.


Albert Einstein disse que “o mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os observam sem fazer nada”. Nosso papel é sairmos de nossa zona de conforto e fazermos alguma coisa.


Sunday, July 2, 2017

Trump, as Falsas Noticias e Israel - 2/7/17

Desde a tomada de posse da presidência da Republica por Donald Trump, muita coisa tem mudado nos Estados Unidos e no mundo. Apesar dos ataques venenosos e implacáveis da mídia, Trump conseguiu concretizar mais promessas feitas durante a campanha do que qualquer outro presidente americano.

Em pouco mais de 5 meses, além de trazer uma confiança sem precedentes ao mercado e às bolsas de valores, Trump cancelou centenas de regulamentos que atravancavam empresas e proibiam a exploração de fontes de energia gerando milhares de empregos; nomeou e conseguiu aprovar um membro conservador para a Suprema Corte do país; reduziu substancialmente a imigração ilegal; congelou os gastos do governo federal; renegociou vários tratados comerciais internacionais; aprovou o orçamento para renovar o exercito, reformou o sistema médico para os veteranos, mas acima de tudo, ao usar o Twitter, o presidente se tornou o comandante da luta contra o noticiário falso. E isso está deixando os democratas, a esquerda e a mídia furiosos.

Até hoje, o aparato político precisava da mídia para transmitir suas medidas, políticas e acontecimentos ao povo. Hoje, com mais de 100 milhões de seguidores no Twitter, Trump só precisa de seu telefone. E para quem o segue, sabe que 99% de suas mensagens são sobre as medidas que ele está tomando para como ele diz: Fazer a América Formidável de Novo.

Mas em vez de discutir os objetivos do governo, a mídia continua numa frenética, insana e pouco produtiva caça às bruxas, a bruxa sendo Trump. Depois de mais de um ano sendo diariamente insultado por este casal de âncoras da NBC, Trump que é um homem orgulhoso, com mais conquistas no bolso do que todos nós juntos, resolveu bater de volta. Ele descreveu Mika como baixo Q.I. e seu noivo de maluco Joe. Ainda contou que os dois tinham tentado ser convidados para sua festa de ano novo mas ela estava sangrando de uma plástica recente e Trump disse não.

Este twit causou um alvoroço e nenhum outro assunto foi mais importante esta semana, inclusive para os correspondentes internacionais brasileiros. Não a libertação de Mosul das mãos do Estado Islâmico, não a confirmação da morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Bagdadi, não a onda de cólera no Iemen, não a imigração na Europa que já se tornou insustentável. Nada.

Mas Trump não parou aí. Depois de ter repetido que a CNN é a maior fonte de noticias falsas, esta semana ele foi vindicado. Três jornalistas da rede foram “resignados” incluindo o editor executivo da unidade de investigação jornalística depois de terem publicado uma estória falsa sobre um fundo de investimento russo que teria laços com pessoas na administração Trump. Eles citaram uma fonte anônima como prova. A rede ainda despediu Reza Aslan depois do âncora ter chamado Trump de um pedaço de excremento. Isto se seguiu ao cancelamento do contrato da comediante Kathy Griffin no começo de junho, depois dela ter aparecido segurando uma cabeça decapitada e sangrenta de Trump.

Parece que só este tipo de coisa consegue aumentar a audiência destas redes. Ultimamente só assistimos a CNN nas filas dos aeroportos. A NBC nem isso. O que forçou a mão destas redes foi a reação do público contra esta falta de respeito para com o presidente. Mesmo democratas estão de acordo que tem que haver um basta..

Porque isto é importante? Porque hoje temos que separar o joio do trigo quando ouvimos as noticias. Em Israel esta semana soaram alarmes, ameaças e avisos sobre a aparente deterioração das relações entre os judeus americanos e Israel. Tudo por que o governo de Bibi decidiu adiar a criação de uma nova entidade para gerenciar o espaço no Muro das Lamentações para os reformistas e conservativos e também sobre a lei de conversões.

As manchetes e opiniões distorceram de tal modo decisão - em vez de explica-la- que acabaram atacando diretamente a união do povo judeu.

À primeira vista, nos deram a entender que o governo eliminou de vez o espaço para os reformistas no Muro das Lamentações e mudou para pior o status das conversões não ortodoxas em Israel. Ambos são mentira.

A decisão não altera de modo algum o direito dos reformistas e conservativos de continuarem a rezar e a conduzirem seus serviços religiosos no Arco de Robinson, que é parte do Muro das Lamentações e o lugar que lhes foi designado há anos. Em 2016, o governo tinha concordado em conectar o Arco de Robinson com o complexo do Muro das Lamentações e transferir seu gerenciamento do rabinato ortodoxo para uma nova entidade que incluiria representantes reformistas e conservativos. Foi esta decisão que foi revertida.

Membros destes grupos têm o direito de estarem frustrados. O governo renegou em seu acordo e isto não é justo. Mas por outro lado, isto não justifica a retorica abusiva de membros da mídia e de alguns poucos líderes americanos que ameaçaram retirar seu apoio a Israel.

Sobre a conversão, foi o mesmo. Há 20 anos, a comissão Neeman decidiu que pessoas convertidas com os reformistas e conservativos poderiam fazer alyah usando a lei do retorno, mas não poderiam ser registrados como judeus pelo rabinato ortodoxo para efeitos de casamentos, divorcio ou enterros. Isto também não mudou. Os mais afetados por esta decisão são os 500 mil israelenses da ex-União Soviética que fizeram alyah porque tinham pelo menos um avô judeu, mas não são judeus pela halachah porque suas mães não são judias.

A coalisão de partidos que mantém Bibi no poder é muito tênue e os partidos religiosos sabem disto. Eles ameaçaram deixar a coalisão causando a queda do governo se ele cumprisse estas promessas. Bibi não teve alternativa. Ele tomou uma decisão política para se manter como primeiro-ministro e a vasta maioria dos lideres judaicos americanos entende isto.

Mas ao caracterizar a decisão do governo como uma rejeição do movimento reformista e conservativo, a mídia está tirando o foco da razão real para lutar por esta lei. A razão principal é a tremenda assimilação dos judeus na América. O casamento entre judeus e não judeus está acima de 70%. Filhos destas uniões poderão querer fazer alyah algum dia e muitos se consideram judeus. Os reformistas têm que lutar para que eles sejam aceitos de modo pleno, e não aceitar uma divisão desnecessária, e cortar seus laços com Israel se as leis não passarem agora.

O problema real é que enquanto todo o mundo fala da unidade entre os judeus, ninguém envolvido na conversa parece impelido a chegar neste objetivo. Não se chega à unidade através de recriminações. A união de Israel é alcançada pelo amor e respeito a todos, independente de suas origens, de suas tradições, e de quanto seguem a religião. Afinal, éramos 12 tribos, cada uma com sua bandeira. Sem isso, não teremos nenhum acordo bom ou duradouro.  Precisamos de calma, diálogo e muita ahavat Israel. E também paciência para esperar o momento político certo para alcançar estes objetivos.


Sunday, June 25, 2017

A Estratégia Americana na Síria, o Irã e a Coreia do Norte - 25/06/2017

No domingo passado, a força aérea americana abateu um jato sírio no norte do país envolvendo os Estados Unidos na guerra civil que assola a Síria há mais de seis anos. Agora, o impasse não é mais entre milícias locais, nem entre as forças regionais, mas entre os Estados Unidos em direta oposição à Rússia e ao Irã.

Os Estados Unidos querem separar os dois conflitos atuais na Síria: um contra o Estado Islâmico no leste e o outro, a guerra civil entre Assad e os rebeldes no oeste. Trump não nega sua interferência no primeiro, mas quer ficar fora do segundo. Assim, os rebeldes e curdos apoiados pela América estão proibidos de atacar as forças de Bashar al-Assad.

Enquanto a vitória sobre o Estado Islâmico parece inevitável, Assad – ou mais precisamente, o Irã e a Rússia – estão determinados a vencer os rebeldes. Isso coloca os Estados Unidos frente a duas escolhas: ou deixar seus aliados serem derrotados pelo regime, o Irã e a Rússia, ou ajudar a defendê-los. Uma decisão que Trump terá tomar o quanto antes.

Que seja uma Síria fragmentada, com Assad no oeste e os rebeldes no leste; ou a destruição do regime de Assad e a implantação de zonas seguras; ou a sobrevivência do regime de Assad e a volta de toda a Síria para suas mãos, qualquer destas escolhas é difícil e tem um custo. Mas o preço mais alto será pago se a América não definir uma estratégia e logo. A falta desta estratégia já permitiu às forças iranianas chegarem à fronteira entre o Iraque e a Síria e a cortarem o progresso dos rebeldes apoiados pelos Estados Unidos.

Porque isto é importante para Israel? Se os Estados Unidos e seus aliados forem derrotados no leste da Síria, o resultado será o estabelecimento de um corredor contíguo para o Irã passando pelo Iraque e a Síria até o Mediterrâneo. Pela primeira vez, os aiatolás estarão fisicamente às portas da Europa e na fronteira com Israel. Isto irá profundamente transformar a ameaça iraniana ao Estado Judeu.

Isso não tem a ver somente com a transferência de armamentos aos jihadistas e à Hezbollah no sul do Líbano. Para entender o perigo que representa tal corredor é preciso analisar o estilo de guerra que o Irã tem conduzido na última década na Síria e no Iraque. Sem ter declarado qualquer guerra, milícias iranianas entraram no Iraque e na Síria e têm comandado ataques, transferido armamento, tudo para proteger seus aliados e seus interesses. Com a desculpa de lutar contra o Estado Islâmico, o Irã, hoje constitui a maior força de poder nestes dois países.

Israel tem que assumir que numa futura guerra com a Hezbollah, ela não estará imune a este modelo. O líder da Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou nesta sexta-feira que o próximo confronto com Israel atrairá milhares de combatentes do Irã, do Iraque, da Síria e do Iêmen.

O fato dos governos tanto do Iraque como da Síria estarem em desalinho, é uma grande vantagem para o Irã. A criação de um corredor contíguo até o Líbano dará uma vantagem enorme aos aiatolás numa guerra com Israel e mísseis iranianos posicionados no Mediterrâneo servirão para dissuadir qualquer país europeu e mesmo a América de se envolver.

E aí temos a Coreia do Norte. Apesar de todas as sanções e condenações pelo tratamento de Otto Warmbier, Pyongyang está aumentando seus testes nucleares. Ontem mesmo testaram o motor de um míssil balístico intercontinental que poderá atingir os Estados Unidos. Este impulso irracional de Kim Jon-un pode ter Teerã por trás já que o programa nuclear norte-coreano é feito em conjunção com o Irã. É sabido que assim que a Coreia do Norte alcançar a tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais, o Irã terá posse dela.

Por isso é imperativo que Israel impeça o Irã de estabelecer este corredor e para isso precisa convencer a administração americana desta necessidade.

E falando da Coreia do Norte, tristemente, o estudante judeu americano Otto Warmbier morreu menos de uma semana após ter retornado aos Estados Unidos em estado vegetativo. A história dele nos seguiu a semana inteira. A última imagem que temos deste garoto vivo é frente ao tribunal fantoche, chorando e implorando de modo humilhante, por sua vida arruinada por acusações que ele não pode desmentir. Otto só encontrou injustiça na Coreia do Norte. Um julgamento fraudado, uma confissão forçada, uma sentença de 15 anos de trabalhos forçados, tortura e morte. Ele só tinha 22 anos.

E estes animais ainda têm a cara-de-pau de dizer que o retornaram por “razões humanitárias”. Que humanidade existe no regime da Coreia do Norte?? Eles eram responsáveis pelo bem-estar deste jovem, culpado ou não, dentro de seu sistema carcerário. E qual foi o crime de Otto? Ele fora acusado de tentar remover um pôster do governo e leva-lo como lembrança. Este governo beócio afirmou que este ato minou a própria fundação do Estado!! Se for assim, a fundação do estado norte-coreano não resta sobre muita coisa fora da insanidade de seu líder.

Otto negou ter cometido este suposto “crime contra o Estado” e a prova do governo foi um filme obscuro mostrando alguém não identificável, que tentou, mas não conseguiu remover o pôster.

Otto não é a primeira nem será a última pessoa a receber uma punição extrema por um crime que não cometeu ou por uma infração menor. E o regime da Coreia do Norte não é o único a impor estes tipos de punições em nossos dias. Na Tailândia há punições por insulto ao monarca, na Arábia Saudita sentenças de chibatadas até decapitações são comuns por “crimes” como feitiçaria. No Paquistão, jovens são apedrejadas ou mortas por suas famílias por quererem ir para a escola.

Qualquer um de nós poderia ser Otto Warmbier. Não conheço ninguém que não tenha cometido alguma infração na juventude comparável à que Otto foi acusado. A diferença é que vivemos em países civilizados nos quais tais transgressões resultam em advertências, não em pena de morte! Mas há milhares de Ottos no mundo, que vivem em regimes totalitários como o Irã, aonde mulheres são presas por assistirem a um jogo de vôlei ou por cantar num vídeo do Youtube. E o mundo se cala e ainda premia estes governos com, por exemplo, a presidência da UNESCO. Sim senhores, o delegado iraniano Ahmad Jalali será o presidente da organização e o responsável por implementar suas resoluções como as que negam o elo dos judeus com o Monte do Templo e Jerusalem.

Precisamos quebrar este silêncio que está permitindo tudo a estes déspotas. Se cada um de nós imaginasse ser Otto Warmbier, com os direitos de vida mais básicos negados, lutaríamos com unhas e dentes contra estes regimes. Mas inexplicavelmente continuamos em silêncio apesar de estarmos livres para poder opinar e exigir mudanças.  Vamos pedir para o Brasil cortar relações com a Coreia do Norte. Vamos denunciar o Irã e exigir que somente países com direitos humanos possam liderar organizações internacionais. Vamos lutar para que ninguém mais sofra esta sorte ou amanhã você também pode ser Otto Warmbier. 

Sunday, June 18, 2017

A Complacência com o Islamismo Radical e o Antissemitismo Europeu - 18/06/2017

Começamos mais uma semana cobertos de luto. A linda jovem Hadass Malka, de apenas 23 anos foi assassinada por um terrorista palestino na cidade velha de Jerusalem na sexta-feira à noite. Seu último ato antes de morrer foi de enviar um selfie sorridente a seus amigos, desejando a todos um Shabat Shalom.

Hadass era uma mulher maravilha real. Começando seu serviço militar na marinha, ela pediu transferência para a polícia militar. O treinamento físico extenuante, patrulhas difíceis e perigosas, nada deteve Hadass que queria servir seu país de modo significativo. Seu rosto lindo, risonho e confiante deve ter sido demais para este bando de “losers” - perdedores (como os definiu Donald Trump).

E de fato, é incrível ver o filme Mulher Maravilha, estrelado pela esplendida atriz israelense Gal Gadot, ter sido proibido no mundo árabe. A desculpa é por ela ser israelense, mas ver uma mulher forte salvando o mundo deve ser ofensivamente castrante para homens que só se sentem machos quando oprimem suas mulheres. E o pior é que estão levando esta cultura para o ocidente que infelizmente não sabe como lidar estas supostas “tradições culturais e religiosas”.

Por mais que a ativista muçulmana Linda Sarsour negue, práticas como casamento de meninas impúberes, mutilação genital, assassinatos por honra e outras pérolas da cultura islâmica, têm a ver sim com o islamismo. No primeiro caso nos Estados Unidos, em abril deste ano, as cortes federais de Michigan indiciaram dois médicos e a esposa de um deles, por praticarem a mutilação genital em meninas. Este procedimento cirúrgico é muito doloroso e consiste em remover o clitóris e a lábia que protege a vagina para suprimir qualquer desejo sexual nas meninas para o resto de suas vidas. Os médicos teriam efetuado o procedimento em mais de 100 meninas só em Michigan.

A defesa dos três, pasmem, alegou que isto é um procedimento religioso e, portanto, criminaliza-lo seria ferir a liberdade de culto protegido pela Constituição americana. E quem vocês acham pagou pelas mutilações? A mesquita frequentada pelos médicos.

A perda do norte moral pelos islamistas não está restrito ao Estado Islâmico com suas decapitações e escravidão sexual de meninas infiéis. A coisa chegou ao ponto de um apresentador de um programa de televisão no Egito que supostamente responde perguntas sobre religião, recomendar a uma espectadora respeitar os pedidos sexuais do pai dela e entender que ele estava viúvo já que a mãe dela tinha morrido. O link do vídeo desta infâmia está postado aqui. Isto tudo bem, mas pegar a filha trocando mensagens no Facebook com algum menino, ah, isto é justa causa para mata-la e defender a honra da familia....!

O problema é que o politicamente correto no ocidente praticamente amarrou e amordaçou as autoridades que só agem quando é tarde demais com medo de serem rotulados de islamofobos.

A complacência do ocidente em relação a estas práticas bárbaras e ilegais em seus países se contrapõe cada vez mais à postura anti-Israel domesticamente e nos fóruns internacionais. Algum psicólogo deveria estudar a relação destas duas forças incompreensíveis.

A rede Franco-Alemã de tevê ARTE, decidiu cancelar a transmissão de um documentário sobre o antissemitismo que assola a Europa, especialmente o antissemitismo islâmico. O filme, chamado “Escolhidos e Excluídos” foi considerado uma obra-prima por historiadores e jornalistas especializados em antissemitismo contemporâneo.  O editor do filme Julian Reichelt disse que as “redes de televisão europeias se recusam a mostrar o filme porque não é politicamente correto e porque o filme mostra uma aceitação do antissemitismo em grande parte da sociedade europeia e isso é perturbador”.

E em meio a tudo isso, no teatro do absurdo da UNESCO, depois dela ter negado os laços dos judeus com a cidade de Jerusalem, a organização agora quer designar o túmulos dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e suas esposas Sarah, Rebecca e Léa, em Hebron como uma herança do “Estado da Palestina” em sua próxima reunião na Polônia dia 2 de julho próximo.

O embaixador de Israel na Unesco descreveu esta votação como uma nova ofensiva na guerra sobre os locais sagrados aos judeus que os palestinos estão promovendo como parte de sua campanha contra Israel e os laços históricos do povo judeu com a terra de Israel.

Esta é uma nova oportunidade para exortar nossos parlamentares e mudar o voto vergonhoso do Brasil que insiste em se colocar do lado errado da História.

Finalmente, vou levantar minha voz em protesto contra uma das maiores mostras de desrespeito pela vida humana e o que governos liderados por déspotas ignorantes chegam a fazer.

No final de 2015 um estudante americano de 21 anos estava viajando pela China quando viu uma propaganda de uma agencia de turismo em inglês, convidando jovens a visitarem a Coreia do Norte. Otto Warmbier achou a aventura interessante e decidiu ir depois da agência ter assegurado que a viagem era segura para americanos. Otto foi para a Coreia do Norte para cinco dias durante o ano novo.

Enquanto esperava para embarcar para seu voo de volta, Otto foi preso no aeroporto de Piongyang e levado para questionamento por policiais. Eles alegaram que Otto havia roubado um pôster do falecido líder Kim Jong-Il para levar como lembrança e de acordo com as leis da Coreia do Norte, isto é um crime de traição. Otto foi obrigado a confessar o crime dizendo que o tinha cometido por instigação do governo americano e outras afirmações absurdas.

Em Março de 2016, Otto recebeu uma sentença de 15 anos de trabalhos forçados e seus pais não mais ouviram falar dele. Nem cartas, nem telefonemas, nada. A administração Obama recomendou que a família não fizesse alarde e confiasse que ele seria tratado humanamente. Com a mudança do governo americano, Trump decidiu sim fazer alarde e conseguiu a libertação de Otto. Só que ele voltou aos Estados Unidos nesta semana em estado de coma. As autoridades coreanas do norte disseram que ele tinha contraído botulismo, mas os médicos americanos negaram declarando que ele sofrera um dano neurológico severo por insuficiência respiratória. E não só isso. Otto está em coma desde abril do ano passado. Ele não aguentou as torturas e surras nas notórias prisões da Coreia do Norte nem um mês.

Antes desta viajem fatídica, Otto era um estudante exemplar, cursando o primeiro ano da universidade da Virginia em Comércio e Economia. Ele era um ótimo atleta e muito ativo na organização Hillel do Campus da Universidade. Com 16 anos ele participou da viagem a Israel com o grupo Birthright. Sim, Otto é judeu, não que isto faça qualquer diferença.

Quando um país prende alguém, independente do crime, ele se torna responsável por sua segurança e bem estar. O presidiário, por não ter liberdade, não pode fazê-lo sozinho. A Coreia do Norte, epítome do social-comunismo, que impõe a idolatria de seus líderes, não escapa a esta regra.

O Brasil mantem relações diplomáticas com a Coreia do Norte. Acho que além da UNESCO devemos pressionar o governo brasileiro a cortar relações com este ditadorzinho de meia tigela, mandando uma mensagem para aqueles que se conduzirem como párias, que eles serão tratados como párias.






Sunday, June 11, 2017

A Complicada Situação de Qatar - 11/06/2017

Nesta semana tivemos vários eventos com consequências imprevisíveis para os Estados Unidos e Israel.

Primeiro, a embaixadora americana na ONU Nikki Haley visitou Israel, recebendo uma acolhida de estrela. Apesar de estar baseada em Nova Iorque, Haley tem marretado o Conselho de Direitos Humanos em Genebra e ameaçou retirar os Estados Unidos – o maior patrocinador do Conselho - se suas exigências de reforma não forem implementadas. Uma dela é a eliminação do Artigo 7 da Agenda que obriga o Comitê a criticar Israel a cada sessão. O único país do mundo a ter um artigo de condenação obrigatório. 

No meio da semana tivemos o testemunho bizarro do ex-diretor do FBI, James Comey no qual ele confessou ter vazado para a imprensa um memorando oficial de seu encontro com Trump. Pelo menos Comey confirmou de uma vez por todas que não houve qualquer conluio entre Trump e os russos sobre as eleições – para desespero dos democratas.

Pela primeira vez, esta semana o Irã tomou uma dose de seu próprio veneno. Sendo o patrocinador-mor do terrorismo mundial, Teherã sofreu dois ataques simultâneos na quarta-feira, supostamente perpetrados pelo Estado Islâmico.  O Irã imediatamente culpou a Arábia Saudita e prometeu vingança.

E finalmente, tivemos a inesperada ação da Arábia Saudita, Egito, Líbia, Iêmen, Bahrain e Emirados Árabes que cortaram relações diplomáticas com Qatar, fechando suas fronteiras, negando acesso ao seu espaço aéreo e declarando um bloqueio econômico ao Emirado por suas ligações com grupos terroristas e a Irmandade Muçulmana.

O pequeno emirado devia estar esperando por uma destas. Há anos que o Emir trabalha incessantemente para dominar a política do mundo Islâmico. Em 1995, Qatar descobriu um dos maiores campos do mundo de gás natural. Só que um terço do campo está em águas territoriais do Irã o que prontificou a aproximação entre o emirado Sunita e a Republica Islâmica xiita.

Nos anos 90 Qatar se tornou um dos países mais ricos do mundo e seu regime adotou uma política para minar os regimes sunitas do mundo árabe usando propaganda e patrocinando o terrorismo.

Em 1996, o Emir de Qatar criou o canal de noticias em árabe Al Jazeera. Em 2013 Al Jazeera comprou o canal Current TV do ex-presidente americano Al Gore e lançou Al-Jazeera em inglês. O canal tem  em média 60 milhões de telespectadores, sendo o maior formador de opinião do mundo árabe. Sua programação é abertamente oposta aos Estados Unidos e seus aliados sunitas,  apoia a Irmandade Muçulmana e todo grupo terrorista derivado além do Irã e da Hezbollah.

A Al-Jazeera é também visceralmente anti-Israel e antissemita.

O canal funciona como  braço propagandístico da Al-Qaeda, da Hezbollah, do Hamas, do Jihad Islâmico e de qualquer um que atacar a América, Israel, a Europa ou seus aliados.  A Al-Jazeera fez uma extensa cobertura das comemorações em Beirute da volta de Samir Kuntar, o brutal terrorista solto por Israel em 2008 que em 1979 matou quatro adultos a tiros e duas crianças batendo suas cabeças contra pedras na praia em Nahariah.

Al Jazeera teve um papel central na tomada de poder no Egito pela Irmandade Muçulmana e na queda de Muamar Qadafi na Líbia. Nos últimos 20 anos o regime de Qatar foi o maior financiador da al-Qaeda, do Hamas e das milícias associadas com o Estado Islâmico no Iraque e Síria.  Numa comunicação do Depto de Estado americano vazada pela Wikileaks em 2009, Qatar figura como o maior financiador do terrorismo do mundo.

A gota que transbordou o copo, de acordo com o Financial Times, foi a descoberta pelos sauditas que em abril Qatar pagou ao Irã e suas milícias iraquianas e às forças da al-Qaeda na Síria, módicos 1 bilhão de dólares para libertar 50 terroristas presos na Síria.

Depois da visita de Trump ao Oriente Médio, os países sunitas decidiram romper com Qatar até que o emirado denuncie sua aliança estratégica com o Irã, cesse seu suporte financeiro a grupos terroristas e expulse terroristas de seu território.

Se isto acontecer, o Irã irá sofrer um baque enorme. Qatar funciona hoje como seu banqueiro e intermediário diplomático. E se fosse só isso, seria fácil para Trump se manter firme junto a seus aliados sunitas, mas a coisa é mais complicada.

Os Qataris não são bobos e assistiram O Poderoso Chefão. No filme, o filho de Don Corleone diz ter aprendido a manter seus amigos próximos e seus inimigos ainda mais próximos. Nestes anos os Qataris não mediram esforços e dinheiro para envolver os Estados Unidos e suas instituições num emaranhado de relações que levou o Secretario de Estado Rex Tillerson a correr para colocar panos quentes na crise.

Além de doações milionárias a várias fundações, inclusive a dos Clintons, os Qataris investiram centenas de milhões de dólares em universidades americanas. As seis maiores universidades dos Estados Unidos têm campus em Qatar. Até o Instituto Brookings, o prestigioso think-tank americano, abriu uma filial em Doha.

Qatar tentou até trazer Israel para sua zona de influência. Em 1996 o emirado estabeleceu relações comerciais com o Estado Judeu que abriu um escritório comercial em Doha. O escritório foi fechado em 2000 e em 2009 Qatar rompeu todas as relações comerciais com Israel por causa da guerra com o Hamas.

Não é surpresa que Obama tenha tentado substituir o Egito por Qatar como mediador durante a guerra entre Israel e o Hamas. Não funcionou porque Qatar defendeu completamente as exigências do Hamas.

E aí temos o Pentágono. No fim dos anos 90, Qatar gastou mais de um bilhão de dólares para construir a Base Aérea Al Udeid e a ofereceu aos Estados Unidos. Em 2003, o Comando Militar Central Americano foi transferido da Arábia Saudita para Doha e é de lá que as ações americanas no Iraque, Afeganistão e Síria são coordenadas.

Com medo da situação deteriorar, o Irã enviou sua Guarda Revolucionária para proteger o Emir de Qatar, sua família e palácio. Na quarta-feira o parlamento turco, defensor da Irmandade Muçulmana votou para enviar tropas para proteger o regime em Qatar.

Isto tudo foi muito bem calculado. Qualquer ataque a Qatar será entendido como um ataque ao Irã e à Turquia que é membro da OTAN. Em toda esta bagunça entra também a Rússia, tentando tomar o lugar dos Estados Unidos. Trump imediatamente disse que ele próprio iria mediar o conflito e pode ser que ele consiga que Qatar atenda as exigências dos outros países sunitas do Golfo.

De qualquer forma, hoje temos uma nova realidade no Oriente Médio que não está mais claramente dividido entre sunitas e xiitas mas aonde poderosos critérios econômicos tomaram precedência.

Temos que estar todos atentos porque pessoas com um ego enorme, recursos ilimitados e contatos com os maiores grupos terroristas do mundo podem fazer muito estrago se decidirem faze-lo.




Sunday, June 4, 2017

A Guerra Contra a Imagem de Israel - 04/06/2017

Parece que não saímos das mesmas noticias e comentários. Na semana passada começamos com a contagem de 51 mortos e centenas de feridos em dois ataques terroristas: um em Manchester na Inglaterra e outro contra um ônibus de cristãos no Egito.  Os dois ataques foram reivindicados pelo Estado Islâmico. E nesta semana começamos com sete mortos e dezenas de feridos em Londres, muitos em estado crítico. Depois de atropelarem dezenas, três terroristas saíram de uma van armados de facões e apunhalaram vários pedestres incluindo uma criança.

Mais uma vez ouvimos os políticos, a polícia, os comentaristas, os especialistas, e mais velas, flores e ursinhos serão colocados no local do último massacre. O prefeito Sidi Khan procurou assegurar a população dizendo que Londres é a cidade internacional mais segura do mundo. Sério?? Três ataques em três meses, dezenas de mortos e a cidade é a mais segura do mundo?

Infelizmente a Europa criou um problema para si que hoje ninguém consegue resolver. Depois da Segunda Grande Guerra, como penitência pelos crimes cometidos em nome da pureza de raça, os europeus abriram suas portas a milhões de refugiados, especialmente os vindos de países islâmicos e antigas colônias. E como para provar sua redenção, resolveram adotar a política do multiculturalismo. Em outras palavras, em vez de assimilar os refugiados à cultura, língua e valores europeus, a Inglaterra e outros países abraçaram as culturas estrangeiras permitindo a criação de um estado paralelo, literalmente. Hoje só na Inglaterra existem mais de 100 cortes islâmicas para os muçulmanos. Imaginem, um sistema judiciário distinto para os que são de uma certa fé! Na capital da França, Paris, há bairros em que a polícia não entra sem permissão. E todo o tipo de violência, crimes e contravenções são aceitos se cometidos por muçulmanos, só para que o país não seja rotulado de islamofobico.

Há algumas semanas atrás, uma medica de 65 anos, que morava sozinha em um pequeno apartamento num bairro modesto de Paris, foi atacada enquanto dormia. O atacante, seu vizinho de 27 anos com várias passagens pela polícia, entrou no apartamento pela varanda e a torturou por mais de uma hora. O ataque foi tão violento que resultou em mais de 20 fraturas em seu rosto e corpo. Quando os gemidos cessaram, o atacante pegou a senhora ainda viva, e a jogou pela janela do terceiro andar no pavimento, gritando allah uakbar.

Durante todo o incidente, a policia armada estava do lado de fora do apartamento e não fez nada. Os vizinhos, que podiam ouvir os gritos da vítima, também não fizeram nada. A mídia foi avisada ainda durante o evento. Ela não apareceu e não reportou o assassinato.

O nome da vítima era Sara. Sara Halimi.

Esta cena atroz não ocorreu em 1942, à véspera do Rafle du Veld’hiv, quando os franceses prenderam seus judeus e os transportaram para os campos de concentração nazistas. Esta cena aconteceu entre o dia 3 e 4 de abril deste ano, num apartamento a alguns quarteirões do Bataclan, aonde mais de 100 jovens foram mortos por terroristas muçulmanos em 2015.

No domingo seguinte ao assassinato de Sara, uma marcha silenciosa foi organizada na área. Ela foi saudada pelos jovens do bairro aos gritos de “morte aos judeus” e “nós temos kalachnikovs”.

Se a Europa conseguiu abraçar o estrangeiro e seus valores retrógrados e medievais, ela não conseguiu erradicar seu ódio ao judeu. Este ódio milenar se transformou com a criação do Estado de Israel.

Contra todas as expectativas, um punhado de sobreviventes dos campos nazistas conseguiram rechaçar o ataque dos exércitos árabes em 1948.  E ao fazê-lo, sem qualquer ajuda exterior, o Estado judeu tornou-se independente. Longe de ser o resultado do colonialismo europeu, a criação do Estado de Israel moderno foi um exemplo milagroso e único, de um povo antigo, que depois de dois mil anos de exilio, conseguiu retornar à sua terra, ressuscitar sua língua e se tornar um sucesso econômico.
  
Isto não foi digerido pela Europa acostumada a mandar no Oriente Médio. Em novembro de 1967, quando o mundo ainda maravilhava a vitória de Israel na Guerra dos Seis dias e a reunificação de Jerusalem, o Presidente francês Charles de Gaulle chocou 900 jornalistas e 200 diplomatas com uma declaração que não havia sido ouvida por um líder europeu desde 1945: Ele disse: “Os judeus são um povo elitista, dominador e seguros de si próprios”, uma nação que – tendo seu próprio estado – exibirá uma “ambição ardente de conquista” um estado que se tornou de fato “guerreiro” e “determinado a se expandir”.  

Apesar da declaração ter trazido muitas condenações, ela foi o ponto de partida na guerra sobre a imagem de Israel. Uma guerra que Israel ainda não conseguiu vencer.

Sem poder explicar sua derrota contra um adversário minúsculo, os líderes árabes se empenharam em desviar a atenção de sua incompetência para o caráter de Israel. E para fazer isso usaram o livro de receita nazista. Os Protocolos dos Sábios de Sião têm sido publicados em árabe desde 1951 junto com acusações de conspirações para dominar o mundo, libelos de sangue e outras acusações fantásticas. Em 1965, para torpedear a influencia israelense em projetos de agricultura na Africa, os egípcios publicaram um panfleto “Israel, o Inimigo da África” que descrevia os judeus como trapaceiros, ladrões e assassinos.  

Mas até 1967 estes esforços árabes foram ridicularizados pelo mundo. A Guerra dos Seis Dias mudou isto. A terrível derrota militar sofrida dobrou os esforços árabes para desfigurar Israel mundo afora. O problema de De Gaulle foi que Israel ousou lutar apesar dele ter dito não e pior, Israel ousou ganhar, apesar dos planos dele preverem uma vitória árabe. Quando confrontado com a traição de Israel, ele decidiu culpar o Estado judeu. Sem qualquer vergonha de usar o melhor estilo nazista, De Gaulle disse que Israel tinha uma ajuda vasta em “dinheiro, influência e propaganda” dos “círculos judaicos na América e Europa”. Tudo para obter favor junto aos árabes.

Com De Gaulle as elites ocidentais aprenderam a atacar Israel pelas costas enquanto seus vizinhos atacavam pela frente.

Em Moscou, a vitória de Israel causou outro tipo de frustração. As armas usadas por Israel eram americanas enquanto as dos árabes eram soviéticas. A derrota em seis dias causou um dano enorme à indústria armamentista soviética, uma de suas maiores fontes de renda.  

Antes mesmo da Guerra acabar, o embaixador soviético na ONU em um discurso histérico, acusou o exército de Israel de ser uma gangue hitlerista, redefiniu a guerra de defesa declarando Israel como agressora e os árabes passaram a serem “vítimas”, argumentos até hoje usados em propagandas anti-Israel. Israel estava sendo acusada por aqueles que prenderam escritores, construíram Gulags e ocuparam à força terras da Lituânia até o norte do Japão!

Bater em Israel passou a ser o instrumento de todo aquele que quisesse desviar a atenção de qualquer problema. Esta guerra contra a imagem de Israel piorou em 2001. Duas semanas após um suicida matar 15 na pizzaria Sbarro em Jerusalem, milhares marcharam em Durban, na África do Sul, chamando Israel de racista enquanto mais de três mil ONGs acusavam Israel de genocídio sistemático. E pior, heróis culturais como o escritor José Saramago, o cantor inglês Roger Waters e outros embarcaram no trem do ódio. Um trem obcecado, irracional, implacável, independente das ações ou inações de Israel.

Hoje o mundo está entendendo talvez um pouco o que Israel tem enfrentado todos estes anos com o terrorismo. Mas o politicamente correto ainda reina. Em seu discurso hoje pela manhã Tereza May falou muito em engajar os muçulmanos, coisa que ouvimos 16 anos atrás depois dos ataques de 11 de setembro e não funcionou. Chegou a hora de colocar os terroristas na defensiva, interrogando suspeitos, deportando ilegais, expulsando imams radicais, cancelando a cidadania europeia dos perpetradores e seus familiares.


E Israel tem que entender que a guerra por sua imagem é tão importante quanto as conquistas militares. E para vencê-la ela tem que fazer o que faz de melhor: ir ao ataque e expor aqueles que querem sujar seu nome.