Monday, May 16, 2011

Netanyahu em Washington - 15/05/2011

Parece difícil acreditar que depois do acordo de união entre a Fatah de Mahmoud Abbas e o Hamas – o grupo terrorista alinhado com a Al-Qaeda e a Irmandade Islâmica, o Presidente Barack Obama decidiu abrir mais uma rodada de pressão sobre Israel para conseguir mais concessões para os palestinos.


Na última quarta, o Wall Street Journal reportou que Obama pretende fazer um novo discurso ao mundo árabe, justamente antes de Netanyahu ter a chance de falar ao Congresso americano. Neste discurso, Obama irá elogiar os movimentos populistas que se ergueram contra as tiranias árabes dizendo que são exemplos para o futuro. Sobre Israel, a reportagem diz que Obama está tentando decidir se chegou a hora de apertar os parafusos mais uma vez.

Por um lado, o vice-conselheiro em Segurança Nacional Ben Rhodes disse ao Wall Street Journal que líderes árabes estavam exigindo uma nova iniciativa americana para forçar Israel a novas concessões junto com o lobby palestino J Street e o New York Times. Provavelmente para distrair seu público e os protestos.

Por outro lado, o governo de Netanyahu está pedindo ao Congresso para suspender a ajuda à Abbas. O acordo de união com o Hamas, que está na lista de grupos terroristas, torna ilegal para os Estados Unidos patrocinar a Autoridade Palestina. Tanto Netanyahu como membros seniores do Congresso americano argumentam que agora fica impossível uma paz e os Estados Unidos devem abandonar seus esforços para forçar as partes a um acordo.

Mas parece que Obama não se importa e quer ir adiante. Com a nova credibilidade conseguida com a morte de Bin Laden, ele acha que pode passar por cima do Congresso e exigir que Israel renda Jerusalem, a Judéia e Samária ao Hamas e seu sócio a Fatah. Isto mesmo com a resignação de seu enviado George Mitchell que após 2 anos não conseguiu levar o processo nem um passo à frente.

A prova está em três eventos que ocorreram esta semana. Primeiro, a administração Obama está tentando reduzir as exigências para aceitar o Hamas como uma força política legítima. Depois do primeiro acordo de união de 2007, o Quarteto colocou 3 condições para aceitar o Hamas: reconhecer o direito de Israel de existir, concordar em respeitar os acordos existentes e renunciar ao terrorismo.

Estas não são condições difíceis. A Fatah é dita como as tendo alcançado mesmo se na prática continuam a negar o direito de Israel de existir, não cumprem os acordos assinados e glorificam atos terroristas. O Hamas poderia fazer o mesmo. Mas recusa.

Assim, Obama reduziu as condições. Obama disse que o Hamas já fez várias concessões importantes quando assinou o acordo com a Fatah porque teria finalmente aceito as condições do acordo proposto por Mubarak em 2009. E porque o Hamas concordou que o governo de união será dirigido por “tecnocratas” em vez de terroristas.

Uau! Que boa notícia! Mas mesmo se isto for verdade, este argumento é absolutamente ridículo! Só para esclarecer, o acordo de 2009 diz que o Hamas irá se abster de pedir para se juntar às forças da Fatah na Judéia e Samária, que vêm sendo treinadas e armadas pelos Estados Unidos. E cá entre nós, quem é que Obama acha irá controlar os “tecnocratas”, seja lá quem forem? E só para trazer um pouco de honestidade à esta estória, esta semana o líder do Hamas Khaled Mashal categoricamente negou ao New York Times, ter aceito os termos do acordo de 2009. Ao contrário, ele disse que a Fatah concordou em emendar o acordo para refletir as posições do Hamas.

O segundo evento foi uma opinião publicada no Washington Post, escrita por Robert Malley, que no passado foi conselheiro de Obama. Nesta opinião ele diz que o Hamas se tornou mais moderado ou que poderá se tornar mais moderado pois estará mais sensível às pressões americanas. O New York Times, num editorial na semana passada disse que mesmo se o Hamas não se moderou, Obama precisa pressionar Netanyahu a voltar à mesa de negociação.

Juntando suas vozes ao coro, está Amr Moussa, candidato à presidência do Egito e o primeiro ministro da Turquia Recip Erdogan. Ambos deram entrevistas à jornais americanos chegando até a negar que o Hamas seja um grupo terrorista.

O último ponto que a administração americana está tentando empurrar é que este acordo é parte das mudanças que estão ocorrendo no Oriente Médio. Esta é difícil de engolir. A primeira vítima destes levantes populares está sendo justamente o acordo de paz entre Israel e o Egito. Mais de 60% da população egípcia quer a revogação dos acordos e a Guerra com Israel. E assim mesmo, Obama chegou a dizer que a tomada de poder pela Irmandade Islâmica no Egito é uma coisa boa.

Mahmoud Abbas e Yasser Arafat sempre viram a obsessão americana com um tratado de paz entre os palestinos e Israel como um trunfo estratégico. Quando era hora de enfraquecer Israel, eles só tinham que sussurar a palavra paz, que a administração americana corria para pressionar Israel a novas concessões. Todos os presidentes tiveram como objetivo entrar para a História com este troféu no bolso. Mas Obama é diferente. Ele realmente acredita na causa palestina. Edward Said, um palestino que usava suas férias na Universidade Columbia para jogar pedras em Israel do sul do Líbano era frequentador assíduo de sua casa, antes mesmo dele ser senador.

E por causa de seu comprometimento pessoal com os palestinos, suas posições são ainda mais radicais e anti-Israel que as da OLP e Fatah. Foi Obama, não Abbas que exigiu que judeus fossem proibidos de construir em suas próprias propriedades em Jerusalem, Judea e Samaria. É a administração Obama, não a OLP e Fatah que hoje lidera a idéia de acolher a Irmandade Islâmica.

Abbas argumenta que ele se uniu ao Hamas porque Obama não lhe deixou outra alternativa. Ele não tem qualquer desejo ou incentivo para fazer a paz com Israel. Com o apoio americano à Irmandade Islâmica, Abbas não poderia ser menos pró-islamico que Obama.

Aqui é importante notar que nenhuma declaração sobre o acordo da Fatah com o Hamas, feito pela mídia que cobre o presidente, incluiu qualquer menção ao fato que o Hamas seja um grupo terrorista. Ninguém notou que o Hamas lança mísseis diariamente sobre a população civil de Israel e foi quem alvejou um ônibus escolar no mês passado matando Daniel Viflic de 16 anos. Ninguém lembrou os massacres da Páscoa de 2002, nos cafés, nos ônibus, nos campus de universidades, em casas de judeus, todos perpetrados e continuamente comemorados pelo Hamas nos últimos anos. Ninguém mencionou que proporcionalmente à população, o Hamas matou mais civis israelenses que a Al-Qaida matou americanos.

E aí temos a viagem de Netanyahu a Washington esta semana. É óbvio que este discurso que Obama quer dar ao mundo árabe foi marcado para esnobar a tornar o trabalho de Netanyahu o mais difícil possível. Obama está apostando que ao fazer o primeiro movimento, irá conseguir espremer o primeiro ministro de Israel a mais concessões.

E foram as aparentemente inócuas decisões de Israel, de capitular sob a pressão de Obama que nos trouxeram à situação de hoje. A aceitação de um estado palestino, o congelamento de 10 meses das construções, deram boa razão para Obama pensar que pode colocar Netanyahu no canto quando quiser. E as histéricas advertências do ministro da defesa Ehud Barak sobre um “tsunami” diplomático nas Nações Unidas que ocorrerá em setembro se Israel não capitular hoje, sem dúvida dão ainda mais incentivo a Obama.

Mas Netanyahu não precisa capitular. Ele pode se manter firme e defender o país repetindo as verdades que sabemos sobre o Hamas. Ele pode avisar sobre a crescente ameaça no Egito, sobre os contínuos massacres na Síria e que um regime que mata seus próprios cidadãos não pode fazer a paz com o estado judeu. Ele deve lembrar ào senadores e congressistas que Israel é o único país estável, democrático na região e o único verdadeiro aliado dos Estados Unidos.

Se Netanyahu fizer isto, ele não vai ganhar amigos na Casa Branca aonde eles não existem de qualquer modo. Mas dará ao Congresso Americano poder para tomar decisões que irão ajudar a proteger Israel. E mais importante, seus eleitores saberão reconhecer seus esforços em casa.

5 comments:

  1. Fiquei esperançoso quando Mabarak caiu, mas a decepção em saber que sua queda dá lugar à hostilidade com Israel por parte do populacho egípcio me enoja.

    Shabbath shalom.

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  2. Debora! Como no tempo da juiza que julgava em baixo das palmeiras, o Senhor dos exércitos de hoje também pode retirar o seu apoio ao povo judeu. Os palestinos também são filhos de Deus.

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  3. Engraçado esse comentário acima... com todo o respeito devido ao colega Bitencourt, é estranho falar em "filhos de Deus", em se falando de árabes palestinos, que são na maioria muçulmanos. Vale lembrar que, segundo o islamismo, um dos maiores pecados que se pode cometer é o associacionismo, ou seja, "associar parceiros a Deus". Assim, diser que Deus (Allah, para os seguidores de Maomé), teria pai, mãe, filhos, esposa etc, seria um sacrilégio.

    Nunca é demais se informar antes de abrir a boca.

    Shabath shalom, chaverah.

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  4. Os palestinos também são filhos de Deus, assim como toda a humanidade,ou não?

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