Sunday, December 29, 2024

O Milagre de Hanukah e o Antissemitismo - 29/12/2024

 

Na edição de sexta-feira do jornal The Jerusalem Post, o rabino Nathan Lopes Cardozo publicou uma opinião sobre o Antissemitismo e a Festa das Luzes – Hanukah - que estamos comemorando nesta semana. Não posso reproduzir aqui toda a opinião, mas achei muito apropriado retransmitir a sua mensagem especialmente para o ano novo. Então aí vai.

Deve ter sido uma experiência extraordinária quando os kohanim nos dias dos hasmoneus de repente perceberam que uma pequena quantidade de óleo que deveria durar apenas um dia estava durando oito dias. Eles provavelmente não perceberam isso no começo. Mas quando a mesma quantidade de óleo queimou por dois dias, depois por três e, finalmente, por oito dias, eles foram confrontados com um grande mistério.

E um questionamento solene deve tê-los dominado.

Esta é a base da religiosidade genuína – a consciência de que nem todas as coisas podem ser explicadas. É um espanto radical, que destrói o lugar-comum e nos faz perceber que nossa sabedoria às vezes é inferior ao pó.

Uma destas coisas é a existência misteriosa dos judeus. Assim como as luzes de Hanukkah, eles continuam lembrando ao mundo que há algo excepcional que transcende a história e as realizações humanas.

Os judeus são um povo incomum que continua a quebrar regras que a maioria acredita serem absolutas e incondicionais. Ao sobreviver à brutalidade do mundo por milhares de anos ao mesmo tempo em que faz contribuições à este mesmo mundo totalmente desproporcionais aos seus números, os judeus lembram à humanidade que as coisas nem sempre se curvam à mera lógica.

Esta anomalia é uma manifestação do divino. O propósito dos judeus é trazer a divindade e a dignidade a todos os homens. E isso exige que eles abracem sua diferença e sua missão de ser uma luz para as nações mesmo que isso signifique quebrar convenções e trazer perseguições e ostracismo.

Assim, foram os judeus que, num mundo completamente politeísta, em que o rei (fosse ele um faraó ou um césar) também era um deus, trazem a ideia revolucionária de que todos os homens foram criados à imagem de D-us significando que todos nós temos a faísca divina e a moralidade, a consciência inerente que vem com ela.

Mas aqueles que abominam essa visão do homem e querem que ele seja nada mais do que um primata, semelhante a macacos e chimpanzés. Para estes, essa visão desperta ódio extremo, que eles jogam de volta aos judeus, os portadores desta mensagem.

E assim compreendemos o que Adolf Hitler quis dizer sobre os judeus quando declarou: “Estou libertando os homens das restrições de uma inteligência que assumiu o comando; das automortificações sujas e degradantes de uma quimera chamada consciência e moralidade”.

A maioria dos antissemitas nem sabe por que são antissemitas. Eles são atormentados por um ódio subconsciente por aqueles que defendem e ensinam a preeminência do homem e seu caráter moral.

Foi o famoso livro de Edward H. Flannery sobre antissemitismo, O Tormento dos Judeus (1965), que claramente apontou isso. Flannery escreveu: "Foi o judaísmo que trouxe o conceito de uma lei moral universal dada por Deus ao mundo... O judeu carrega o fardo de Deus na história [e] por isso nunca foi perdoado." É esta rejeição da moralidade universal que está na raiz do antissemitismo.

Os próprios judeus devem perceber que as guerras travadas agora, com a simultânea explosão mundial do antissemitismo, são o resultado desse fenômeno. Afinal, os judeus violam continuamente as regras da história. Eles sobreviveram a quase 2.000 anos de exílio e a todos os que os perseguiram, retornaram à sua antiga terra natal, ressuscitaram sua língua que há séculos havia sido declarada morta e continuamente surpreendem o mundo com inovações e descobertas. Eles são um lembrete constante de sua diferença.

As guerras de hoje não são sobre território e não apenas sobre o povo judeu. Essas guerras são sobre o direito dos judeus de serem diferentes por serem judeus, servindo à humanidade para tornar este um mundo melhor e mais digno.

E mesmo quando muitos judeus hoje não se veem mais como portadores dessa missão, os antissemitas ainda os identificam como tal”. Como na era nazista, não há como escapar disso até mesmo depois de 4 gerações.

“Com os judeus não há meio-termo. Ser judeu é trágico ou extraordinário. Ou os judeus não têm importância ou são de suprema importância. E isso é um problema para judeus e israelenses seculares. Em seu desejo de serem aceitos pelo mundo, eles tentam se assimilar, e não percebem que isso é uma ilusão.

Na verdade, esse desejo de “ser igual” só aumenta sua perplexidade quando o mundo os rejeita e o antissemitismo vem à tona.

Uma das grandes tragédias de Israel é que ela deve se defender constantemente contra ataques contínuos. Quando seus inimigos afirmam que Israel será exterminada, "do rio ao mar", não há opção a não ser se defender com todas as suas forças. Os judeus são então forçados a usar o poder militar para sobreviver.

Eles deixam seus trabalhos como advogados, recepcionistas, médicos, donos de lojas e engenheiros para pegar em armas. Mas isso é algo que eles abominam. Foi Golda Meir quem disse: “Talvez possamos perdoar os árabes por matarem nossos filhos, mas será mais difícil perdoá-los por nos terem forçado a matar os filhos deles.”

É esse paradoxo que torna essas guerras tão intoleráveis. Aqueles que são forçados a lutar são os que mais odeiam isso. O mais irônico é que se os judeus não lutassem nessas guerras, um dia os antissemitas nos culpariam por permitir que grupos terroristas, e acima de tudo, o Irã, conquistassem a Europa e matassem milhões.

Aqueles dispostos a ser honestos um dia elogiarão os judeus por defender o Ocidente e seus valores. Mas apenas alguns reconhecerão que eles também eram o alvo e deveriam ter participado da luta.

A atual onda de antissemitismo não tem nada a ver com Gaza, ou ocupação, nem acusações de genocídio ou crimes de guerra. Essas acusações espúrias são apenas mais uma maneira de atacar os judeus, cuja própria existência é um espinho no pé de uma grande parte deste mundo.

Por milhares de anos, os judeus têm sido objeto de ódio em sociedades que ostentam todas as religiões, ou nenhuma. Os fascistas os chamavam de comunistas. Os comunistas os rotulavam de capitalistas. Judeus pobres eram maltratados, e judeus ricos acusados ​​de dominar o mundo. Judeus foram expulsos de quase todos os países em que residiram. Diziam a eles para voltar de onde vieram.

Agora, depois de 2.000 anos de exílio e do assassinato de milhões em pogroms, expulsões e conversões forçadas culminando com o genocídio de 6 milhões, finalmente retornamos de onde viemos, voltamos para casa, apenas para ouvir que precisamos ser aniquilados novamente.

Esta é a razão pela qual os sábios de Israel decidiram tornar uma obrigação para cada família judia acender velas de Hanukah. Eles não enfatizaram a vitória militar dos Macabeus contra o império grego. Em vez disso, foi o acendimento milagroso de velas no Templo que eles escolheram enfatizar.

Uma pequena quantidade de óleo puro, insuficiente para mais que um dia, conseguiu permanecer acesa por oito dias. Porque esta é a natureza de Israel – alcançar o impossível e iluminar o mundo, rebelando-se contra o comum e o status quo, mesmo quando o preço é alto.

Os judeus devem se orgulhar de serem a consciência moral deste mundo. Foi Winston Churchill quem disse: “Algumas pessoas gostam de judeus e outras não. Mas nenhum homem que pensa, pode negar o fato de que eles são, sem dúvida, a raça mais formidável e mais notável que já apareceu no mundo.”

Infelizmente, nós mesmos esquecemos disso frequentemente. Somos todos, quer reconheçamos ou não, expressões vivas desta chama espiritual de Hanukah, que se recusa a se submeter à mera normalidade. E continuaremos a brilhar mesmo contra todas as probabilidades ditadas por este mundo terrestre.

Gostaria de desejar a todos os ouvintes um Feliz Hanukah e um ótimo 2025, repleto de boas notícias e conquistas de cada um.

Sunday, December 22, 2024

A Mudança de Mãos e de Rosto do Oriente Médio - 22/12/2024

 

Após a destruição do Hamas sunita em Gaza, do colapso da Hezbollah xiita no Líbano, da queda do regime alauíta na Síria, as revoltas islâmicas e as aspirações territoriais das minorias da região, drusos e curdos incluídos, as fronteiras do Oriente Médio, traçadas há 100 anos pelas potências coloniais estão desaparecendo rapidamente.

Após um século, toda a região está mudando de mãos e mudando de rosto. As potências locais estão lutando pela hegemonia, enquanto Israel se protege, recusando-se a cometer os erros do passado, cometidos pelas potências aliadas e vencedoras da Primeira Grande Guerra. Ao derrotar a Alemanha e o Império Otomano, elas impuseram uma paz para acabar com toda a paz ao dividir os espólios.

Os Acordos Sykes-Picot assinados em 1916 pela França e Inglaterra dividiram o Oriente Médio de forma leviana e arbitrária. As fronteiras de linhas retas que encontramos nos mapas foram traçadas com régua e caneta, na mesa de um burocrata qualquer. A situação atual é o resultado da política colonialista do Ocidente, do mal-entendimento do mundo árabe e dos muçulmanos e uma total indiferença com o destino de Israel. A divisão levou em conta somente os interesses econômicos dos vencedores.

Desde o início, a divisão foi frágil. Em 1920, a Síria foi dada pela Inglaterra a Faisal que o proclamou rei. Mas alguns meses depois, o exército francês entrou em Damasco e expulsou o Emir Faisal, a quem os ingleses então ofereceram o trono do Iraque. A divisão em zonas de influência da França e da Inglaterra não levou em consideração nem as populações locais nem aspectos demográficos, socioculturais e religiosos. Várias tribos árabes, embora nômades, encontraram-se separadas e dispersas em Estados diferentes. Os curdos e os drusos buscaram em vão um território e sua autodeterminação, e os cristãos maronitas buscaram alianças. Os regimes mandatários levaram a um fortalecimento da minoria alauíta sobre a maioria sunita na Síria e, a uma dominação da minoria sunita sobre a maioria xiita no Iraque.

A Declaração Balfour, que havia oferecido aos judeus um "lar nacional", foi desrespeitada e a partilha da Palestina, que ocorreu 30 anos depois, criou uma frente de recusa árabe. Ao longo dos anos, toda a região foi abalada por levantes internos, golpes e revoltas que continuam até hoje.

As retiradas unilaterais de Israel do Líbano (2000) e de Gaza (2005) beneficiaram o Hamas e a Hezbollah porque não foram apoiadas por acordos robustos com Estados fortes e soberanos. Em vez de serem vistas como uma oportunidade para cultivar a construção de um relacionamento positivo, elas foram vistas como um sinal de fraqueza dos grupos terroristas que inclusive aumentaram os ataques, os disparos de morteiros, de mísseis e drones contra Israel pelo Hamas — um afiliado da Irmandade Muçulmana Sunita — e pela Hezbollah, uma milícia xiita treinada, apoiada e financiada pelo Irã.

Ainda hoje, apesar do verdadeiro ódio milenar entre os sunitas e os xiitas, a Irmandade Muçulmana apoiada pela Turquia e os aiatolás iranianos se unem, quando se trata da destruição do estado de Israel.

O Ocidente e as Nações Unidas não aprenderam nada com os erros do passado e parecem surpresos quando não conseguem impedir os conflitos na região. O que é mais fácil? O mais fácil é sem dúvida pressionar Israel para não lançar uma operação preventiva ou retaliatória, apesar dos perigos existenciais que enfrenta. Os eventos da véspera da Guerra dos Seis Dias são o melhor exemplo.

E continua até hoje! Neste ano que passou, vimos a forte pressão exercida pela comunidade internacional, mas especialmente pela administração Biden, para que Israel não entrasse em Gaza, depois não entrasse no Hospital Shifah, ou na cidade de Gaza e principalmente não entrasse em Rafah, ah e que não lançasse uma operação preventiva no sul do Líbano. Hoje a situação global mudou, não sabemos ainda se para melhor ou para pior, diante da impotência das democracias em resolver conflitos que eles próprios criaram.

Israel não pode sentar e esperar que estas democracias venham ao seu socorro. O Irã xiita e a Turquia sunita, assim como a mídia ligados a ambos, estão condenando duramente Israel pelo bombardeio das instalações militares e depósitos de armas sírias - para que não caíssem nas mãos de inimigos - e por Israel ter ocupado cerca de 235 km2 da zona de amortecimento no Golã.

Por que o Irã e a Turquia correram para condenar Israel? O Irã porque precisa garantir alguma volta à Síria seu corredor de apoio à Hezbollah e a Turquia porque ela ocupa ilegalmente 9 mil km2 do norte da Síria desde 2016.

Não é segredo que a Turquia quer restaurar o Império Otomano, com Erdogan como seu Califa. E a tomada da Síria é o primeiro passo. Em 2018, a Turquia invadiu Afrin e fez uma limpeza étnica de curdos na área. Em 2019, a Turquia invadiu outras áreas controlando efetivamente metade da fronteira do norte da Síria, incluindo áreas muito populadas.

Quando os rebeldes sírios se moveram para expulsar Assad, a Turquia usou o vácuo de poder para atacar os curdos. Israel expressou apoio aos curdos na Síria dizendo que "os ataques aos curdos, como vimos em Manbij, devem parar! Estamos discutindo isso com a administração americana e outros países. A comunidade internacional tem uma obrigação moral para com aqueles que lutaram bravamente contra o ISIS e também são uma força estabilizadora na Síria".

E agora, com o sucesso dos rebeldes e a queda do regime de Assad, será que o presidente turco está se preparando para cumprir sua ameaça de atacar Israel?

Desde 7 de outubro, a Turquia endureceu sua posição em relação ao estado judeu. Cortou relações comerciais em solidariedade ao Hamas e em julho, Erdogan ameaçou invadir Israel.

Certamente, Erdogan sai vencedor com o desmantelamento do regime xiita apoiado pelo Irã, Rússia e Hezbollah e sua substituição por um governo liderado por sunitas que ele controla. Seus principais interesses na Síria incluem eliminar a ideia de uma autonomia curda e facilitar o retorno de milhões de refugiados sírios que fugiram para a Turquia desde a guerra civil.

Mas será que Erdogan iria tão longe a ponto de posicionar tropas e armamento na fronteira com Israel? Isso intensificaria a postura adversária da Turquia, principalmente porque não há um fim previsto para as ações de Israel até que os reféns sejam devolvidos e o Hamas e a Hezbollah sejam desmantelados.

Assim, é plausível que Erdogan ordene diretamente aos grupos jihadistas que se posicionem na fronteira israelense e ataquem Israel. Dito isso, a Turquia deve pesar as consequências de abrir esta frente. Qualquer escalada arriscaria prejudicar suas relações com os Estados Unidos e a OTAN, especialmente sob uma nova administração americana que dificilmente toleraria tal agressão. Se Erdogan pensa que os países da OTAN irão atacar Israel se ela retaliar contra um ataque da Turquia, está muito enganado.

Considerando essas dinâmicas, Erdogan seria bem aconselhado a jogar suas cartas com cautela e evitar exacerbar o conflito sírio, particularmente em relação a Israel.

Mas independentemente de Erdogan, Israel foi sábia ao mobilizar tanques e infantaria para além da fronteira com Síria pela primeira vez em 50 anos. Israel deve continuar a atacar depósitos de armas, de mísseis, de armas químicas, enfim, de qualquer ativo militar para diminuir a capacidade de ataque do Irã e da Hezbollah.

Além disso, é crucial para Israel insistir em uma presença militar americana robusta e expandida no triângulo Síria-Iraque-Jordânia, em especial solidariedade aos curdos.

Essa estratégia não apenas conterá a influência de islâmicos pró-turcos, mas também impedirá que outras forças hostis ganhem uma posição na Jordânia — um país já ameaçado pelas ambições do Irã de desestabilizar seu regime e lançar ataques a Israel pelo Leste.

Diante da nova situação geopolítica, é preciso que Israel mantenha seu exército em Gaza, no sul do Líbano e da Síria, até o dia em que Israel ganhe garantias sólidas para finalmente poder viver em absoluta segurança sem temer um novo pesadelo como o de 7 de outubro de 2023.

 

Sunday, December 15, 2024

Israel Mostrou Que Aprendeu Com a História - 15/12/2024

 

Nas primeiras horas da manhã do dia 21 de agosto de 2013, em Ghuta, um subúrbio de Damasco, capital da Síria, o governo de Bashar Assad lançou um ataque químico, matando, de acordo com o governo americano, 1.429 civis, entre eles 426 crianças.

Não era a primeira vez que Assad usava gás venenoso em sua população. Entre 2012 e 2019 de acordo com o Instituto de Política Pública Global, houve mais de 300 ataques químicos na Síria com milhares de mortos. Alguém ouviu qualquer condenação da Síria ou de Bashar Assad na ONU? Não. Nada. Até a formação de um comitê de investigação proposto pelos Estados Unidos na ONU foi vetado pela Rússia.

Israel não esqueceu o que se passou na Síria e está mostrando que aprendeu com a História.

Nesta semana, alguns dias após a caída de Assad, Israel resolveu destruir a infraestrutura militar da Síria, sua força aérea, bases do exército, a marinha, e os depósitos de armas, mísseis, munições e depósitos de armas químicas.

Em menos de 48 horas, em uma operação impressionante, Israel eliminou a ameaça militar que poderia advir do território sírio, que lembrou a Operação Focus, no primeiro dia da Guerra dos Seis Dias em 67 quando Israel neutralizou as forças aéreas egípcia, síria e jordaniana destruindo os aviões inimigos ainda no chão.

Em 1967, Israel agiu preventivamente para frustrar um ataque planejado. Nesta semana, Israel atacou não porque temia um ataque, mas para que todos esses “assets” militares, caíssem nas mãos dos grupos islâmicos sunitas extremistas, e pudessem ser usados no futuro contra o Estado judeu.  

O jornalista Herb Keinon, do Jerusalem Post, em seu comentário semanal, notou bem que esta ação de Israel se assemelhou com o que os ingleses fizeram com a marinha francesa da Segunda Guerra.

“Em 3 de julho de 1940, apenas duas semanas após os franceses se renderem aos nazistas, os ingleses enfrentaram um dilema terrível. Eles temiam que a poderosa Marinha Francesa fosse apreendida e transformada em um ativo formidável para os nazistas.

Para evitar isso, Winston Churchill ordenou o afundamento do principal esquadrão naval francês no Mediterrâneo. Essa ação decisiva, seguida por ataques menores nos dias seguintes em Dacar e em Alexandria, efetivamente eliminou a Marinha Francesa como um fator estratégico na Segunda Guerra Mundial. Com estas ações, os ingleses — que na época pareciam à beira da derrota nas mãos dos nazistas — enviaram um sinal claro ao mundo de sua determinação.

Israel enviou um sinal semelhante esta semana ao mundo e a seus muitos inimigos. Israel deixou claro que nunca mais permitirá a repetição do 7 de outubro e não vai nem se acomodar nem permitir que qualquer inimigo empenhado em a destruir se estabeleça imediatamente em sua fronteira com capacidade para isso.

Em nome de uma paz ilusória e de uma coexistência qualquer, Israel permitiu que isso acontecesse em Gaza e no Líbano, com resultados catastróficos. Ela agora não permitirá que isso aconteça na Síria. Então, como em 1967, Israel se antecipou contra uma ameaça potencial no futuro.

O que está surgindo na Síria não é apenas uma ameaça teórica. Os "rebeldes" que tomaram o país não são todos arrozes do mesmo saco. Embora alguns entre aqueles que compõem os "rebeldes" sírios — os drusos e os curdos — possam ser positivos em relação a Israel, a facção principal — Hayat Tahrir al-Sham (ou HTS) —há pouco tempo era afiliada a nada menos que a Al-Qaeda.

Caças MiG e mísseis SA-5 nas mãos de qualquer um desses rebeldes representam um perigo não só para Israel, mas para toda a região. Então, assim como os ingleses em 1940, Israel tomou medidas para evitar que armas estratégicas caíssem em mãos inimigas. No ataque inglês, mais de 1.200 marinheiros franceses foram mortos. Não houve relatos de baixas nos ataques de Israel. O que, é claro, não impediu as condenações.

O enviado especial da ONU para a Síria, Geir Pedersen da Noruega, disse que os bombardeios de Israel na Síria, bem como os movimentos de tropas na zona desmilitarizada ao longo da fronteira de Golã e a tomada do lado sírio do Monte Hermon, "precisavam parar”. De fato, Israel moveu suas tropas para a zona de amortecimento de 235 quilômetros quadrados estabelecida pelo Acordo de Desengajamento de 1974 entre Israel e a Síria que se seguiu à Guerra do Yom Kippur.

De acordo com o acordo, a zona seria patrulhada por forças da ONU e permaneceria livre de tropas israelenses e sírias. No domingo, poucas horas após a queda de Damasco, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visitou a fronteira e disse que, com o abandono das forças sírias no lado sírio da fronteira, o acordo havia entrado em colapso.

Israel descreveu a entrada na zona desmilitarizada como uma medida temporária para impedir que forças hostis assumissem essas posições estratégicas. Pedersen acusou Israel de violar o acordo de desengajamento. Será que Pedersen realmente espera que, com o colapso do governo sírio, Israel deixe a zona desmilitarizada vazia, confiando que os rebeldes — quem quer que sejam — honrarão um acordo da ONU assinado com Israel em 1974? Sério?

Para aqueles igualmente chocados como Pedersen que Israel entrou na zona desmilitarizada, como a França e a Alemanha e que parecem confiar que os rebeldes não representarão uma ameaça imediata às comunidades israelenses no Golã, vale a pena perguntar por que não continuaram a confiar na palavra de Hitler mesmo depois da queda da França?

Se a quantidade massiva de armas sofisticadas da Síria caísse nas mãos erradas, o mundo árabe também iria sofrer. Mesmo assim, os árabes emitiram declarações criticando as ações de Israel, alegando violações do direito internacional. A Arábia Saudita, o Catar e o Egito se disseram preocupados com a integridade territorial da Síria. Mas o grande ganhador do prêmio Hipócrita do ano foi a Turquia que exigiu que Israel saísse da zona desmilitarizada, apesar dela, Turquia, ocupar 9 mil km2 no norte da Síria desde 2016.

Não vimos qualquer país árabe condenar a Turquia que usa o norte da Síria para bombardear os curdos sírios que procuram a independência. Só vemos o clamor unificado quando se trata de Israel.

Essa ironia é gritante. Grupos extremistas sunitas apoiados pela Turquia representam uma ameaça muito maior aos regimes sunitas moderados do que Israel jamais poderia. Esses países — e a comunidade internacional em geral — deveriam agradecer a Israel por suas ações decisivas na Síria, não a condenar. E não vamos esquecer que se Israel não tivesse bombardeado o reator nuclear da Síria em 2007 a situação poderia ser muito diferente.

Mas a situação agora é mais complicada do que parece. A Síria foi criada na metade do século XX como resultado de vários tratados que reuniram várias facções e etnias. A Síria tem muçulmanos sunitas em sua maioria, mas também xiitas, alauítas, cristãos de várias denominações, curdos e drusos. Como disse em outras oportunidades, os curdos são o maior grupo étnico do mundo sem um estado. E ao que parece agora, eles vão aproveitar a situação e declarar o nordeste da Síria seu estado.

Por seu lado, os drusos estão pedindo ou melhor suplicando a Israel para ocupar o sul da Síria onde eles estão concentrados para não só os proteger, mas também reuni-los com seus parentes drusos que moram do lado de Israel. Isso seria um passo muito positivo para Israel, mas traria a fúria de condenações do mundo sobre nós.

Mas como disse Begin, melhor condenações que condolências. Aqueles que condenam Israel por seus passos na Síria fariam bem em se perguntar se ousariam depositar sua confiança nas boas intenções de facções jihadistas, ameaçadoramente estacionadas diretamente em sua porta.

Sunday, December 8, 2024

A Queda de Bashar Assad - 08/12/2024

 

Quem não gosta da situação no Oriente Médio, espera só um minuto. Ou para ser mais exata, um dia.

Até ontem, pensei em falar aqui sobre o antissemitismo que continua crescendo em todo o mundo, o bombardeamento da sinagoga em Melbourne na Australia, o absurdo relatório da Anistia Internacional e outras pérolas. Mas hoje acordamos com um novo Oriente Médio e a queda do tirano e sangrento governo de Bashar al-Assad da Síria. O pesadelo dos sírios que durou 54 anos, 34 dos quais ocupando o Líbano, 13 numa horrenda guerra civil, cessou hoje. Pelo menos hoje.

Assad matou nada menos que 400 mil dos seus próprios cidadãos, usando bombas e até armas químicas contra regiões inteiras, incluindo subúrbios de sua própria cidade, Damasco para continuar no poder. Qualquer um que expressasse qualquer crítica era preso na infame prisão de Sednaya onde tortura e morte eram ocorrências diárias.

Quando a guerra civil começou, Assad buscou e obteve a ajuda do Irã e da Rússia. Isso porque os dois países investiram bilhões no país e têm grandes interesses na Síria. Para o Irã, a Síria era o corredor para passar armas e apoio financeiro para a Hezbollah no Líbano, seu maior e melhor treinado exército estrangeiro, além de ter gastado bilhões em bases e armazéns no país. Os russos investiram pesadamente e hoje controlam um porto e uma base aérea que dá a eles uma presença no Mediterrâneo e a possibilidade de ameaçar a Europa.

E o incrível é que provavelmente nada disso teria ocorrido não fosse o 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel com uma barbaridade sem precedentes, pensando que iriamos reagir como o exército sírio, que desbandou e fugiu. Em vez disso, Israel se uniu e reagiu, destruindo o Hamas e a Hezbollah, quebrando o anel de fogo que o Irã queria formar em torno do estado judeu. Com a Hezbollah dizimada, a Rússia presa na guerra contra a Ucrânia, e o Irã enfraquecido devido ao ataque israelense às suas bases e depósitos de mísseis, os rebeldes sunitas da Síria aproveitaram a oportunidade e em menos de uma semana, libertaram as principais cidades sírias, forçando Assad a fugir com sua família.

A pergunta para nós agora, é: O que está acontecendo na Síria é bom ou ruim para Israel? E como responder à pergunta "se meu inimigo que é inimigo do meu inimigo está lutando contra meu inimigo, do lado de quem eu fico?" Ou, em outras palavras, quem Israel menos gostaria de ver estacionado em sua fronteira com a Síria: extremistas jihadistas xiitas apoiados pelo Irã ou extremistas jihadistas sunitas apoiados pela Turquia?

Como a resposta é nenhum dos dois, Israel provavelmente ficará fora desta briga, a não ser que sua segurança seja ameaçada.

E quem são estes rebeldes que hoje dominam a Síria?

Eles não são um grupo, mas uma aliança de jihadistas sunitas radicais, antes aliados à Al-Qaeda (chamada Hayat Tahrir al-Sham), e islâmicos apoiados pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan. Todos são liderados por Abu Mohamed al-Jalani, que está na lista dos terroristas procurados pelos Estados Unidos com uma recompensa de 10 milhões de dólares por sua captura.

O problema é que o que acontece na Síria, não fica só na Síria. A Turquia tem muito interesse em controlar o que acontecerá com seu território. Erdogan está interessado em reassentar os 3,5 milhões de refugiados sírios que estão no seu país. A crise dos refugiados sírios tem se tornado cada vez mais uma questão doméstica na Turquia, onde — em meio a uma crise econômica — houve uma reação contra os refugiados, que prejudicou Erdogan nas eleições locais e parlamentares.

Além disso, Erdogan espera que ao colocar os 3,5 milhões de refugiados no norte da Síria, ele poderá conter e potencialmente remover a ameaça que ele percebe dos grupos curdos no nordeste da Síria, que contam com o apoio americano.

Diferentemente dos palestinos, os Curdos têm sua própria língua, cultura e história. Eles contam com quase 50 milhões de pessoas nativos do Curdistão, um território integro que ficou dividido em parte da Turquia, do Irã, do Iraque e da Síria como resultado dos acordos de paz dos aliados depois da Primeira Guerra Mundial. Com a queda de Assad, os Curdos querem reivindicar sua parte no território e declarar sua independência, o que é totalmente inaceitável para Erdogan. Agora, o sucesso dos rebeldes dá a Erdogan uma vitória e fortalece sua posição sobre o que irá acontecer na Síria no futuro.

Com a Turquia sendo o grande vencedor, vamos ver o grande perdedor: o Irã.

Teerã investiu bilhões na Síria desde o início da guerra civil, vendo o país como central para seus esforços de cercar Israel com um "anel de fogo" como já falei.

O interesse do Irã é claro: preservar a Síria como um canal de armas para a Hezbollah e como uma plataforma da qual ele pode produzir armas para o grupo terrorista libanês e reconstruir seu principal exército estrangeiro. Com a queda de Assad, esse canal estará perdido. O Irã se gabava no passado de controlar 4 capitais árabes: Beirute, Damasco, Bagdad e Sana’a. O Irã perdeu Beirute e Damasco e não estamos vendo os aiatolás alocarem seu próprio exército, suas milicias iraquianas, paquistanesas ou afegãs para lutar contra os rebeldes.

Com a queda de Assad os mulás de Teerã perdem sua influência regional e esse trunfo.

Outro grande perdedor neste domingo é a Rússia. Moscou interveio ativamente em 2015 na guerra civil síria e, sua entrada definiu a guerra a favor de Assad. A intervenção de Moscou decorreu de vários interesses que são tão importantes para o Kremlin hoje quanto eram naquela época.

O primeiro é que, por meio da Síria, a Rússia é capaz de projetar poder em todo o Oriente Médio e combater a influência dos EUA na região. Segundo, Assad deu à Rússia o estratégico porto mediterrâneo de Tartus, bem como a base aérea perto de Latakia. Os acordos com Assad permitiriam que a Rússia operasse o porto e a base aérea pelos próximos 50 anos, se não mais. Putin sabe do significado estratégico destas bases para Moscou, o que explica por que, em meio à sua guerra com a Ucrânia, na última semana, o exército russo realizou bombardeios contra os rebeldes no norte da Síria, tentando, sem sucesso, deter seu avanço.

Moscou ainda tinha interesse em mostrar que protegeria seus outros aliados – uma das razões pelas quais a rápida derrota das forças de Assad nesta semana é um total constrangimento para o Kremlin. A fuga de Assad destrói a posição do Kremlin e a percepção que a Rússia quer projetar de que – diferentemente dos EUA – é uma superpotência na qual seus aliados podem confiar para garantir que não caiam.

E Israel?

Israel é sem dúvida, um ator nesse drama. E diferentemente dos outros que têm interesses amplos, Israel tem interesses bem definidos na Síria. O primeiro e o principal interesse é o de enfraquecer o eixo Irã-Síria-Hezbollah e impedir que o Irã use a Síria, como fez no passado, para rearmar e reabilitar a Hezbollah.

Um regime sírio enfraquecido com Assad, portanto, era do interesse de Israel. Mas aqui está o problema: Israel gostaria de ver Assad enfraquecido, mas não muito, e não derrubado.

Esse é o paradoxo.

Por que isso? Para que a Síria não consiga, por gerações, representar uma ameaça direta a Israel. A longa guerra civil tirou a Síria do círculo de países que podiam representar uma ameaça convencional. Notem que desde o 7 de outubro, Assad teve muito cuidado em não abrir uma frente adicional contra Israel, para não dar a ela nenhum pretexto para atacar o exército sírio.

No ano passado, o exército de Israel alvejou uns 70 alvos na Síria, mas esses foram principalmente ativos iranianos e da Hezbollah, não ativos pertencentes ao exército sírio.

Quanto ao motivo pelo qual Israel não gostaria de ver Assad derrubado, é porque isso pode levar ao caos, algo raramente bom para Israel.

Embora Assad não seja amigo, Israel pelo menos sabe o que esperar dele — o que ele pode e não pode fazer, o que ele fará e o que não fará. Um novo governante em Damasco da variedade jihadista sunita ou xiita seria imprevisível.

Ainda, Israel não quer a Iugoslavização da Síria, isto é, a quebra do país sob a influência de várias milicias ou grupos com agendas diversas, o que seria muito difícil de prever e controlar.

De qualquer forma, e por enquanto, se Israel vir o Irã tentando transferir armas para a Hezbollah, ela irá agir. Israel já colocou tropas na fronteira síria e vejam a que absurdo chegamos: vendo um ataque dos rebeldes às forças da ONU no sul da Síria, o exército de Israel fez uma incursão para salvar as tropas da ONU. Agora podemos esperar uma nova condenação da ONU por Israel ter adentrado o território de outro país sem permissão.

Mas, tirando disso, Israel irá deixar seus inimigos se resolverem entre si enquanto continua a “monitorar a situação”.

Até agora, o primeiro-ministro da Síria foi ao ar e declarou que irá passar o governo pacificamente para quem o povo quiser. Tudo o que podemos fazer agora é rezar para que a transição seja de fato tranquila.

Mas hoje, só hoje, porque amanhã podemos ter algo totalmente inverso, mas hoje vamos comemorar a felicidade do povo da Síria, a felicidade dos prisioneiros políticos já libertados, que suportaram o pior e pagaram tão caro, pela queda deste regime que ficará na história como um dos mais brutais e sangrentos da história.

 

Sunday, December 1, 2024

O Uso da Lei para a Guerra - 01/12/2024

 

Na capital da Holanda, há algumas semanas gangues violentas organizadas saíram às ruas caçando torcedores israelenses de futebol forçando Israel a rapidamente evacuá-los de volta ao país. O próprio rei holandês reconheceu que pela segunda vez, desde o Holocausto, seu país falhou em proteger os judeus.

No meio tempo, em Haia, a uns 65 km de distância de Amsterdã, outro ataque a Israel estava sendo organizado, desta vez, um ataque vestido da mais alta credibilidade. O promotor do Tribunal Penal em Haia, Karim Khan anunciou a emissão de mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da defesa Yoav Gallant, o que os tornaria sujeitos à prisão caso pisassem em qualquer um dos mais de 100 países que respeitam a decisão do tribunal. A ironia é que a Holanda foi o primeiro país a anunciar que cumpriria esses mandados de prisão.

E sim, este é o mesmo Karim Khan que está sendo investigado por abuso e agressão sexual contra várias vítimas. Khan, é claro, deve ser presumido inocente até que se prove o contrário — é assim que deve funcionar um sistema de justiça. A menos que o acusado seja o Estado de Israel.

Durante anos, o Tribunal Penal Internacional em Haia afirmava ter reconhecido o sistema judicial de Israel como imparcial e cumpridor do direito internacional e por isso sua intervenção não era necessária. As decisões da Suprema Corte de Israel frequentemente provocaram indignação entre oficiais e políticos do exército, pois eram vistas como injustificadas e necessárias apenas para proteger os soldados do alcance do Tribunal Penal Internacional. Não mais.

A decisão deste Tribunal não deve ser confundida com o julgamento que ocorre simultaneamente na Corte Internacional de Justiça, também em Haia. O presidente da Corte, o libanês muçulmano Nawaf Salam, é um ex-diplomata libanês conhecido por seu ativismo anti-Israel que pulou na oportunidade de trazer um caso contra o estado judeu.

Khan inicialmente pediu mandados de prisão contra Netanyahu e Gallant, juntamente com os líderes do Hamas Yahya Sinwar, Ismail Haniyeh e Mohammed Deif - os arqui-terroristas mentores da invasão de 7 de outubro.

O absurdo é a equivalência moral terrivelmente equivocada que busca colocar os açougueiros do Hamas na mesma categoria dos líderes democraticamente eleitos de Israel defendendo seu país. E para Khan parece irrelevante o fato de que os três terroristas já estejam no inferno.

E a coisa não pára com estes Tribunais. Um editorial do Wall Street Journal desta semana noticiou que a ONU decidiu não renovar o contrato da Conselheira Especial para a Prevenção do Genocídio Alice Wairimu Nderitu, uma jurista keniana, porque ela se recusou a incluir as ações de Israel em Gaza como "genocídio".

Parece que o espírito do Hamas e Hezbollah não vive só nos túneis de terror de Gaza mas nos corredores de Haia. Na narrativa palestina, eles são as vítimas, não os perpetradores de 7 de outubro. As mais de 1.400 vítimas israelenses — aquelas de todas as idades queimadas até a morte, decapitadas, mutiladas, estupradas ou sequestradas — não contam para nada.

O foco está nos moradores de Gaza mortos na guerra de defesa de Israel. E é sempre bom lembrar que havia um cessar-fogo em vigor em 6 de outubro de 2023. O Hamas e o Jihad Islâmico o quebraram durante sua invasão ao Sul, enquanto a Hezbollah se juntou no dia seguinte com centenas de mísseis lançados indiscriminadamente contra o Norte, cada um deles um crime de guerra não investigado.

As acusações são absurdas. Khan decidiu que o tribunal havia encontrado "motivos razoáveis" de que Netanyahu e Gallant cometeram o crime de guerra "de usar a fome como método de guerra e crimes contra a humanidade".

A acusação de fome é uma calúnia. Israel forneceu enormes quantidades de ajuda humanitária a Gaza durante a guerra. Desde 7 de outubro, Israel entregou mais de 58.000 caminhões transportando mais de 1,3 milhão de toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos em Gaza - excedendo em muito as necessidades humanitárias. Em março e abril de 2024, o Sistema Internacional de Classificação da Fome confirmou que Israel estava fornecendo a Gaza de 109% a 157% de suas necessidades calóricas diárias. Não há fome.

Quando os corpos de seis reféns israelenses recém-executados pelo Hamas foram encontrados em um túnel em Gaza em setembro, Eden Yerushalmi, de 24 anos, pesava apenas 36 kg. Isso é fome. Quando o corpo de Sinwar foi recuperado, não havia sinais de que ele não estava comendo. Se os "habitantes comuns de Gaza" estão sofrendo, isso tem a ver com o Hamas roubando a ajuda e vendendo-a a preços inflacionados para pagar seus terroristas.

Através destas ações destes tribunais, estamos testemunhando uma profunda desordem, uma inversão moral do Ocidente. Quando os judeus novamente se tornaram alvos de assassinato racista, estes tribunais foram atrás dos judeus, das vítimas. Quando os próprios valores do mundo civilizado foram derrubados pelos estupradores e racistas do Hamas, eles essencialmente recompensaram o Hamas concordando com ele que o estado que ele odeia é de fato o pior vilão.

Estes são os primeiros mandados de prisão contra um líder de um estado ocidental democrático, mas é improvável que sejam os últimos. Estes terroristas para quem sequestro e assassinato são um modo de vida, também sequestraram os órgãos internacionais. É urgente que o mundo democrático olhe quem o tribunal está protegendo– os jihadistas do Hamas, e minando o direito de Israel à autodefesa e encorajando o Irã e seus proxies. Uma verdadeira farsa da justiça.

Um artigo do Telegraph no início desta semana destacou as implicações desta decisão do TPI, afirmando: “A acusação de crimes de guerra contra os líderes de Israel levanta questões profundas sobre a capacidade das democracias de se defenderem”. Desde o ataque brutal do Hamas em 7 de outubro, Israel tem se envolvido em medidas de autodefesa alinhadas com a lei internacional, visando infraestrutura terrorista.

Será que a Grã-Bretanha e seus aliados teriam prevalecido se Winston Churchill tivesse enfrentado o espectro das acusações de crimes de guerra? Sim porque acreditem, Adolf Hitler acusou Winston Churchill e os outros líderes aliados, de crimes de guerra durante a Segunda Guerra Mundial.

A decisão do Tribunal Penal Internacional recompensa o extremismo, mina a estabilidade do Oriente Médio e encoraja aqueles que buscam a destruição de Israel. É um lembrete gritante que o que começa com os judeus, nunca termina com os judeus. Não vamos esquecer que para estes terroristas islâmicos, Israel é só o pequeno Satã. O grande Satã é os Estados Unidos e o resto do Ocidente.