Sunday, April 30, 2017

Mais Uma Resolução da UNESCO - 30/04/2017

Próximo da entrada do cemitério de Ashquelon em Israel há cinco túmulos, cada um com uma bandeira de Israel e uma fita negra de Yiskor. O túmulo do meio é de um adulto e a cada lado dois túmulos menores. Uma mãe cercada por suas filhas, repousando eternamente juntas da mesma maneira que morreram: nas mãos de terroristas palestinos.

No dia 2 de maio de 2004, Tali Hatuel, então grávida de oito meses do primeiro menino da família, colocou suas quatro filhas no carro e se dirigia para Ashquelon para um ultrassom quando seu carro foi emboscado por dois terroristas palestinos que sem qualquer misericórdia esvaziaram suas kalashnikovs a queima roupa sobre Tali, então 34 anos, Hila de 11 anos, Hadar de 9, Roni de 7 anos e Merav de apenas dois anos de idade. Para finalizar atiraram no ventre de Tali para se certificarem que o bebê também estaria morto. Cortesia do Jihad Islâmico. Hoje à noite Israel comemora os que caíram em todas suas guerras e os inocentes assassinados por terroristas. Nos últimos 13 anos, a cada Yom Hazikaron eu penso em Tali e suas meninas, na promessa de cada uma, e na diferença que poderiam ter feito no mundo. A vela acesa neste dia representa de maneira especial para mim estas vidas perdidas pelo ódio, pelo antissemitismo.

Um antissemitismo que cresce a cada dia, vindo não só do mundo islâmico, mas do ocidente. E um exemplo crasso veio esta semana de não outro que o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Sigmar Gabriel. Em sua visita a Israel para participar das cerimônias do Dia de Lembrança do Holocausto, o Ministro deveria se encontrar com Bibi Netanyahu. Mas em vez do primeiro-ministro de Israel o ministro alemão resolveu dar preferência para se encontrar com os representantes da ONG mais perniciosa da história do Estado judeu.

Sob o pretexto de trazer à luz ocorrências de violações do exército de Israel, a ONG “Quebrando o Silêncio” diz que compila testemunhos anônimos de soldados que não podem ser comprovados ou investigados e reporta estes “testemunhos” a seus patrocinadores europeus, o maior entre eles, o governo da Alemanha. O objetivo claro desta ONG é simplesmente o de sujar a imagem do exército mais moral do mundo, transformando seus soldados em criminosos de guerra e fortificando a causa dos que odeiam Israel. Uma organização condenada até pela esquerda de Israel.

Para o ministro do exterior da Alemanha se encontrar com tais elementos depois de hipocritamente colocar uma coroa de flores em Yad Vashem em honra de 6 milhões chacinados por seu próprio país, ilustra a profundidade a que os líderes alemães desceram. Não é a primeira vez que Gabriel expressa seu antissemitismo. Durante sua campanha para chanceler ele escreveu em seu Facebook que “Israel é um regime apartheid para o qual não há justificação”. A seu ver não há justificação para a existência de Israel.

O argumento que ele usou para se encontrar com esta ONG marginal é que ele queria ter um retrato global do que se passa em Israel. Isto é um insulto à nossa inteligência. Porque ele não se encontrou com líderes árabes israelenses ou com partidos de oposição?? Imaginem se Netanyahu, ao visitar a Alemanha, decidisse se encontrar com o grupo terrorista Baden Meinhoff! Que informação poderia ele obter sobre a situação na Alemanha??

Assim, na terça-feira passada, Netanyahu decidiu dar um basta e adotar uma nova estratégia nas relações de Israel com o Ocidente. Ou países autointitulados “amigos” tratam Israel com respeito e de acordo com as regras internacionais de comportamento ou serão tratados como críticos comuns e não mais terão acesso às autoridades do país.

A partir do final do século XX a Europa e outros países do ocidente abandonaram seu morno apoio a Israel. A partir de 1974, na esteira da improvável vitória de Israel na Guerra de Yom Kippur, a hostilidade europeia tornou-se palpável na arena internacional. Em 2000, depois de Yasser Arafat ter implodido Camp David para dar inicio à sua intifada, os Europeus começaram a expandir suas atividades para a esfera interna de Israel massivamente patrocinando ONGs de esquerda e pró-arabe. Milhões de euros jorraram para os bolsos de Shalom Achshav, ou Paz Agora, Betselem, e também “Quebrando o Silêncio”.

Isto não quer dizer que os Europeus afrouxaram seus esforços internacionais. Em dezembro do ano passado, falei aqui sobre a resolução da UNESCO para deslegitimar a soberania israelense sobre a Cidade Velha de Jerusalem, a primeira abstida pelos Estados Unidos de Obama, mas votada a favor pelo Brasil.

Pois é. Apesar de todas as condenações e vários países como o México e a Itália terem reconhecido que a resolução era parcial e historicamente disparatada, pois negava o elo entre o Muro das Lamentações, o tumulo de Raquel e o tumulo dos patriarcas em Hebron com o judaísmo, a UNESCO irá submeter nesta terça-feira uma nova resolução ainda pior que a de dezembro. Desta vez podemos contar com o voto contra dos Estados Unidos e talvez da Inglaterra. Outros países europeus irão provavelmente se abster, mas os dirigentes do Brasil, senhoras e senhores, irão votar em seu nome, a negação do elo judaico e cristão com Jerusalem. 

Explico: Ao citar o Monte do Templo, aonde dois Templos judaicos existiram e aonde de acordo com os Evangelhos Jesus pregou, a resolução usa apenas o nome islâmico Haram al-Sharif. Ao se referir ao Muro das Lamentações ela usa o nome islâmico de Praça al-Buraq, o nome do cavalo de Maomé. Quando nomes judaicos e cristãos aparecem, estão entre parênteses. Como se o judaísmo e o cristianismo fossem apenas um parênteses na história de Jerusalem. Seu nexo apagado e substituído por uma falsa narrativa islâmica para objetivos puramente políticos.  

Há já alguns anos que os palestinos tentam reescrever a história para deslegitimar o Estado de Israel e a presença de judeus na Terra Santa. Eles chegam ao cúmulo de dizer que nunca houve qualquer Templo judaico em Jerusalem, apesar de todas as evidências históricas e arqueológicas. Apesar do Muro das Lamentações e outras partes do Templo ainda estarem de pé para todos verem. Afirmam que Jesus não era judeu, mas o primeiro mártir palestino!

Há limite para deturpações e mentiras com objetivo puramente antissemita. E o fato é que se Jerusalem não tem qualquer vínculo com os judeus, ela também não tem qualquer vínculo com os cristãos! Por esta lógica, Salomão não construiu o primeiro Templo, Neemias não construiu o segundo, Jesus não esteve no Templo, não foi crucificado e não ressuscitou. Enfim, de acordo com os árabes e muçulmanos toda a fé judaica e a fé cristã são mentiras.

Um voto do Brasil reconhecendo esta posição não é só ofensivo aos judeus e israelenses. Ela é extremamente ofensiva a todos os cristãos, sejam eles evangélicos, católicos, espíritas ou de qualquer outra denominação. Jerusalem e Sião estão mencionados 850 vezes na Bíblia e mais de 142 vezes nos Evangelhos. Ela não está mencionada sequer uma vez no Alcorão.

O Itamaraty através da ONU, não pode estar querendo destruir os laços judaicos e cristãos com Jerusalem deixando os milhões de seus cidadãos órfãos espirituais. E para quê? Mais uma vez pergunto: o que o Brasil ganha votando a favor de promotores de mentiras? Por que o Brasil quer novamente entregar o berço da Bíblia para aqueles que disseminam falsidades históricas e religiosas. Isso é inacreditável!  

Esta nova resolução procura enganar os menos avisados, parecendo conter linguagem mais branda. Ela inclui uma pequena sentença que diz que o local é sagrado para as três religiões monoteístas. E só.

No entanto, o que é importante nesta resolução, não é o preâmbulo, mas sim o voto. E este reitera todas as decisões anteriores sobre Jerusalem, inclusive a resolução de dezembro.

O fato dos europeus que conhecem a história e a Bíblia terem se juntando neste esforço com os árabes, transpira o antissemitismo. E o maior cinismo de todos é que esta votação ocorrerá nesta terça-feira dia 2 de maio, dia da Independência do Estado de Israel e também do assassinato de Tali Hatuel e suas filhas.

O Brasil está passando por momentos muito graves. Rasgar a Bíblia e atacar a fé de milhões de seus cidadãos não deveria ser sequer uma consideração neste momento. Em 1947 com Oswaldo Aranha, o Brasil mostrou sua independência e soberania, liderando o voto para a criação do Estado de Israel.

Gostaria de pedir aos ouvintes que tomem a iniciativa e liguem, passem fax, deixem recado aos seus representantes no Congresso e Senado, especialmente para os representantes da bancada evangélica para exigir que o Brasil não vote a favor desta resolução ofensiva e absurda. Há também uma petição no site do change.org iniciada por Luis Milman.

Ao votar no próximo dia 2 de maio, o governo deve lembrar que representa o povo brasileiro. E o povo brasileiro em sua esmagadora maioria respeita a Bíblia e seus ensinamentos. Mandem uma mensagem alta e clara que um voto a favor desta resolução nesta terça-feira não será um voto em seu nome!


2 comments:

  1. Excelente colocação, estou espalhando e que a UNESCO, ONU e qualquer outro órgão antissemita sejam envergonhados e seus nomes esquecidos por toda a eternidade.

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  2. O que está acontecendo com as organizações internacionais e com os governos, deixando esses caras dominarem povos Cristãos que a raiz é judaica. Temos de nos juntar e orar pelo livramento desse grande mal.

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