Monday, August 30, 2010

Le MST est arrivé à Paris - o MST chegou em Paris

Uma discussão acirrada está se travando no Linkedin na lista dos brasileiros que moram no exterior. Uma das participantes parece ser fã da Dilma e está promovendo a abertura do primeiro comitê da candidata na Europa (na Alemanha)!!!! So much for the burgeoisie. Mas os feitos do PT não páram por aí. O MST está "acampado" em PARIS!!!!

Vejam só o blog que foi publicado no "O Brasil Visto de Fora" em resposta à defensora de Dilma (http://brasilvistodefora.wordpress.com/2009/10/08/le-mst-son-arrive-a-paris-–-o-mst-chega-a-paris/).

Parabéns Fred Junqueira!

Le MST est arrivé à Paris – O MST chega à Paris


Por fredjunqueira

Prezadíssimos leitores, antes de qualquer comentário é preciso concordar: ser “Sem Terra” no pontal do Paranapanema, no interior do Paraná ou no Mato do Grosso do Sul, deve ser muito chato mesmo. Certos estão esses aí que foram ocupar uma praça em Paris, perto do Pompidou, onde podem tomar um vinho nacional, comer uma baguetinha com emmental e, o melhor, tudo pago com o meu e o seu dinheiro. Quer coisa melhor?

Sarcasmo à parte, na mesma semana em que o MST invadiu uma fazenda produtiva da Cutrale no Estado de São Paulo, onde destruíram mais de 7 mil pés de laranja (o vídeo pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=yxe0fopHJa0) um grande amigo meu retornou de Paris onde, saindo de um belo passeio no Pompidou, deu de cara com a seguinte cena:



Foto: Paulo Berardo

Parte do depoimento dele foi: “E o pior de tudo é ter que ouvir, sempre que falava que era do Brasil ou do Rio de Janeiro, a seguinte expressão (e todas as suas variações): “Oh, Brasil (ou Rio)… Presidente Lula…..”

Eu, realmente, não sei o que é pior:

- Os sem terra escaparem pelas brechas jurídicas, simplesmente porque, oficialmente, não existe um MST. Essa figura jurídica não existe, então eles não são processados;

- Os sem terra receberem a quantidade de dinheiro que recebem do governo (160 milhões de reais de 2003 até 2009 segundo alguns Deputados Federais e Senadores, ou 115 milhões nos últimos 5 anos, segundo outros);

- Os sem terra terem tantos cargos no INCRA;

- Os sem terra terem a impunidade para invadir, seqüestrar, destruir e matar (como já aconteceu em diversos casos) sem que muita coisa aconteça;

Ou será que é os Sem Terra terem um “pied-à-terre” em Paris? Bom, ninguém é de ferro, né? E onde iriam montar uma barraca dessas?

- Em Caracas? Não porque lá é muito violento e quem quer ir morar na Venezuela?

- Na Bolívia? Se ninguém quer ir protestar em Caracas, imagina na Bolívia.

- Por que não em Honduras, para defender o movimento contra-revolucionário? Hein? Onde???

- Que tal em Havana, já que Cuba é o paraíso, não é?

Não, aparentemente o espírito revolucionário aponta para Paris. Boa escolha, sem dúvida! Agora há um movimento no congresso para a realização de uma CPI do MST e, como todos sabemos, as CPI são um modelo de efetividade e resolução dos problemas nacionais, não é mesmo?

Aliás, sugiro a leitura das páginas amarelas da Veja dessa semana. Para quem não leu, a entrevistada é a blogueira mais famosa de Cuba no momento, Yoani Sánchez. Ela diz algumas verdades que muita gente (grande parte da classe artística do Brasil e política também) prefere fingir que não existe. A íntegra está aqui: http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/?p=147

Abre o olho Brasil… Olha a brincadeira na Colômbia e no Peru onde foi parar…

Sunday, August 29, 2010

O Erro de Cálculo do Irã - 29/8/2010

No domingo passado o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad estava inaugurando o primeiro bombardeiro de longa distância operado remotamente, construído no país. Um dia depois da inauguração da usina nuclear de Busheir. E Ahmadinejad não perdeu o passo. Nomeou o bombardeiro de “embaixador da morte” aos inimigos do Irã.


Usando sua retórica absurda, que só pode ser entendida pelos mullahs, ele disse que para os amigos do Irã, o bombardeiro tem uma mensagem de paz e amizade.

Ele ainda disse que o objetivo desta aeronave é de manter o inimigo paralizado em sua base até que “o inimigo da humanidade perca toda a esperança de atacar a nação iraniana”. Quem é o inimigo da humanidade? Israel é claro.

E em seu profundo “conhecimento” do inimigo, Israel é muito “fraco” para atacar o Irã militarmente e “não tem a coragem” de intervir decisivamente no progresso em direção à bomba nuclear.

O presidente do Irã está enganado. Israel não é nem fraco nem covarde. Israel é sim, temperado, humano e pragmático. É também resoluto em qualquer assunto que envolva sua sobrevivência.

Em 1981, Israel relutantemente atacou o reator Osirak do Iraque porque tinha chegado à conclusão que Saddam Hussein, se conseguisse a bomba, um dia poderia acordar e contra toda a razão e análise custo-benefício, poderia decidir lançar um ataque nuclear contra Israel. Em 2007, Israel bombardeou o projeto de reator da Síria, cirurgicamente removendo uma ameaça de um inimigo brutal.

Israel escolheu até agora não desafiar militarmente os mullas em sua marcha para a bomba, porque até agora os Estados Unidos e União Européia repetidamente asseguraram o estado judeu que a defenderiam e Israel deveria dar uma chance à diplomacia. Líderes e o público em Israel estão horrorizados pelos anos de indiferença internacional à crescente ameaça ao mundo livre que apresenta o programa nuclear iraniano. Isto porque diferentemente dos outros inimigos, o Irã não deixa qualquer dúvida de sua determinação em refazer a ordem mundial à sua imagem: fundamentalista, religiosamente desviada, brutal, anti-mulheres, anti-gay e islamista shiita. E acima disto tudo, um mundo sem judeus e sem o estado de Israel.

A capacidade de armas nucleares ajudaria e muito ao Irã alcançar este objetivo.

Em algumas semanas, Ahmadinejad receberá mais uma vez permissão para falar perante a Assembléia Geral das Nações Unidas e mais uma vez avisar as grandes potências, inclusive os Estados Unidos, para que se arrependam ou sejam amaldiçoados.

Ultimamente os Estados Unidos e a União Européia têm comandado uma campanha de sanções econômicas contra o Irã, de modo mais robusto, enquanto Israel, de olho no relógio da bomba, fica quietamente sentindo a perda de tempo, sabendo que é um pouco tarde demais. Mas agora, Israel está sentindo que o momento da verdade está se aproximando rapidamente.

Nos últimos dias vimos uma enxurrada de relatórios governamentais, reportagens na mídia e opiniões de peritos que sugerem que ou Israel já tomou a decisão de atacar o Irã, ou está no ponto de faze-lo.

Jeffrey Goldberg, publicou na Revista The Atlantic  um artigo no qual ele diz ter entrevistado uns 40 oficiais israelenses do governo atual e de governos anteriores e a conclusão é que existe mais de 50% chance que Israel atacará o Irã antes de julho do ano que vem. (http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2010/09/the-point-of-no-return/8186/)

Goldberg chegou a dizer que o Pentágono teria dado ordem para as tropas americanas na região de não atirar em qualquer avião israelense que atravessar seu espaço aéreo à caminho do Irã.

A escolha do novo chefe de estado maior Yoav Galant, sucessor de Gabi Ashkenazi tem sido atribuída em sua grande maioria à postura confiante de Galant em relação ao Irã. O Jerusalem Post disse esta semana que “considerando que o próximo ano será um ano de decisões, o Ministro da Defesa Ehud Barak sentiu que precisa de alguém que possa tomar a decisão no exército de Israel, se o governo decidir dar a luz verde à uma operação deste tipo”.

O Irã não é um país fácil de analisar estratégicamente ou ao nível de inteligência. Ele realmente atacaria Israel se tivesse a bomba? Será que não tentaria passar a bomba para outro país para que ataque Israel no seu lugar? Ou será que o Irã não fará nada e usará a ameaça da bomba para realinhar o balanço de forças na região enfraquecendo Israel dramaticamente?

Não há uma resposta simples para qualquer destas questões. E ao mesmo tempo, as consequências de uma intervenção militar israelense no Irã são impensáveis. Diferentemente de Saddam Hussein, o Irã poderá reconstruir sua capacidade nuclear rapidamente e retaliar.

Apesar disso, Ahmadinejad está mostrando um perigoso potencial para errar no cálculo. E junto com Nasrallah, a mensagem de Israel para os dois deve ser a seguinte:

Se Israel chegar à conclusão de que as sanções falharam e que o Irã está prestes a obter os meios de levar à cabo sua ameaça de destruir o estado judeu e que só uma intervenção militar poderá impedir um segundo Holocausto, os líderes de Israel não terão outra opção senão agir.

Os judeus não reuniram a maioria do povo em sua terra ancestral, numa entidade soberana, criada pelas Nações Unidas tarde demais para salvar os milhões que morreram nas mãos dos nazistas para simplesmente levantar as mãos para o alto enquanto um novo inimigo genocida está planejando sua destruição.

E Obama em tudo isto? Ele deve deixar sua ideologia de lado e agir decisivamente contra a tirania como o fez o Presidente Kennedy quando da ameaça dos mísseis russos em Cuba.

Goldberg terminou sua matéria para o The Atlantic com uma parábola. Kennedy depois de eleito presidente dos Estados Unidos, recebeu Ben Gurion na Casa Branca e lhe disse: eu fui eleito por causa de seu povo. Por favor me diga como posso retribuir. Ben Gurion respondeu que ele poderia ser um grande presidente dos Estados Unidos. E este é o interesse verdadeiro de Israel: Ela não quer prevalecer sobre o presidente americano. Ela quer que o presidente americano prevaleça sobre seus inimigos.

Wednesday, August 25, 2010

"The Bomb" - Novo Video da Latma.co.il

Depois do sucesso do musical sobre o incidente da flotilha, este vídeo satiriza a bomba iraniana... Melhor rir que chorar...

video

Tuesday, August 24, 2010

Abbas e o Reconhecimento de Israel

Não deu um minuto do anúncio da secretária de estado Hillary Clinton sobre a retomada das negociações diretas entre Israel e os palestinos sem pré-condições, que a liderança palestina jogou sobre ela um balde de água fria. Abbas convocou uma reunião de emergência do comitê executivo da OLP que controla a Autoridade Palestina e emitiu um comunicado que ele só voltaria à mesa de negociações se Israel extendesse o congelamento de construção nas comunidades da Judéia e Samária.


Mas a história não pára por aí. O anúncio em inglês fala desta decisão da OLP como a âncora da “criação de um estado palestino independente, democrático e viável, vivendo lado a lado em paz e segurança com Israel”. Mas como sempre acontece, a versão em árabe do mesmo anúncio não fala da solução de dois estados. Em vez disso, fala que a Autoridade Palestina está adicionando outras pré-condições, especialmente a rejeição da anexação de Jerusalém do Leste por Israel.

E aí está o fulcro do problema.

Desde os acordos de Oslo em 1993, há 17 anos atrás, a liderança da OLP louva a solução de dois estados para sua audiência ocidental, israelense e que fala ingles. Mas em árabe, esta mesma liderança tem consistentemente negado a idéia de dividir a terra com judeus, descrevendo o processo como um arranjo temporário para cobrir suas necessidades e que acarretará inevitavelmente, o fim de Israel.

Neste aspecto, não há qualquer diferença entre Arafat e Abbas ou entre a Fatah, a OLP e o Hamas: são farinha do mesmo saco pois nenhum deles aceita o direito de Israel de existir e todos estão comprometidos com a destruição do estado judeu.

De certa forma, Abbas é até mais extremo. Hoje ele é rotulado de moderado mas as pessoas esquecem que ele passou sua vida tentando provar uma associação ideológica entre o Sionismo e o Nazismo além de ser um dos proponentes da negação do Holocausto dizendo que os poucos judeus que foram mortos pelos alemães na Segunda Guerra eram deficientes. Estes judeus mortos pelos nazistas contaram com a colaboração dos sionistas que queriam uma raça pura de judeus para criarem seu país.

Depois do desastre de Camp David em 2000 e do lançamento da intifada por Arafat, Abbas se desdobrou para justificar porque o direito do retorno dos palestinos refugiados– uma subversão do direito de retorno judaico - não era negociável e um pré-requisito para qualquer acordo. Dois anos depois Abbas disse que o processo de Oslo foi o maior erro cometido por Israel pois deu à OLP a legitimidade, respeito e aceitação internacional sem que ela abdicasse de qualquer um de seus princípios ou objetivos.

Logo depois da morte de Arafat em 2004, Abbas publicamente jurou seguir nos seus passos e trabalhar duro para realizar seu sonho. Ele prometeu que seu coração não iria descansar até que o direito de retorno fosse alcançado pelos palestinos.

Abbas tem cumprido sua promessa. Num discurso televisado em Maio de 2005, ele colocou que o estabelecimento de Israel como uma injustiça histórica sem precedente e jurou nunca aceitá-la.

Dois anos e meio mais tarde, em Annapolis, Abbas recusou a oferta da criação de um estado palestino em 97% da Judéia e Samária e 100% de Gaza e categoricamente recusou o pedido de reconhecer Israel como um estado judaico que viveria lado a lado com o estado palestino, insistindo na implementação do direito de retorno.

Ele foi igualmente reincidente quando em Abril de 2009 o recém eleito primeiro ministro Netanyahu renovou o pedido de reconhecimento. Abbas disse em seu discurso em Ramallah: “um estado judeu, o que isto quer dizer?” Abbas disse: “Vocês podem se chamarem do que quiserem mas eu não aceito e digo isto publicamente”.

Quando em junho de 2009 Netanyahu quebrou a eterna posição do Likud e aceitou a solução de dois estados se a liderança palestina reconhecesse a natureza judaica de Israe, Saeb Erekat avisou o primeiro ministro que ele teria que esperar mil anos antes de encontrar um palestino que aceitasse seu pedido.

A Fatah foi um passo adiante. No seu sexto congresso geral em agosto do ano passado, os delegados reafirmaram seu antigo comprometimento com a “luta armada” como “uma estratégia, não uma tática... que não chegará à um fim até que a entidade sionista seja eliminada e a Palestina liberada”. Vejam só, há apenas um ano atrás...

E assim vai. Exatamente 10 anos depois de Arafat ter sido arrastado para o encontro em Camp David para rejeitar de modo categórico as concessões feitas por Ehud Barak de transferência de toda Gaza e quase 100% da Judéia e Samária para a criação de um estado palestino (e imediatamente começar uma guerra de terror sem precedentes na população civil de Israel), seu sucessor está sendo igualmente arrastado para a mesa de negociação que ele preferiria evitar depois de um ano e meio de “férias”.

Ele preferiria evitar não por que qualquer acordo com Israel poderá ser considerado inconstitucional pelos palestinos, já que a presidência de Abbas expirou em Janeiro de 2009, ou sua incapacidade de concordar com qualquer coisa que não seja aprovado pelo Hamas, mas por que, como Arafat e o resto da liderança da OLP, sobre a existência de Israel, Abbas nunca poderá aceitar o sim como resposta.

Sunday, August 22, 2010

Mesquita no World Trade Center

Mais uma vez o presidente Barack Obama mostrou que não conhece o povo que ele lidera e de modo arrogante, quis dar uma lição de direito constitucional que qualquer adolescente americano sabe de cor.

Estou falando sobre à mesquita que a liderança muçulmana quer construir a dois quarteirões do lugar aonde antes de 11 de setembro de 2001 estavam as torres do World Trade Center.

No jantar que ele deu em honra ao jejum de Ramadan, para agradar sua audiência, sem dúvida, Obama disse que muçulmanos nos Estados Unidos gozam da proteção da primeira emenda à Constituição que garante liberdade de culto e que assim podem construir suas mesquitas em qualquer lugar, em propriedade particular. Ele terminou dizendo que na América, o comprometimento com a liberdade deve ser inabalável. Como aula para aluno de quinta série, realmente foi bem dada e todos os americanos sabem disso.

Como presidente dos Estados Unidos ele não precisava nem ter entrado no assunto. Afinal, este debate está sendo conduzido pelas autoridades da cidade de Nova Iorque e não na esfera federal. Mas ao querer expressar sua opinião sobre o assunto, Obama nacionalizou e até internacionalizou a polêmica. No dia seguinte de sua malfadada declaração, um reporter perguntou a ele se ele então apoiava a construção da mesquita na sombra das antigas torres. Ele disse que não queria discutir a sabedoria dos muçulmanos em terem escolhido aquele local.

Bem, vejamos a sabedoria da escolha.

Como já foi publicado, o projeto de construção desta mesquita tinha como nome “Iniciativa Córdoba”. Interessante eles terem pego o nome de uma cidade da Espanha, não? O que tem à ver? Para quem se interessa por história, Córdoba foi uma das cidades do sul da Espanha, da Andalusia, conquistada pelos mouros. A igreja local de São Vicente foi destruida e no seu lugar, foi construida a maior mesquita do jugo mouro na Espanha. Depois da expulsão dos mouros em 1236, a mesquita foi convertida numa catedral hoje conhecida por Nossa Senhora da Assunção.

Os muçulmanos têm como modus operandi, construir mesquitas em seus locais de vitória. O nome Córdoba aplicado à esta mesquita em particular denota a intenção destes muçulmanos de colocarem um monumento de vitória no que hoje é considerada terra santa pelas familias que perderam seus entes queridos nos ataques de 11 de setembro. O nome escolhido foi talvez vingança à perda de Córdoba e a expulsão dos muçulmanos da Europa na época.

Quando eu cito o que o próprio Bin Laden disse para justificar a criação da Al-Qaeda, pouca gente escuta. Ele foi muito claro. Seu objetivo é o de reconquistar as terras muçulmanas perdidas, inclusive o sul da Espanha e expandir para o Oeste. Para ele, o maior desastre que aconteceu na história dos muçulmanos foi o desmantelamento do Califado do Império Otomano depois da primeira guerra mundial e isto precisa ser corrigido. Assim, não é Israel, ou os Estados Unidos ou a União Européia. É qualquer um que seja um obstáculo para a expansão muçulmana.

Depois de muita controvérsia, o líder da Iniciativa Córdoba, o imam Feisal Abdul-Raouf, decidiu chamar o lugar simplesmente de Park 51, o endereço do local.

Agora vamos ver quem é este imam. Abdul-Raouf é um clérico sunita, que se recusa a dizer que o Hamas e a Hezbollah são grupos terroristas e que na semana seguinte ao 11 de setembro, numa entrevista para a ABC, disse que o ataque terrorista havia sido engendrado pelos Estados Unidos. Ele disse que os Estados Unidos e o Ocidente deveriam reconhecer o dano que fizeram para os muçulmanos antes que o terrorismo chegasse a um fim. E que os americanos foram responsávels pela morte de muitos inocentes no mundo. Que Bin Laden era produto direto da política americana.

É claro, se os Estados Unidos estão aí para promover a democracia mundo à fora, direitos iguais para as mulheres, para minorias, que é contrário aos ensinamentos islâmicos wahabistas, é lógico que os Estados Unidos estão bloqueando o avanço do islamismo e por isso ganharam o título de Grande Satã.

Outro aspecto interessante, é que este imam anunciou que este será um projeto de 100 milhões de dólares. Que além da mesquita o prédio terá um centro cultural, um auditório, uma biblioteca, uma livraria, uma piscina e outras amenidades. Só que a entidade de caridade que está levando à frente o projeto, só tem declarado para o imposto de renda americano, $18 mil dólares.

Quando perguntado de onde viriam os fundos necessários para a construção, Abdul Raouf disse que não iria revelar e que por lei ele não precisava revelar. Interessante que para sua audiência islâmica ele disse numa entrevista que todo o dinheiro seria bem vindo, inclusive do governo do Irã e da Arabia Saudita de onde vieram 15 dos 19 terroristas do 11 de setembro.

O mais impressionante é que o Departamento de Estado Norte-Americano convidou Raouf para um tour pelo Oriente Médio, não para que ele angarie fundos para seu projeto, mas para mostrar a face islamica dos Estados Unidos na região. Tudo pago com dinheiro dos contribuintes. Mas ninguém proibiu Raouf de, na volta, ligar para os políticos e milionários que ele conhecerá através do governo americano e pedir dinheiro para o projeto.

Outro ponto interessante é que um centro comunitário desta magnitude seria imprescindível para a enorme comunidade muçulmana do sul da ilha de Manhattan. O problema é que não há comunidade muçulmana no sul da ilha de Manhattan. A zona é industrial e de escritórios. Os muçulmanos estão concentrados em Brooklyn, do outro lado do rio. Assim, para terem acesso ao centro a maioria dos muçulmanos terão que viajar pelo menos uma hora de trem para chegarem ao local.

Muitos muçulmanos moderados, especialmente os sufistas, que se opõe aos ensinamentos wahabistas da Arabia Saudita que hoje são a norma, também são contra a construção da mesquita no local. Eles entendem que não é uma questão de direito. É uma questão de sensibilidade.

O Dr. Zuhdi Jasser, do Forum Americano Islamico pela Democracia, disse numa entrevista para a Fox News que está claro para ele e outros muçulmanos, o propósito desta mesquita. E é o de plantar um monumento de vitória para os terroristas do 11 de setembro. Se não, seria melhor construir 100 mesquitas em todos os Estados Unidos de 1 milhão de dólares cada uma, para promover a compreensão do islamismo no país.

Até o governador do Estado de Nova Iorque publicamente interviu e pediu à estes líderes para reconsiderarem o projeto naquele local. Ele ofereceu imóveis pertencentes ao Estado mais ao norte na própria Ilha de Manhattan e o pedido foi recusado.

A lógica de Raouf e dos que o apoiam é que este centro será usado para criar pontes com os não muçulmanos e também para honrar os muçulmanos que morreram no ataque de 11 de setembro. O que eles não esclarecem é se os muçulmanos em questão são as vítimas ou os terroristas.

Como disse, não é uma questão de direito. De acordo com todas as leis americanas, os muçulmanos, ao comprarem a propriedade em questão, têm todo o direito de construir a mesquita. Mas ao mesmo tempo em que eles exigem de nós, não-muçulmanos, que sejamos compreensivos e tolerantes com a religião islâmica, eles não têm qualquer problema em serem intolerantes e colocarem sal nas feridas das familias que perderam entes queridos pulverizados nos ataques.

É como eu disse: uma questão de sensibilidade. Quando os judeus reclamaram do projeto de um monastério de freiras em Auschwitz, o mundo apoiou os judeus dizendo que não seria apropriado. Imaginem se os alemães quisessem construir um monumento a seus soldados mortos na segunda guerra no Gueto de Varsóvia. Ou então, construir um monumento aos soldados japones em Pearl Harbor. Você tem o direito se comprar a propriedade? Claro que tem… Mas é aconselhável? É uma mostra de sensibilidade para com as familias das vítimas?

Como acham que se sentirão os enlutados, pais, mães, irmãos, irmãs, esposos, filhos e filhas daqueles que pereceram, ao visitarem o local e escutarem o chamado à prece de Allah Uakbar nos alto-falantes da mesquita? Sim, porque uma vez que a mesquita for construida, terá o direito de proclamar 5 vezes ao dia o chamado à prece em alto-falantes.

O que o governo de Obama fez mais uma vez, de modo extremamente arrogante, foi de alienar o povo que votou nele, basicamente dizendo que o povo não entende nada e ele conhece a Constituição dos Estados Unidos. Nancy Pelosi, a porta-voz do Congresso e mascote de Obama, chegou a dizer que gostaria que houvesse uma investigação daqueles que se opõem à construção da mesquita.

A consequencia para Obama é que foi publicada nesta semana, uma pesquisa feita antes da controvérsia que mostra que os americanos não acreditam que Obama seja cristão e que de fato ele é um muçulmano enrustido.

A consequencia para Nova Iorque é que já há um movimento que quer boicotar a construção do local. Isto não teria maiores consequencias se o movimento não fosse organizado pelos próprios sindicatos dos construtores civis. Estes trabalhadores, que monopolizam a construção civil em Nova Iorque, simplesmente se recusaram a trabalharem no projeto e organizaram uma passeata monstro na frente do prédio da mesquita hoje às 11 da manhã. Eles também dizem que não têm qualquer problema com a mesquita ou as rezas, mas o simbolismo atrás deste projeto.

Assim, em vez de ouvir e assegurar os americanos tradicionais que formam a maioria do eleitorado, Obama conseguiu criar mais tensões ao chama-los de intolerantes. Mais uma vez Obama se recusa a reconhecer o terrível crime que os islamistas perpetraram na América. Assim, só esperemos que depois de toda esta pressão, a razão chegue para estes que estão por trás deste projeto e que eles tomem a decisão correta de mudar o local deste centro comunitário.

Sunday, August 15, 2010

15/08/2010 - Subestimando Nasrallah...

Coisas interessantes estão acontecendo no Líbano. Ninguém entendeu muito bem o incidente na fronteira com Israel na semana retrasada, mas os acontecimentos desta semana parecem jogar alguma luz sobre o porquê do incidente.


Como primeira consequência do tiroteio e a presença de jornalistas da Reuters no local, o congresso americano mandou supender a ajuda militar prometida por Obama, da qual eu falei na semana passada, até que fique esclarecido o envolvimento da Hizbullah no governo libanês. Mas esta não é a maior preocupação do grupo terrorista pois o Irã já avisou que suprirá qualquer ajuda que não vier dos Estados Unidos.

O tribunal das Nações Unidas que está investigando o assassinato do primeiro ministro libanês Rafik Hariri em 2005 está apontando o dedo em direção à Hizbullah como mandante do crime. E o Líbano está fervendo. O potencial para uma nova guerra civil é enorme. O próprio assassinato de Hariri há 5 anos atrás quase provocou uma revolução.

A situação é tão louca que o filho de Hariri, Saad, que hoje é o primeiro ministro libanês, está correndo o mundo para defender a Hizbullah, os prováveis assassinos de seu pai, e adiar o anúncio do tribunal. Saad Hariri sabe que precisa evitar a qualquer custo o impacto incendiário que esta conclusão inevitável terá na colcha de retalhos que é o Líbano.

Mas aí, Hassan Nasrallah, o grande cacique da Hizbullah, vai à televisão libanesa na segunda-feira à noite e acusa quem do assassinato de Hariri? Vamos ver se vocês conseguem adivinhar.

Acertaram: ele acusa Israel. O governo de Netanyahu disse ser ridículo para Nasrallah, cinco anos depois, tentar culpar Israel. Outros oficiais do governo também ridicularizaram Nasrallah.

Mas a transmissão de segunda-feira não teve apenas o propósito de culpar o estado judeu, mais uma vez. O verdadeiro propósito, que a meu ver foi atingido por Nasrallah, foi o de plantar a dúvida entre os libaneses e fazer com que o governo de Saad Hariri suspenda toda a cooperação com o tribunal da ONU.

Por outro lado, Nasrallah aproveitou a oportunidade para lembrar dos grandes feitos da Hizbullah contra Israel.

Assim, ele dedicou a maior parte de seu discurso à emboscada em 1997 que deixou 12 soldados israelenses de elite mortos. Nasrallah disse que a morte de tantos comandos em uma só emboscada, foi o começo do fim da ocupação de Israel do sul do Líbano e da zona de segurança.

Nasrallah se vangloriou que esta intercepção sangrenta representou um sucesso glorioso de inteligência e operação para sua organização. As explosões que pegaram os comandos de surpresa e a suposta batalha que se seguiu com o massacre dos judeus são uma prova de seu heroismo e habilidade. Francamente, sua motivação para relembrar a emboscada de 1997 foi para demonstrar que não há outro líder no Líbano que possa enfrentar o inimigo sionista e portanto proteger o país, e que ele é unicamente valioso e deve ser protegido de qualquer acusação do assassinato de Hariri.

Nasrallah também esperou, com seu discurso, abrir uma velha ferida em Israel. E conseguiu. Logo depois da transmissão, um debate resurgiu em Israel de como exatamente a Hizbullah sabia da operação e de onde e quando colocar os explosivos que matou os comandos. O general da reserva Gabi Ofir, que investigou o incidente, insistiu que foi pura coincidência.

Mas a transmissão de Nasrallah incluiu a sequencia de um filme alegadamente gravado por um avião israelense operado por controle remoto. O filme, que deveria ter sido encriptado, não o foi e a falha foi rotulada de escandalosa pela mídia israelense.

A ênfase que Nasrallah colocou na bravura, determinação e importância da Hizbullah teve ainda um outro propósito. Ele quis reforçar a percepção de fraqueza de Israel, talvez em preparação para uma outra guerra.

Mas o que pareceu preocupar os israelenses são outros incidentes que mostraram sua vulnerabilidade. Como o do navio INS Hanit que foi bombardeado pela Hizbullah na segunda guerra do Líbano causando a morte de 4 marinheiros. Ou um mês antes quando a unidade de Gilad Shalit foi atacada pelo Hamas e ele levado ao cativeiro. Ou ultimamente, como comandos de elite de Israel puderam apanhar de mercenários à bordo do Mavi Marmara.

Todos estes incidentes são resultados de apenas um pecado original: o de subestimar o inimigo.

O chefe de estado maior das forças armadas israelenses Gabi Ashkenazi, em seu testemunho perante a comissão Turkel, disse na quarta-feira que o exército não tinha informações suficientes sobre os extremistas que estavam à bordo do Mavi Marmara e que o grupo IHH não estava na lista de prioridades. O mesmo foi dito por seu predecessor Dan Halutz sobre o sequestro de Gilad Shalit: que o exército não esperava uma operação deste tipo do Hamas. E depois sobre o INS Hanit: Halutz não esperava que a Hizbullah tivesse mísseis C-802 iranianos que pudessem acertar o navio.

Em 1997, Israel também não acreditava que a Hizbullah pudesse ter a capacidade de interceptar filmes gravados por aviões israelenses de reconhecimento que não haviam sido encriptados, apesar do processo ser relativamente fácil.

“Não nos demos conta, não acreditamos, não sabíamos... Mas provavelmente Israel deveria saber. Não foi a falta de inteligência e informação. Foi a falta de querer acreditar nelas e de subestimar o inimigo.

Se o incidente da semana retrasada na fronteira tivesse sido bem sucedido, teria dado a Nasrallah mais motivo para ser reconhecido como líder de fato e protetor do Líbano.

Em vez de sempre esperar pelo melhor, Israel deveria estar melhor preparada para o pior, em cada um destes terríveis incidentes. Certamente, Israel deveria reconhecer a crueldade do inimigo, inspirado pelo Irã e sua Guarda Revolucionária, que age inescrupulosamente e sem qualquer misericórdia.

A própria sobrevivência de Israel requer que ela internalize a malevolencia com a qual o Irã está trabalhando para alcançar seu objetivo declarado de destruir Israel, diretamente e através da Hizbullah e do Hamas.

Assim, podemos ridicularizar Nasrallah e chamá-lo de assassino cruel, confinado a seu bunker, atirando para todos os lados quando as paredes se fecham ao seu redor. Mas especialmente Israel precisa pensar melhor. Israel precisa sempre ter em mente que Nasrallah não é Nasrallah mas um representante do Irã. Que o Irã nunca ficará satisfeito até a total destruição física de Israel. E nesta situação, nunca se pode esperar pelo melhor mas estar sempre preparado para o pior. E para isto, nunca, nunca, se pode subestimar o inimigo.

Sunday, August 8, 2010

O Ataque do Líbano - Adaptado da Reportagem do Site Honest Reporting

O que fotógrafos e jornalistas estavam fazendo na cena do incidente antes da troca de fogo entre forças libanesas e israelenses que deixaram 5 mortos? Aonde está a integridade da mídia que cobre estes eventos?


Forças libanesas atiraram em soldados israelenses que estavam fazendo trabalho de manutenção rotineiro do lado israelense da fronteira. Todo trabalho de manutenção é coordenado e previamente aprovado pela UNIFIL (Forças Interinas das Nações Unidas para o Líbano). A manutenção de ontem era o corte de arbustos e galhos de árvores para melhorar a visão do outro lado da fronteira e impedir que terroristas da Hezbollah se escondam nestes arbustos e consigam atacar e sequestrar soldados ou atravessem para dentro de Israel. Assim, os libaneses sabiam que os israelenses estariam aonde estavam, na hora marcada. Aí está explicada a presença de tantos jornalistas durante o incidente.


É muito importante notar que as Nações Unidas demarcaram a linha azul que marca a fronteira official entre Israel e o Líbano. A barreira de segurança eregida por Israel, marcada em amarelo portanto, não está do lado libanês como pode ser visto no mapa abaixo.



















Agências de Notícia Reportam Erroneamente


Como é tão frequente em qualquer incidente envolvendo Israel, declarações oficiais do seu exército foram absolutamente ignoradas em favor das acusações libanesas de que Israel havia atravessado a fronteira para dentro do território libanes, um tema que agências como Reuters, preferiu publicar dizendo que o guindaste estava no lado libanês da fronteira.





Similarmente, a Associated Press também publicou erroneamente o local por várias horas depois do incidente antes de emitir a correção abaixo:
Se os fotógrafos destas agências de notícia estavam no local perto da grade de segurança, será que não sabiam realmente aonde os soldados estavam?


Apesar da correção, muitos jornais e veículos de mídia que usam a Reuters e a AP como fonts, continuam usando as notícias originais, incluindo o The Daily Telegraph, enquanto o The Independent chegou a afirmar que o incidente ocorreu do lado libanês da fronteira, no vilarejo do sul de Adaisseh."


Como e Porque os Jornalistas estavam em Adaisseh?


O AP report, reportagem da AP sobre o incidente, coloca Ronith Daher, um jornalista libanês e o fotógrafo da imagem acima, na cena do incidente. Evidentemente, alguém da Reuters também estava lá para fotografar a imagem anterior. Mas porque estavam eles no local tirando fotos antes do incidente ocorrer?


O corte de uma árvore não é por si uma notícia que merece manchete, mesmo na fronteira entre o Líbano e Israel. A não ser que, algo fora do comum estava sendo esperado. A UNIFIL e através dela, o exército libanês, haviam sido notificados da manutenção rotineira por Israel e até a UNIFIL agora confirma que os tiros dos libaneses não foram justificados.


Também de acordo com a AP, um jornalista libanês do diário Al-Akhbar, Assaf Abu Rahhal, foi morto quando fogo israelense caiu do seu lado no vilarejo de Adeisseh. Al-Akhbar é associado com a Hezbollah e foi denunciado pelo líder Libanês Druzo Walid Jumblatt como sendo patrocinado pela Síria e Irã. Então, o que é que Abu Rahhal estava fazendo na área, se expondo ao fogo dos dois lados?


Um fotógrafo da Reuters também estava em cena em Adeisseh capturando os momentos imediatamente após a retaliação israelense e a morte de Abu Rahhal e três soldados libaneses.





Outra vez perguntamos: como pode ser que o fotógrafo da Reuters estivesse tão convenientemente na cena em momento tão oportuno?


É um segredo aberto que partes do exército libanês foram infiltrados por simpatizantes e operativos da Hezbollah. Então, informação compartilhada entre Israel e a UNIFIL com o exército libanês, invariavelmente é passada para a Hezbollah.


Foi esta emboscada planejada e encenada como evidenciado pela presença de fotógrafos e jornalistas antes mesmo da troca de tiros? Estavam estes jornalistas no local exatamente por que tiveram aviso prévio de um confronto em potencial?


Uma Narrativa Simples Ignorada pela Mídia


Muitos veículos da mídia, incluindo a BBC, deram tanto ou mais peso para a narrative libanesa sobre o incidente apesar da prova cabal em contrário. A CNN afirmou que "Duas narrativas diversas emergiram sobre o incidente”. Ao comentar sobre a cobertura jornalistisca, particularmente do New York Times, Barry Rubin disse:


A verdade, no entanto, é fácil de verificar – Será que Israel anunciou a manutençaõ, permitiu os fotógrafos e pessoal das Nações Unidas assistirem e então, atravessaram a fronteira deliberadamente para dentro do Líbano? Mas Israel está sendo reportado como um aggressor que causou a troca de tiros. Ou milhões de pessoas acreditam que Israel foi a culpada ou o incidente deve ser questionado.


A narrativa, no entanto, é simples: Este foi um ataque sem provocação, com soldados libaneses atirando em israelenses e matando um soldado.


Prestem atenção para fotos com títulos incorretos ou imprecisos em sua mídia e TOME A INCIATIVA: escreva as correções e contate seus amigos para fazer o mesmo.


Esta foi uma Atualização publicada pelo Honest Reporting no dia 5 de agosto

• Como reportado no New York Times, as Nações Unidas confirmaram o relato dos eventos de Israel, publicamente confirmando que o exército estava conduzindo a manutenção em total transparência e cooperação com a UNIFIL do lado israelense da Linha Azul.

• Muitos veículos de mídia mencionados acima corrigiram os títulos e as notícias.

• O editor internacional da Sky News Tim Marshall também questionou porque tantos jornalistas e fotógrafos estavam na cena do evento.

• O Blog do Honest Reporting Backspin detalhadamente olha para a cobertura jornalistica e fotografica da Reuters do incidente e apresenta questões difíceis sobre a ética e integridade deste serviço de notícias.

8 de Agosto de 2010

Dizem que o caminho para o inferno é pavimentado de boas intenções.


Nesta última terça-feira soldados libaneses abriram fogo contra uma unidade do exército israelense que estava cortando uma árvore que estava dentro de Israel, entre a fronteira e a grade de segurança construida para evitar aproximação da fronteira.

Israel respondeu ao fogo e o resultado foi a perda de um oficial israelense, Tenente Coronel Dov Harari morto dentro de Israel a 180 metros da fronteira, dois soldados libaneses e um jornalista do jornal Al-Akhbar da Hizbullah!!!

O que é importante deixar claro, é que toda operação próxima da fronteira é primeiramente coordenada com a UNIFIL, a Força Interina para o Líbano das Nações Unidas que informa o exército libanês e dá o ok para o exército de Israel. Assim, já dá para entender que a presença do “jornalista” não era coincidência.

A UNIFIL confirmou que Israel não atravessou a fronteira e que havia dado o ok à Israel para cortar a árvore. E não é fácil atirar do vilarejo libanês Adaisseh em alguém do outro lado da fronteira, numa região montanhosa e cheia de árvores. Mas este franco atirador libanês teve ajuda. Ajuda dos Estados Unidos.

Nos últimos 5 anos, o exército libanês tem sido o segundo maior recipiente da ajuda militar americana per capita, depois de Israel. Um comunicado de imprensa do Departamento de Estado americano de 2008 informou que foram enviados ao Líbano 10 milhões de munição, veículos Humvees, partes de reposição de helicópteros, veículos para suas forças internas de segurança e as mesmas armas usadas pelas tropas americanas na linha de combate, incluindo rifles de assalto, lançadores automáticos de granadas, sistemas avançados para franco-atiradores, armas anti-tanques e as armas mais modernas para luta urbana.

De fato, desde 2006, os Estados Unidos forneceram mais de 500 milhões de dólares em assistência militar ao Líbano e vão fornecer mais. Obama em seu encontro com o primeiro ministro libanes Saad Hariri em Junho disse que estava determinado a fortalecer as forças armadas libanesas e as forças internas de segurança. De acordo com o Los Angeles Times, Obama já separou 100 milhões de dólares para o Líbano em 2011.

A razão dada pelos americanos para tudo isto? A necessidade de proteger a estabilidade interna e as fronteiras do Líbano”. Mas proteger de quem? À primeira vista, e erroneamente, poderiamos pensar que seria proteger o Líbano de outra invasão da Síria, mas não.. A fronteira com a Síria não tem presente absolutamente nenhum aparato do exército que não está nem mesmo marcada por uma grade. Não há qualquer ação para prevenir a transferência de armas da Síria e do Irã para a Hizbullah que se vangloria publicamente de estar em total controle do sul do país e ter hoje 10 vezes mais mísseis do que tinha em 2006, tudo debaixo do nariz da UNIFIL.

A emboscada de terça-feira mostrou que o Líbano está pronto para agredir ilegalmente o maior aliado dos Estados Unidos com as próprias armas fornecidas por Obama. E este não é o primeiro incidente. O jornal Jerusalem Post reportou na quarta-feira que desde 2009 em várias ocasiões, soldados libaneses apontaram armas para soldados patrulhando a fronteira e mostraram seu machismo com tiros de advertência. Era só uma questão de tempo eles começarem a atirar de verdade.

O Departamento de Estado Americano, que através da entrega de todas estas armas espera a estabilidade do Líbano, não fez absolutamente nada quando a Hizbullah tentou armar um golpe de estado contra o governo de Saniora em 2008.

Mas o que os Estados Unidos estão perdendo na visão idílica de Obama, é que o exército libanês está totalmente tomado pelos shiitas adeptos da Hizbullah. Vejam só, na semana passada o Los Angeles Times reportou que as forças internas de segurança libanesas estavam usando o equipamento americano de sinais para ajudar a Hizbullah a encontrar agentes israelenses. De acordo com o Times, este governo libanês está ajudando a Hizbullah a quebrar células de espiões pró-Israel com o próprio equipamento fornecido pelas nações do ocidente para vencer o grupo terrorista.

A ingenuidade Americana às vezes dói. Na mesma reportagem do Times, o assistente secretário de Defesa Alexander Vershbow disse que os Estados Unidos iriam continuar treinando o exército libanês para prevenir ações de milícias e organizações não governamentais. Mas o que fazer se a Hizbullah é membro do governo libanês desde 2005 e desde a tentativa de golpe em 2008, tem o poder de veto sobre todas as decisões do governo libanês?

Mas como sabemos, o exército libanês não é a única organização inimiga de Israel que os Estados Unidos está ativamente ajudando. Tem também a Autoridade Palestina. O exército israelense está profundamente preocupado com o fato de que as forças de Abbas estão cada vez mais se envolvendo em ataques terroristas contra Israel.

O general Avi Mizrahi avisou já em Maio que as forças palestinas treinadas e equipadas pelos Estados Unidos seriam capazes de tomarem pequenos postos do exército e atacarem com sucesso comunidades israelenses fronteiriças. Não só Obama prometeu mais 100 milhões de dólares em ajuda às forças de Abbas, depois de já ter gasto 400 milhões mas ainda quer que Israel o ajude na tarefa. Obama criticou Israel por ter se oposto à transferência de rifles de assalto AK-47 para as forças palestinas e de treinar forças com táticas anti-terror. Ainda, Obama reclamou que Israel não dava liberdade de movimento aos seus conselheiros que estavam treinando os palestinos na Judéia e Samária.

Os Estados Unidos dizem que o que estão fazendo é criar estabilidade. Que a falta dela impediu que forças libanesas e palestinas conseguissem evitar que grupos terroristas atacassem Israel no passado. Em sua lógica, Obama acha que as forças institucionais são contra os grupos terroristas e portanto vale a pena gastar mais de um bilhão de dólares nestes pilares da moderação para que eles ponham os terroristas em seu lugar.

Ninguém, mas ninguém levantou a possibilidade de que os membros destas forças libanesas e palestinas poderiam estar ideologicamente do lado destes terroristas, dividindo com eles os novos treinamentos adquiridos e as armas e equipamentos americanos e que no final, eles também almejam a destruição de Israel.

E Israel? Publicamente, Israel tem dado apoio às iniciativas americanas e ao faze-lo, está usando a mesma lógica usada para aceitar a vinda de Yasser Arafar e a OLP para dentro de Israel em 1993.

Sucessivos governos israelenses disseram que ao agirem assim, eles conseguem uma vantagem política e que no mínimo reduzem as críticas quando Israel se defende. É, realmente... nós vimos como as críticas diminuem.

No Líbano, Israel concordou em não atacar o governo de Saniora na esperança de que houvesse ação para vencer a Hizbullah. Mas isto não aconteceu. Depois do acordo, os Estados Unidos e a UNIFIL, olharam para o outro lado enquanto a Hizbullah literalmente tomava o governo libanes e recebia livremente mísseis e armas do Irã. Hoje, Hariri aje como defensor da Hizbullah junto à comunidade internacional. A lógica do apaziguamento parece sempre ir em uma só direção: a favor dos inimigos de Israel.

O mesmo aconteceu com a OLP. Quando Yasser Arafat ordenou a intifada contra Israel em vez de aceitar um estado, os Estados Unidos, a União Européia e as Nações Unidas todas se calaram e só se manifestaram quando as ações de defesa de Israel pareciam à eles desmesuradas.

O mundo está tão investido na ilusão da paz dos palestinos que ele se recusa a abandoná-la. E assim, o mundo precisa usar de uma lógica demente na qual faz sentido ajudar a treinar e a equipar um exército palestino depois que a vasta maioria do povo elegeu democraticamente o Hamas para lidera-los. E a mesma lógica demente que manda gastar centenas de milhões de dólares no exército libanês totalmente controlado pela Hizbullah.

E aí por diante. A cada vez, sem exceção, que Israel se dispôs a aceitar a mentira sobre a natureza de seus inimigos ela voltou para assombra-la. Nunca, nenhuma vez, Israel ganhou terreno ao fechar os olhos para a hostilidade de líderes como Salaam Fayyad e Saad Hariri.

É verdade. Infelizmente os Estados Unidos estão ajudando e protegendo os que sonham destruir Israel. Mas acho que também é verdade que os Estados Unidos não vão parar com esta insanidade até que Israel exija que parem. E Israel não irá exigir que os Estados Unidos parem de fortalecer seus inimigos até ela própria se dar conta que a lealdade de um aliado se mantém com a verdade e franqueza e não pela aceitação de mentiras contadas por ele.

Thursday, August 5, 2010

1 de Agosto de 2010

Esta semana aqui nos Estados Unidos, o ganhador do Oscar Oliver Stone se juntou a Helen Thomas e a Mel Gibson, aumentando o número de anti-semitas que sairam do armário. Numa entrevista ao Sunday Times, Stone disse que Adolf Hitler tinha levado a pior e que através da dominação judaica da mídia os judeus aumentaram a importancia do Holocausto e arruinaram a política externa americana.

Como disse Caroline Glick do Jerusalem Post, é a primavera dos antisemitas que querem sair do armário.

Devido à barragem de críticas vindas dos círculos judaicos, na quarta-feira, o publicista de Stone emitiu um esclarecimento meia-boca. Ele não retirou sua declaração que “os judeus são um grande lobby nos Estados Unidos que trabalham duro. Ficam em cima de cada comentário. O lobby mais poderoso de Washington. Durante anos, Israel f.. os Estados Unidos em política externa".

Ele também não retirou sua declaração que "os judeus usam o Holocausto para controlar a política externa americana". Stone simplesmente disse que foi desajeitada sua afirmação de que os judeus fazem muito do Holocausto porque afinal das contas, os alemães mataram mais russos do que judeus.

Stone acredita que a prisão e exterminio de ¾ dos judeus da Europa não é um evento tão notável ou moralmente reprovável como as casualidades russas da Guerra.

Mas pior do que a demonstração de antisemitismo de Stone foi a maneira pela qual ela foi recebida. Por um lado, houve um silêncio atordoante da mídia. Por outro lado, houveram tentativas insistentes e repetidas para justificar suas declarações.

Fans do diretor de cinema inundaram os chats na internet dizendo que suas observações não eram racistas. Muitos concordaram com ele, que os judeus controlam a mídia e porque eles acreditam isto ser verdade, então o que ele disse é simplesmente o relato de um fato. Outros disseram que apesar do que Stone disse não ser exato, não há qualquer evidência de que ele odeia judeus e portanto, ele não é antisemita.

De qualquer forma, Patrick Goldstein do Los Angeles Times e muitos outros disseram que seria errado para Stone ser desacreditado por seus ataques contra judeus. Fico imaginando se Stone tivesse feito declarações sobre outros grupos como os negros, por exemplo, e dizer que eles destruiram a política externa americana, se estes jornalistas o teriam defendido.

Mas o antisemitismo tem regras diferentes dos outros ódios.

Stone e aqueles que o defendem não estão sós em sua atitude ou omissão para com os judeus. Eles são parte de uma nova moda.

Tomem a situação no porto de Malmo na Suécia. Já falei sobre o que acontece naquela cidade tomada por muçulmanos. Na última sexta-feira, anti-judeus explodiram bombas fora da sinagoga. As explosões vieram um dia depois de um poster com a ameaça de bomba ter sido colado na parede da sinagoga... pela segunda vez em uma semana.

Este é um lugar que os judeus estão abandonando rapidamente mas os suecos não querem reconhecer que há um problema de antisemitismo em sua cidade. Bjorn Lagerback, chefe da polícia em crimes involvendo racismo disse que as bombas eram de fato perigosas porque poderiam machucar os transeuntes.

Esqueça o fato que só as sinagogas em Malmo, não as igrejas, não as mesquitas, têm que ter proteção 24 horas por dia. Se nenhum outro grupo étnico é atacado, porque estes ataques não são condenados? A aceitação do antisemitismo tem alcançado proporções epidêmicas.

Em Amsterdam, judeus são atacados verbal e fisicamente o tempo todo. Mas a polícia holandesa tem problema em punir os anti-Semitas. Evelien van Roemburg, um conselheiro do Partido Verde disse que o uso pela polícia de pessoas vestidas como judeus para pegar os atacantes é por si só uma armadilha criminalmente punível pela lei.

E isto é na Europa e nos Estados Unidos. Em Gaza então nem se fala. Na sexta-feira passada, o discurso semanal na mesquita principal da cidade incluiu referencias a judeus como porcos e macacos e que os palestinos, inclusive as mulheres sem a permissão dos maridos (!!!), tinham o dever de fazer o jihad para liberar a terra palestina da imundice dos judeus. O povo mais imundo que D-us colocou na terra.

A conclusão de tudo isto é que a forma moderna de antisemitismo é o antisionismo. Os antisemitas não aceitam que seu anti-israelismo seja racista. Mas eles chegam a negar que ataques fisicos e verbais sejam antisemitas, então não há surpresa.

O sionismo é o movimento de libertação do povo judeu. Dizer que judeus, e só os judeus, não têm direito à liberdade e autodeterminação, é patentemente antisemita.

Alguns dizem que não são contra o nacionalismo judaico per se. Eles são simplesmente globalistas, anti-nacionalistas em geral. Mas o interessante é que estas pessoas são as que mais defendem o direito dos palestinos a um estado. Também é interessante que estes anti-nacionalistas universais tenham um termo especial para o anti-nacionalismo judaico, que é o antisionismo. Ninguém menciona ser anti-irlandês ou anti-kurdo.

Quando alguém se opõe ao nacionalismo irlandês, a conclusão óbvia é que ele ou ela não gosta do povo irlandês. Mas os antisionistas convenceram o mundo que sua oposição ao estado judeu não tem nada a ver com seus sentimentos para com os judeus.

Será? Vamos ver o exemplo da parlamentar inglesa Clare Short. Durante sua carreira política, Short se tornou uma ávida crítica de Israel, rejeitando seu direito de existir e castigando o estado como “brutal, sangrento, que sistematicamente anexa terras, destroi casas e implementa um sistema de apartheid contra os palestinos”. Mas os ataques de Short não pararam por aí. No final, como seus antepassados que culpavam os judeus por secas, chuvas, pragas e fogo, ela culpou Israel pelo aquecimento global!!

De acordo com ela, a insistência de Israel de continuar a existir causa uma obsessão nos Europeus que têm que condená-la e isto impede que os países do continente europeu possam se concentrar na emissão de carbono que acabará com a raça humana. Assim, será a culpa de Israel se o mundo cozinhar.

Outros procuram e conseguem sucesso com trabalhos anti-sionistas como o professor Juan Cole da Universidade de Michigan que escreveu “Dez Razões pelas quais Jerusalem do Leste não pertence a Israel”. Entre fatos históricos distorcidos, muitos inventados e outros mentirosos, Cole mostrou que para ser um bom anti-sionista é preciso negar a história judaica, negar que os judeus são um povo e portanto, negar seu direito à uma terra.

O próprio fato de que esta semana eu tenha sentido a necessidade de explicar porque o antisemitismo é antisemitismo e porque o antisionismo é antisemitismo é uma prova deprimente de que a história está completando o círculo e voltando para aonde estavamos na década de 30 quando os anti-semitas faziam sucesso com seu racismo.

O que faz o antisemitismo contemporâneo único são os esforços feitos por seus promotores para esconder sua própria existência. Sua motivação é clara. Fora do mundo muçulmano com seu antisemitismo aberto e genocida, a maioria dos antisemitas se auto-declaram liberais que deveriam se opor ao racismo e à discriminação. Para estas pessoas, esconder seu racismo é chave para continuarem a serem vistos como liberais esclarecidos.

E aí, aqueles como Oliver Stone publicam esclarecimentos. E Cole inventa a sua historia e os europeus culpam os judeus, e Israel e o Sionismo quando judeus dentro e fora de Israel são atacados e mortos. E hoje eu sinto muito ter escrito este programa porque ter que explicar porque o mal é mal para vocês ouvintes quer dizer que ele já triunfou.

25 Julho 2010

Sempre que falamos sobre o Oriente Médio a discussão é acirrada. Mas em geral, com poucas exceções, as pessoas se recusam a discutir a substancia do problema e invariavelmente jogam barragens de insultos, caracterizações e argumentos totalmente sem logica e sem base em fatos.

O argumento número um que escuto é que eu, e pessoas como eu, somos de direita. Nada menos do que da direita radical pois está claro que não gostamos de Barack Obama e para Israel, somos contra a solução de dois estados além de falarmos coisas malvadas sobre árabes e muçulmanos. Assim, tudo o que falamos deve ser ignorado. Recebo muitos emails assim.

Não vou começar a elocubrar sobre aonde me encontro no espectro político, se no meio, à direita ou à esquerda. Isto é irrelevante. Mas quero notar que muitos democratas e a vasta maioria dos independentes nos Estados Unidos que votaram em Obama, estão seriamente descontentes com sua política externa. Em Israel, gostaria de lembrar que o partido trabalhista israelense que é de esquerda, hoje faz parte do governo de Netanyahu que é rotulado de extrema direita.

Rotular as pessoas como radicais é somente uma tática para convencer uma audiência liberal a ignorar críticas. Assim, todas as minhas críticas a Obama devem ser ignoradas porque na opinião destes que dizem que me conhecem, eu sou uma radical de direita.

Sobre Israel então, minhas opiniões de direita não são próprias de um discurso civilizado e cheguei a ser chamada de inimiga dos esclarecidos. O que me deixa mais intrigada, no entanto, é que estes autoentitulados liberais deveriam defender Israel com unhas e dentes. O único país democrático, aberto, com uma sociedade liberal, aliado dos Estados Unidos, lutando contra forças repressivas e agressivas e um país que já fez grandes sacrifícios pela paz.

Israel deveria ser A CAUSA dos liberais. Eles deveria se opor ao estabelecimento de regimes radicais islamicos que destroem os direitos individuais, criam ditaduras cruéis e oprimem mulheres e todos que não são muçulmanos. Além disso, é do interesse nacional dos Estados Unidos e do ocidente em geral, se oporem a uma região dominada pelo Irã e seus aliados, se oporem à queda dos regimes árabes moderados, se oporem à destruição de Israel e ao aumento da violência que isto resultaria.

O segundo argumento que ouço é que eu não gosto de Obama por questões de raça ou credo. Para muitos, Barack Obama é um ícone que está acima de qualquer crítica. Assim, se qualquer um fala qualquer coisa negativa de sua administração, é mau, racista, xenófobo e portanto deve ser ignorado.

Não é nenhum segredo que a administração do presidente Obama está fracassando em todas as áreas de política externa. É só ver o que a opinião pública dos países muçulmanos pensa dele. A simpatia dos árabes que ele queria ganhar ao virar a cara aos seus aliados, simplesmente não aconteceu.

A realidade é que Obama tem que enfrentar o mesmo critério de análise e ser julgado pelos mesmos parâmetros que seus predecessores. Muitas vidas e a liberdade de países inteiros dependem disto.

Dois anos após ser empossado, Obama ainda toca o mesmo disco, culpando Bush pela situação econômica do país e até pelo desastre no Golfo causado pela BP. Isto é típico de alguém que não tem a coragem assumir responsabilidade por falhas.

A terceira coisa que vejo é o abandono da lógica. Ultimamente há um aumento exponencial de argumentos que não são racionais. Muitos acham que sentimentos e não a lógica são prioridade.

Outro argumento que vejo é que os israelenses não confiam em Obama por causa do seu nome do meio Hussein, um nome muçulmano. Quando vejo isto é fácil notar a implicação de racismo. O problema é que a reação original dos israelenses a Obama, de acordo com as pesquisas de opinião da época, era muito favorável a ele. E ele tinha o mesmo nome. O que mudou foi sua política em relação à Israel.

Finalmente, escuto que os israelenses são estúpidos. Vivem com o trauma do holocausto e acham que o mundo inteiro está aí para acabar com eles e que então o mundo deve salvar Israel de si próprio. Este argumento me deixa louca. Além da ignorância mostrada por pessoas tão arrogantes, um dos grandes problemas é que o mundo tem memória curta e esqueceu os massacres de suicidas de 1993 até 2002. Mas os israelenses não esqueceram.

Tentamos um processo no qual bilhões de dólares foram jogados dentro da Autoridade Palestina e muitas concessões, todas unilaterais, feitas por Israel. Território foi passado para o controle palestino e o resultado foi uma violência maciça e a recusa em fazer a paz.

Como resultado de experiência – não de trauma, não de ideologia – o debate em Israel mudou. Hoje não há uma discussão séria em tirar judeus da Judéia e Samária ou de tomar Gaza de volta. Os israelenses gostariam de uma solução de dois estados que lhes dessem paz e segurança.

Mas estão muito duvidosos de concessões unilaterais que colocariam suas vidas em perigo e duvidosos da boa fé da autoridade palestina. A única coisa que os israelenses não duvidam são das intenções do Hamas e dos outros islamistas que deixaram claro que querem a destruição do estado judeu.

Não estamos mais em 1990 ou em 1970. Hoje as opções de Israel são bem menores. Há um parceiro para negociações e cooperação à curto prazo mas não há um parceiro para uma paz compreensiva.

O Irã, a Siria, o Hamas e a Hizbullah não estão aí para negociar com um estado judeu. Mas os líderes de Israel não devem esquecer que os países árabes moderados têm interesses similares, principalmente em relação ao Irã, e devem fazer uso disso, apesar de uma cooperação com eles ser extremamente limitada.

O islamismo revolucionário está avançando no mundo inteiro e os Estados Unidos, devido à política de Obama, não está lutando contra ele. As pessoas aqui sabem que estamos em 2010, que o Irã já obteve ou está prestes a obter armas nucleares mas o resto do mundo parece não entender o que isto significa.

Assim, as pessoas não seguem os fatos ou compreendem como um país pode ou não pode defender sua própria vida. E não é só a sobrevivência de Israel que está em jogo, mas a sobrevivência de muitos outros países, até inimigos declarados de Israel.

Está claro que é preciso repensar a estratégia e educar o povo. Estes que rejeitam qualquer crítica que não se coaduna com o discurso "politicamente correto" de hoje, estão de fato apoiando regimes repressivos islamicos, ditaduras revolucionárias e expansionistas como o Hamas, um filhote do Irã que advoga abertamente o genocídio no Mediterraneo.

Como se o Mediterraneo já não estivesse saturado de sangue judeu.

Assim, se você  concordar comigo, chegou a hora de rejeitar estes argumentos tolos e de desafiar os que os repetem a discutir a substancia do problema. Temos que ser ativos. Se cada um de nós tomar para si uma tarefa, por menor que seja como por exemplo se educar a respeitos dos fatos, ou responder à artigos de mídia, etc., podemos causar uma mudança no curso desta história que hoje não promete um final feliz.